O ex-presidente da Bolívia Evo Morales (EVO Povo) pediu neste domingo, 24, a convocação de novas eleições no prazo máximo de 90 dias, justificando a medida pela intensa onda de protestos contra o governo do atual presidente, Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão). 

Desde o início de maio, a Bolívia enfrenta bloqueios de estradas e confrontos entre manifestantes e forças policiais, além de uma grave crise econômica marcada pela escassez de dólares e disparada da inflação. As reivindicações dos manifestantes incluem aumento de salários, oposição a reformas anunciadas pelo governo e protestos contra a escassez e a má qualidade do combustível. 

Contudo, o problema com o abastecimento de gasolina, que se arrasta desde o governo anterior, permanece sem solução. Rodrigo Paz assumiu a presidência em novembro de 2025 prometendo acabar com as longas filas nos postos, mas a situação não foi contornada. Além disso, os consumidores questionam tanto a qualidade do combustível disponível quanto a persistência das filas, agravadas ainda mais pelos próprios protestos, que dificultam a distribuição.

Diante desse cenário, Evo Morales usou seu programa semanal na rádio Kawsachun Coca para fazer um alerta ao mandatário. “Paz tem 2 caminhos: uma decisão suicida: militarizar, ou a pacificação, transição, eleição em 90 dias. [….] Para que não haja mortos, para que não haja feridos, a pacificação passa por sua renúncia e que um presidente de transição convoque eleições nesse prazo”, declarou o ex-presidente.

Paralelamente, os bloqueios de estradas, método amplamente utilizado pelos manifestantes em diversas regiões, já impedem o transporte de alimentos e remédios, gerando escassez em vários estados bolivianos. Em La Paz, por exemplo, o governo precisou realizar distribuição de carne e frango à população.

Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos anunciou o envio de alimentos emergenciais e apoio logístico à Bolívia, mas também vem falando em uma tentativa de desestabilização do governo de Rodrigo Paz. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os EUA não tolerarão uma tentativa de tirar Paz do governo. Em resposta, Evo Morales classificou essa movimentação como uma “tentativa de intromissão” e um sinal de que Paz está fracassando na gestão da crise.

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