Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) busca desenvolver uma nova maneira de fabricar memórias computacionais. Conhecidas como memória resistiva (ReRAM), ou simplesmente memristores, o artifício tecnológico retira a divisão das informações dos eletrônicos em unidades de armazenamento e memória instantânea. Ou seja, caso você esteja usando um computador essa tecnologia e a energia cair, os documentos, arquivos e jogos não serão reiniciados.

Basicamente, a ideia proposta por Marina Sparvoli, pós-doutoranda do Instituto de Física (IF), pode acabar com o medo mundial de perder os arquivos não salvos porque o computador desligou repentinamente. Isso porque atualmente os eletrônicos que usamos durante o dia-a-dia possuem as chamadas memórias de acesso aleatório (RAM). Ou seja, as informações são perdidas quando o dispositivo é desligado. 

Para o professor José Fernando Chubaci, supervisor de Sparvoli, a forma que os memristores podem ser criados na USP é inédita e podem ter uma aplicação no mercado internacional nos próximos 10 a 20 anos. 

“A doutora Marina conseguiu criar memórias resistivas usando grafeno com o Iton, o óxido de índio-estanho com dopagem de nitrogênio, ampliando o espaço de pesquisa na área e trazendo conhecimento ao nosso laboratório”, disse o docente, ressaltando que o processo normalmente é feito baseado em dióxido de titânio (TiO2), um sólido branco que inclusive pode ser tóxico.