“Provavelmente caberá ao Sintego entrar judicialmente”, diz Bia de Lima sobre pagamento retroativo na educação
12 maio 2026 às 18h36

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A situação dos servidores administrativos da rede municipal de ensino de Goiânia segue como um dos principais impasses da greve da educação, segundo a deputada estadual Bia de Lima. Em entrevista ao Jornal Opção nesta terça-feira, 12, a parlamentar afirmou que, embora o pagamento do piso salarial dos professores esteja encaminhado, os técnicos administrativos continuam enfrentando dificuldades salariais e falta de valorização profissional.
Bia disse que o prefeito em exercício, Anselmo Pereira, demonstrou agilidade ao enviar para a Câmara Municipal o projeto que garante o pagamento do piso a partir de maio. O valor será retroativo ao mês de abril, mas, conforme a Lei 11.738, deveria retroagir a janeiro.
“Provavelmente caberá ao Sintego, no momento oportuno, entrar judicialmente cobrando essa diferença”, afirmou.
A parlamentar ressaltou que o principal problema está na situação dos servidores administrativos, alvo de greves em 2022, 2023 e 2024. Em 2025, segundo ela, não houve paralisação porque a categoria aguardava que o prefeito Sandro Mabelorganizasse as finanças e quitasse as pendências em 2026.
“Muitos ganham menos que o mínimo, salários ínfimos. Hoje estamos falando de R$ 1.500”, disse.
Ela defendeu a criação de um plano de carreira que ofereça perspectiva de crescimento aos servidores. Atualmente, segundo Bia, trabalhadores recém-ingressos e profissionais com décadas de dedicação recebem praticamente o mesmo salário.
“Isso mostra um descaso. Sem falar no adoecimento, que é algo muito sério. Merendeiras sozinhas fazem comida para 400, 500 crianças, carregam panelas pesadas e ficam doentes. Depois são readaptadas e desmerecidas na carreira. Horrível”, criticou.
Entre os pontos considerados mais críticos, Bia de Lima afirmou que todos os processos de progressão estão suspensos e só têm sido pagos mediante ações judiciais. Além disso, segundo ela, a lei do “descongela”, aprovada no início do ano, ainda não foi aplicada pela prefeitura, que deveria devolver o tempo de serviço aos servidores.
Outro impasse citado é a Lei 15.326, que garante piso para profissionais da educação infantil com formação, mas que, segundo a deputada, continuam recebendo pouco acima do salário mínimo.
“O sentimento é de revolta e chateação, com razão. A greve está em pleno vapor. Esperamos que o prefeito Anselmo Pereira sente com o Sintego na sexta-feira e que, na segunda, com o retorno do prefeito Mabel, haja uma proposta concreta para encaminhar à Câmara Municipal”, afirmou.
Uma nova assembleia está marcada para terça-feira, 19, quando os rumos da paralisação devem ser definidos.
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