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Vecci, Sandes e Faleiros têm de ficar de olho vivo: Flávia Morais e Tayrone são favoritos em Trindade

Giuseppe Vecci, Sandes Júnior e Antônio Faleiros têm de pôr a barba de molho. O prefeito Jânio Darrot (PSDB) está muito bem avaliado, porque faz uma gestão competente e moralmente inatacável. Mas os três candidatos a deputado federal da base governista aparecem atrás, em pesquisas não registradas, de Flávia Morais, do PDT, e de Tayrone di Martino, do PT.

Peemedebista histórico diz que Friboi deveria ser vice de Iris agora e candidato a governador em 2018

De um peemedebista histórico: “Júnior Friboi deveria ser vice em 2014 para, depois de aprender a fazer política, disputar o governo de Goiás em 2018”. O problema é que Friboi ser candidato agora e controla a maioria dos líderes do partido.

Peemedebista diz que ninguém está preocupado com Friboi. Todos querem pôr a mão na sua grana

De outro peemedebista quase-histórico: “Ninguém quer eleger Júnior Friboi para governador. Todos querem se eleger e, ao mesmo tempo, pôr a mão no dinheiro do empresário”. Friboi não se importa muito com as críticas e sempre diz que, se o dinheiro é seu, pode fazer o que quiser com ele. E morre de rir quando alguém diz que está distribuindo dinheiro.

Olavo Noleto entra no listão do que podem ser mais bem votados para deputado federal

No interior só se comenta uma coisa: Olavo Noleto é uma fera política. Ele está crescendo tanto no conceito dos prefeitos e demais políticos que não será surpresa se for um dos mais votados para deputado federal. Olavo Noleto capitaliza agora os bons serviços prestados aos prefeitos goianos quando tinha um cargo de proa no governo federal. O listão dos prováveis mais bem votados inclui Iris Araújo, Rubens Otoni e Giuseppe Vecci.

TAM é obrigada a alterar propaganda com jogadores da seleção brasileira

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) determinou que a companhia aérea TAM altere um comercial com os jogadores Thiago Silva, David Luiz e Marcelo, da seleção brasileira. A decisão foi feita após queixas da companhia aérea GOL, que é a transportadora oficial da seleção brasileira, devido a uma frase na propaganda: "A TAM vai trazer nossos craques para jogar em casa”. O vídeo, que foi muito visto e elogiado, mostra Thiago Silva, que joga no time francês Paris Saint-Germain, David Luiz, jogador do Chelsea e Marcelo, jogador do Real Madrid, tentando chegar aos aeroportos das cidades de Paris, Londres e Madrid para vir ao Brasil, mas sendo impedidos por europeus. O Conselho de Ética do Conar determinou que a companhia aérea altere o texto mostrando que trará somente os três jogadores ao Brasil, e não toda a seleção. Veja a propaganda: https://www.youtube.com/watch?v=lR8HaYwo0EU

Livro resgata a história do alemão que caçou e prendeu Rudolf Höss, o carrasco de Auschwitz

O jornalista inglês Thomas Harding revela que o judeu Hanns Alexander, a serviço dos ingleses, descobriu o comandante do campo de extermínio e o entregou para julgamento “A estrada para Auschwitz foi construída pelo ódio, mas pavimentada com a indiferença.” Ian Kershaw [caption id="attachment_3778" align="alignright" width="300"]Este excelente livro contra a história de como o nazismo matou cerca de 5 a 6 milhões de judeus e, sobretudo, revela a história do nazista Rudolf Höss e do homem que o prendeu, na Alemanha, o judeu Hanns Alexander. Foto: Editora Dom Quixote Este excelente livro contra a história de como o nazismo matou cerca de 5 a 6 milhões de judeus e, sobretudo, revela a história do nazista Rudolf Höss e do homem que o prendeu, na Alemanha, o judeu Hanns Alexander. Foto: Editora Dom Quixote[/caption] No campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birke­nau foram assassinados 1 milhão e 100 mil seres humanos, entre eles mais de 200 mil crianças. Mais de 90% eram judeus. A maioria morreu nas câmaras de gás. Soldados e oficiais da SS mataram milhares a tiros. Vários morreram de fome. No livro “Auschwitz — Os Nazis e a ‘Solução Final’” (Dom Quixote, 425 páginas, tradução de Clara Fonseca e Lídia Geer), Laurence Rees, historiador formado por Oxford e documentarista da BBC, além de contar a história geral de Auschwitz — citando também os outros campos da morte, Treblinka, Sobibor, Belzec, Chelmno e Maj­danek —, relata a vida de pessoas comuns. Resgata a história de alguns que morreram e de outros que sobreviveram. Alguns sobreviventes disseram-lhe que Deus não esteve em Auschwitz e, por isso, tornaram-se ateus. No seu excelente livro “A Se­gunda Guerra Mundial” (Bertrand, 1095 páginas, tradução de Fernanda Oliveira), o historiador inglês Antony Beevor registra que, em 1940, os nazistas transformaram um quartel de cavalaria oitocentista “em campo de prisioneiros” dirigido “pelas SS para albergar prisioneiros polacos. Este era conhecido como Ausch­witz. Era aqui que os primeiros testes do Zyklon B tinham sido levados a cabo em setembro de 1941 em prisioneiros soviéticos e polacos. No final de 1941, começaram os trabalhos ali próximo, em Birkenau, conhecida como Auschwitz II. Duas casas rurais foram convertidas em câmaras de gás improvisadas, que começaram a ser usadas em março de 1942. Os massacres em escala significativa só começaram em maio, mas em outubro já era claro para o comandante das SS [no campo], Rudolf Höss, que as instalações era totalmente insuficientes e que os enterros em massa estavam a poluir o lençol freático. Durante o inverno, foi construído um sistema de câmaras de gás totalmente novo.” Beevor ressalva: “Embora tivessem sido efetuados testes com o Zyklon B em Auschwitz em setembro de 1941, o primeiro campo de extermínio com câmaras de gás apropriadas construído sob a direção de [Oswald] Pohl foi Belzec. O trabalho começou em novembro de 1941, dois meses antes da Conferência de Wannsee” (a que decidiu pela Solução Final, o extermínio em massa dos judeus). Num livro de alta qualidade, “A Tempestade da Guerra — Uma Nova História da Segunda Guerra Mundial” (Record, 811 páginas, tradução de Joubert de Oliveira Brízida), o historiador britânico Andrew Roberts revela que “na biblioteca particular de Hitler existia um manual de bolso, de 1931, sobre gases venenosos que dedicava um capítulo ao ácido prússico asfixiante vendido com a marca Zyklon B. (...) O uso de Zyklon, que significa Ciclone, e o B, inicial de Blausäure (ácido prússico), segundo a intenção original de Rudolf Höss, comandante do campo de Auschwitz, era para ‘poupar’ um ‘banho de sangue’, com o que ele queria dizer membros da SS tendo de matar, individualmente, judeus e outros. (...) No entendimento de um historiador de Auschwitz, ‘o uso do Zyklon B suavizava o processo da matança’”. Entretanto, o uso de gás não foi uma invenção de Adolf Hitler ou de seu braço direito, Heinrich Himmler. A criação dos nazistas da SS de segundo ou terceiro escalão foi aprovada pela cúpula, que, de fato, cobrava métodos não para suavizar a morte dos judeus, e sim para deixar os nazistas da SS menos abalados. Muitos militares matavam judeus, ciganos, homossexuais, comunistas, mas ficavam emocionalmente abatidos. O ódio aos judeus, supostos culpados da derrota alemã na Primeira Guerra Mundial e pela crise da Alemanha, havia sido inculcado nos esquadrões da SS — daí terem uma justificativa para matá-los. Mesmo assim, aqueles que não eram sádicos, possivelmente a maioria, ficavam profundamente horrorizados com os assassinatos em massa. Isto preocupou Himmler. Os historiadores têm procurado responder se a maioria do povo alemão sabia do Holocausto. O livro “Apoiando Hitler — Consentimento e Coerção na Alemanha Nazista” (Record, 518 páginas, tradução de Vitor Paolozzi), de Robert Gellately, conclui que, embora não se possa dizer que foram cúmplices (carrascos voluntários, no dizer de um historiador) da política do Estado, os alemães sabiam, sim, do Holocausto. Antony Beevor secunda Gellately — autor do livro mais equilibrado sobre a polêmica —, ao frisar que, “a princípio, a maioria dos civis não conseguia acreditar que os judeus estavam a ser gaseados em série. Mas havia tantos alemães envolvidos em vários aspectos da Solução Final e tantos a beneficiar da confiscação dos bens dos judeus, tanto do seus negócios como dos seus apartamentos, que uma grande minoria de alemães não tardou a ter uma boa percepção daquilo que estava a acontecer”. Andrew Roberts relata que “ninguém foi sentenciado por se recusar a matar judeus; os oficiais arriscavam suas carreiras, e não suas vidas, quando se opunham a Hitler em termos de princípios militares. Eles podiam estar ‘apenas obedecendo ordens’, porém não o fizeram por bem fundamentado receio quanto às suas vidas”. O historiador britânico Ian Kershaw, autor da mais aclamada biografia do ditador nazista, “Hitler” (Companhia das Letras, 1160 páginas, tradução de Pedro Maia Soares), escreveu: “A estrada para Auschwitz foi construída pelo ódio, mas pavimentada com a indiferença”. Mas não apenas alemães “crucificaram” judeus. Poloneses, ucranianos e russos devotavam um ódio especial aos judeus. Stálin matou milhares de judeus. O comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, é dissecado em vários livros, e ele próprio deixou memórias em geral sinceras, com algumas justificativas questionáveis. Höss não era, assim como Adolf Eichmann, um mero cumpridor de ordens, um burocrata sem iniciativa, um homem que só cumpria as leis do Estado. Era um ser participante, que contribuiu para acelerar a mortandade no campo de extermínio. Antony Be­evor contrapõe: “Höss era um antigo soldado imperturbável e de meia-idade, que tinha conseguido subir na hierarquia do sistema dos campos de concentração sem nunca questionar uma ordem. Primo Levi não o via como ‘um monstro’ ou como ‘um sádico’, mas sim como ‘um canalha ordinário, estúpido, arrogante e palavroso’. Höss era completamente servil em relação aos superiores, sobretudo” Himmler.

“Eutanásia adulta”

O jornalista Thomas Harding, no livro “Hanns & Rudolf — O Judeu-Alemão e a Caçada ao Kommandant de Auschwitz” (Rocco, 302 páginas, tradução de Ângela Lobo), traça um perfil equilibrado de Rudolf Franz Ferdinand Höss. Hanns Hermann Alexander (1917-2006), o militar alemão a serviço da Inglaterra que capturou Höss, é tio de Harding. Este diz, de cara, que “Höss foi o primeiro nazista sênior a admitir ter cumprido ordens de Hitler e Himmler para a Solução Final”. Assim como Höss, Hanns nasceu na Alemanha. Porém, diferentemente do nazista, era judeu. O pai, o conceituado médico Alfred Alexander, era amigo do físico Albert Einstein, de políticos, escritores, compositores (Richard Strauss) e atores famosos (Marlene Dietrich e Max Pallenberg). A família estava inteiramente assimilada e nem era muito religiosa. Höss encantou-se com Hitler, ao ouvi-lo, em Munique, em 1922. Hitler havia criado, em 1919, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ao qual Höss se filiou. Em 1923, juntou-se a Martin Bormann para torturar e matar Walter Kadow, que havia pertencido aos Freikorps e, supostamente, traído um companheiro. Höss e Bormann foram presos. Para proteger o amigo, o primeiro assumiu a culpa e foi condenado pelo assassinato, em 1924, a dez anos de trabalhos forçados. Bormann pegou uma pena branda — um ano de prisão. Em 1928, aos 26 anos, Höss foi libertado. Era, então, antissemita. “Pessoalmente, nunca odiei os judeus, mas os vi como inimigos de nossa nação”, disse Höss. Em 1929, Himmler, nomeado por Hitler para chefiar sua guarda de segurança nacional, a SS, conversou demoradamente com Höss. Os dois tinham um interesse profundo por agricultura. Em 30 de janeiro de 1933, Hitler é nomeado chanceler pelo presidente Paul von Hin­denburg. Na eleição, o Partido Nazista havia obtido 33% dos votos. Himmler, nomeado chefe da polícia política na Bavária, passou a prender e assassinar adversários. Já em março de 1933, Himmler criou o campo de concentração de Dachau, na Alemanha. Primeiro campo de concentração da Ale­manha, Dachau era um local para prisioneiros políticos, como comunistas e socialdemocratas. A SS deixou de ser a guarda de Hitler para se tornar, escreve Har­ding, “uma considerável organização e burocracia paramilitar”, com 200 mil integrantes, no final de 1933. Höss foi levado para Dachau como supervisor e, depois, comandante de companhia ou líder de bloco. O comandante era Theodor Eicke. No início, Höss ficou abalado com a crueldade com que os presos políticos eram tratados pelos nazistas. Depois, acostumou-se. Logo depois de assistir alguma cena de violência, ceava normalmente com a mulher e os filhos. Em 1938, foi transferido para o campo de Sach­senhausen e se tornou “responsável pela disciplina e as execuções”. Um amigo da SS, um oficial, deixou um comunista escapar e foi levado a um pelotão de fuzilamento. Depois de executado, Höss ainda deu um tiro em sua cabeça. Enquanto Höss progredia, a família de Hanns era perseguida pelos nazistas e teve de fugir para a Inglaterra. Perdeu seus bens. Hanns chegou na terra de Winston Chur­chill em junho de 1936, aos 19 anos. Na Inglaterra, Hanns e seu irmão gêmeo, Paul, que eram ricos na Alemanha, se tornaram pobres. Em abril de 1940, Himmler disse a Richard Glücks para convocar Höss. Este recebeu a incumbência de montar um campo de concentração na Silésia do Norte, na Polônia, nas proximidades da cidadezinha de Auschwitz (Oswiecim em polonês). Foi escolhido para comandante por ser “enérgico” e “eficiente”. Josef Kramer era seu ajudante. Os primeiros 728 detentos eram prisioneiros civis poloneses. Auschwitz não era, na altura, um campo de extermínio. Era um campo de concentração. “Por ordem de Eicke, Rudolf colocou sobre o portão um arco de ferro forjado com as palavras ‘Arbeit Macht Frei’ (O trabalho liberta).” No campo, Höss chamava os prisioneiros de “untermensch”, sub-humanos. A Fritz Hensel, irmão de sua mulher, Hedwig, ele disse: “Não são como você e eu. São diferentes. Não se comportam como seres humanos. Têm números nos braços. Estão aqui para morrer”. Em seguida, Höss se empenhou na construção de Birkenau, ou Auschwitz II, a cinco quilômetros de Auschwitz I. Himmler informou ao comandante do campo que pretendia “construir uma fábrica de borracha sintética [buna] perto de Birkenau para a enorme indústria química” I. G.-Farben-Konzern, “que teria mais de 10 mil trabalhadores” escravos. No livro “Heinrich Himmler — Uma Biografia” (Ob­jetiva, 911 páginas, tradução de Angelika Elisabeth Köhnke, Christine Röhrig, Gabriele Ella Elisabeth Lipkau e Margit Sandra Bugs), o historiador alemão Peter Longerich assinala que “tanto a conveniente localização geográfica da cidade quanto a perspectiva de mão de obra barata dos prisioneiros favoreciam o local”. Em 1941, Höss “supervisionou a introdução do programa de ‘eutanásia’ adulta. (...) Os médicos do campo selecionaram os presos supostamente incapazes de sobreviver para matá-los com uma injeção”. Os nazistas aplicavam “uma injeção de fenol diretamente no coração, causando a morte imediata”. Ainda sem as câmaras de gás, “assim foram assassinados milhares de prisioneiros nos primeiros anos de Auschwitz”. Como Himmler era implacável com os oficiais que deixavam prisioneiros fugirem, “Höss”, relata Harding, “implementou uma política draconiana: para cada prisioneiro que tentasse escapar, os guardas escolheriam dez do mesmo barracão, que seriam levados aos porões do bloco 11 e deixados lá para morrer de fome. Em consequência disso, o número de presos que tentavam fugir de Auschwitz era baixo: apenas dois tentaram escapar em 1940, dezessete em 1941 e 173 em 1942”.

Solução Final

Em junho de 1941, com a Operação Barbarossa, Hitler atacou a União Soviética. Num encontro com Höss, em 1941, Himmler teria dito: “O Führer ordenou a Solução Final da questão judaica, e nós, a SS, é que vamos colocá-la em prática”. Höss pode ter confundido a data, pois a ordem para liquidar todos os judeus teria sido dada na Conferência de Wannsee, em 1942. Como matar judeus em grandes quantidades, e não apenas com tiros e injeções? Karl Fritzch, assistente de Höss, contou ao chefe que havia colocado Zyklon granulado “numa pequena cela do bloco 11” e que, “minutos depois, os russos [soviéticos] haviam morrido”. Além de aprovar a ideia, Höss — e, até aquele momento, Hitler e Himmler não haviam sido notificados da experiência de Auschwitz — “sugeriu que mais prisioneiros podiam ser mortos se usassem o antigo crematório do outro lado dos blocos, adjacente à ‘villa’ onde morava. Seria também uma solução ‘in loco’ para o problema de dar fim aos corpos”. Em seguida, Höss patrocinou um teste maior, agora com 900 presos políticos soviéticos. “As pessoas foram empurradas para dentro do crematório e as portas foram trancadas. Um guarda da SS, usando máscara de gás, subiu pela lateral do prédio, jogou um pó por uma abertura no telhado e fechou-a rapidamente. Mesmo através das grossas paredes de concreto, [Josef] Paczynski [barbeiro polonês de Höss] ouviu uma gritaria terrível. Aos poucos, os gritos foram cessando. Uma hora depois os guardas abriram as portas”, escreve Harding. Todos estavam mortos. Hanns, na Inglaterra, muda o nome para Howard Hervey Ale­xander, se tornou soldado e lutou na Normandia, na França, contra os alemães. O outro “H”, Höss, trabalhava intensamente, como Senhor da Morte. “O primeiro trem carregado de judeus para Auschwitz chegou em janeiro de 1942.” Foram levados para a “Sala de Desinfecção”, onde, “dez minutos depois, todos os prisioneiros estavam mortos”. Os nazistas usaram o gás Zyklon B. Mais tarde, os sonderkommandos, judeus obrigados a servir aos nazistas, “arrancavam anéis e dentes de ouro dos cadáveres”. Depois, os corpos foram levados para os crematórios. “Entre 1940 e 1944”, relata Harding, “mais de 1,3 milhão de prisioneiros chegaram a Auschwitz. Desses 1,1 milhão morreram, sendo 1 milhão de judeus, 75 mil de etnia polonesa, 21 mil roma (ciganos) e 15 mil prisioneiros de guerra” soviéticos. Satisfeito, Himmler promoveu Höss a major. No campo, uma das estrelas era o médico Josef Mengele, que morreu afogado, em 1979, em Bertioga, em São Paulo. Höss permitia a corrupção em Auschwitz e ele mesmo assediou sexualmente a austríaca (não judia) Eleanor Hodys, que engravidou. O comandante do campo mandou um médico fazer o aborto. Ela estava com seis meses de gestação. Mas Himmler estava satisfeito: Auschwitz era “capaz de assassinar mais de 4 mil pessoas por dia”. Porém, como havia denúncias de corrupção, Höss acabou afastado e transferido para Sachsenhausen. Passou a trabalhar sob a chefia direta de Richard Glücks. Em maio de 1944, dada sua “eficiência”, estava de volta a Auschwitz, com o objetivo de comandar o extermínio dos judeus-húngaros. As seleções foram feitas pelos médicos Josef Mengele e Kritz Klein. A “Aktion Höss” exterminou mais de 400 mil judeus-húngaros. Em seguida, Höss assumiu a supervisão dos campos.

Caçada a Höss

Em agosto de 1944, as Aliados criaram um banco de dados, o Registro Central de Criminosos de Guerra e Suspeitos contra a Se­gurança (Crowcass). Eram citados Hitler, Oswald Pohl e Hermann Göring. Höss era mencionado, mas não Richard Glücks, o médico Enno Lolling e Adolf Eichmann. Em 15 de abril de 1945, os soldados e oficias ingleses entraram no campo de concentração de Belsen e ficaram horrorizados com o estado dos prisioneiros. Os ingleses decidiram escolher 12 homens — quatro investigadores, quatro intérpretes e quatro assistentes — para encontrar e penalizar judicialmente os criminosos de guerra. Hanns, com o nome de Howard Hervey Alexander, foi um dos escolhidos para integrar a primeira equipe de investigação de crimes de guerra. Hanns ficou sob as ordens do tenente-coronel inglês Leo Glenn, atuando como intérprete. Um dos investigadores era Alfred James Fox. O primeiro a ser ouvido, Franz Hössler, havia sido subchefe de um subcampo de Auschwitz. “Todos no campo sabiam das câmaras de gás em Auschwitz”, admitiu Hössler. Hanns ficou chocado e irritado com as declarações do nazista, mas anotou tudo que ele falou organizada e corretamente. Fritz Klein, médico em Auschwitz, disse que participou das seleções de prisioneiros e relatou que as ordens para o Holocausto eram verbais. “Nunca protestei contra as pessoas serem mandadas para a câmara de gás”, declarou. Ante os depoimentos sobre o horror, sobre a brutalidade como eram tratadas até as crianças, Hanns tornou-se mais duro nos interrogatórios e jurou caçar Höss. Mesmo quando desautorizado, o jovem caçava nazistas. “Hanns foi um dos primeiros homens do Exército Britânico a caçar criminosos de guerra.” A revisão do depoimento de Josef Kramer, que, depois de vários depoimentos de guardas e prisioneiros, finalmente admitiu que tinha conhecimento das câmaras de gás em Auschwitz e que havia sido ajudante de Höss, foi feita por Hanns. Kramer e outros 44 integrantes da SS foram julgados em setembro de 1945, na Alemanha. Franz Hössler, Fritz Klein, Josef Kramer, Elisabeth Volkenrath e Irma Grese, condenados, foram enforcados em dezembro de 1945. [caption id="attachment_3784" align="alignright" width="305"]Hanns Alexander: a família do jovem judeu fugiu para a Inglaterra, para não morrer, e ele, que se tornou capitão do exército britânico, esteve no desembarque na Normandia e se tornou um eficiente caçador de nazistas. Foto: The Telegraph Hanns Alexander: a família do jovem judeu fugiu para a Inglaterra, para não morrer, e ele, que se tornou capitão do exército britânico, esteve no desembarque na Normandia e se tornou um eficiente caçador de nazistas. Foto: The Telegraph[/caption] Todos os depoimentos sustentavam que Höss era o homem chave de Auschwitz. Por isso Hanns, agora promovido a capitão, com autoridade para investigar e prender nazistas, decidiu caçá-lo. Informado por Himmler que “a luta tinha acabado” e que cada um deveria cuidar de si, Höss ficou chocado. O suicídio de seu chefe adorado o deixou prostrado. Mesmo assim, adotou o nome de Franz Lang, um marinheiro que havia morrido, e se escondeu. Antes de descobrir o paradeiro de Höss, Hanns, integrante da Operação Palheiro, prendeu o nazista Gustav Simon, que havia deportado toda população judaica de Luxemburgo. “Dos 3.900 judeus de Luxemburgo pré-ocupação, 1.290 morreram no Holocausto”, anota Harding. A versão aceita é que Simon cometeu suicídio, mas há outra — de que Hanns e um grupo de partisans de Luxemburgo o teriam matado. “Hanns havia rastreado e prendido o primeiro criminoso de guerra importante”, escreve Harding. Mas como localizar Höss? Sua mulher, Hedwig, que se recusava a prestar qualquer informação, apenas insistia que o marido estava “morto”. Em março de 1946, Hanns apareceu na cela de Hedwig e disse que um trem iria levar Klaus para a Sibéria e que “ela nunca mais o veria”. Com receio de perder o filho para os soviéticos, que eram cruéis, ela deu o endereço e o nome falso de Höss. [caption id="attachment_3780" align="alignleft" width="305"]Rudolf Höss, o comandante de Auschwtiz, admitiu que foi responsável pelo assassinato de pelo menos 2,5 milhões de pessoas, a maioria delas judias. Ele foi enforcado, em 1947, na Polônia. Foto: The Telegraph Rudolf Höss, o comandante de Auschwtiz, admitiu que foi responsável pelo assassinato de pelo menos 2,5 milhões de pessoas, a maioria delas judias. Ele foi enforcado, em 1947, na Polônia. Foto: The Telegraph[/caption] Hanns localizou Höss e enfiou uma pistola em sua boca e o médico que o acompanhava verificou se havia alguma pílula de cianureto. O comandante de Auschwitz negava que era Höss. Hanns pediu a aliança de Höss, que disse: “Não posso, está presa no dedo há anos”. Hanns respondeu: “Não tem problema, vou cortar o seu dedo”. Pegou uma faca e aproximou-se do nazista da SS, que preferiu tirar o anel do dedo. Estavam gravados os nomes Ru­dolf e Hedwig. “Quero Höss no meu carro em dez minutos — ileso”, disse Hanns aos seus companheiros. Entendendo a senha, os soldados ingleses deram uma surra em Höss. Talvez por medo, Höss decidiu falar, deu detalhes sobre a Solução Final “e confessou ter coordenado a morte de 2 milhões de pessoas”. Noutro depoimento, aumentou a cifra para mais de 2,5 milhões de judeus e outros prisioneiros. Ao psicólogo Gustave Gilbert, disse, seca e friamente: “Sou inteiramente normal”. O psiquiatra Leo Golden­sohn perguntou se tinha pesadelos, e Höss respondeu: “Não, não tenho essas fantasias”. Golden­sohn concluiu que era um “psicopata amoral”. O julgamento de Höss ocorreu em março de 1947, na Polônia. Mesmo admitindo que havia chefiado o assassínio de 2,5 milhões de judeus (além de ciganos, homossexuais e prisioneiros políticos e militares), defendeu-se: “Eu nunca maltratei um prisioneiro pessoalmente, e muito menos matei alguém”. E acrescentou: “Todas essas coisas aconteceram em Auschwitz e sou responsável por elas. Porque, conforme o regulamentos dos campos, o Kommandant é totalmente responsável por tudo o que ocorre em seu campo”. Não negou que havia “supervisionado a construção das câmaras de gás, os processos de seleção e os crematórios”, anota Har­ding. “E, como argumento crucial, disse que fora um erro, não porque o assassinato em massa fosse imoral ou monstruoso, e sim porque ‘foi a política de extermínio que atraiu o ódio do mundo inteiro para a Alemanha’.” Testemunhas garantiram que Höss “tinha controle de tudo o que acontecia no campo”. Ele foi enforcado em 16 de abril de 1947. Em abril de 1946, Hanns conseguiu finalmente se tornar cidadão inglês e ele se casou com a jovem Ann. Hanns nunca mais voltou à Alemanha e morreu em dezembro de 2006, aos 89 anos, na Inglaterra, a pátria que havia adotado em definitivo. O livro de Harding revelou uma história que poucos sabiam — a de Hanns, um dos primeiros caçadores de nazistas e, sobretudo, o homem que prendeu o cruel Höss.

Livros para entender mais sobre Auschwitz e a Segunda Guerra Mundial

- “Holocausto — História dos Judeus da Europa Durante a Segunda Guerra Mundial” (Hucitec, 1022 páginas, tradução de Samuel Feldberg e Nancy Ro­zenchan), de Martin Gilbert. Supre, em parte, a lacuna de “A Des­truição dos Judeus Europeus”, de Raul Hilberg, estranhamente inédito em português. - “Auschwitz — Os Nazis e a ‘Solução Final’” (Dom Quixote, 425 páginas, tradução de Clara Fonseca e Lídia Geer), de Laurence Rees. É um livro notável de um pesquisador competente e equilibrado. - “A Alemanha Nazista e os Judeus — Os Anos de Exter­mínio, 1939-1945” (Pers­pectiva, 840 páginas, tradução de Lyslei Nascimento, Josane Barbosa, Maria Clara Cescato e Fany Kon), de Saul Friedlander. Volume 2. Uma história ampla da perseguição e assassinato de judeus. Livro importante. - “Heinrich Himmler — Uma Biografia” (Objetiva, 911 páginas, tradução de Angelika Elisabeth Köhnke, Christine Röh­rig, Gabriele Ella Elisabeth Lipkau e Margit Sandra Bugs), de Peter Longerich. Disparada, a melhor biografia de Himmler e, de quebra, uma brilhante história da Alemanha no século 20 (até 1945). - “A Segunda Guerra Mun­dial” (Bertrand, 1095 páginas, tradução de Fernanda Oliveira), de Antony Beevor. Neste livro, o historiador britânico mostra, com fartos dados, que a guerra foi de fato mundial e pode ter começado não na Europa, mas na Ásia. A crueldade japonesa surpreende. Os japoneses chegavam a comer americanos e outros prisioneiros como se fossem gado. - “A Tempestade da Guerra — Uma Nova História da Segunda Guerra Mundial” (Re­cord, 811 páginas, tradução de Joubert de Oliveira Brízida), de Andrew Roberts. O historiador britânico mostra que o Holocausto, além de uma desumanidade, foi contraproducente para a economia alemã. Frisa o autor: “O Ho­lo­causto foi um erro militar, pois desviou meios ferroviários de monta e tropas SS, mas, sobretudo, porque privou a Alemanha de milhões de trabalhadores potencialmente produtivos e de prováveis soldados”. Confira resenha. - “Hitler” (Companhia das Letras, 1160 páginas, tradução de Pedro Maia Soares), de Ian Ker­shaw. Trata-se de uma edição condensada pelo historiador inglês. A edição integral saiu, em inglês e em espanhol, em dois volumes. É a mais ampla e perceptiva biografia do criador do nazismo. Kershaw é peremptório: o cabo austríaco que mesmerizou e levou os alemães à guerra morreu mesmo em 1945. E observa que, se cometeu erros, não era tolo nem maluco. - “Europa na Guerra — 1939-1945” (Record, 602 páginas, tradução de Victor Paolozzi), de Norman Davies. O livro faz um balanço excelente das principais publicações sobre a Segunda Guer­ra Mundial e comenta até obras literárias e filmes que tratam do assunto. Ele manda “O Resgate do Soldado Ryan” para o raio que o parta... E mostra quais filmes realmente examinam a guerra com mais precisão. Leia.

Filho do escritor Louis Begley lança biografia de John Updike

UpdikeAdam Begley, filho do escritor Louis Begley, lança “Updike” (Harper USA, 576 páginas), a biografia do escritor americano John Updike, o Balzac da classe média americana. Orhan Pamuk elogiou o livro, no “New York Times”. Como o autor da série “Coelho” era prolífico, o Nobel turco disse que, lido o livro de Begley, sentiu vontade de sentar-se e escrever. O motivo é simples: poucos autores escreveram tanto, e tão bem, quanto John Updike (1932-2009), mais conhecido pelos quatro livros (e mais um conto) sobre uma família de classe média americana — a chamada série “Coelho” (republicada no Brasil pela Companhia das Letras). “Corre, Coelho” e “O Coelho Está Rico” são romances do balacobaco. Suas memórias, “Consciência à Flor da Pele”, são tremendamente perspicazes. Ele conta, por exemplo, porque apoiou a guerra do Vietnã, fala de sua psoríase e de ter um neto negro. “Bem Perto da Costa” inclui algumas de suas críticas. Ele era admirador de Machado de Assis e Clarice Lispector. Durante anos, fizesse calor ou frio, os leitores americanos tinham, todo ano, algum livro novo de Updike para ler, quase sempre com alta qualidade. Eram romances, contos, crítica literária e, sim, poesia. Andrés Hax, em texto publicado no “Clarín”, diz que o escritor tinha um alto poder de observação e sua prosa “celebrava o mundano quase que para santificá-lo”. [relacionadas artigos="3692"] Nascido na Pensilvânia, em 1932, Updike era filho único de um casal de trabalhadores. Sua mãe uma escritora menor que sabia incentivá-lo. Aos 15 anos, ele já falava em escrever para a “New Yorker”, uma das principais revistas americanas. Formado por Harvard e Oxford, apontado como aluno brilhante, logo estava escrevendo para a revista. Depois do encanto com a “New Yorker”, para a qual continuou escrevendo, Updike decidiu se tornar escritor. Mudou-se com a mulher e a filha para uma cidadezinha ao norte de Boston e passou a vida inteira escrevendo e publicando livros. Ele vivia disso. Begley mostra que Updike transformou suas vivências em ficção. Não uma mera transposição. Ele usou sua poderosa imaginação, não para embelezar ou caricaturizar aquilo que via — o cotidiano da classe média americana —, mas para entender e explicitar, por meio da literatura, a sociedade em que viveu. Marcel Proust e James Joyce eram os heróis literários de Updike, mas sua prosa realista não tinha tanto a ver com a dos autores de “Em Busca do Tempo Perdido” e “Ulysses”, sobre os quais escreveu tão bem. Não era apenas a linguagem do francês e do irlandês que interessavam ao autor de “Coelho Em Crise”. Ele apreciava o uso que os dois faziam de suas próprias histórias e das histórias de seus povos, países e cidades nas suas literaturas. No “New York Times”, Louis Manad escreveu: “Updike quis fazer com o mundo da classe média da metade do século [certamente a segunda metade do século 20] o que Proust fez com a Belle Époque e Joyce com um só dia de 1904, em Dublin — e também o que Jane Austen fez com os proprietários de terras ingleses no tempo das guerras napoleônicas e Henry James com os endinheirados americanos expatriados vivendo na Europa nos fins do século 19”. A criação literária mais importante de Updike é a série sobre Harry (Harold) Angstrom, o Coelho, iniciada em 1960 e concluída em 1990 (há um conto “finalizando” a história). Trata-se de uma história do século 20 americano — a partir de 1960 — recriada pela literatura. A história agrada a presidente Dilma Rousseff, uma leitora compulsiva tanto de Updike quanto de Philip Roth. Os romances contam a história de Harry da juventude, passando pelo casamento, até sua morte. O veículo japonês Corolla, que hoje encanta os brasileiros, é quase um personagem do livro. Begley mostra que Updike tinha grande interesse pelo conto e pelo jornalismo cultural. Tinha uma curiosidade insaciável e escreveu, com mestria, sobre a prosa de Machado de Assis. Ele também apreciava o poeta e prosador “inglês” Jorge Luis Borges, “por acaso” nascido na Argentina. A biografia mostra que Updike era obcecado com seu trabalho, que revisava-o intensamente. Era um operário da literatura e das artes em geral. Orhan Pamuk, perplexo com sua capacidade de escrever, com a quantidade raramente sacrificando a qualidade — as quedas eram mínimas —, pergunta: “Como pôde ser possível uma pessoa como Updike?” E tenta responder: “Lida esta convincente biografia, eu diria que Updike foi possível, em parte, porque viveu em um país grande e democrático como os Estados Unidos, com um público leitor, otimista, de classe média; e em parte por sua própria independência de espírito e individualismo rousseauniano. O livro provocou em mim o desejo de sentar-me em meu escritório e trabalhar mais duro e escrever”. Andrés Hax diz que “Updike é um autor para descobrir e redescobrir. Com o passar dos anos, veremos se sua persona literária vai se agigantar ou se vai ficar menor. Por hora, é um modelo para qualquer escritor, por sua disciplina, sua ambição e beleza de sua escritura”. O tempo é mesmo o teste para os grandes autores, porque ninguém nasce Dante, Cervantes, Shakespeare, Goethe, Flaubert, Machado de Assis, Proust, Joyce e Thomas Mann. Mas tenho a impressão de que Updike ficará como uma espécie de Balzac da classe média americana. Só que mais refinado do que o francês e próximo, porém menos moralista, de Henry James.

Como Goiânia será prejudicada por desafetação de áreas públicas

O projeto do Executivo, que prevê a venda, permuta ou doação de 18 espaços municipais, deve ser votado na Câmara Municipal nesta semana; setores da sociedade são contra [caption id="attachment_3734" align="alignleft" width="620"]Praça pública ao lado da Pontifícia Universidade Católica (acima), no Jardim Goiás, e sede da Secretaria Municipal de Educação (abaixo),  no Setor Universitário, são 2 das 18 áreas que devem ser desafetadas pelo projeto da Prefeitura de Goiânia / Foto: Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção Praça pública ao lado da Pontifícia Universidade Católica (acima), no Jardim Goiás, e sede da Secretaria Municipal de Educação (abaixo), no Setor Universitário, são 2 das 18 áreas que devem ser desafetadas pelo projeto da Prefeitura de Goiânia / Foto: Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] Marcos Nunes Carreiro Enviado pelo Executivo para a Câmara Municipal em de­zembro do ano passado, o Projeto de Lei Comple­men­tar nº 50 (PL 50), prevê a desafetação de 18 áreas públicas. O projeto, como era de se esperar, causou polêmica. Após breve paralisação devido a um pedido de vistas do vereador Geovani Antônio (PSDB), o projeto deve voltar ao plenário para votação nesta semana. É a segunda vez que a Prefeitura de Goiânia encaminha um projeto visando a desafetação de áreas públicas. A Lei Complementar nº 224, de 16 de janeiro de 2012 — que a partir da inclusão de novo inciso no artigo 112 da lei do Plano Diretor de Goiânia —, permitiu a venda de áreas propícias à construção de edifícios residenciais ou comerciais. artigo_jose maria e silva.qxdA questão foi alvo de ação civil pú­blica, proposta pelo Ministério Pú­blico de Goiás (MP), que requereu ju­­dicialmente o bloqueio de 70 imóveis públicos desafetados. Por decisão liminar do Poder Judiciário, essa a­­ção resultou, por exemplo, na suspensão da venda dos terrenos, localizados próximo ao Paço Municipal, Região Sul da capital. À época foi estabelecido um Termo de Ajus­ta­mento de Conduta (TAC) para que as desafetações citadas não ocorressem da forma prevista anteriormente. Assim, surgiu desse TAC, o PL 50 que tramita na Câmara. A polêmica está no fato de que, das 18 áreas com previsão de desafetação nesse novo projeto, a maior parte — 10 áreas — será destinada à venda. Ou seja, qualquer um poderá adquirir as áreas. Uma pequena fração será dada aos órgãos públicos — TCM, MPT e o próprio MP — e/ou permutas — caso da PUC-GO. Outra questão trata dos usos primitivos das áreas. Como pode ser visto no quadro na próxima página, algumas áreas que serão vendidas estavam destinadas à instalação de equipamentos sociais. Por exemplo: os dois espaços no Portal do Sol eram para a construção de centros para desenvolvimento da criança, do adolescente e apoio ao idoso. As duas áreas no Re­sidencial Humaitá eram para a construção de um posto de saúde e um Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei). O maior questionador do novo projeto do Executivo é o Instituto de Es­tu­dos Socioambientais (Iesa), da Uni­ver­sidade Federal de Goiás (UFG). O instituto produziu um relatório chamado “Im­pactos negativos da desafetação de áreas públicas no município de Goiâ­nia”. Nesse relatório, são apontadas al­gu­mas questões. A primeira delas trata, segundo o Iesa, do objetivo das vendas. O relatório afirma: “O pano de fundo para discussão do PL-50 passa pelo entendimento das demandas e prioridades de investimento do Governo Municipal de Goiânia. Esse ponto de partida implica em pensar o planejamento urbano em um horizonte temporal que ultrapasse o período de vigência dos mandatos para o Executivo e para o Legislativo municipal.” Nesse ponto, o documento utiliza dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que, em 2010, mostrou que Goiânia, em seus 630 bairros, havia 238.955 imóveis prediais particulares e 117.057 lotes particulares. O total de imóveis prediais públicos, em 2010, era de 1.028, enquanto o de lotes públicos somava 10.360. O relatório afirma: “A distribuição dos lotes públicos no espaço intraurbano impressiona, uma vez que, segundo dados do Governo Municipal (Goiânia, 2012), não existiam lotes públicos em 189 bairros e em 63 bairros existia apenas 1 lote público. Já em outros 50 bairros existiam dois lotes públicos em cada bairro e em outros 46 bairros existiam apenas 3 lotes públicos cada bairro.” [caption id="attachment_3741" align="alignleft" width="620"]*De acordo com a Comissão de Habitação e Urbanismo da Câmara Municipal,  a Prefeitura não informou a destinação primitiva de todas as áreas / Foto: Comissão de Habitação de Urbanismo da Câmara Municipal (2014) *De acordo com a Comissão de Habitação e Urbanismo da Câmara Municipal,
a Prefeitura não informou a destinação primitiva de todas as áreas / Foto: Comissão de Habitação de Urbanismo da Câmara Municipal (2014)[/caption] O argumento do Iesa é que os lotes vagos particulares somam uma área maior e, de certa forma, mais importante do ponto de vista do gasto público. “A maior parte [dos lotes particulares] está localizada em regiões com infraestrutura urbana e serviços públicos consolidados e passíveis, a depender da vontade do Governo Municipal, da aplicação dos instrumentos previstos no Estatuto das Cidades, a exemplo do IPTU progressivo”, aponta o documento. Isso porque, segundo os técnicos do instituto, baseando-se nos dados de 2010, há uma estimativa de que, em 2013, Goiânia alcançou uma população de aproximadamente 1 milhão e 400 mil habitantes. Esse número aponta uma densidade de 1.776,74 habitantes por km². Uma densidade alta, que, contudo, não indica uma cidade compacta, visto que a cidade cresce para fora dos locais mais habitados. Dessa forma, tem-se o seguinte ponto: novos setores geram demanda por novos equipamentos públicos, como praças, Cmeis, escolas, postos de saúde. E esses equipamentos precisam de áreas públicas para serem construídos.

Uma cidade na contramão de outras no mundo

Além do relatório, os professores do Instituto de Es­tu­dos Socioambientais (Iesa), publicaram no site Necrópole Goiânia — página criada pelo professor da UFG Tadeu Arrais com o intuito de discutir a questão da desafetação de áreas — um posicionamento oficial. O documento na íntegra: “Posicionamento dos professores da área de planejamento urbano e regional do Iesa, da UFG, em relação ao Projeto de Lei Complementar 50, que desafeta áreas públicas municipais de Goiânia: “No momento em que várias cidades do planeta lutam para afirmar a função social da propriedade, o Governo Municipal simplesmente abre mão de um dos principais insumos de ordenamento do espaço urbano que é, justamente, a possibilidade de manejar estoques de terras para interesses coletivos. A leitura da justificativa do Projeto de Lei número 50, causa desconforto. “Escreve o Prefeito: ‘Ade­mais, a presente proposta trata da desafetação de áreas que se encontram subutilizadas, estando passíveis, em tese, de alienação e de adensamento. Importante salientar que algumas são áreas cujas destinações relacionam-se a órgãos da Administração Pública Municipal, os quais se manifestaram favoráveis às desafetações em apreço, haja vista que não há previsão de utilização pelos mesmos, não implicando em prejuízo para a população’. “Três apontamentos, antes de uma análise mais detalhada do PL 50, são necessários. O primeiro é que as áreas não estão subutilizadas. Área pública, por definição, não é subutilizada. A disposição do prefeito para subutilizar áreas deveria ser mirada nos mais de 100.000 lotes vagos do perímetro urbano. O segundo apontamento refere-se ao adensamento. O adensamento não deve ser justificativa para venda e/ou permuta de áreas públicas, uma vez que aumentará as demandas por investimentos públicos nas áreas desafetadas. O terceiro apontamento guarda relação com a manifestação favorável dos órgãos do Executivo Muni­cipal. Seria ingenuidade supor que o secretariado municipal manifestasse uma opinião divergente daquela decretada pelo Paço Municipal. “Em ofício enviado no dia 15/10/2013, sobre duas áreas com dimensão total de 10.849,84 m², no Setor Universitário (destinação primitiva para sede da SME) e no Residencial Humaitá (destinação primitiva para CMEI), consta a seguinte resposta da então secretaria Neyde Aparecida da Silva para o Gabinete do Prefeito: ‘… informamos que a SME não tem projetos definidos para as áreas em questão, de modo que não há interesse na utilização desses espaços por esta Pasta’ (p.234 de 306). Interessante que no PL 50, no artigo que trata da finalidade dos recursos, consta a construção da sede da SME no Parque Lozandes. Que melhor lugar para sediar a SME que o Setor Leste Univer­sitário? Como não existe demanda, agora, ou no futuro, para construção de um CMEI na Região Norte de Goiânia?

Ressalvas sobre o PL 50

“A primeira ressalva resulta da relação entre a política urbana mu­nicipal e a política de desafetação de á­reas públicas municipais. A vin­culação entre as duas políticas, cujo foco da segunda resulta na pos­si­bi­lidade de financiamento da primeira, revela a incapacidade do Governo Municipal em pensar uma política urbana comprometida com o futuro. O atraso está em compreender que a venda de ativos públicos constitui um meio eficaz de financiamento da política urbana. “A segunda ressalva resulta da am­plitude PL 50, com foco em 18 áreas públicas municipais localizadas em distintos pontos da cidade. A di­men­são das áreas pode variar de 35.999,86 m² (Portal do Sol) a 1.957,19 m² (Jardim Colorado Sul), somando um total de 208.421,3 mil m². Essa estratégia política deixa pouco espaço para discussão, uma vez que as estratégias pontuais, a exemplo da desafetação das áreas localizadas no Parque Lozandes e no Re­sidencial Humaitá, são dissolvidas em uma discussão global que tem por ob­jetivo angariar maior apoio político dos segmentos corporativos da cidade. “A terceira ressalva resulta da compreensão da natureza de uma política urbana que torna im­pres­cindível a preservação dos estoques de áreas públicas. É, no mínimo, irônico que se venda áreas públicas em uma cidade cuja expansão horizontal gera demandas cotidianas por investimentos públicos em equipamentos de consumo coletivo. O parágrafo 3 do Art.2, do PL 50, des­creve, laconicamente, a destinação dos recursos. Entre as 12 destinações des­critas são apontadas, por exemplo, a construção de um viaduto na Ave­ni­da PL-2 com a BR-153, no Park Lo­zan­des, justamente a área que será a­densada pela desafetação. A equa­ção é simples: o Governo Municipal dotou de valor imobiliário aquela área com investimentos públicos. O mesmo Governo Municipal pretende vender as áreas. Em seguida, utili­zan­do-se dos recursos da venda, o Go­verno Municipal dotará as mesmas á­reas de amenidades ambientais e sis­temas de mobilidade. A valorização imo­biliária para os grupos cor­po­ra­tivos será fiada com os recursos da coletividade. “Enfim, para além dos interesses partidários e corporativos e do epíteto de Goiânia Sustentável, temos a obrigação histórica de reafirmar nosso compromisso com o futuro da cidade, o que significa, nesse momento, negar com veemência o Projeto de Lei Número 50.”

UFG aponta falta de estudos para amparar PL 50 

[caption id="attachment_3739" align="alignleft" width="620"]Prefeito Paulo Garcia: sem falar sobre o assunto, até que o projeto passe por votação na Câmara / Fernando Leite/Jornal Opção Prefeito Paulo Garcia: sem falar sobre o assunto, até que o projeto passe por votação na Câmara / Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] O professor PhD Tadeu Alencar Arrais, que coordena a discussão do tema no Iesa, diz que o posicionamento do Instituto não é político, mas técnico. “O Iesa vê alguns problemas em relação a esse assunto. Pri­meiro, é uma questão de princípio, pois não se dispõe de patrimônios públicos para financiar políticas urbanas. Ou seja, o projeto tem como ma­triz desafogar os investimentos da prefeitura. Além disso, estão ignorando o Plano Diretor, pois há sérias ques­tões de adensamento que não es­tão sendo levadas em consideração”. Na fala do professor, é possível identificar dois pontos de argumentação-chave. O primeiro ponto está no fato de que o PL 50 transforma todas as áreas a serem desafetadas em Projetos Urbanos Diferenciados (PDU-I). Arrais explica a questão: “Eu tenho, por exemplo, dois lotes em uma esquina A e outro em uma esquina B. Esse lote A está preso nos parâmetros urbanísticos desse setor, que não me permite verticalizar. Então, esse lote tem um valor ‘X’, pois não posso criar solo. Agora, se esse lote tivesse a possibilidade de criar solo o valor seria outro. O que a prefeitura fez? Transformou todas as áreas em PDU-I. Ou seja, quem comprar essas áreas poderá fazer praticamente o que quiser com elas.” Isso, na visão do professor, contraria uma discussão — que classifica como histórica — do Plano Diretor no que concerne ao adensamento de determinadas regiões. Além disso, segundo ele, também há as questões pontuais de cada região. “Cito, por exemplo, a área no Jardim Brisas do Cerrado, lugar em que há funcionando um campo de várzea. Esse campo foi construído pela população em uma área que é pública em um setor que não tem opções de lazer. E esse local deverá ser tirado dessa comunidade a fim de ser destinado, teoricamente, ao Macambira-Anicuns”, diz. [caption id="attachment_3743" align="alignleft" width="208"]Professor Tadeu Arrais: “São áreas necessárias à comunidade” / Fernando Leite/Jornal Opção Professor Tadeu Arrais: “São áreas necessárias à comunidade” / Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] O outro ponto-chave é que, de acordo com o professor Tadeu Arrais, não há estudos que amparem o projeto. “É preciso ter estudos que digam por que estão vendendo áreas no Portal do Sol e não no Vera Cruz, por exemplo. Por que estão vendendo áreas no Jardim Goiás e não no Guanabara. Ou seja, não há estudos que expliquem os motivos. Pelo menos, não há projetos que tenham sido apresentados à população”, declara. Essa questão, segundo Arrais, dificultou o próprio posicionamento do Iesa. “Tivemos que produzir um estudo a partir do nada, tendo co­mo base somente as áreas desafetadas. E foi nesse momento que os problemas começaram a aparecer, pois as áreas desafetadas têm usos primitivos que são necessários às comunidades. Por exemplo: a sede da SME, no Setor Universitário. Por que essa área, que é muito bem localizada e de fácil acesso para todos os professores, será permutada com a PUC?”. Em relação a esse assunto, a líder do prefeito na Câmara Municipal, vereadora Célia Valadão (PMDB), vê a questão da seguinte forma: “O PL nasceu de um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] entre a prefeitura e o Ministério Público, e que apresenta possibilidades viáveis para a administração. Então, não tenho nada a comentar sobre esses estudos.” Quando questionada sobre os aspectos positivos do projeto, a peemedebista diz que a venda das áreas trará benefícios para a população, uma vez que os recursos já têm destino certo. “Acredito que o chefe do Poder Executivo tem a prerrogativa de priorizar isso que é apresentado e esta Casa entende isso da mesma forma”, afirma. [caption id="attachment_3747" align="alignleft" width="300"] Líder do prefeito, Célia Valadão: “O chefe do Poder Executivo tem a prerrogativa de priorizar a venda das áreas” / Foto: Alberto Maia/Câmara Líder do prefeito, Célia Valadão: “O chefe do Poder Executivo tem a prerrogativa de priorizar a venda das áreas” / Foto: Alberto Maia/Câmara[/caption] A priori, o prefeito Paulo Garcia não fala sobre o assunto. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que, até que o projeto passe por votação na Câmara — o que deverá ocorrer nesta semana —, não se pronunciará a respeito, mas apontou o chefe de gabinete do prefeito, Iram Saraiva Junior, como quem poderia dar declarações sobre o tema. A reportagem procurou Saraiva Junior várias vezes, mas não foi atendida nem ele deu retorno. O projeto se encaminha para ser aprovado na Câmara — visto que a pre­feitura tem maioria na casa —, mas nem todos os vereadores estão a favor. A presidente da Comissão de Habitação da Casa, vereadora Tatia­na Lemos (PC do B), que não se co­lo­ca nem na situação nem na oposição, afirma que o projeto é ilegal e também apresentou um relatório contra. Segundo ela, a legislação é clara ao dizer que áreas destinadas à construção de equipamentos públicos, como Cmeis e Postos de Saúde, não podem ser desafetadas. A não ser que sejam para fins de habitação de interesse social, ou para obras de infraestrutura na própria área, como viadutos. “A prefeitura está passando por cima da lei. Fora isso, muitos dos bairros que estão perdendo essas áreas não têm outros locais para instalar esses equipamentos sociais. E temos que pensar Goiânia no futuro. Afinal, daqui a 100 anos, haverá Goiânia”, declara ela. [caption id="attachment_3748" align="alignleft" width="300"]Vereadora Tatiana Lemos: “A prefeitura está passando por cima da lei e do Plano Diretor de Goiânia” Foto: Alberto Maia/Câmara Vereadora Tatiana Lemos: “A prefeitura está passando por cima da lei e do Plano Diretor de Goiânia” Foto: Alberto Maia/Câmara[/caption] Ao falar de lei, a vereadora se refere à Lei Complementar nº 78, de 8 de junho de 1999, que estabelece normas para o uso da alienação de bens municipais. A lei em questão diz em Parágrafo Único de seu art. 1º: “Fica, a partir da vigência desta Lei Complementar, expressamente vedada, para quaisquer fins, a desafetação de áreas públicas destinadas às praças, escolas, postos de saúde, hospitais, creches, centros de convivência, exceto para implantação de projetos de infraestrutura e projetos de habitação de interesse social, cujo processo legislativo se realizará em caráter de urgência.” É certo que a lei apontada pela vereadora foi alterada pela Lei Complementar nº188, de 30 de março de 2009, que, porém, manteve a redação deste parágrafo. Tatiana diz que, atualmente, já há bairros que precisam de equipamentos sociais, mas não têm áreas disponíveis para a construção. “É o caso do Madre Germana 2. Existe o recurso federal para a construção de um Cmei lá, mas não tem área para essa construção. E não estão atentando para isso. Ou seja, a prefeitura está parecendo um filho que pegou a herança do pai e a está gastando. Não podemos deixar que um problema de gestão prejudique o futuro da nossa cidade”, diz.

Cachoeira Dourada privatizada gera lucros milionários

Hidrelétrica rende mais de R$ 300 milhões por ano ao grupo que a comprou do Estado na última gestão do PMDB em Goiás. Em situação oposta, companhia energética goiana se encontra em meio à mais grave deficiência financeira e estrutural de sua história

John Updike 2 Foto Reprodução 1300 por 866
John Updike é o Balzac da classe média americana

Os críticos mais reticentes à prosa de Updike são aqueles que também são reticentes aos Estados Unidos. Porque, de certo modo, Updike é um “biógrafo”, crítico e compreensivo, do modo de vida americano. A crítica certamente, ao não negar o capitalismo, não agrada os críticos de esquerda, dominantes nos cadernos culturais. Updike queria compreender criticamente, mas não destruir, não era um revolucionário. Era “apenas” um escritor

Os Gilbertos da MPB

A bossa nova de João Gilberto ganha homenagem primorosa em “Gilbertos Samba”, de Gilberto Gil

Fabiana Pulcineli vai deixar a redação de O Popular? Tudo indica que não

Fabiana Pulcineli é, disparada, a melhor repórter de política do “Pop”, embora nem sempre seja valorizada pela cúpula da redação. Às vezes, pode ser ranzinza, até cri-cri, mas é crítica e analisa os fatos com certa qualidade e, sobretudo, coragem. Numa redação que comporta-se como se tivesse medo, e que se omite diante dos fatos ocorridos no Estado, evitando a opinião, la Pulcineli é uma exceção. Na semana passada, comentou-se que Pulcineli estaria de saída do jornal e que participaria de uma campanha eleitoral. A informação não procede. Um dirigente do jornal garante que a jovem repórter permanece na redação e, supostamente, prestigiada. Como, não se sabe. Supostos “lamentos” de Fabiana no Twitter provocaram os comentários. De maneira enigmática, como se fosse uma Henry James do jornalismo, Pulcineli escreveu, poetando e citando: “É o tempo da travessia. E, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. Depois, acrescentou: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares” (atribuído a Fernando Pessoa, mas seria do professor Fernando Teixeira de Andrade.). As frases sugerem que se trata de alguém que está planejando mudar de ambiente, mas também podem ser resultado de insatisfações transitórias. Ou são belas frases colhidas na internet?

Jornalista revela as guerras sujas dos Estados Unidos para combater o terrorismo

13230_gAutor de “Blackwater — A Ascensão do Exército Mercenário Mais Poderoso do Mundo”, Jeremy Scahill lança “Guerras Sujas — O Mundo É um Campo de Batalha” (Companhia das Letras, 840 páginas, tradução de Donaldson M. Garschagen). O jornalista exibe a ação do governo dos Estados Unidos contra o terror em vários países. Leia sinopse fornecida pelo editora: “Nesta história pouco convencional da Guerra ao Terror, o jornalista Jeremy Scahill busca o novo paradigma da política externa norte-americana: a luta longe dos campos de batalha declarados, por unidades que oficialmente não existem, em milhares de operações para as quais não há dados oficiais. “Conduzindo o leitor por uma viagem vertiginosa do Afeganistão ao Paquistão, de Washington ao Iêmen e à Somália, do Reino Unido ao Iraque, na tentativa de entrevistar agentes secretos, mercenários, líderes de organizações terroristas e parentes de vítimas, Scahill revela vidas por trás das sombras e uma nova visão da guerra contemporânea a partir de histórias que um olhar desatento julgaria desconexas. “Entrelaçando relatos que abrangem desde os primeiros dias do governo Bush até o segundo mandato de Obama, o autor nos apresenta os homens que comandam as operações mais secretas das forças armadas americanas e da CIA, histórias de participantes que passaram a vida incógnitos, alguns dos quais contribuíram com o livro sob a condição de não ter sua identidade revelada. “O mundo sabe que a Equipe 6 dos Sea, Air, Land Teams (SEALS) e o Comando Conjunto de Operações Especiais (Joint Special Operations Command, JSOC) foram as unidades que mataram Osama Bin Laden. Este livro revelará missões até agora desconhecidas dessas mesmas forças, que nunca serão discutidas por políticos norte-americanos nem imortalizadas em filmes de Hollywood.”

Ricardo Boechat acusou senador Requião e foi condenado à prisão. Vai cumprir pena em liberdade

A juíza Aparecida Angélica Corrêa, da 1ª Vara Criminal do Fórum Regional de Pinheiros (São Paulo), condenou o jornalista Ricardo Boechat a seis meses e 16 dias de prisão. Mas o apresentador do “Jornal da Band” vai cumprir a pena em liberdade, fazendo trabalhos sociais. A Bandeirantes e o profissional informam que vão recorrer. A pena de fato parece pesada, dado o que aconteceu. O repórter da Rádio Bandeirantes Victor Boyadjian questionou, em 2011, a aposentadoria que o senador Roberto Requião recebe como ex-governador do Paraná — uma “excrescência legal”, lá no Sul —, e o político tomou seu gravador e apagou a gravação. O que também deveria ter sido criminalizado, mas não foi. Ao comentar o fato na Bandnews FM, Boechat disse que o peemedebista estava envolvido com corrupção e nepotismo — a origem do processo — e disse, aí com razão, que o gesto do senador feria a liberdade de imprensa.