Mofo dentro de casa pode atacar os pulmões e causar doenças graves, alertam especialistas
14 julho 2026 às 15h07

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O frio chega, as janelas permanecem fechadas por mais tempo e, silenciosamente, manchas escuras começam a aparecer nas paredes, tetos e armários. O que muitos enxergam apenas como um problema estético pode representar um risco importante à saúde. A proliferação de mofo dentro de casa favorece a liberação de partículas microscópicas capazes de desencadear alergias, agravar doenças respiratórias e, em casos mais graves, provocar inflamações nos pulmões.
A pneumologista Karla Curado, do Centro Clínico Órion Complex, explica ao Jornal Opção que o mofo é formado por colônias de fungos que encontram condições ideais para crescer em ambientes úmidos, pouco ventilados e com baixa incidência de luz solar.
“Os fungos têm uma função importante na natureza, porque participam da decomposição da matéria orgânica e da reciclagem de nutrientes. O problema surge quando eles proliferam em excesso dentro das residências. Nessa situação, passam a liberar partículas microscópicas chamadas esporos, que são inaladas e podem causar diversos problemas respiratórios”, afirma.
Segundo a especialista, mesmo pessoas sem histórico de alergias podem apresentar sintomas após exposição frequente ao mofo.
“Os esporos entram principalmente pelo nariz e provocam espirros, tosse e obstrução nasal. Quando conseguem ultrapassar essa barreira natural do organismo, podem atingir as vias aéreas inferiores e chegar aos pulmões, aumentando o risco de complicações mais sérias.”
Muito além da rinite
Embora as crises alérgicas sejam as manifestações mais conhecidas, o impacto da exposição contínua ao mofo pode ser bem maior.
De acordo com Karla Curado, os esporos contêm substâncias chamadas antígenos, reconhecidas pelo organismo como corpos estranhos. Isso faz com que o sistema imunológico desencadeie uma resposta inflamatória.
“Nas pessoas alérgicas, essa resposta é muito mais intensa. É isso que provoca sintomas como coriza, espirros, coceira no nariz, nos olhos e na garganta, além de crises de asma, chiado no peito e falta de ar.”
A médica alerta que a exposição prolongada também pode favorecer sinusites recorrentes, bronquites, tosse persistente e irritações oculares. Em situações menos frequentes, mas potencialmente graves, pode surgir a pneumonite por hipersensibilidade, doença inflamatória causada pela inalação repetida de partículas orgânicas.
“Ela começa como uma inflamação pulmonar e, se a exposição continuar e o tratamento não for realizado, pode evoluir para fibrose pulmonar, que é uma condição irreversível.”
Quem corre mais risco?
Crianças, idosos, pessoas com rinite, asma ou outras doenças respiratórias fazem parte dos grupos mais vulneráveis aos efeitos do mofo.
Segundo Karla Curado, isso acontece porque crianças ainda possuem o sistema imunológico em desenvolvimento, enquanto idosos apresentam redução natural das defesas do organismo.
“Quem já tem rinite, asma ou outras doenças alérgicas costuma apresentar sintomas muito mais intensos. Mas quando falamos de doenças relacionadas à exposição contínua, como a pneumonite por hipersensibilidade, qualquer pessoa pode desenvolver o problema se permanecer por muito tempo em ambientes com mofo.”
A médica observa que muitas pessoas só percebem a relação entre os sintomas e o ambiente quando notam melhora ao sair de casa ou piora ao permanecer em determinados cômodos, especialmente quartos, banheiros ou locais com infiltrações.
A solução vai além da limpeza
Eliminar apenas a mancha de bolor não resolve o problema quando a origem está na estrutura do imóvel.
O empresário Glênio Forte, proprietário da Rede da Construção Fortecon, explica que infiltrações, impermeabilização inadequada e ventilação insuficiente estão entre as principais causas da proliferação de fungos.
“Uma das regras de ouro da construção civil é que a impermeabilização preventiva custa uma fração do valor necessário para corrigir o problema depois. Quando a umidade sobe pelas paredes, o mofo se torna um problema crônico.”
Segundo ele, a prevenção começa ainda na construção da casa.
“O solo precisa ser impermeabilizado corretamente para impedir que a umidade suba pelas paredes. Além disso, áreas molhadas, como banheiros, cozinhas, lavanderias e sacadas, devem receber impermeabilização antes da instalação dos revestimentos.”
O especialista também destaca a importância de projetos que favoreçam ventilação e iluminação naturais, além da correta inclinação de telhados e lajes para evitar o acúmulo de água.
“Calhas e rufos bem dimensionados ajudam a afastar a água das paredes externas, reduzindo significativamente o risco de infiltrações.”
Quando o imóvel já apresenta mofo
Para residências onde o problema já existe, Glênio afirma que alguns produtos ajudam a controlar a proliferação dos fungos, desde que a causa da umidade seja solucionada.
“Hoje existem seladores e tintas antimofo com aditivos fungicidas e bactericidas, indicados principalmente para banheiros, cozinhas e ambientes sujeitos à condensação. Em áreas externas, mantas impermeabilizantes também ajudam bastante.”
Ele lembra ainda que o mofo nem sempre está visível.
“Muitas vezes ele fica escondido atrás de armários, cabeceiras de cama ou móveis encostados na parede. Por isso, é importante afastar esses móveis periodicamente para verificar se há sinais de umidade.”
Quando procurar um médico?
A pneumologista orienta que sintomas respiratórios persistentes nunca devem ser ignorados.
“Toda tosse que dura mais de duas ou três semanas precisa ser investigada. Se ela muda de padrão, passa a produzir catarro ou vem acompanhada de falta de ar, é fundamental procurar avaliação médica.”
Ela ressalta que muitas pessoas atribuem a falta de ar ao sedentarismo, à idade ou ao cigarro, retardando o diagnóstico de doenças respiratórias.
“A falta de ar nunca deve ser considerada normal. Quanto mais cedo identificarmos a causa, maiores são as chances de evitar complicações.”
Sinais de alerta relacionados ao mofo
- Espirros frequentes;
- Nariz entupido ou escorrendo;
- Coceira no nariz, olhos e garganta;
- Tosse persistente;
- Chiado no peito;
- Falta de ar;
- Aperto no peito;
- Dor de cabeça recorrente;
- Irritação nos olhos;
- Cansaço excessivo;
- Falta de ar mesmo em pequenos esforços.
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