A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) reforçou a controladoria interna com foco em aprimorar a execução e a fiscalização dos serviços prestados pela empresa pública. Entre os desdobramentos dessa frente está a investigação da Polícia Civil de Goiás sobre supostas irregularidades cometidas por servidores da companhia, apuração que teve origem em fiscalizações internas da própria Comurg e encaminhada ao Ministério Público de Goiás (MPGO) em 2025, conforme confirmado ao Jornal Opção.

Segundo o presidente da empresa, Coronel Cleber, desde 2025 a companhia abriu uma nova frente de trabalho para investigar indícios de irregularidades. O movimento coincide com a mudança de gestão e, segundo ele, busca desmontar esquemas de corrupção que teriam desviado recursos relacionados a serviços executados pela estatal. “A gestão atual da Comurg tem compromisso completo com a lisura. Não temos espaço para dúvidas internas”, afirmou.

Vocês sabem que, quando chegamos à gestão da empresa, o quanto de dúvidas de irregularidades e investigações pairavam com base em notícias daquilo que era feito aqui em anos anteriores.

Coronel Cleber, presidente da Comurg | Foto: João Reynol / Jornal Opção

Avanços tecnológicos

A nova estratégia também passa pela implementação de ferramentas tecnológicas de monitoramento e auditoria em tempo real dos serviços executados, sistema que começou a ser implantado em 2026.

Segundo a empresa, a maior parte desses avanços foi desenvolvida internamente por engenheiros já contratados pela companhia, com apoio de ferramentas de inteligência artificial e sem necessidade de contratações externas.

Além de reforçar a própria controladoria interna, as novas ferramentas permitem à Comurg acompanhar com mais precisão a execução de serviços como poda de árvores — diferenciando poda de galha e retirada de lenha —, extirpação, varrição, remoção de resíduos verdes e mistos, além de roçagem em áreas públicas.

Segundo o presidente, a ausência desse tipo de monitoramento em gestões anteriores gerava registros indevidos de serviços planejados, mas que nem sempre eram efetivamente executados. Isso dificultava, inclusive, a cobrança dos trabalhos faturáveis à Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), principal contratante da companhia, o que impactava negativamente a receita da empresa. Antes, o controle era feito de forma manual e visual.

No ano passado, esse controle era feito um pouco manualmente. Mas, a partir desse ano, a auditoria passa a ser feita de forma eletrônica e georreferenciada”, apontou. “Hoje a Comurg pode cobrar efetivamente 100% do que ela entrega.

Após uma queda inicial de 30% na receita entre dezembro e fevereiro, a gestão passou a concentrar esforços em elevar a produtividade nos itens do contrato que geram faturamento. Na prática, isso significou direcionar equipes para atividades com retorno financeiro direto dentro do escopo contratual, reduzindo a dedicação a serviços que não integravam as obrigações remuneradas da companhia.

Os trabalhos são acompanhados por uma equipe na Central de Operações da empresa | Foto: João Reynol / Jornal Opção

Para controlar o acesso e o lançamento de dados, apenas líderes de equipe e profissionais capacitados podem operar as novas ferramentas. Todos os registros inseridos passam por monitoramento, e os responsáveis são escolhidos por meio de processo seletivo interno entre servidores da companhia.

Além da auditoria, a empresa criou um mapa operacional que permite aos servidores visualizar os serviços necessários em campo. A medida busca reduzir desperdícios logísticos — um dos maiores custos da companhia — ao evitar deslocamentos desnecessários de caminhões e a repetição de serviços já executados.

Aumento de receita e superávit

Conforme antecipado pelo Jornal Opção, desde dezembro de 2025 a companhia registra superávit consecutivo em seus balancetes mensais. No primeiro quadrimestre deste ano, a Comurg fechou com geração de caixa operacional de R$ 34,6 milhões e receita bruta de R$ 195,7 milhões.

Entre janeiro e abril de 2026, a estatal manteve crescimento gradual de arrecadação e desempenho operacional, com margem média de 17,68% no período.

A evolução da receita mostra avanço contínuo ao longo dos quatro meses. Em janeiro, a companhia faturou R$ 46,6 milhões; em fevereiro, R$ 47,4 milhões; em março, R$ 50,7 milhões; e, em abril, R$ 50,8 milhões. O crescimento acumulado entre o primeiro e o último mês do quadrimestre foi de 8,9%.

Entre os destaques apurados pela reportagem estão contratos externos à Seinfra ainda em 2025, incluindo serviços de limpeza realizados para a Exposição Agropecuária (Expo Goiás/Pecuária) nas edições de 2025 e 2026, em parceria com a Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA).

Outra frente em negociação envolve a prestação de serviços ao Governo de Goiás. Contudo, devido ao andamento dos processos, a reportagem não obteve detalhes sobre essa contratação.

Ao mesmo tempo, a empresa também executa limpeza de lotes públicos em unidades de saúde e escolas municipais, atividades que não estão previstas originalmente no contrato. Nesses casos, a companhia passou a solicitar autorização prévia à Seinfra para garantir que os serviços realizados possam ser devidamente faturados.

Serviços que estavam fora do contrato, tivemos o cuidado de solicitar autorização para a Seinfra, porque sem a autorização não poderíamos faturar com eles”, disse. “Um exemplo disso é a demanda que sempre chega para a gente de limpeza dos lotes dos postos de saúde e das escolas.

Segundo a companhia, os avanços operacionais também impactaram a percepção pública sobre os serviços. A Comurg afirma ter alcançado índice de satisfação de 9 pontos, em escala de 0 a 10 — resultado que classifica como inédito na empresa. De acordo com o gerente técnico-executivo Rafael Pacheco, o retorno da população é utilizado para corrigir falhas e aprimorar a operação por meio do método NPS (Net Promoter Score). “Há uns 10 ou 12 anos, os bancos de dados de satisfação entraram muito negativos, e foram negativos durante muito tempo. Recentemente conseguimos mudar isso e chegamos a um percentual de nove pontos de 10.”

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