Saída de Gilmar do comando da Segunda Turma altera cenário para Daniel Vorcaro no STF
22 junho 2026 às 19h42

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A mudança no comando da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), prevista para agosto, pode alterar a dinâmica dos julgamentos relacionados às investigações do caso Banco Master. Com o fim do mandato de Gilmar Mendes na presidência do colegiado, o posto será assumido pelo ministro Luiz Fux, que passará a definir a pauta das sessões presenciais pelos próximos 12 meses.
Embora a troca não altere a composição da turma, ministros ouvidos nos bastidores do Judiciário avaliam que a mudança pode fortalecer a posição do relator do caso, ministro André Mendonça. Isso porque Fux tem acompanhado os votos de Mendonça nos principais julgamentos relacionados à investigação, enquanto Gilmar Mendes tem sido a principal voz divergente dentro do colegiado.
Nos últimos meses, Gilmar criticou decisões adotadas durante a apuração e chegou a comparar métodos utilizados na investigação a práticas observadas durante a Operação Lava Jato. Em um dos julgamentos mais recentes, o ministro votou contra a manutenção das prisões preventivas de familiares do banqueiro Daniel Vorcaro e defendeu maior cautela diante da repercussão do caso.
Já André Mendonça sustenta que a investigação envolve uma suposta fraude financeira de grandes proporções, com indícios que extrapolariam crimes econômicos tradicionais e alcançariam estruturas ligadas ao crime organizado.
Controle da pauta pode influenciar andamento
A principal mudança prática decorrente da troca de comando está na definição da pauta de julgamentos. Cabe ao presidente da Segunda Turma decidir quais processos serão levados às sessões presenciais e em que momento serão analisados.
Na avaliação de integrantes do Supremo, a chegada de Fux tende a reduzir atritos entre a presidência do colegiado e a relatoria do caso, já que ambos têm mantido posições convergentes nas votações relacionadas à investigação.
O episódio mais emblemático dessa divergência ocorreu recentemente, quando Gilmar incluiu de última hora na pauta um julgamento envolvendo familiares de Vorcaro, decisão que surpreendeu o relator.
Equilíbrio permanece delicado
Apesar da mudança na presidência, a correlação de forças dentro da Segunda Turma permanece praticamente a mesma. Além de Fux, Gilmar Mendes e André Mendonça, o colegiado é formado pelos ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli.
Toffoli, porém, deixou de participar das votações do caso após se afastar da relatoria das investigações no início deste ano. Com isso, apenas quatro ministros seguem aptos a votar nos processos relacionados ao Banco Master, cenário que pode resultar em empates. Nesses casos, a decisão costuma favorecer os investigados.
Nos bastidores do STF, a expectativa é de que Kassio Nunes Marques continue exercendo papel decisivo nos julgamentos futuros, uma vez que seus votos têm acompanhado o entendimento apresentado por André Mendonça.
Enquanto aguarda os próximos desdobramentos das investigações, Daniel Vorcaro enfrenta uma sequência de reveses judiciais. Entre eles estão a rejeição de propostas de colaboração apresentadas às autoridades e a manutenção de medidas cautelares determinadas no âmbito da apuração.
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