Seapa vê “fator de atenção” na pecuária goiana após UE excluir Brasil da lista de exportação de carnes
12 maio 2026 às 18h00

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Após a decisão da União Europeia em retirar o Brasil da lista de países aptos a exportarem carne, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) afirmou, por meio de nota, que a exclusão “adiciona um fator de atenção à pecuária brasileira e goiana.” Em 2025, Goiás participou com 26,3 mil toneladas embarcadas no valor de US$189,0 milhões.
A pasta destaca que “no âmbito da sanidade animal, o Brasil destaca-se como zona livre de febre aftosa sem vacinação. No contexto regional, Goiás possui reconhecida capacidade sanitária, estrutura produtiva competitiva e experiência em rastreabilidade, fatores estratégicos para adaptação às novas exigências dos mercados internacionais”, pontua a nota.
A Seapa pontua ainda que é realizado o acompanhamento permanente das dinâmicas dos principais segmentos do agronegócio goiano. Segundo a pasta, esse trabalho envolve a análise de indicadores econômicos e monitoramento do mercado. As informações subsidiam a tomada de decisão dos produtores rurais, orienta políticas públicas e amplia a transparência das informações do agronegócio estadual para toda a sociedade.
“Além disso, a Seapa realiza a interlocução com as demais instituições do setor agropecuário, visando ao acompanhamento de eventuais desdobramentos e à articulação de medidas que se façam necessárias”, finaliza a nota.
ABIEC diz que exportação ainda continua
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) disse que o Brasil segue plenamente habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu e que não há, neste momento, qualquer proibição das exportações para o bloco.
“A medida anunciada está relacionada à implementação de novas exigências regulatórias referentes ao uso de antimicrobianos na produção animal, com entrada em vigor prevista para setembro de 2026”, pontua a nota.
De acordo com a associação, o eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida.
“O setor privado tem trabalhado em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema. Há, inclusive, previsão de missão europeia ao Brasil no segundo semestre para avanço e conclusão desse processo técnico”, destaca a nota.
Por fim, a ABIEC afirma que “a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo”, destaca.
Decisão
A justificativa para retirar o Brasil da lista foi pelo fato do país não oferecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, segundo informações da agência de notícias France Press. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados.
Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns dos medicamos podem funcionar como promotores de crescimento.
A ausência do Brasil na lista foi confirmada à agência Lusa pela porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova. Ela disse que o país poderá deixar “de exportar para a UE mercadorias como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e invólucros”.
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