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“Calculo que devo ter passado quase 20.000 horas escrevendo ‘Ulysses’”, disse o escritor irlandês James Joyce

Beckett não compartilhava a ironia de Seaver em relação a Buster Keaton. "Assistia a cada tomada com isenção, encantado com a compreensão intuitiva" do ator

[caption id="attachment_317" align="alignleft" width="620"] Boadyr Veloso e Camila Lagares: a Força Nacional terá “coragem” e “liberdade” para investigar o assassinato destes dois seres humanos?[/caption]
“O Hoje” (reportagem de Eduardo Pinheiro), o “Diário da Manhã” (texto de Nayara Reis) e o “Pop” (matéria de Cleomar Almeida) deram destaque à prisão dos policiais militares Rones Cruvinel de Melo, Roberto Caetano de Sousa, Nelson Balbino do Sacramento e Manoel Messias de Oliveira. A Força Nacional os prendeu em Rio Verde. O quarteto é suspeito de ter cometido três homicídios (é possível, segundo a polícia, que tenha matado bem mais), extorsão e associação para o tráfico de drogas. A pergunta que os jornais não fizeram, limitando-se a publicar o resultado da investigação da Força Nacional, é até prosaica: a Polícia Civil e a Polícia Militar de Goiás não sabiam o que estava acontecendo em Rio Verde? Segundo o repórter Cleomar Almeida, o cabo Roberto Caetano de Sousa é suspeito de participar do assassinato de Divino Roberto em 1996. Há 18 anos! Quase duas décadas.
Os três jornais, que mantêm uma cobertura policial azeitada, com equipes específicas e experientes, deveriam produzir reportagem mostrando que, quando investiga de fato — sem receios ou supostas maquiagens —, a polícia consegue prender os responsáveis pelos assassinatos. Quando não quer, por variados motivos — medo talvez seja um deles, pressão talvez seja outro —, a polícia obviamente nada descobre. Os assassinatos do médico, político e bicheiro Boadyr Veloso, de Túlio Jayme e da estudante Camila Lagares não foram investigados com rigor. A Força Nacional teria condições de investigá-los? Tudo indica que sim, pois está mostrando que não tem qualquer receio de prender policiais militares, desde que tenham se tornado criminosos.
Os três diários publicaram reportagens corretas, mas há pequenos problemas:
1 — O “Pop” escreve Operação Quarteto. “O Hoje” e o “Diário da Manhã” publicam o nome completo, Operação Quarteto Fantástico. O “Pop” errou.
2 — Nayara Reis, do “DM”, anota “PM’s”. O “Pop” e “O Hoje” acertam ao optar por PMs. O apóstrofo é desnecessário.
3 — “O Hoje” deu a patente do cabo Roberto Caetano, mas omitiu as patentes dos policiais militares Rones Cruvinel de Melo (cabo), Nelson Balbino do Sacramento (cabo) e Manoel Messias de Oliveira (sargento).
4 — A seguir exponho mais uma dúvida do que erro. “O Hoje” e “Pop” dizem que o delegado Rossilio Souza Correia coordenou a Operação Quarteto Fantástico. O “DM” assinala que o delegado Fábio Rogério é o coordenador da operação. O “Pop” garante que o delegado Fábio Rogério da Silva é o coordenador da Força Nacional de Segurança no Estado. Em seguida, o “Pop” assegura que o delegado Alexandre Lourenço é o coordenador da Força Nacional em Goiás pela Polícia Civil.
5 — O “DM” informa que “setenta homens da Força Nacional participaram da Operação Quarteto Fantástico”. “O Hoje” apresenta outro número: “A operação montada para a prisão dos militares reuniu 50 homens da Força, com apoio da Corregedoria da PM e da Polícia Civil”.
Pelé, Ayrton Senna e Lula são os brasileiros mais conhecidos no exterior? É provável. Talvez seja possível incluir o fotógrafo Sebastião Salgado na lista, quem sabe, em nada imodesto terceiro lugar, atrás de Pelé e Senna. Sabe-se muito sobre suas fotografias e, com o livro “Da Minha Terra à Terra” (Paralela, 176 páginas), de Sebastião Salgado e Isabelle Francq, se ficará sabendo um pouco mais do homem.
Sinopse divulgada no site da Livraria Cultura:
“As fotos de Sebastião Salgado são famosas no mundo inteiro. Suas imagens em preto e branco de trabalhadores e refugiados já ganharam inúmeros prêmios e são reconhecidas pela profunda dignidade que despertam no interlocutor.
“Em 2013, depois de oito anos de reportagens, Salgado expôs pela primeira vez o celebrado Projeto Gênesis, que deu origem ao livro de mesmo nome. Em uma jornada fotográfica por lugares intocados, onde o homem convive em harmonia com a natureza, o fotógrafo pôde declarar seu amor à Terra, em sua grandeza e fragilidade.
“Mas apesar das imagens de Sebastião Salgado já terem dado a volta ao mundo, sua história pessoal, as raízes políticas, éticas e existenciais de seu engajamento fotográfico permaneciam ignoradas.
“Em 'Da Minha Terra à Terra', é seu talento como narrador que surpreende. A autenticidade de um homem que sabe como poucos combinar militância, profissionalismo, talento e generosidade.”
(Apesar do que diz a sinopse, ao elogiar a capacidade narrativa do fotógrafo, outra profissional o ajudou na feitura do livro.)
“Joseph Goebbels — Uma Biografia” (Objetiva, 816 páginas, tradução de Luiz A. de Araújo), de Peter Longerich, custa caro, R$ 79,90. Mas vale a pena. O historiador alemão é um pesquisador infatigável e tudo que é importante arrola em seus livros. Sobretudo, é um grande analista da história alemã, explicando, com rara competência, porque surgiram, além de Himmler (que biografou), Hitler e Goebbels
Sinopse divulgada pelo site da Livraria Cultura:
“Joseph Goebbels, antissemita radical e idealizador do nazismo, gostava de se ver no papel de um intelectual, e suas funções não se limitaram ao Ministério da Propaganda. Dada sua capacidade retórica, seu desejo de ser protagonista e sua absoluta lealdade ao Führer, ele se converteu em um dos principais dirigentes nazistas e, assim, contribuiu para a radicalização da política antissemita e totalitária do regime. Supostamente, seu objetivo primordial era ser o guia de um aparato de propaganda colossal e onipresente, capaz de produzir uma absoluta harmonia entre o povo e seu Führer.
“Primeiro biógrafo a se debruçar metodicamente nos diários de Goebbels, Peter Longerich penetra de forma única no círculo íntimo do poderio nazista. O autor revela as complexas relações que uniam Goebbels, sua mulher e Hitler, a personalidade maníaco-depressiva do arquiteto da propaganda nazista e seu papel como confidente do Führer até o suicídio.
“Com base nas gravações de seus discursos, Longerich explora o funcionamento do ‘método Goebbles’ de manipulação de massas e demagogia que moldou a opinião pública alemã e permitiu que ela fosse inteiramente controlada pelo Partido Nazista. Resultado de uma pesquisa minuciosa, ‘Goebbels— Uma Biografia’ desmonta a máquina nazista peça por peça e expõe a personalidade assombrosa de um dos homens mais influentes do Terceiro Reich.”
O Brasil é quase sempre o primeiro a chegar atrasado. A edição espanhola, para não contar a inglesa e a alemã, circula no mercado pelo menos desde 2011. Mas importante mesmo é que o livro finalmente chegou às livrarias dos tristes trópicos. As duas biografias, de Himmler e Goebbels, traçam um amplo painel da história alemã. São tão meticulosas quanto a biografia que Ian Kershaw escreveu sobre Adolf Hitler, publicada no Brasil pela Companhia das Letras, numa versão condensada
Marco Aurélio Vigário, do “Pop” (sexta-feira, 14), entrevistou muito bem Jorge Forbes. O psicanalista e psiquiatra diz que a psicanálise, depois de se atrasar, está tentando entender o novo mundo. Ao se fixar na heterodoxia freudiana, insistindo na tríade pai forte na família, chefe forte na empresa e um sentimento forte de pátria na sociedade civil — a ideia central do complexo de Édipo —, não percebeu, ao menos não de imediato, a vigência de um mundo novo, com “um pai relativizado, um chefe provisório e um mercado comum no lugar onde havia o sentimento de pátria”. Hoje, frisa Jorge Forbes, a pessoa vai à análise “para saber de que maneira pode inventar um futuro. É muito mais uma análise para saber se a pessoa aguenta a consequência de suas escolhas do que a revelação de histórias escondidas. É uma mudança de 180 graus”. Jorge Forbes diz que o momento é rico e afirma que a psicanálise “tem de fazer com que” as pessoas “vivam o seu tempo. E o tempo de hoje é interessantíssimo. É o tempo de um novo humanismo, um tempo em que a marca do homem é superior à marca da técnica”. Adeus a Freud? Não, pois os clássicos não morrem, são eternamente inspiradores. Trata-se de um avanço, um reconhecimento de que os tempos e os homens mudam.
De que é feita a boa ficção? De quadros ou retalhos da realidade reimaginados por escritores. “Ulysses”, de James Joyce, é uma invenção plenamente literária (sua linguagem, embora filha de tantas outras, inventivas ou não, tem um quê de novo, de avanço), mas o crítico literário e biógrafo Richard Ellmann mapeou a presença ostensiva da realidade — recriada, lógico — neste romance que reinventou a literatura. Na sexta-feira, 14, “O Hoje” e o “Pop” publicaram duas reportagens que, nas mãos de ficcionistas, poderiam resultar em contos de qualidade. Acreditando que estava sendo perseguido por criminosos — traficantes rivais, quem sabe —, Marcos Roberto Gomes Heleno, de 35 anos, dirigiu em alta velocidade, na contramão, desrespeitando as mais elementares regras de trânsito, e refugiou-se no 15º Distrito Policial, no Bairro Goiá, em Goiânia. Ora, se estava sendo perseguido por bandidos, como alegou, nada mais justo do que buscar proteção numa delegacia de polícia. Agora (provando que o “mal” contém certo humor), o choque da realidade. Os “perseguidores” de Heleno — Homero, por certo, adoraria o nome — eram, na verdade, policiais. Estavam mesmo seguindo o jovem, num automóvel descaracterizado, com o objetivo de prendê-lo. Não precisaram, é claro, porque o criminoso “se prendeu”. O nome do delegado que trancafiou o possível traficante é Eduardo Prado. Como se sabe, outro Prado, só que Paulo, foi um dos principais mecenas da Semana de Arte Moderna de 1922 e autor do livro “Retrato do Brasil — Ensaio Sobre a Tristeza Brasileira”. Provando que tem veia de escritor, Eduardo Prado, o delegado, disse a respeito de Heleno: “O rato entrou na ratoeira”. Não deixa de ser curioso que os títulos de “O Hoje” e do “Pop” sejam os mesmos: “Suspeito se refugia em delegacia”. O PC (ou retranca) do primeiro — “Drogas” — é mais preciso do que o do segundo, “Segurança”.
“O Globo” decidiu investir pesado em internet, com fortalecimento de colunas e blogs, e produção de um jornalismo que integre texto e imagem (fotografias e gravações). O jornal demitiu 12 e contratou 22 profissionais. O objetivo é fortalecer tanto o produto impresso, com a divulgação maciça na internet, quanto o material publicado exclusivamente na rede.
Especialistas em criação de sites de jornais, brasileiros e estrangeiros, sugerem que, paralelamente ao design e a funcionalidade, é preciso pensar na criação de conteúdos. Eles dizem que, quando se preocupa tão-somente com o desenho, com sua plasticidade, costuma-se cometer um erro. Porque o design é mais meio do que fim. Do ponto de vista do desenho, da imagem, os sites estão muito parecidos. O que vai distingui-los, cada vez mais, é o conteúdo. Por isso, os especialistas indicam que, antes de se encomendar um projeto, que se apresente por escrito, e detalhadamente, o que se quer colocar no site. Um site bonito atrai, para os primeiros acessos, mas, se não encontram nada de interessante, os leitores caem fora rapidamente
O filósofo alemão Karl Marx e o bolchevique russo Vladimir Lênin acreditavam que, um dia, “dirigidos” pelo Partido Comunista, o proletariado chegaria ao poder. Já as feministas, mais modestas, apostam em igualdade de condições entre homens e mulheres, para que estas possam se desenvolver livremente. O capitalismo, que Marx avaliava como o modo de produção mais revolucionário da história — o “Manifesto Comunista” faz a apologia da burguesia e do capitalismo —, acabou por gerar uma revolução pouca divulgada, porque silenciosa e pacífica, mas absorvente e profunda. As mulheres, e não os proletários, estão ampliando seu raio de atuação em vários setores da sociedade. A Alemanha (quarta potência internacional), terra de homens durões e supostamente autoritários, é governada por Angela Merkel. O Chile, país que passou pela cruenta (e modernizadora) ditadura de Augusto Pinochet, é gerido por Michelle Bachelet. Dilma Rousseff é presidente do Brasil, sétima maior potência mundial. São três mulheres competentes, modernas e íntegras. No jornalismo, depois de Ruth Aquino no comando do jornal “O Dia” e como redatora-chefe da “Época” (é o segundo cargo mais importante da revista) e de Eleonora Lucena como editora-executiva da “Folha de S. Paulo” (cargo abaixo apenas do diretor de redação Otavio Frias Filho, um dos proprietários; ela dirigia o dia a dia do jornal), agora se tem uma mulher, Mariana Carneiro, na direção de redação de um jornal que está no mercado há 101 anos. Mariana Carneiro assumiu o comando de “A Tarde”, um dos principais diários da Bahia.
Kennedy Alencar, depois de atuação destacada na “Folha de S. Paulo”, foi contratado pelo SBT para fazer comentários políticos e organizar entrevistas. O SBT passa a impressão de que investe pouco, mal e de maneira episódica em jornalismo — como se fosse uma atividade secundária —, mas a contratação de um repórter altamente qualificado, como Kennedy Alencar, indica que a rede dirigida por Silvio Santos, embora não queira ser uma “Globo” ou uma Record, decidiu investir um pouco mais em informação de primeira linha.
Vale o registro: depois das críticas do Jornal Opção, o “Pop” passou a publicar sinopses de filmes mais bem cuidadas. Os textos estão saindo sem erros. A revisão geral do jornal melhorou — o que prova que a editora-chefe, Cileide Alves, está mais atenta do que se pensava. Uma fonte Um dos problemas da redação do “Pop” é o alto grau de “estresse”. Não se sabe exatamente a causa, mas o clima na redação é de um “negativismo” que impressiona.
A TV Record Goiás anda desbancando a TV Anhanguera-Globo, que já não é mais a mesma (eventualmente, perde também para a TV Serra Dourada). Recentemente, a Record atropelou a Anhanguera, com média superior durante todo o dia. Orlando Loureiro, o diretor de Jornalismo da Anhanguera, é competente e sério. Mas fica-se com a impressão de que não encontrou o “ponto g” do sucesso jornalístico. Sua equipe é eficiente — a apresentadora do “Jornal Anhanguera”, da segunda edição, melhorou muito; só precisa sorrir um pouco mais, para não parecer autômato —, mas, com a tevê aberta popularizada, parece que não soube definir um eixo (a Anhanguera, ao misturar o popularesco com o chique, perde sua identidade). Com isso, com a Record mais definida, estabelecida num nicho mais popular, a Anhanguera cai, e a concorrente melhora seus índices. Com a Record é assim: goste-se ou não, assiste-se. O “Balanço Geral” é visto pelo rico, pela classe média e pelo pobre. O pobre admite, a classe média desconversa e o rico às vezes confessa que vê. O fato é que todos veem e, no geral, aprovam, principalmente nos dias em que Oloares Ferreira, que percebeu que jornalismo, nos tempos modernos, tem um quê de entretenimento. Por isso, além de apresentador, é uma espécie de showman, supercompetente e adorado pelos telespectadores. A Record de Goiás é tão forte, assim como a TV Serra Dourada, que a Globo mandou olheiros secretamente para examinar os programas da emissora. Não para copiar, e sim para entender porque a Anhanguera às vezes leva um “banho” federal de tevês, a Record e a Serra Dourada, que trabalham com estruturas bem menores, porém, não raro, mais eficientes.

O esmero da agência Contato Comunicação na organização de seus eventos impressiona. As coisas funcionam por música, como se estivessem acontecendo naturalmente, sem planejamento (planejamento é igual gramática: aprendido, deve ser esquecido, para que pareça natural). As profissionais que recebem e explicam os fatos às pessoas não são os “autômatos” tradicionais.
Qual é a causa? A competência e a criatividade do casal Iúri Rincon Godinho e Adriana Alves Ferreira Godinho, que, líderes natos, organizam muito bem suas equipes, que trabalham visivelmente com alegria.
No mais recente evento, no Hotel K, que é muito melhor por dentro do que por fora — o que é bom —, a Contato, mais uma vez, funcionou muito bem. Na quinta-feira, 13, quando a agência entregou o 4º Prêmio Mais Influentes da Política em Goiás, políticos (Ronaldo Caiado, Adriana Accorsi e Giuseppe Vecci pareciam extremamente felizes), empresários e jornalistas puderam notar a eficiência da Contato. Em seguida, a divulgação rápida e precisa na internet, por exemplo no Facebook, mostra o quanto Iúri e Adriana estão atentos à modernidade dos novos meios de comunicação. Eles sabem usá-los com elegância e discrição.
Parece que foi ontem: a Contato faz 28 anos em agosto. É uma quase balzaquiana: bela, enxuta e precisa.
[caption id="attachment_289" align="alignleft" width="403"] Rodrigo Constantino, revista Veja[/caption]
No último dia 8 foi celebrado o “Dia da Mulher” e, durante todo o mês de março, serão intensificadas realizações de eventos alusivos a elas. Nesta oportunidade, ao invés de ser um momento para reflexão e reavaliação de conceitos sobre como a mulher pode e deve protagonizar, de forma efetiva, colaboradora e harmoniosa, a construção de uma sociedade melhor e mais alicerçada em valores humanos, grupos feministas limitam-se a vitimizarem-se, repetindo clichês do tipo “a violência contra a mulher”, “o Brasil é um país machista”, “o tráfico de mulheres para exploração sexual”, “houve algumas conquistas mas muito ainda precisa ser alcançado”, “a mulher desempenha dupla ou tripla jornada de trabalho”, etc.
Não é por acaso: nada pode ser tão enfadonho quanto uma feminista falando. Aliás, os chamados movimentos feministas lembram muito bem o filme “Forest Gump”, com ator Tom Hanks no papel-título. Em uma cena, Forest Gump, num rompante típico dos hippies dos anos 1960, começa a correr sem rumo, sem direção, sem objetivos, enfim, sem razão alguma. Ao longo do trajeto muitos o acompanham sob o argumento de estarem “aderindo à causa”. De repente, Gump para, recobra a lucidez, reflete sobre si mesmo, e, sem entender o porquê correra tanto, retorna à sua casa e sai em busca da mulher que é o amor de sua vida.
Essa história ilustra muito bem o que ocorre com as chamadas feministas. Desde que a escritora e intelectual Camille Paglia “abandonou a estrada”, depois de ter lançado mundialmente a luta pelos direitos das mulheres ainda nos anos 1960, muitas feministas, órfãs de ideias, deturparam os objetivos da luta e passaram a instigar o embate entre gêneros, o conflito sexista. Numa visão simplista, maniqueísta, semeiam o conflito das mulheres contra os homens, como se vivêssemos em mundos opostos. As reivindicações agora não são mais pelos direitos das mulheres, mas por privilégios que se sobreponham aos direitos iguais — à isonomia jurídica e social — por interesses políticos e econômicos, etc.
Camille Paglia seguiu a sua vida e, tempos depois, torna-se a mais ácida crítica das feministas atuais. Em recente entrevista disse que “o cenário atual é desanimador, as mulheres vivem um conflito diante de seus diversos papéis. As feministas são um tédio. Aliás, estou cansada de falar dessas mulheres”. Como no exemplo dos corredores do filme que foram abandonados no meio do caminho porque não sabiam o porquê que corriam, também das feministas sobraram duas categorias: a das “feministas” por modismo, imitação ou falta de personalidade e a das feministas profissionais oportunistas que se valem do discurso para alçarem carreira na política, na ocupação de cargos na administração pública, na criação de ONG’s, etc. Uma maneira não muito honesta, porém mais cômoda, de ser influente e assegurar privilégios financeiros. O “feminismo à brasileira” é, sem dúvida, o mais hipócrita do mundo. Enquanto em outros países as mulheres lutam por direitos, aqui defendem privilégios através do embate sexista.