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Um dos relatos de “Contos de Kolimá”, o brilhante registro literário da vida no Gulag, esclarece os últimos dias do poeta que ridicularizou o ditador Stálin e seu bigode de barata
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Obra de Primo Levi, com Leonardo De Benedetti, indica que se trata de texto mais interessável sobre Auschwitz[/caption]
O judeu italiano Primo Levi escreveu talvez o livro mais extraordinário de um homem que esteve num campo de extermínio. “É Isto um Homem?” (Rocco, 256 páginas, tradução de Luigi Del Re) não é lacrimoso e conta, de forma seca, ao estilo de Graciliano Ramos, como era a vida em Auschwitz, como os seres humanos, desumanizados — tanto as vítimas quanto os algozes —, se comportavam no dia a dia. Agora, a Companhia das Letras lança “Assim Foi Auschwitz” (280 páginas, tradução de Federico Carotti), de Primo Levi com Leonardo De Benedetti.
Quando libertou os prisioneiros de Auschwitz, na Polônia, a cúpula do Exército soviético solicitou que Primo Levi e Leonardo De Benedetti escrevessem um relatório circunstanciado do que era o campo de extermínio, notadamente sobre suas condições de saúde. Os dois italianos elaboraram o impressionante “Relatório Sobre Auschwitz”. A vida lá, a abominação criada pelos nazistas da Alemanha, era pior do que se imaginava.
O “Relatório Sobre Auschwitz” foi publicado em 1946. Além da denúncia em si, acabou sendo importante por, em seguida, revelar um escritor, Primo Levi, que escreveu outros livros sobre as agruras de se viver em Auschwitz.
Textos inéditos de Primo Levi sobre Auschwitz são reunidos no livro publicado pela Companhia das Letras. Os textos do sobrevivente de Auschwitz difere, em larga medida, de alguns depoimentos de outras vítimas do Holocausto. O autor de “A Trégua” não retira a emoção de suas histórias, mas não permite que ela turve sua capacidade de mostrar e analisar. Por vezes, sua prosa parece fria, distanciada. Mas é o modo que encontrou, com precisão, de relatar a verdade do que viu e sentiu num dos mais letais campos criados pelos alemães de Adolf Hitler.
Depois de sobreviver a Auschwitz e de viver para contar o que aconteceu na fábrica da morte, Primo Levi matou-se em 1987. Estava depressivo e, por certo, Auschwitz, mesmo depois de várias tentativas de purgação, com a publicação de livros, “vivia” incrustado no seu ser (leia mais aqui).
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Saul Bellow | Foto: Ulf Andersen/Getty Images[/caption]
Saul Bellow é, ao lado de William Faulkner, o maior escritor americano do século 20, seguido, às vezes de perto, por Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, John Updike, Philip Roth e Joyce Carol Oates. Por isso faz muito bem a Companhia das Letras ao publicar, num único volume (“A Conexão Bellarosa”, 424 páginas), quatro novelas de Bellow: “Um Furto”, “A Conexão Bellarosa”, “Uma afinidade Verdadeira” e “Ravelstein”.
“Ravelstein” conta a história do crítico e ensaísta Allan Bloom (não confundir com Harold), notável intelectual americano, amigo de Bellow, que, como tantos, a Aids levou. Parte da família de Allan Bloom não apreciou a crueza da novela (que mal disfarça sobre quem é o personagem), ou pequeno romance. Mas a história, verdadeira e rica, é um poderoso retrato de um homem brilhante que, como todos nós, pode ter sucumbido aos instintos, ao tormento do sexo.
A tradução é de Caetano Waldrigues Galindo (o tradutor de James Joyce) e Rogério W. Galindo.
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Patrick Cockburn | Foto: divulgação[/caption]
Livro elogiado, de modo escancarado, pelo radical Noam Chomsky é suspeito de esquerdismo. Mas há elogios dos equilibrados Elio Gaspari e “The Observer”. “A Origem do Estado Islâmico — O Fracasso da ‘Guerra ao Terror’ e a Ascensão Jihadista” (Autonomia Literária, 208 páginas, tradução de Antônio Martins), de Patrick Cockburn, é apontada como obra ponderada sobre o ISIS.
O Estado Islâmico, filho bastardo da Guerra ao Terror, “veio para ficar”, aposta Elio Gaspari. Chomsky diz que aqueles
A publicação será lançada na sexta-feira, 11, no auditório da PUC-GO, durante o I Simpósio de Qualidade e Custos na Saúde
O modelo de organizações sociais (OSs) ganha vez mais adeptos no Brasil. A demanda por qualidade, economicidade e transparência fez desse tipo de gestão uma alternativa às dificuldades do Estado em administrar os serviços públicos. O histórico dessa parceria acompanhado por uma reflexão acerca das implicações jurídicas e políticas são o assunto da obra “Organizações sociais: a construção do modelo”, do advogado goiano especialista em Terceiro Setor e Parcerias Público Privadas (PPPs), Rubens Naves.
A publicação será lançada na sexta-feira, 11, às 15h30, no auditório da Área 6 da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), durante o I Simpósio de Qualidade e Custos na Saúde – Gestão Governamental, OSs, Filantropia e Iniciativa Privada, promovido pelo do Instituto Sócrates Guanaes (ISG) e do Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde (IBES).
O livro, publicado pela editora Quartier Latin do Brasil e já lançado na capital paulista, é dividido em três partes para apresentar os papeis do Estado e da sociedade civil no esforço para expansão e aprimoramento dos serviços públicos no País. O conteúdo inclui as diversas batalhas judiciais travadas desde as primeiras manifestações de membros do Supremo Tribunal Federal à denúncia de inconstitucionalidade da lei que criou as OSs.
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Na obra, Rubens Naves procura reproduzir a trajetória inicial das Organizações Sociais, modelo que nasceu de uma iniciativa do Governo Fernando Henrique Cardoso[/caption]
“O livro conta uma história inacabada”, diz o autor e coordenador da publicação. Na obra, ele procura reproduzir a trajetória inicial das Organizações Sociais, modelo que nasceu de uma iniciativa do Governo Fernando Henrique Cardoso no período em que surgiu a chamada “Lei das OS”. Naves lembra que, após a criação das autarquias, fundações públicas e sociedades de economia mista, as OSs corresponde a “quarta tentativa de encontrar uma forma mais ágil e expedita de lidar com as realidades sociais, com as demandas dos cidadãos e com a necessidade de evolução da sociedade brasileira”. As parcerias com a Administração Pública englobam as áreas de educação, saúde, cultura, pesquisas científicas e desenvolvimento tecnológico.
O advogado e autor goiano atua em um escritório localizado em São Paulo e é reconhecido no Brasil como expoente na área jurídica no segmento de Terceiro Setor e PPPs. Rubens é ex-presidente da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, faz parte do Conselho de inúmeras entidades do terceiro setor, é fundador e conselheiro da Transparência Brasil, faz parte do Conselho Editorial do Le Monde Diplomatique –– Brasil, além de ser membro do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta.
Serviço
Lançamento do livro “Organizações sociais: a construção do modelo” de Rubens Naves
Data: sexta-feira, 11 de setembro
Horário: 15h30
Local: Auditório da Área 6 da PUC Goiás
O jornalista diz que Roberto Marinho “editou” discurso de Mário Covas sobre “choque de capitalismo” e que mandava no governo de José Sarney
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O livro“Contos de Kolimá”, de Varlam Chalámov, é examinado como literatura pelos críticos literários e como história pelos historiadores. É uma obra-prima[/caption]
As editoras brasileiras descobriram a literatura russa, há alguns anos, e estão publicando traduções de qualidade. Boris Schnaiderman, Paulo Bezerra, Bruno Gomide, Nivaldo dos Santos, Aurora Fornoni Bernardini, Rubens Figueiredo e Irineu Franco Perpetuo são alguns dos tradutores que põem os brasileiros em contato, de maneira competente, com escritores como Púchkin, Gógol, Dostoiévski, Tolstói, Turguêniev, Tchekhov e Vassili Grossman. Agora, por recomendação de Boris Schnaiderman, a Editora 34 preenche uma grande lacuna e começa a publicar, a partir de agosto, os “Contos de Kolimá”, de Varlam Chalámov (1907-1982), em seis volumes. É a obra-prima literária — os russos misturam, com perspicácia, ficção e realidade, com uma iluminando a outra — sobre a vida desumana, e ainda assim demasiado humana, no Gulag.
Varlam Chalámov foi levado para Kolyma, na Sibéria — sob temperatura de -45º — e trabalhou praticamente como “escravo”. Mas sobreviveu, como Alexander Soljenítsin, para contar. Ele era preso político. Mas o que, exatamente, fez contra o governo do ditador Ióssif Stálin? Nada. Só não o apoiava. A Editora 34 vai publicar “Contos de Kolimá” (tradução de Denise Sales e Elena Vasilevich), em agosto, e, entre setembro e dezembro, “A Margem Esquerda” (tradução de Cecília Rosas), “O Artista da Pá” (tradução de Lucas Simone), “Ensaios Sobre o Mundo do Crime” (Francisco Araújo), “A Ressurreição do Lariço” (tradução de Daniela Mountian e Moissei Mountian) e “A Luva ou KR-2” (tradução de Nivaldo Santos). O time de oito tradutores é praticamente uma seleção.
Anote: é um dos maiores lançamentos do ano. Imperdível.
O que falta traduzir agora? Muito; por exemplo, o grande Alexander Herzen (1812-1870), escritor respeitado tanto por Lênin quanto pelo filósofo Isaiah Berlin. Este escreveu brilhantemente sobre Herzen no livro “Pensadores Russos” (Companhia das Letras).
Em 648 páginas, o historiador britânico e professor de Oxford explica e interpreta o que o comunismo fez nos países que dirigiu e sua influência em todo o mundo
No livro “A Conquista do Brasil — 1500 a 1600” (Planeta do Brasil, 272 páginas), o escritor e jornalista Thales Guaracy torna a história mais viva.
É como se nós estivéssemos vendo os fatos acontecerem — no exato instante em que estão acontecendo — e, mesmo, participando deles. O jornalista pesquisa como historiador e escreve como os melhores escritores.
A Record lança “Uma História do FBI” (616 páginas, tradução de Alessandra Bonrruquer), do jornalista Tim Weiner, premiado com o Pulitzer. Há vários estudos sobre o FBI, mas o de Tim Weiner, repórter do “New York Times”, é considerado o mais amplo e atualizado. O FBI tem um pé fincado na legalidade e, para defendê-lo, põe o outro pé na ilegalidade.
No caso do 11 de Setembro, o FBI e a CIA falharam olimpicamente.
Primeira edição da "Expedições Cênicas" tem como tema o teatro em Goiás. Evento acontece nesta sexta-feira (17/4), às 20 horas
A imprensa anunciou e a procura começou, mas só agora a Record coloca nas livrarias “Todo Aquele Imenso Mar de Liberdade — A Dura Vida do Jornalista Carlos Castello Branco” (560 páginas, 60 reais), do jornalista e escritor Carlos Marchi. O livro já pode ser encomendado no site da Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br).
Poucos jornalistas compreenderam tão bem o jogo real do poder quanto Carlos Castello Branco. Sua coluna, no “Jornal do Brasil”, era sempre um alento e uma explicação precisa do que ocorria nos bastidores da política. Não era sensacionalista, escrevia de maneira simples e era sempre bem informado.
Nada Será Como Antes” (Master Books, 424 páginas), do jornalista Julio Maria, do “Estadão”, é a biografia da maior cantora (popular) brasileira. Trata-se de um livro autorizado pela família — o que não quer dizer edulcorado ou hagiográfico. “Furacão Elis”, de Regina Echevarria, não agradou aos familiares. O livro chega às livrarias no dia 17 deste mês. Para matar a curiosidade dos leitores, publico a sinopse fornecida pela editora no site da Livraria Cultura: “O livro ‘Elis Regina — Nada Será Como Antes’ narra a vida de Elis desde seus primeiros dias em Porto Alegre, quando cantava ‘Fascinação’ ao lado das amigas nas escadarias de um colégio, até sua despedida trágica, aos 36 anos, quando estava prestes a, de novo, mudar tudo em sua vida. “Ao todo foram quatro anos de entrevistas e pesquisas em arquivos. A ideia de escrever a biografia surgiu por meio de um convite da editora ao autor. No começo, o perfil do livro era uma homenagem, mas conforme o autor foi descobrindo mais histórias e avançando nas entrevistas, viu que havia muito mais o que contar. Pessoas importantes que até então nunca haviam se pronunciado — como dezenas de músicos que tocaram com ela. “Depois de dois anos em campo — durante esse tempo foram inúmeros arquivos consultados e 126 entrevistas, a maioria delas feitas pessoalmente —, o autor começou a colocar a história no papel. ‘Mesmo quando parei para escrever, as histórias continuavam a aparecer, e o livro ganhava novas partes de tempos em tempos. Ele ficou vivo o tempo todo. E confesso que, se pudesse, estaria neste momento colocando mais histórias’, conta. “‘Não vivi a era de Elis. Quando ela faleceu, em janeiro 19 de janeiro de 1982, eu tinha 9 anos de idade, e diante dessa personagem gigante, fui o que sou há 16 anos — repórter. Me joguei com o respeito que a história merecia, mas sem nenhuma tese a defender. Creio que o olhar descontaminado de paixões ou ódios ajude a traçar um perfil mais humano e menos divino’, diz o autor.”
O primeiro livro alentado sobre o autor de “O Complexo de Pornoy” finalmente chega ao Brasil. “Roth Libertado” (Companhia das Letras, 480 páginas, tradução de Carlos Afonso Malferrari), de Claudia Roth Pierpont, é, por assim dizer, mais uma “biografia” da obra do que de Philip Roth.
O foco do livro de Pierpont é a obra, mas a autora não deixa de examinar o escritor e as relações com seus pares, como Saul Bellow (sua grande influência) e John Updike.
PhD. em história da arte pela Universidade de Nova York, Pierpont trabalha na “New Yorker”. Seu livro ilumina a obra de Philip Roth, esclarecendo pontos aparentemente nebulosos e situando-o na literatura mundial, sobretudo na americana, como um parceiro de jornada, em termos de qualidade, de Bellow e Updike, entre outros.
Um dos mais brilhantes romances do Nobel de Literatura americano ganha tradução precisa de Celso Paciornik e Julia Romeu


