O vereador Anselmo Pereira da Silva (MDB), que está em seu 11º mandato e acumula quase 40 anos de atuação na Câmara Municipal de Goiânia, assume interinamente, nesta sábado, 9, a prefeitura da cidade. A mudança ocorre em razão da viagem do prefeito Sandro Mabel (UB) aos Estados Unidos.

Com a recusa da vice, Cláudia Lira, em assumir e da impossibilidade do presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania), em ocupar o cargo provisoriamente (ele é pré-candidato e já estava com viagem marcada), Anselmo será, por enquanto, o novo prefeito.

Em entrevista ao Jornal Opção, Anselmo destacou que sua prioridade será aproximar a Câmara da prefeitura e promover um esforço conjunto para destravar projetos importantes que estão parados nas comissões.

“Vou fazer um trabalho de verificar quais projetos os vereadores querem que sejam sancionados e atendidos. Quero desobstruir a pauta de projetos relevantes, como o Pafus [Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde] e os benefícios sociais”, afirmou.

Segundo ele, o primeiro ato como prefeito será abrir diálogo direto com os vereadores. Anselmo revelou que já pensa em organizar um mutirão entre secretários e parlamentares, seja levando os gestores do Executivo até a Câmara ou recebendo todos os vereadores em uma manhã dedicada exclusivamente ao atendimento no Paço Municipal. “Quero dar dinamismo, porque são poucos dias, e demonstrar a minha possibilidade de ajudar a administração”, disse.

Anselmo comentou sobre a necessidade de “distensionar” a relação entre os poderes, que, segundo ele, não está tão boa. Para isso, pretende conversar com presidentes de comissões e acelerar a tramitação de projetos considerados estratégicos para Goiânia, como o sistema ambulatorial inspirado no modelo Escola Viva e iniciativas ligadas ao Conselho Zelar e ao salário dos servidores.

O cenário mencionado por Anselmo pode ser exemplificado pela reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Goiânia, que sequer foi aberta por falta de quórum. Sete vereadores estavam presentes presencialmente, mas o regimento exige ao menos oito parlamentares para o início dos trabalhos. O presidente da CCJ, vereador Luan Alves, também voltou a fazer críticas a projetos encaminhados pelo Executivo.

Além disso, o vereador Igor Franco, que já ocupou a liderança do prefeito Sandro Mabel na Câmara, tem protagonizado rusgas e embates políticos nos últimos dias, ampliando o desgaste entre integrantes da base governista e setores do Legislativo.

Um outro ponto de atenção será o diálogo com o Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Goiás (Sintego). Anselmo contou que já entrou em contato com lideranças como Ludmylla Moraes, vice-presidente do sindicato, e a presidente, a deputada estadual Bia de Lima (PT), para tentar evitar a eclosão de uma greve. “Quero abrir um canal direto de conversação”, destacou.

Sobre o veto da taxa do lixo, Anselmo disse que o tema está parado em Comissão e não há previsão de votação durante sua gestão provisória. Já em relação à presidência da Câmara, explicou que o cargo ficará com o segundo vice, Isaías Ribeiro Santana (Republicanos), enquanto Henrique Alves (MDB) assume como secretário.

O vereador garantiu que sua posse será marcada por um ato solene no Paço Municipal, com hasteamento da bandeira e recepção de vereadores e autoridades estaduais. “Sou madrugador, acordo às cinco da manhã. Amanhã, às sete em ponto, já estarei na prefeitura”, declarou.

Apesar das movimentações políticas, o vereador minimizou qualquer impacto imediato na eleição da Mesa Diretora da Câmara. Para ele, esse período de transição não altera as conversas já em andamento. “Esse assunto vai ficar do jeito que está, aguardando o momento correto”, concluiu.

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