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Na semana passada, num operação de mestre, que deixou o prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin, bestificado, Marcelo Melo, Célio Silveira e Valcenor Braz obtiveram uma grande vitória política. O trio de ferro, Marcelo Melo, Célio Silveira e Valcenor Braz, articulou com eficiência e elegeu Télio Rodrigues (PSDB) para presidente da Câmara Municipal. Até uma vereadora do PSD, Ana Lúcia, votou com a oposição. Sinal da decadência do grupo de Cristóvão Tormin. A vitória de Télio Rodrigues foi definida assim por um empresário de Luziânia: “É o começo do fim do prefeito Cristóvão Tormin, o primeiro a chegar atrasado em tudo”.
Cristalina, em pé de guerra, não aceita apoiar a candidatura do deputado estadual eleito Diego Sorgatto (PSD) para prefeito. Ligado a Daniel do Sindicato, que deve ser candidato a prefeito — e mora na cidade —, um jovem empresário é peremptório: “O eleitor de Cristalina não vai votar em mais um paraquedista”.
“O Estado de S. Paulo” dispensou um dos mais produtivos e longevos correspondentes internacionais da imprensa brasileira, Ariel Palacios, e envia para seu lugar Rodrigo Cavalheiro, atual subeditor de Internacional.
O “Estadão” não explicou o motivo da demissão de Ariel Palacios, que trabalhou 19 anos para o jornal. Ele continua no Globo News e com seu blog.
O jornalista escreveu um livro, “Os Argentinos” (Editora Contexto), que é útil para turistas e para quem quer conhecer o povo argentino, sem preconceitos e clichês.
José Nelto (PMDB) quer disputar a Prefeitura de Águas Lindas, município onde pretende organizar loteamentos particulares. Mais uma aberração. Porque o deputado estadual eleito não mora na cidade. Isto deveria ser considerado crime eleitoral.
O prefeito de Goianésia, Jalles Fontoura (PSDB), não está muito disposto a disputar a reeleição. A situação do PMDB não é positiva no município, pois, fora Gilberto Naves, que não quer ser candidato, não tem nenhum nome consistente. Renato de Castro, eleito deputado federal pelo PT, mas que pertence ao grupo de Gilberto Naves, é cotado para a disputa. Mas pode optar por concluir seu mandato.
Carlos Maranhão, que comandou com rara competência o marketing da campanha do governador Marconi Perillo, é cotado para gerir a comunicação do Estado ou para arrancar o VLT do papel. É tido como um craque para múltiplas funções.
Não há a menor dúvida: Jayme Rincon (PSDB) deverá ser candidato a prefeito de Goiânia. Com Virmondes Cruvinel Filho, do PSD, na vice. Seu marketing político será formulado pelo talentoso publicitário e marqueteiro Paulo de Tarso. Políticos começam a dizer que Jayme Rincon articula como políticos veteranos. Mas, com um mestre como o governador Marconi Perillo, que tem doutorado prático em política, o presidente da Agetop vai mesmo muito longe. Possivelmente, direto para o Paço Municipal, em 2016.
Historiador Marco Antônio Villa afirma que financiamento público de campanha é para “enganar trouxa”, porque o PT tem formas próprias de se financiar, como o petrolão
Todas as autoridades médicas são unânimes: a doença-irmã da dengue — menos mortal, mas causadora de terríveis dores nas articulações —, chegou para valer. Vai derrubar pessoas, piorar o setor da saúde e prejudicar a economia. E o País não se preparou
Todos estão tentando evitar que as profecias apocalípticas para o próximo ano se cumpram. A questão é se os outros setores da sociedade conseguirão ajudar a “despiorar” a situação
O procurador federal mais temido de Goiás diz que o banco do governo será foco de rombos ainda maiores e desabafa: “Não estamos dando conta de defender a República dos ratos que estão corroendo suas estruturas”
Por que o herdeiro de uma das maiores fortunas do mundo viria a se interessar por um país subdesenvolvido? Por que ampliaria sua atuação para outras áreas, como a cultural, ao ponto de se tornar um verdadeiro mecenas? É o que procura esclarecer o professor Antonio Pedro Tota em “O Amigo Americano — Nelson Rockefeller e o Brasil”
Fotógrafo brasileiro multipremiado e de renome internacional, Sebastião Salgado revela no livro “Da Minha Terra à Terra” histórias de sua vida pessoal e profissional, colhidas em suas andanças pelo mundo em busca de fotografias
Rigorosamente fundamentada em documentação e no arquivo da família, “La Vita Plurale di Fernando Pessoa”, do espanhol Ángel Crespo, em nova edição italiana com tradução e revisão do crítico Brunello Natale De Cusatis, representa a biografia pessoana mais completa e atualizada já posta em circulação
Hélverton Baiano
O galo saçaricava há quase uma semana, pois a galo dado não se mata recente, tem-se de esperar pelo menos sete dias para passá-lo à panela. A sentença do galo estava determinada e chegamos dois dias antes de se cumprir, a ponto de conviver e nos enternercer pelo bichinho. É triste a sina do galo pelo que ele nos brinda com seu canto matutino, que, sozinho, como disse João Cabral de Melo Neto, não tece uma manhã.
Mas o galo canta indiferente a quaisquer perspectivas, apenas pela canora forma de nos agraciar com uma melodia única e inexorável, nos dedicando graciosamente o deleite da manhã que se prenuncia. O galo é o relógio do sertanejo, pontual como o sol que vem e vai no seu habitual, pontuando dias e noites, claro e escuro.
Aquele galo, especificamente, viveu sete dias peado e alimentado com quireras e sobras, correndo e tropeçando atencioso para o que comer, sem saber que logo viraria de-comer. Era um galo interativo e não se fazia de rogado quando lhe dava fome e os de casa se descuidavam. Ia sorrateiro e serelepe à arandela de frutas e verduras e catava de lá uma cebola ou uma banana e a traçava com tanta rapidez e eficiência, que o colocaria em primeiro lugar na olimpíada da gula galinácea.
Por dois dias fui despertado pelo doce cantarolar do galo. Mas no segundo dia me comprazia ao galinho, sabendo que daí a pouco o bichinho viraria pirão pelas mãos hábeis e traquejadas na lida de matar e cozinhar sem pena esses bichos de penas. Deu pena! Ainda mais nestes tempos de exaltação à carne branca.
O galo cantava pela última vez, um canto forte, audacioso, cocoricorando alegrias aos ouvidos da aurora, prenunciando sem querer alegorias ao novo ano que nascia há poucas horas e que fazia de leitões sua algaravia. O galo cantava o entusiasmo da festa, a plenitude de um ano que chegava com abraços e desejos de boas realizações, plenitude, harmonia, prosperidade e paz. Mesmo morrendo, o galo ajudava a sinfonia do ano novo, na verdade cantando e agradecendo pelo que viveu e não pelo futuro. Era o único entre todos a reverenciar o passado, como que a agradecer às divindades galináceas pelo tanto que viveu e cantou galando e engalanando.
Era o autêntico galo caipira que agora ia para o cadafalso da degustação, seguro pelas asas. Vi e participei de inúmeras dessas cenas e, quando menino com pouco mais de dois anos de idade, quis matar o vizinho, Seo Bilisco, como minha vó Angélica fizera com a galinha que alimentou o resguardo de mainha. O galo ia destecer a vida para alegrar nosso ano novo, detestando a máxima de Bilica Caçuador: “Galo bom é galo morto!”
Não quis presenciar nem a depenação do pescoço e muito menos a facada certeira de onde se esvairia a vida do galo cantador. Aquele galo me conquistou pela voz e pelo gosto, horas depois da missa do galo. Acho que nunca em minha vida comi galináceo tão gostoso e perfeito de condimento. Comi com alegria, lembrando-me do lindo cocoricó que pela manhã embalou sono, sonhos e emoções, almejando ao mundo um feliz ano novo.
Hélverton Baiano é escritor e jornalista.


