Cidade de Goiás articula obras, preservação e reparação histórica para celebrar 300 anos em 2027
27 maio 2026 às 17h18

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A Cidade de Goiás iniciou nesta terça-feira, 27, a agenda de preparativos para a celebração dos 300 anos da antiga capital goiana, comemorados em 2027. O lançamento ocorreu na sede regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Goiânia. A data marca ainda uma articulação política com reinvindicações por investimentos na infraestrutura, revitalização urbana, preservação ambiental e reparação relacionada à transferência da Capital para Goiânia, em 1937.
Segundo o prefeito Aderson Gouvea, as discussões para o tricentenário começou ainda em 2024, com a criação de uma comissão responsável por planejar as ações comemorativas e discutir o futuro do município.
“A Cidade de Goiás chega aos 300 anos, são séculos de história e de uma jornada importantíssima. Estamos nos preparando desde 2024. Queremos valorizar nossa história e nossa memória, mas também precisamos pensar na cidade para os próximos 300 anos e como ela vai sobreviver daqui para frente”, afirmou.

Segundo ele, as comemorações também serão utilizadas como instrumento político para cobrar investimentos históricos que, segundo a gestão municipal, nunca foram efetivamente realizados após a mudança da capital.
“Queremos festejar, celebrar, mas também é época da gente cobrar algumas reparações que a cidade precisa”, declarou.
Aderson argumenta que a Cidade de Goiás sofreu um forte esvaziamento econômico e institucional após perder o posto de capital do estado.
“Depois ela perde a capital, perde sua estrutura governamental, os empregos públicos, a universidade. Então a cidade ficou numa situação de muita fragilidade, onde ela encontrou apoio na sua gente e na sua cultura. Foi essa cultura que manteve a cidade de pé”, afirmou.
Prefeitura quer retomar projeto de compensação histórica
Um dos principais pontos discutidos durante o lançamento foi a tentativa de retomada de um antigo projeto de compensação pela transferência da capital para Goiânia. Segundo o prefeito, existia um acordo político e jurídico prevendo medidas compensatórias para a Cidade de Goiás, incluindo investimentos em infraestrutura e apoio financeiro, mas grande parte dessas ações nunca saiu do papel.
“Com a transferência da Capital, havia um acordo jurídico e político de fazer a compensação pela perda de infraestrutura e também da parte financeira. Mas isso não aconteceu de fato”, afirmou.
O procurador-geral do município, José do Carmo Siqueira, explicou que a prefeitura pretende utilizar como base um projeto de lei apresentado em 1936, ainda antes da mudança definitiva da capital. “Houve uma iniciativa em 1936, um projeto de lei construído pelo prefeito Joaquim de Cunha junto com a Câmara de Vereadores. O projeto previa vários itens que seriam objetos de consideração com a Cidade de Goiás pela perda do posto de Capital”, afirmou.

Segundo ele, a proposta chegou a ter tramitação inicial, mas nunca foi concluída oficialmente. “O projeto chegou a ter sua primeira votação, mas não houve a conclusão. Então isso ficou aberto e queremos retomar exatamente na forma de um projeto de Lei que tem como referência aquele projeto”, disse.
José do Carmo também citou perdas históricas de equipamentos públicos e instituições educacionais após a transferência administrativa para Goiânia. “Vários equipamentos públicos que deveriam permanecer na cidade, como o Lyceu de Goiás, que acabou virando Lyceu de Goiânia, foram trazidos para cá junto com a administração”, afirmou.
Obras estruturantes e revitalização do centro histórico
A prefeitura também apresentou algumas das obras consideradas prioritárias dentro da agenda do tricentenário. Entre os principais projetos estão a revitalização do centro histórico, recuperação do calçamento tradicional, melhorias em galerias pluviais, revitalização do Mercado Municipal, despoluição do Rio Vermelho e ampliação da infraestrutura hídrica da cidade.
“Buscamos melhoria no centro histórico da cidade como o calçamento que precisa ser refeito, a despoluição do Rio Vermelho e uma série de coisas importantes”, afirmou o prefeito.
Segundo Aderson, a cidade também reivindica apoio estadual para implantação de um curso de medicina e ampliação de investimentos culturais e ambientais. “Precisamos de apoio do Estado para implantação de um curso de medicina, melhorias no centro histórico, revitalização do Mercado, incentivo aos artistas e preservação do Rio Vermelho, Rio Bacalhau, Serra Dourada e dos nossos nascedouros de água”, declarou.
A gestão municipal calcula que apenas a revitalização da área histórica ligada ao Rio Vermelho deve custar cerca de R$ 40 milhões. “Só a revitalização do calçadão histórico está na casa dos R$ 40 milhões”, afirmou.
Outro projeto considerado estratégico é a ampliação da segurança hídrica do município, com captação de água no Rio Uru. “O Rio Uru terá um transbordamento que custará R$ 30 milhões para que ele chegue até a cidade de Goiás”, disse o prefeito.

Durante o evento, o superintendente do IPHAN em Goiás, Gilvan Felipe, reforçou o papel da instituição na preservação do patrimônio histórico da Cidade de Goiás. “O Iphan está presente na cidade para proteger os bens tombados que são uma verdadeira riqueza do país. A cidade de Goiás é um patrimônio nacional e como tal deve ser protegido”, afirmou.
Gilvan também destacou que a preservação do patrimônio depende diretamente do apoio da população e alertou para a pressão imobiliária enfrentada por cidades históricas goianas. “O mais importante é construir pontes e alianças com a população. Se você tem a população compreendendo a importância do patrimônio cultural, você está bem nessa luta”, declarou.
Organização das Cidades Patrimônio
O presidente da Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial, Mário Nascimento Ribas, afirmou que cidades reconhecidas como patrimônio mundial precisam ser tratadas como prioridade nacional em políticas de turismo, infraestrutura e preservação. Segundo ele, a Cidade de Goiás funciona como uma “vitrine internacional” do patrimônio brasileiro.
“O patrimônio mundial é a vitrine do Brasil para o mundo. E aquilo que é vitrine precisa ser cuidado”, afirmou.

Ribas também defendeu a criação de políticas nacionais voltadas especificamente às cidades históricas, incluindo investimentos em saneamento, mobilidade, preservação de casarões históricos e fortalecimento do turismo cultural.
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