Um dentista e professor universitário, identificado como Diego Cesar Marques, de 32 anos, foi preso nesta segunda-feira, 11, em Iporá, no oeste de Goiás, suspeito de cometer crimes sexuais contra adolescentes e mulheres. As investigações já identificaram pelo menos cinco vítimas, mas a polícia acredita que o número pode ser ainda maior.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção nesta terça-feira, 12, o delegado Igor Dalmy Moreira detalhou o andamento das investigações e afirmou que novos relatos podem surgir nos próximos dias.

Segundo o delegado, o caso começou em fevereiro deste ano, quando uma adolescente de 16 anos denunciou que, durante atendimento em clínica particular, o dentista a agarrou, beijou seu pescoço e tentou avançar em atos mais graves. “Nós iniciamos uma investigação a partir disso”, explicou.

Em abril, outra adolescente, de 17 anos, procurou a polícia relatando que, durante atendimento na clínica universitária onde o suspeito supervisionava alunos, foi sedada com uma dose excessiva de medicamento e abusada dentro do carro do professor.

“Ele aproveitou-se da vulnerabilidade dela e começou a apalpar as partes íntimas por debaixo de um pano. Depois, administrou um sedativo forte que a deixou extremamente vulnerável. No meio do percurso, parou o carro e praticou outros atos de abuso sexual contra ela”, relatou.

Durante a investigação, a polícia descobriu tentativas de obstrução. “Ele já havia instruído algumas testemunhas a mentir nos depoimentos. Desconectou as câmeras da faculdade da plataforma para que não tivéssemos acesso às imagens. Houve a necessidade de pedir a prisão cautelar para impedir a reiteração de crimes e a destruição de provas”, afirmou.

O delegado destacou ainda que o suspeito usava sua posição de professor para manipular alunos. “Parte das testemunhas que mentiram nos depoimentos são alunos dele. Ele usou a condição de superior para exigir que os estudantes mentissem, dizendo que não viram nada de errado. Um deles chegou a afirmar que acompanhou o agressor e a vítima dentro do veículo, o que comprovamos por outras imagens ser mentira”, apontou.

Além dos casos recentes, o dentista já havia respondido por assédio sexual em 2023 contra colegas de trabalho em um hospital particular. “Os casos estavam suspensos porque ele fez acordo penal com o Ministério Público. Mas agora, diante da prática de novos crimes, damos encaminhamento para a rescisão dos acordos”, disse.

Moreira também confirmou que o suspeito usava sedativos em excesso para reduzir a resistência das vítimas. “Ele aplicava uma quantidade abusiva, não apenas para anestesiar, mas para acabar com qualquer resistência física. Muitas horas depois, dias depois, as vítimas ainda estavam sob efeito do sedativo. O que não é normal”, contou.

Com a divulgação da prisão, novas denúncias começaram a surgir. “No momento só posso falar que é um mínimo de cinco vítimas. Nossa expectativa é receber mais ainda, porque já tínhamos ouvido relatos de que, na condição de professor universitário, ele exigia favorecimento sexual em troca de notas. São alunas de períodos avançados, jovens que dependem da aprovação dele para se formar. Ele usava essa situação para exigir favores sexuais”, concluiu.

O caso segue em investigação, e a polícia acredita que outras vítimas ainda devem se apresentar nos próximos dias.

O Jornal Opção tentou contato com a defesa de Diego Cesar Marques, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

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