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Luiz Maklouf Carvalho, um dos mais experimentadores repórteres brasileiros e autor de livros importantes na área de história — sobre a Guerrilha do Araguaia e a respeito do PT —, lança pela Editora Record a obra “João Santana — Um Marqueteiro no poder” (252 páginas). Trata-se de um perfil biográfico.
Duda Mendonça “fabricou” o primeiro Lula, revestindo sua imagem e ideias de certa modernidade, tornando o mais clean e contemporâneo. Mas quem consolidou Lula da Silva, sobretudo depois do desastre do mensalão, foi o marqueteiro e jornalista João Santana, que arrancou o ex-presidente das cinzas e, até, de uma suposta depressão (ou pelo menos melancolia).
A segunda missão de João Santana era transformar um poste, Dilma Rousseff, numa candidata a presidente da República aceitável e “comprável”. Por ser inflexível — consta que, pessoalmente, é incorruptível (certas corrupções são mais morais do que financeiras) —, durona e intelectual, a petista era resistente ao trabalho do marqueteiro. Aos poucos, sob pressão e orientação de Lula da Silva (espécie de pai postiço para a presidente), foi aceitando ser moldada, ou ligeiramente “construída”. O resultado é que, embora não tenha se tornado muito simpática, tornou-se mais palatável e foi eleita e reeleita presidente. É provável que João Santana tenha cristalizado, sobre toda a lama pisada e repisada pelo PT e seus aliados, uma espécie de imagem de esfinge para Dilma Rousseff. Com habilidade, firmou a ideia de que se trata de uma política séria — aliás, mais técnica do que política — e não contaminada pelo lodaçal do petrolão.
A fama de João Santana alastrou-se pela América Latina e ele fez campanha em outros países. O estelar baiano parece ter tomado a fama de mago do marketing político de Duda Mendonça.
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Ao contar uma história familiar, livro resgata história da cultura europeia[/caption]
“A Lebre Com Olhos de Âmbar” (Intrínseca, 318 páginas, tradução de Alexandre Barbosa de Souza), de Edmund de Waal, é um autêntico diamante para o cérebro. Não é obra de ficção. É a história da família Ephrussi, que, após ganhar dinheiro com o comércio de trigo em Odessa, na Rússia, mudou-se para Paris e Viena, onde, assimilada, se tornou banqueira. Eram judeus refinados e investidores profissionais.
Charles Ephrussi não quis ser banqueiro e se tornou mecenas de pintores impressionistas, como Renoir e Degas, e crítico de arte. Ele convencia a elite parisiense, notadamente os milionários judeus de seu convívio, a posar para os artistas e a comprar seus quadros. Ao mesmo tempo, publicava críticas perceptivas sobre sua pintura. Logo atraiu o interesse de Marcel Proust, autor de “Em Busca do Tempo Perdido”. Tornaram-se amigos e Charles Ephrussi é, com alterações típicas formuladas por ficcionistas do primeiro time, Charles Swann.
O objetivo de Edmund de Waal é contar a história da coleção de 264 netsuquês — esculturas em miniaturas feitas (de marfim e madeira) por artistas japoneses — que Charles Ephrussi, seu parente, comprou no século 19, em Paris. Quando o banqueiro Viktor Ephrussi e Emmy se casaram, Charles Ephrussi presenteou-os com os netsuquês.
Quando Hitler anexou a Áustria, em 1938, os nazistas tomaram todos os bens de Viktor Ephrussi, que foi obrigado a se mudar para Londres. A família ficou sem nada. Não se falou mais dos netsuquês. Porém, mais tarde, ao visitar Viena, Elisabeth, filha do ex-banqueiro, encontrou-se com Anna, ex-empregada da família. Ela havia escondido os netsuquês.
Elisabeth Ephrussi, formada em Direito e amiga de Rilke, com quem trocava cartas sobre o fazer poético, levou os netsuquês para a Inglaterra e, de lá, seu irmão Ignace “Iggie” Ephrussi levou-os de volta para o Japão. Edmund de Wall, que é ceramista e professor da Universidade de Westminster, herdou os netsuquês, que voltaram a Londres.
A capacidade narrativa de Edmund de Waal, que envolve o leitor com rara delicadeza, é o forte do livro. Resulta que a obra é um qualificado painel cultural do século 19, sobretudo, e do século 20. Uma pequena obra-prima — com rara percepção para o detalhe relevante —, que, acredito, Proust adoraria.
Na orelha do livro há um erro. Proust não foi secretário de Charles Ephrussi. A editora confundiu-o com Jules Laforgue.
Trecho do livro de Edmund de Waal em que cita Proust e o caso Dreyfus
Paris havia se transformado para Charles [Ephrussi, imagem acima]. Ele era um mondain de portas fechadas, um mecenas no ostracismo por decisão de alguns de seus artistas. Imagino como deve ter sido, e lembro-me de Proust escrevendo sobre a raiva do duque de Guermantes:
“No tocante a Swann (...) dizem-me agora que ele é abertamente dreyfusista. Eu jamais teria acreditado nisso da parte dele, um epicurista, um homem de juízo prático, um colecionador, conhecedor de livros antigos, membro do Jockey, um homem que desfruta do respeito de todos, que conhece todos os bons endereços e costumava nos mandar o melhor vinho do porto que se pode desejar, um diletante, um homem de família. Ah! Estou muito decepcionado.”
Em Paris vasculho os arquivos e trafego entre casas velhas e escritórios, vadiando pelos museus, ora a esmo, ora com excesso de propósitos. Estou planejando uma viagem na memória. Tenho o netsuquê de um lobo malhado no bolso. É quase estranho demais ver como a figura de Charles está entrelaçada à figura que Proust constrói de Swann.
Continuo indo aos lugares onde as vidas de Charles Ephrussi e de Charles Swann se interceptam. Antes de iniciar minha jornada, eu já sabia que em linhas gerais meu Charles era um dos dois principais modelos do protagonista de Proust — o menos importante dos dois, segundo dizem. Lembro-me de ter lido um comentário desdenhoso sobre ele — “um judeu polonês (...) robusto, barbado e feio, seus modos eram graves e rudes” — na biografia de Proust publicada por George Painter nos anos 1950 e toma-lo ao pé da letra. O outro modelo admitido por Proust era um encantador dândi e homem da sociedade chamado Charles Haas. Um sujeito mais velho, que não escrevia e não colecionava.
Se era preciso admitir existir um primeiro dono do meu lobo, preferiria que fosse Swann — motivado, amado e gracioso —, mas não quero que Charles desapareça em meio às fontes, que ele vire uma nota de rodapé. Charles se tornou tão real para mim que receio perdê-lo nos estudos de Proust. E me importo demais com Proust para converter sua ficção em uma espécie de acróstico da Belle Époque. “Meu romance não tem chave”, disse Proust diversas vezes.
Tento mapear as correspondências diretas que meu Charles e o Charles ficcional compartilham, o delineamento de suas existências. Digo ‘diretas’, mas quando começo a passa-las a limpo, elas se revelam uma lista e tanto.
Ambos são judeus. Ambos são homens du monde. Possuem relações sociais que vão da realeza (Charles levara a rainha Vitória para passear em Paris, Swann é amigo do príncipe de Gales), passando pelos salões, até os ateliês dos artistas. São amantes da arte profundamente apaixonados pela Renascença italiana, em especial Giotto e Botticelli. Ambos são experts no misterioso campo de medalhões venezianos do século XV. Colecionadores, mecenas dos impressionistas, deslocados ao sol na festa do amigo pintor junto ao rio.
Ambos escreveram monografias sobre arte: Swann sobre Vermeer, meu Charles sobre Dürer. Usam sua “erudição em matéria de arte (...) para aconselhar damas da sociedade sobre quais quadros comprar e como decorar suas casas”. Tanto Ephrussi quanto Swann são dândis e ambos são Chevaliers da Légion d’honneur. Suas vidas haviam passado pelo japonismo e chegado ao novo gosto pelo estilo Império. E eram ambos dreyfusistas que descobriram que suas vidas cuidadosamente construídas estavam profundamente rachadas por seu próprio judaísmo.
Proust jogou com a interpenetração do real e do inventado. Seus romances possuem um arsenal de figuras históricas que aparecem como elas mesmas — a madame Straus e a princesa Mathilde, por exemplo — mescladas com personagens reinventados a partir de pessoas identificáveis. Elstir, o grande pintor que abandona sua paixão pelo japonismo para se tornar um impressionista, possui em si elementos de Whistler e de Renoir, mas é dono de outra força dinâmica. De modo similar, os personagens de Proust postam-se diante de quadros reais. A textura visual dos romances abarca não só referências a Giotto e Botticelli, Dürer e Vermeer, além de Moreau, Monet e Renoir, mas também o ato de ver pinturas, o ato de colecioná-las e lembrar como foi ver determinada coisa, com uma lembrança do momento dessa apreensão.
Swann capta semelhanças de passagem: Odette e um Botticelli, o perfil de um soldado durante uma recepção e um Mantegna. Assim como Charles fazia. Não posso deixar de me perguntar se minha avó, tão composta, tão alinhada em seu vestido branco engomado naqueles caminhos de cascalho do jardim do chalé suíço, sabia o que fizera Charles se agachar e fazer um carinho no cabelo da irmãzinha bonita e compará-la ao seu Renoir da ciganinha.
E enquanto Swann, ele é divertido e encantador, mas possui algo reservado, “como um armário trancado”. Move-se pelo mundo deixando as pessoas mais atentas às coisas que ele ama. Penso no modo como o jovem narrador, apaixonado pela filha de Swann, visita sua casa, é recebido com muita cortesia e é apresentado a sua sublime coleção.
Esse é o meu Charles, submetendo-se a agruras infinitas para mostrar livros ou quadros aos jovens amigos, a Proust, escrevendo sobre objetos e esculturas com acuidade e honestidade, animando o universo das coisas.
(O longo trecho do livro “A Lebre Com Olhos de Âmbar” está entre as páginas 103 e 106. Proust é citado várias outras vezes, inclusive lamentando a morte de Charles Ephrussi, seu amigo, aos 55 anos)
A “Piauí” deste mês publicou dois textos muitos bons. “O irmão brasileiro”, escrito por Fernando de Barros e Silva, é sobre a peregrinação de Chico Buarque, autor do romance “O Irmão Alemão”, em busca da história de seu irmão Sergio Günther, na Alemanha. “O Palestrante Cético” é um perfil, assinado por Rafael Cariello, do economista Eduardo Giannetti.
O clima entre Chico Buarque e Fernando de Barros, autor de um opúsculo de qualidade sobre o compositor-cantor, é, percebe-se no texto, de camaradagem. Mas qualquer repórter é uma espécie de escorpião. Em Berlim, Chico Buarque encontra-se com uma filha de Sergio Günther, Kerstin Prügel, com a filha desta, Josepha Prügel, e com uma das ex-mulheres do irmão, Monika Knebel. Todas ganharam presentes do brasileiro. Menos Michael, marido de Kerstin, cujo sobrenome não é mencionado (deve ser Prügel).
Chico Buarque esclarece que a cachaça comprada para Michael havia sido apreendida em Paris, no aeroporto. “Fiquei com a sensação de que havia acabado de inventar a história”, diz o às vezes sutil Fernando Barros.
Depois, Chico Buarque diz que Josepha Prügel, sua parente, “lembra a Scarlett Johansson, com um pouco de boa vontade”. Fernando Barros, meticuloso, registra tudo. Sobre a sobrinha, Kerstin Prügel, o escritor diz que tem “cabeça de manga”.
Como a família alemã não entende português, portanto não vai ler a “Piauí”, Chico Buarque e Fernando Barros, assim como os leitores, podem rir em paz.
Curiosidades da vida. Na edição de sexta-feira, 16, do “Valor Econômico”, na resenha “McEwan em obra burocrática”, Tatiana Salem Levy detonou “A Balada de Adam Henry”, do inglês Ian McEwan, numa leitura superficial e apressada do romance. Talvez seja aquela história de pegar um “grande” para sugerir capacidade de divergir de críticos mais gabaritados.
É provável que a crítica de Tatiana Salem a McEwan, se se tirar o nome deste, é adequada para o romance da escritora brasileira. Ela está falando de si, quem sabe, ao falar do outro.
Na “Folha de S. Paulo” de sábado, 17, Luís Augusto Fischer, um dos principais críticos brasileiros da atualidade — que alia talento e coragem —, escreveu, na resenha “Tatiana Salem Levy erra a mão em livro de poucos elementos”, que o romance “Paraíso” é frágil. “Um começo espetacular, num romance fraco, com vários problemas, que termina péssimo. (...) O romance erra a mão em quase toda a linha.”
Há um livro surpreendente circulando em Goiânia, mas fora das livrarias. É literatura de primeira, mas não deve fazer sucesso, por falta de divulgação. O título “À Moda da Casa: Contos Goianos” não ajuda, porque sugere uma literatura provinciana, limitada. Mas não é nada disso. Os contos, baseados em informações reais mas transformadas pela imaginação poderosa da autora, Terezinha Fonseca, nada têm de provincianos, apesar de as histórias serem provinciais.
Há, por assim dizer, alguma coisa do russo Antón Tchekhov nos relatos precisos e não sentimentais de Terezinha Fonseca. A autora mora nos Estados Unidos.
Quando Tommaso Buscetta (1928-2000) foi preso no Brasil, os apresentadores de telejornais, notadamente os do “Jornal Nacional”, torciam a língua para pronunciar o sobrenome do mafioso italiano. Na terça-feira, 20, ocorreu algo semelhante. Na disputa entre o Vélez Sarsfield e o Boca Juniores, pelo Torneio de Verão 2015, uma das estrelas era o atacante Milton Caraglio. Inicialmente, a Fox Sports começou a chamá-lo de Caraglio, como é conhecido, porém, de repente, o narrador e os comentaristas passaram a nominá-lo de Milton. Ordem superiores, admitiu o narrador Marco de Vargas. Na Copa do Mundo de 2006, segundo o Portal Imprensa, “os narradores brasileiros” fizeram “malabarismos para anunciar o goleiro costarriquenho José Porras”. Nada mais infantil. Quem ficar constrangido devido à citação de nomes como Buscetta, Caragligo e Porras, que não têm nada de acintoso, precisa de analista — quem sabe, com certa urgência. Editores de jornais e emissoras e redes de televisão comportam-se como se fossem tutores dos leitores e telespectadores.
O intelectual inglês Anthony Giddens se tornou famoso com o livro sobre a terceira via. Agora, de sua autoria, a Unesp lança “Continente Turbulento e Poderoso — Qual o Futuro da Europa?” (280 páginas, tradução de Gilson Cesar Cardoso de Sousa). Sinopse da editora e da Livraria Cultura: “Este livro trata do futuro da Europa e das possibilidades da socialdemocracia europeia no mundo moderno. Defensor convicto da União Europeia, o autor situa o debate no contexto de uma economia global em intensa transformação, sendo fundamental que se faça uma reflexão profunda de todo o projeto europeu, cuja existência e poder de influência correm o risco de naufragar em meio à atual crise, juntamente com a moeda única. Se o euro sobreviver em boa forma, porém, a UE seria um ator-chave na reconstrução, juntamente com EUA e particularmente China, da teoria econômica que embasa a desregulamentação, hoje submetida a uma estrutura intelectual mais ou menos em ruínas”. Vale ler o livro de Anthony Giddens comparando com outros dois livros: “Os Últimos Dias da Europa” (Odisseia, 208 páginas, tradução de André Pereira da Costa), de Walter Laqueur, e “ A Grande Degeneração — A Decadência do Mundo Ocidental (Planeta do Brasil, 128 páginas, tradução de Janaína Marcoantonio), de Niall Ferguson.
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Melck Aquino é jornalista, radialista e produtor cultural[/caption]
O consultor político Melck Aquino foi nomeado pelo governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), para o cargo de subsecretário de Comunicação. Trata-se de um profissional experimentado. Ele é jornalista, radialista e produtor cultural. Mora em Palmas há 15 anos. Assessorou, na áreas de comunicação e marketing, três senadores.
O jornalista participou de mais de 20 campanhas eleitorais em Goiás, Minas Gerais, Maranhão e Tocantins. Produziu o Bar Feitiço Mineiro e o Monumental (atual Bar Brahma), em Brasília. Fundou a Casa do Melck, uma casa noturna, em Palmas. Atuou como produtor cultural das bandas Impacto Latino, Mestre Kuca, Albion e Véiétu e de vários shows. Melck Aquino produziu um show da cantora Alcione, na capital do Tocantins. É poeta e letrista.
Melck é irmão da jornalista Tacilda Aquino, ex-repórter de “O Popular”, crítica de cinema refinada e colaboradora do Jornal Opção.
Não resta dúvida: é um cracaço.
Setor que mais criou empregos foi o de serviços. Em seguida, veio o comércio e a administração pública
Caso haja acordo, elas se comprometeram a não cobrar multa imposta pelo não cumprimento de 80% de manutenção dos serviços
União prometeu fazer mais parcerias com estados e criar campanha de conscientização para que sociedade poupe recurso hídrico
Justiça Eleitoral deve julgar, em 2015, casos emblemáticos como o do deputado estadual eleito Adib Elias e dos ex-prefeitos Antônio Gomide e Vanderlan Cardoso
Alguns deputados mostram-se com posicionamentos mais conservadores, com cunho religioso. Enquanto uns veem a criminalização da homofobia como tema irrelevante, outros defendem extenso debate do assunto
Ministério Público do Piauí afirma que vai recorrer da decisão judicial, já que a isonomia entre os candidatos ficou comprometida após vazamento de tema de redação
Diretor da organização se mostrou preocupado com uma possível "indolência" motivada pela queda no número de casos de doença

