Goiás já registra 138 casos de síndrome mão-pé-boca em 2026; especialistas alertam para risco de surtos
22 junho 2026 às 19h33

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Goiás registrou 138 casos de síndrome mão-pé-boca em 2026, distribuídos em sete municípios, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). Embora não tenham sido registradas hospitalizações ou mortes, autoridades sanitárias alertam para a necessidade de vigilância e isolamento dos pacientes para evitar a disseminação da doença, especialmente entre crianças pequenas.
Os casos foram identificados em Formosa (46), Anápolis (46), Goiânia (15), Aparecida de Goiânia (12), Ouro Verde de Goiás (8), Indiara (6) e Ivolândia (5). Todos ocorreram em crianças entre 1 e 6 anos de idade, com média de 2 anos.
Em entrevista ao Jornal Opção, o coordenador do Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (Cievs) da SES-GO, Fabiano Marques, explicou que a síndrome mão-pé-boca não integra a lista de doenças de notificação compulsória para casos individuais, sendo monitorada apenas quando há surtos. “Até o momento, sete municípios notificaram surtos, totalizando 138 casos. Consideramos surto quando existem dois ou mais casos com vínculo epidemiológico, geralmente em um mesmo ambiente ou com contato entre si”, afirmou.
Segundo ele, a enfermidade é mais frequente em crianças menores de cinco anos devido aos hábitos característicos dessa faixa etária. “Elas costumam levar as mãos e objetos à boca e ainda estão em fase de aprendizado de higiene, o que facilita a transmissão do vírus.”
Doença é geralmente benigna, mas exige atenção
Fabiano destaca que, na maioria dos casos, a síndrome apresenta evolução leve. Os sintomas mais comuns incluem febre, dor de garganta, mal-estar, falta de apetite, vômitos e diarreia, além das lesões características nas mãos, nos pés e na boca. “As lesões também podem surgir em regiões como nádegas, joelhos, cotovelos e áreas úmidas do corpo. Em geral, trata-se de uma doença benigna, mas os pais precisam observar sinais de agravamento”, explicou.
Entre os sintomas que exigem nova avaliação médica estão sonolência excessiva, irritabilidade intensa, dificuldade para caminhar, movimentos anormais, febre persistente por mais de 72 horas e alterações nas lesões de pele que possam indicar infecção bacteriana secundária.
Apesar de não haver registros de casos graves neste ano em Goiás, o epidemiologista ressalta que complicações podem ocorrer. “Felizmente não tivemos hospitalizações nem óbitos, mas isso não significa que eles sejam impossíveis. Por isso o acompanhamento é importante.”
Isolamento e higiene são fundamentais
De acordo com a SES-GO, crianças diagnosticadas com a doença devem permanecer afastadas de escolas e creches enquanto apresentarem lesões, período que normalmente varia entre três e sete dias, podendo chegar a dez dias em alguns pacientes. “O isolamento é essencial para interromper a cadeia de transmissão. Se a criança continua frequentando ambientes coletivos durante esse período, o vírus tende a se espalhar rapidamente”, afirmou Fabiano.
Ele também chama atenção para um detalhe importante: mesmo após a recuperação clínica, o vírus pode continuar sendo eliminado pelas fezes durante semanas. “Em alguns casos, a eliminação pode persistir por até 12 semanas. Por isso, a higiene das mãos e a limpeza correta de banheiros, fraldas e superfícies continuam sendo indispensáveis.”
Segundo o coordenador, apenas limpar os ambientes não basta. “É necessário fazer limpeza seguida de desinfecção com álcool a 70% em brinquedos, maçanetas, mesas, cadeiras, banheiros e demais superfícies que tiveram contato com a pessoa infectada.”
Casos podem ocorrer também em adultos
Embora a maior incidência seja entre crianças, adultos também podem contrair a síndrome mão-pé-boca. Nesses casos, porém, os sintomas costumam ser mais leves.
Fabiano ainda destaca possíveis consequências tardias da infecção, como descamação das mãos e dos pés e o descolamento temporário das unhas, condição conhecida como onicomadese.
“Essas alterações podem surgir semanas após a recuperação e não representam agravamento da doença, mas uma consequência do processo infeccioso.”
Por fim, o especialista reforça a importância de que unidades de saúde e escolas comuniquem rapidamente eventuais surtos às autoridades sanitárias. “A notificação em tempo oportuno permite que as equipes de vigilância adotem medidas de prevenção e controle antes que a transmissão se amplie”, concluiu.
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