Entenda por que a revisão da APA Pouso Alto colocou a mineração em debate na Chapada dos Veadeiros
10 maio 2026 às 17h36

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A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad) afirmou, por meio de nota ao Jornal Opção, que o processo de revisão do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) Pouso Alto, na região da Chapada os Veadeiros, passa por uma revisão obrigatória, o que não significa que a exploração de mineração na localidade vai ser permitida, tampouco ser realizada de maneira imediata na região. A resposta vem após uma reportagem da Folha de S. Paulo divulgada neste domingo, 10, sobre a possibilidade de permitir a exploração de minerais no local.
A pasta destaca que a iniciativa cumpre exigências legais e está sendo conduzida de forma participativa. O Plano de Manejo foi elaborado em 2016 e previa revisões a cada cinco anos. O documento também determinava que o tema da mineração deveria ser tratado em um grupo de trabalho específico, o que não ocorreu na última década. A secretaria sustenta que o governo apenas retomou a discussão no momento em que cumpre o dever legal de revisar o plano.
A resposta vem após a matéria da Folha alegar que o Governo de Goiás estaria fazendo revisão das regras ambientais para tentar abrir espaço à mineração na Chapada dos Veadeiros. Segundo a reportagem, entre os vários objetivos, um deles seria ampliar a oferta de projetos de minerais críticos no Estado. A matéria destaca ainda que há 130 projetos ativos de pesquisa e exploração estratégicos voltados para a Chapada dos Veadeiros e, para liberá-los, o governo deu início à revisão do plano de manejo da APA de Pouso Alto. A unidade de conservação funciona como uma espécie de cinturão de proteção do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, localizado no centro da área estadual e ligado ao governo federal.
A revisão, segundo a Semad, está estruturada em três etapas de escuta pública: oficinas setoriais com moradores de cada município, reuniões com conselheiros para consolidar as contribuições e encontros devolutivos em cada cidade, nos quais os resultados serão apresentados à população.
A Folha destacou que a Semad criou um grupo de trabalho para discutir a mineração na área e a avaliação que teria sido feita é de “a exploração mineral em APA é juridicamente possível”, se o plano de manejo for alterado.
Como resposta, a Semad afirma que o Conselho da APA tem caráter consultivo e que não há imposição de uma agenda de mineração, mas sim um processo amplo de participação social. Ainda segundo a pasta, mais de dez oficinas já estão em andamento.
Em outro trecho da reportagem, é trazido que o objetivo do Governo de Goiás é mexer nas regras do que pode ser feito dentro da APA. No atual plano, as normas aplicadas à área da Chapada dos Veadeiros funcionam como uma barreira a atividades de alto impacto. A revisão, de acordo com o texto, quer substituir essa lógica por um modelo de “compatibilização’ entre mineração e conservação ambiental.
A Semad rebate o parágrafo dizendo que a mineração envolve diferentes tipos de recursos, como águas minerais, águas termais, areia, saibro e cascalho, além de minerais metálicos. No caso das águas termais, há relação direta com o turismo de natureza. A APA Pouso Alto abrange mais de 800 mil hectares, território muito maior que a área da Chapada dos Veadeiros, o que, segundo o órgão, exige um planejamento que considere realidades distintas.
A Folha cita ainda 496 processos minerários que já foram registrados na Agência Nacional de Mineração (ANM) para pesquisa e exploração dentro da área de preservação. Ao todo, os projetos somam 527 mil hectares cercando todo o parque nacional. Ao menos 131 estariam ligados a minerais críticos, sendo 31 de terras raras e cassiterita. Outros 98 miram o manganês, usado em produção de baterias e armazenamento de energia. Ainda conforme a reportagem, a lista inclui projetos de níquel, um dos mais cobiçados pela China e Estados Unidos.
A Semad esclareceu que o número de 496 processos minerários citado na reportagem foi extraído de um guia produzido pela própria secretaria e entregue à comunidade, justamente para subsidiar o debate com dados concretos. Como resultado preliminar das discussões, já houve a vedação à exploração de diversos minerais metálicos na APA. O governo afirma que seguirá com o processo de escuta e se compromete a acatar a decisão da maioria.
Por fim, a secretaria frisou que os maiores problemas ambientais da região estão relacionados à grilagem de terras, parcelamentos urbanos sem critérios e especulação imobiliária. A Semad demonstrou estranhamento pelo fato de que esses impactos não recebem a mesma atenção de parte da imprensa e de organizações não governamentais.
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