Aliados acusam Flávio Bolsonaro de abandonar Ciro Nogueira em meio à crise; veja o que disseram
08 maio 2026 às 14h58

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Em nota divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a operação da Polícia Federal que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) provocou forte mal-estar entre aliados do presidente do PP e aumentou a cautela de setores do Centrão em relação a uma aliança com o bolsonarismo nas eleições de 2026.
Os parlamentares do PP e do União Brasil interpretaram a manifestação de Flávio como um gesto de distanciamento político em meio à crise envolvendo o Banco Master. Ciro, que foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, é considerado um dos principais articuladores da federação União-PP e aliado histórico do grupo bolsonarista.
Em sua nota, Flávio classificou como “graves” as informações divulgadas pela PF e defendeu apuração “com rigor e transparência”. O senador também elogiou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por autorizar a operação. A postura foi vista como falta de solidariedade política, desagradando aliados de Ciro que esperavam apoio explícito.
Um dirigente do União Brasil resumiu o incômodo dizendo que Flávio “largou total a mão do Ciro”. Um outro aliado próximo do senador piauiense desabafou: “Em momentos como esse você vê quem é amigo ou não”.
A representação da PF aponta suposto esquema de vantagens indevidas entre Ciro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Entre os elementos citados estão pagamentos mensais de R$ 500 mil a uma estrutura ligada ao senador, além de custeio de viagens internacionais, hospedagens e voos privados.
Um dos pontos mais delicados é a emenda apresentada por Ciro para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo os investigadores, o texto teria sido redigido dentro do Banco Master e enviado ao senador. Em mensagens obtidas pela PF, Vorcaro comemora: “Saiu exatamente como mandei”.
Apesar das acusações, Ciro negou envolvimento e declarou que “Vorcaro tem um CPF e eu tenho outro”, prometendo renunciar ao mandato caso surja prova de irregularidade.
A crise elevou o desconforto no Centrão e reforçou a percepção de que o núcleo bolsonarista tende a se afastar de aliados em momentos de desgaste. Parlamentares avaliam que o episódio pode aumentar o custo político da aproximação com o PL em 2026.
Ainda assim, interlocutores da federação União-PP ponderam que o episódio não deve provocar rompimento definitivo. “O Centrão é isso: se Flávio estiver para ganhar, nada separa; se estiver mal nas pesquisas, nada junta”, disse uma liderança.
Na tentativa de conter a crise, o senador Dr. Hiran (PP-RR) defendeu que as investigações sigam seu curso, destacando sua amizade por Ciro. O próprio PP divulgou nota afirmando confiar nas instituições e na Justiça, ressaltando o direito de defesa e o devido processo legal.
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