Zema diz que exigirá estudo apenas de homens no Bolsa Família porque mulheres “têm outras atribuições em casa”
22 junho 2026 às 19h08

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O pré-candidato à presidência da República e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou em evento nesta segunda-feira, 22, em Brasília que pretende condicionar o recebimento do Bolsa Família por homens à conclusão dos estudos e à realização de curso técnico. Ele afirmou que essa medida seria necessária porque o país estaria “criando uma geração de imprestáveis”. Para as mulheres, disse que não haveria exigência semelhante, já que elas “têm outras atribuições em casa”.
Zema explicou que “viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens. Os homens hoje são convidados a trabalhar, e as pessoas não vão por um motivo muito simples, elas têm a segurança de receber um benefício”. Ele acrescentou que deseja que jovens que não concluíram o ensino fundamental possam terminar os estudos e que essa exigência seria aplicada apenas ao público masculino.
Em discurso, o pré-candidato defendeu também uma nova reforma da Previdência, uma reforma administrativa e a revisão de programas sociais. Ele disse que “muitos aqui devem estar enfrentando dificuldade para contratar mão de obra. Estamos criando uma geração de imprestáveis”, recebendo aplausos da plateia.
Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas divulgada em dezembro de 2025 mostrou que 68,8% dos beneficiários do Bolsa Família que tinham entre 11 e 14 anos em 2014 e 71,25% dos que tinham entre 15 e 17 anos deixaram o programa até outubro de 2025. No mesmo período, o Fundo Monetário Internacional apontou que o Bolsa Família não reduziu de forma sistemática a participação das mulheres na força de trabalho.
Zema também defendeu o regime de trabalho pago por hora como alternativa à Consolidação das Leis do Trabalho. Ele criticou o fim da escala 6×1, que ainda tramita no Senado. “A produtividade é a chave para elevar a renda de qualquer economia no mundo. E o pessoal vai vendendo a ideia de uma canetada que vai fazer o trabalhador ganhar mais. Infelizmente, o brasileiro às vezes ainda acredita nesse tipo de coisa, como aí a questão da escala 6×1”, disse.
Um outro momento de aplausos ocorreu quando Zema afirmou que pretende privatizar todas as estatais do país. Ele citou a venda da Cemig e da Copasa em Minas Gerais e declarou que “para mim, não existe vaca sagrada no que diz respeito a estatal. Estatal serve para atender politicagem e não desenvolvimento econômico”.
O pré-candidato apresentou os três pontos principais de seu plano de governo, que chamou de choque de moral, choque contra criminosos e choque contra a gastança do governo Lula e do PT. Ele disse que conseguiu reduzir o déficit em Minas Gerais cortando despesas e criticou os juros altos, que segundo ele só cairão quando acabar o excesso de gastos. “Para mim, o pior de tudo são os juros, e eles só vão cair na hora que acabar essa gastança”, afirmou.
Zema declarou ainda que sempre considerou a política uma atividade criminosa, mas mudou de ideia ao decidir concorrer ao governo de Minas. Em relação a Brasília, disse que “o que tem de esgoto aqui dá para inundar o restante do Brasil”.
O pré-candidato também fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro, principal concorrente pela direita. Ele mencionou o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a quem chamou de “banqueiro bandido”, e disse que nunca o encontrou. “Ele nunca sequer me pediu uma audiência. Assombração sabe para quem aparecer e para mim nunca apareceu”, afirmou. “Nenhum pré-candidato tem criticado tanto a farra dos intocáveis quanto eu. Não tenho rabo preso.”
O evento contou ainda com a presença de Ronaldo Caiado, do PSD, e terá participação de Flávio Bolsonaro, do PL. Lula, do PT, e Renan Santos, do Missão, foram convidados, mas não compareceram. A última pesquisa Datafolha mostrou Lula com 41% das intenções de voto e Flávio com 31%. Caiado aparece com 3% e Zema com 2%.
Na ocasião, a Confederação Nacional da Indústria entregou aos pré-candidatos um documento com propostas. Entre elas estão o reajuste das aposentadorias apenas pela inflação, a alteração da regra de ganho real do salário mínimo para que seja corrigido somente pelo INPC, a desvinculação dos pisos constitucionais de saúde e educação e a redução do valor do Benefício de Prestação Continuada, hoje equivalente a um salário mínimo.
A entidade também sugeriu ampliar a cobertura do Regime de Previdência Complementar e revisar ou extinguir o abono salarial, considerado de baixo impacto redistributivo e alto custo fiscal.
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