Prefeitura articula rede para proteger mulheres e acelerar atendimento a vítimas de violência doméstica
25 maio 2026 às 12h58

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A Prefeitura de Goiânia reuniu nesta segunda-feira, 25, representantes da segurança pública, assistência social, saúde, Ministério Público e organizações da sociedade civil para estruturar a Rede de Proteção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher. O objetivo é integrar os órgãos, definir fluxos de atendimento e acelerar o suporte às vítimas de violência doméstica.
Durante o encontro, um dos principais pontos destacados pelas autoridades foi a necessidade de criar uma atuação conjunta para evitar que mulheres retornem ao convívio com agressores por falta de autonomia financeira, acolhimento e suporte financeiro.
A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, Eerizânia de Freitas, afirmou que a existência de uma rede articulada é fundamental para que a vítima consiga deixar o agressor. “A mulher se sente protegida, amparada juntamente com seus filhos e daí ela consegue romper com esse vínculo”, afirmou.
Segundo a secretária, a rede envolve órgãos municipais, estaduais, sistema de Justiça e entidades sociais. Ela afirmou que o objetivo agora é identificar falhas no atendimento e fortalecer ações preventivas. “O objetivo é entender onde a gente precisa avançar, onde existem falhas, é tratar caso a caso, cuidar das mulheres em situação de violência, protegendo-as, mas acima de tudo é levar políticas de prevenção”, disse.
A gestão também aposta em programas de qualificação profissional para mulheres vítimas de violência. De acordo com Eerizânia, elas têm prioridade em cursos profissionalizantes gratuitos e encaminhamento ao mercado de trabalho. “Nós sabemos que é importante sim que essa mulher tenha sua autonomia financeira para que ela também possa romper com esse ciclo”, afirmou.
Outro eixo destacado pela prefeitura é o acolhimento em abrigo sigiloso para mulheres ameaçadas. Segundo a secretária, o município oferece proteção também aos filhos das vítimas, incluindo transferência escolar em casos considerados graves.
Integração e grupos reflexivos
O prefeito Sandro Mabel afirmou que a criação da rede busca integrar diferentes órgãos públicos para agir rapidamente após as denúncias. Segundo ele, atualmente a Guarda Civil Metropolitana acompanha cerca de 1,7 mil mulheres com medidas protetivas em Goiânia, sendo que aproximadamente 890 possuem botão do pânico. “Olha a quantidade que são só as que tiveram coragem”, afirmou o prefeito ao comentar os casos registrados.
Mabel voltou a comentar sobre os atrasos nas obras da Casa da Mulher Brasileira e afirmou que a prefeitura prepara a quarta licitação do projeto. Segundo Mabel, o novo edital deve ter regras mais rígidas, com exigências maiores e multas mais pesadas, para tentar evitar novo abandono da obra. “Eu pedi que esse edital agora fosse mais forte, para que pudesse entrar empresa que tem seriedade, que vai cumprir com exigências”, disse.
Já a promotora Emeliana Rezende, afirmou que a formalização da rede de proteção às mulheres pode permitirá criar fluxos claros de atendimentos às vítimas e facilitar o acesso aos serviços disponíveis. “A rede já existe. Hoje o que a gente está fazendo é dando uma cara”, afirmou.
Ela também destacou a importância dos grupos reflexivos para homens investigados ou presos por violência doméstica. Segundo a promotora, os encontros têm ajudado a reduzir reincidências. “O que a gente percebe é que quando o homem passa por esses grupos reflexivos, ele não volta a praticar esses crimes. Ele muda a sua mentalidade”, afirmou.
Violência atinge todas as classes
A juíza Ana Lídia Cândido, do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar, afirmou que a violência contra a mulher atinge todas as classes sociais, embora os casos sejam mais visíveis em famílias de baixa renda. “Existe uma subnotificação dentro da classe média alta. É uma violência mais abafada, mais velada”, afirmou.
A magistrada também chamou atenção para a necessidade de envolver instituições religiosas nas campanhas de conscientização e criticou discursos que naturalizam a permanência de mulheres em relações abusivas em nome da fé. “Nós temos uma falsa percepção de que o cristianismo respaldaria essa violência. Isso é uma falácia”, disse.
Já a delegada Ana Elisa Gomes Martins, titular da Delegacia Estadual da Mulher, afirmou que a unidade registra cerca de 30 atendimentos diários relacionados à violência doméstica. Segundo ela, as medidas protetivas têm sido concedidas em poucas horas após as denúncias. “Essa mulher sai da delegacia e pode contar com a decretação da medida protetiva em um prazo de até seis ou sete horas”, afirmou.
A delegada também alertou para o aumento dos feminicídios e destacou que muitas vítimas nunca haviam procurado ajuda antes do crime. “O feminicídio é uma escalada de violência. Certamente ele não foi um fato isolado”, afirmou.
Segundo Ana Elisa, atualmente cerca de 30 mil mulheres são acompanhadas pelas forças de segurança em Goiás por meio de medidas protetivas e mecanismos como tornozeleiras eletrônicas, botão do pânico e aplicativos de emergência.
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