Resultados do marcador: Literatura
Primeiro lançamento irá acontecer no dia 29 de abril na biblioteca do Sesc Centro
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Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
A fim de proporcionar maior exposição, valorização e reconhecimento dos escritores locais, o Sesc Goiás abre as inscrições para o Lançamento de Livros de escritores goianos do ano de 2016. Serão realizados cinco lançamentos em 2016 com quatro autores/coletivos por lançamento, com entrada franca para o público. As inscrições são feitas através do site www.sescgo.com.br.
O projeto Sesc Lançamento de Livros existe desde 2010 e visa a parceria com autores goianos para lançar suas obras literárias. O projeto já atendeu mais de 100 autores desde sua 1ª edição. As ações do Sesc Lançamento de Livros auxiliam no registro, distribuição e acesso a cultura goiana.
O primeiro coquetel de lançamento será realizado no dia 29 de abril. Os demais acontecem em 24 de junho; 29 de julho; 30 de setembro; e 28 de outubro. São selecionados quatro autores para cada lançamento por ordem de inscrição.
"Dédalo da contemporaneidade", o italiano é autor de diversas obras, ensaios e artigos, sendo considerado um dos intelectuais mais cultos do mundo
Com base em mito mexicano, a escritora goiana Maria Luiza Pires Medeiros lança novo livro, o romance “Elo — O Tempo e A Vida”
Livro que tem como pano de fundo o mundo corporativo mostra as falhas das empresas de comunicação atuais
Vencedora três vezes do Prêmio Jabuti, a autora de “Ciranda de Pedra”, “As Meninas” e “As Horas Nuas”, agora, tem tudo para conquistar o maior do mundo, o Nobel de Literatura
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UBE indicou a escritora ao Prêmio Nobel de Literatura de 2016 | Foto: Reprodução[/caption]
Luís Antonio Torelli
Especial para o Jornal Opção
Lygia Fagundes Telles é a maior escritora viva do Brasil. Sua indicação ao Prêmio Nobel de Literatura foi uma iniciativa muito feliz, lúcida e justa da União Brasileira de Escritores (UBE). Para o nosso país, a concessão do prêmio à autora de obras-primas como “Ciranda de Pedra”, “As Meninas” e “As Horas Nuas” seria uma imensa conquista, à altura da qualidade e importância de nossa literatura, uma das mais ricas, diversificadas e belas do mundo, mas que jamais recebeu reconhecimento de tamanha envergadura.
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Foto: Reprodução[/caption]
Por isso, a candidatura é muito importante para o País, nossa população, literatura e setor editorial. A Câmara Brasileira do Livro (CBL) apoia a indicação de Lygia, que, aos 92 anos, é uma expressão do que há de melhor na literatura nacional. Independentemente da decisão da Academia Sueca de Letras, responsável pela eleição do vencedor do Nobel de Literatura, a presença de nossa escritora entre os indicados é uma ótima oportunidade para todos os brasileiros conhecerem melhor nossa grande autora e o mundo saber quem é Lygia Fagundes Telles.
É importante entender como funciona o processo de indicação e escolha dos candidatos e do vencedor do Nobel. A Academia Real das Ciências da Suécia, que promove pesquisas científicas, é responsável pelos prêmios de Física, Química e Economia. O Instituto Karolinska, da Universidade de Estocolmo, indica os ganhadores em Medicina. A Academia Sueca de Letras escolhe o vencedor em Literatura. E o Comitê Nobel Norueguês, formado por pessoas indicadas pelo Parlamento daquele país, é quem entrega o prêmio da Paz.
Estas instituições enviam formulários a cientistas, professores e intelectuais de todo o mundo, solicitando a indicação de candidatos, cujos currículos e trajetórias são examinados por comitês de especialistas. São estes que, em cada um dos quatro órgãos, votam e elegem os vencedores. Tomara que, em outubro, quando costuma ocorrer o anúncio dos ganhadores, em Estocolmo, na Suécia, o Brasil receba pela primeira vez um Prêmio Nobel. Seria fantástico que essa inusitada conquista se desse no universo dos livros e por meio da genialidade de Lygia Fagundes Telles.
Nossa menina autora ganhou três vezes o Prêmio Jabuti (1966, 1974 e 2001), o primeiro que recebeu em sua brilhante trajetória de escritora e o mais importante do setor editorial brasileiro. Agora, tem tudo para conquistar o maior do mundo, o Nobel de Literatura. Sempre desbravadora, foi uma das primeiras mulheres a se formar na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Integrante da Academia Paulista de Letras, da Academia Brasileira de Letras (ABL) e da Academia das Ciências de Lisboa, pode, mais uma vez, ser pioneira, dando o primeiro Nobel ao Brasil.
Saiba, porém, querida Lygia, que, para todos nós, você já é a maior, independentemente do resultado final. Cabe-nos agradecer tudo o que já fez e ainda fará pela literatura e o livro do Brasil.
Leia abaixo um trecho de "As Meninas", romance de 1973.
"Sentei na cama. Era cedo para tomar banho. Tombei para trás, abracei o travesseiro e pensei em M.N., a melhor coisa do mundo não é beber água de coco verde e depois mijar no mar, o tio da Lião disse isso mas ele não sabe, a melhor coisa mesmo é ficar imaginando o que M.N. vai dizer e fazer quando cair meu último véu. O último véu! escreveria Lião, ela fica sublime quando escreve, começou o romance dizendo que em dezembro a cidade cheira a pêssego. Imagine, pêssego. Dezembro é tempo de pêssego, está certo, às vezes a gente encontra as carroças de frutas nas esquinas com o cheiro de pomar em redor mas concluir daí que a cidade inteira fica perfumada, já é sublimar demais. Dedicou a história a Guevara com um pensamento importantíssimo sobre a vida e a morte, tudo em latim. Imagine se entra latim no esquema guevariano. Ou entra? E se ele gostava de latim. Eu não gosto? Nas horas nobres deitava no chão, cruzava as mãos debaixo da cabeça e ficava olhando as nuvens e latinando, a morte combina muito com latim, não tem coisa que combine tanto com latim como a morte. Mas aceitar que esta cidade cheira a pêssego, exorbita. ¿Qué ciudad será esa? ele perguntaria na maior perplexidade. ¿Tercer Mundo? Terceiro Mundo. ¿Y huele a durazno?Na opinião de Lia de Melo Schultz, cheira."
Luís Antonio Torelli é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).
Publicação estará disponível já em abril
Publicado pela Editora Unicamp, a nova edição do livro de 1982, “Do vampiro ao cafajeste — uma leitura da obra de Dalton Trevisan”, tem 17 novos artigos
Em textos distintos, mas de nome próximo (“A Enxada!” e “A Enxada”), os escritores narram a lida com a terra e o desumano
Em vida, a poeta norte-americana teve apenas dez poemas publicados, ainda que tenha legado a posteridade mais de 1800 escritos. Dickinson ganha cada vez mais traduções
Confira alguns dos títulos destacados por escritores e críticos de Goiás, como Edival Lourenço, Ademir Luiz, Francisco Perna Filho, Carlos Augusto e Itamar Pires
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Reprodução[/caption]
Miguel Jorge
Especial para o Jornal Opção
Neste Natal, que não se percam as esperanças,
mesmo entradas em melancólica desarmonia.
Mesmo a se digladiarem entre o sim e o não,
Abrir-se em alegrias para os sonhos
que se têm para sonhar.
Não se percam as vozes no sobrevoo de outras vozes,
Dos que se crêem felizes com o princípio eterno do amar.
Socorrem-nos as rezas a partir do agora. As comezinhas causas
das cozinhas, a segurança de não mais sentir-se armado,
Pois a realidade da vida é igual à própria vida.
(o menino plantou uma árvore de Natal.
Nasceram nela olhos mecânicos. Em um deles
viam-se bombas, como que disfarçadas em pombas.
Em outro, corações partidos, esvaziados de lembranças).
- Vale mais o interior das pessoas, a horizontalidade dos dias,
- O elo das flores, o virar das esquinas sem medo.
- As alvas manhãs sem condenações.
- As alegrias das casas, embora adversidades tantas.
(O menino ficou imaginando: se plantasse outra
árvore, o que nasceria dela? Era bem difícil adivinhar.
Viria outro planeta em seu socorro? Alguém lhe traria
de volta os patins que ontem lhe roubaram? As vozes voltariam
cheias de calor?)
Neste Natal, várias chaves abrirão novas portas, esperamos. Músicas,
murmúrios, milagres a se renovarem, ausentes de qualquer surpresa.
Pois, Natal é dar voltas ao mundo, é dar rimas ao
universo, é iluminar com novas luzes velhas estrelas.
(O menino fechou os olhos, alguém acendeu uma luz.
Era o sonho que voltava, talvez a iluminar seu futuro.
Havia coisas belas, figurações de anjos, campos de céus,
e uma criança a sorrir na manjedoura).
Neste Natal, precisa-se recorrer às harmonias das cores,
todas elas. Esquecer as armas, mesmo as que se havia
imaginado, que bombas são intervalos para pesadelos.
(O menino ajoelhou e rezou. Não sabia por quem, ou
para quem, mas orava. Estava diante dele mesmo a se dizer:
que os homens, os deuses, as religiões não podem pesar-se
em balanças. As almas se reconhecem, os corações abrigam-se
nas cores que os céus apontam. O mesmo céu que dá vida às flores,
nos intriga com seu silêncio).
O menino não se lembrou de mais nada,
nem mesmo dos patins. Sabia que a vida era
cheia de atalhos. Não havia perturbações,
nem desânimo em seu coração. Lá fora, as árvores
arrebentavam-se em florações e quem por lá passasse
certamente ergueria os olhos para elas. Certamente
sorririam. Certamente não teriam mais pensares para absurdas
geografias. Verdadeiramente o dia teria sido.
Natal de 2015
Com mais de 40 obras em sua filmografia, Andrade nunca deixou de manter estreita ligação com a literatura. O livro “Poeira e escuridão” acaba de chegar às prateleiras
Irapuan Costa Júnior escreve ao Opção Cultural para explicar como foi o processo de tradução de “First Principles”, livro do filósofo inglês Herbert Spencer
“The Complete Stories” ainda não foi publicado no Brasil. A expectativa é que chegue às livrarias brasileiras no próximo ano
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Ilustração de Jean-Philippe Delhomme | NY Times Reprodução[/caption]
“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”
Clarice Lispector, em Aprendendo a viver
Yago Rodrigues Alvim A crítica literária do The New York Times (NY Times) publicou uma lista dos cem melhores livros de ficção, poesia e não-ficção de 2015. A surpresa, ou nem tão surpresa assim, está entre os dez primeiros colocados, mais especificamente no sexto lugar. É o livro “The Complete Stories” (New Directions), de Clarice Lispector. Com edição de Benjamin Moser e sensivelmente traduzido por Katrina Dodson, a obra ainda não foi publicado no Brasil. A expectativa é de que ele chegue por aqui no ano que vem. [caption id="attachment_53320" align="alignleft" width="250"]
Foto: Reprodução/Rocco[/caption]
“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.”
— Trecho do livro “Aprendendo a viver” ( Rocco, 2004), de Clarice Lispector.
A escritora ucraniana, de nascença, é muitíssimo traduzida fora do país em que fora naturalizada, o Brasil. Por exemplo, no Peru, ela é a única autora brasileira que tem obra completa traduzida. Na reportagem do NY Times, eles a descrevem como “uma dos originais escritores da América Latina”.
Realizada na Biblioteca Parque Villa-Lobos, a premiação também condecorou Estevão Azevedo e Micheliny Verunschk [gallery size="full" type="slideshow" ids="53305,26853"] Yago Rodrigues Alvim “Eu era incapaz de chegar a um lugar e dizer o que queria. Sempre envolvida pelas possibilidades de estar querendo — ou acreditando querer — a coisa errada. Sempre que eu ia a uma lanchonete com meu pai, eu precisava ver o cardápio inteiro, todas as vitrines de bolos, ponderando, desesperadamente, sobre as opções. Ele sempre se impacientava com isso. Em lanchonetes, ele caminhava decidido ao balcão e, sem perguntar o que serviam, sem ter em mãos o cardápio, pedia: Um misto quente e um café. Ele não se preocupava com as opções. E por que deveria? Eu é que tive opções demais na vida. Ele, não. Ele sabia o que queria. Adaptou-se ao fato de que qualquer birosca ofereceria misto quente e café. Ele teve uma só possibilidade. — Tem que ser simples — ele dizia. — Mas com o senhor vai saber se eles não têm algo muito melhor a oferecer que o misto quente?” Do romance “Enquanto Deus Não Está Olhando” (Record), o trecho, acima citado, é apenas um aperitivo de Débora Ferraz, autora pernambucana que venceu o Prêmio São Paulo de Literatura 2015, na categoria Melhor Livro de Romance do Ano – Autor Estreante com menos de 40 anos. Realizada na Biblioteca Parque Villa-Lobos, a premiação também condecorou Estevão Azevedo, na categoria Melhor Livro de Romance do Ano, com o livro “Tempo de Espalhar Pedras” (Cosas Naify), e Micheliny Verunschk, na categoria Melhor Livro de Romance do Ano – Autor Estreante com mais de 40 anos, com o livro “Nossa Teresa - Vida e Morte de uma Santa Suicida” (Patuá). [relacionadas artigos="26397"] Não linear e com fluxo de pensamento, o romance de estreia de Débora narra a história de Érica, uma jovem artista plástica que conta com a companhia de Vinícius, um antigo amigo, para desvendar o paradeiro do pai, que fugiu do hospital em que estava internado. Além da perda e da insegurança de entrar na vida adulta despreparada (leia o trecho abaixo), a obra é sobre o que a escritora chama de “instante modificador”, o ínfimo de segundo que transforma completamente a trajetória do homem. Natural de Natal, no Rio Grande do Norte, Estevão Azevedo graduou em Jornalismo e Letras. Atualmente reside em São Paulo, onde atua como editor e escritor. Publicou os livros de contos “O Terceiro Dia” (2004) e “O som do nada acontecendo” (2005), ambos pelo coletivo Edições K. “Nunca o Nome do Menino” (Terceiro Nome, 2008), seu primeiro romance, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura em 2009. Já Micheliny Verunschk, também pernambucana, estreou no gênero romance com “Nossa Teresa – Vida e Morte de uma Santa Suicida”. Doutoranda em Comunicação e Semiótica e mestre em Literatura e Crítica Literária, ambos pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Micheliny também é autora dos livros “Geografia Íntima do Deserto” (Landy, 2003), “O Observador e o Nada” (Edições Bagaço, 2003) e “A cartografia da Noite” (Lumme Editor, 2010). Por fim, mais um trecho de “Enquanto Deus Não Está Olhando” de Débora, escritora que participou do projeto Quatro Estações, idealizado pelo escritor e crítico literário Sérgio Tavares, e publicado no Jornal Opção. O projeto se trata de quatro contos em que dois autores escrevem, a quatro mãos, uma breve narrativa inspirada em uma estação do ano. Luisa Geisler e Débora abriram o projeto com o conto Primavera. “— Ora, por que eu deveria me preocupar? Misto quente está ótimo. A pessoa tem que ter decisão na vida. Tem que chegar já sabendo o que quer. — Ele parecia ter listas definidas: cerveja em bares, misto quente e café nas lanchonetes, churrasco de picanha em restaurantes. Fim de papo. Enquanto eu lia detalhadamente as descrições de cada prato, atravessando labirintos e vagando, eternamente, entre uma e outra opção, na névoa delas, rezando para topar, por acaso, com a coisa que eu queria sem saber. Pessoas assim nunca vão crescer, de fato. Pensei, desanimada, sobre minha própria incompetência para uma vida adulta.”


