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Alexandre Padilha: candidato bancado por Lula fracassou em São Paulo | Foto: Euza Fiúza/ABr[/caption]
A quase dois anos das eleições municipais em 2016, a senadora e ex-ministra Marta Suplicy caminha com determinação para ser candidata a prefeita, sobretudo, contra o PT em São Paulo. Quanto à chance de ser eleita contra o PSDB que domina o Estado há 20 anos e tem mais quatro pela frente, ainda é cedo para se prever.
Mas Marta poderá se aliar aos tucanos, é claro, para abater o PT rumo a 2018. A fúria com que a senadora pediu demissão à presidente Dilma como ministra da Cultura, em novembro, confirma-se no estardalhaço da entrevista que concedeu há uma semana. A fala continua a ecoar por conta da força das palavras, mais os desdobramentos visíveis na tessitura da manifestação.
Há dois meses, Marta apresentou sua carta de demissão a Dilma. A presidente a leu, devolveu e pediu que a ministra esperasse sua volta de uma reunião econômica em Doha, capital de Qatar. Mal a companheira colocou os pés no avião presidencial, a ministra mandou entregar a carta no Planalto. Agressivo, o documento incluía um desafio à presidente recém-reeleita:
“Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país. Isto é o que hoje o Brasil, ansiosamente, aguarda e espera.”
Agora, veio a entrevista à repórter Eliane Cantanhêde em que Marta Suplicy joga Lula contra Dilma, confirma suas manobras para convencer o ex a lançar-se candidato a presidente contra reeleição da companheira no ano passado, critica a assessoria presidencial e a direção do PT, e determina a todo o aparelho petista:
— Ou o PT muda ou acaba.
A explosão de Marta apresenta como estopim a escolha do desafeto Juca Ferreira a ministro da Cultura, último pouso da senadora na Esplanada, onde ocupou antes o Turismo depois da reeleição de Lula. Mas o desenho da fala na entrevista expõe o projeto pessoal de voltar a disputar postos majoritários em São Paulo sem ser pressionada a ceder a vaga a companheiros.
À procura de um novo partido, Marta tem um trunfo: pode surfar no massacre que o PT sofreu no Estado com a derrota do companheiro inexperiente Alexandre Padilha, bancado por Lula. Em terceiro lugar, com apenas 18,2% dos votos, Padilha ajudou a abrir o caminho à reeleição de Geraldo Alckmin, que garante aos tucanos 24 anos de poder contínuo no Estado.
Agora desponta a eleição a prefeito. A força de Marta está na capital. Ali, o frustrado Padilha recebeu ralos 7% dos votos a governador. Na campanha, a então ministra da Cultura tentou ajudar. Numa carreata, subiu num caminhão para ficar ao lado de Dilma e do candidato, mas o presidente do PT, Rui Falcão, mandou apear e subir no caminhão que vinha atrás.
O troco da senadora em Falcão veio na entrevista. “O Rui traiu o partido”, fulminou Marta sem explicação. Ao longo do ano passado, a discreta, mas real, pressão interna no partido para lançar Lula contra Dilma não tocou Falcão, que hoje assume posições, no PT, mais dilmistas do que lulistas. É um dos sintomas de esvaziamento de Lula, que não pode mais se impor sozinho.
Apesar de tudo, a falta de respaldo pelo ex é mais uma garantia de que o PT não acolheria nova candidatura de Marta a prefeita. Ela, que nunca contou com Dilma, embora fosse sua ministra – na verdade, nem queria contar, preferiu ser alguém à parte e por isso apoiou a volta do lulismo ao poder.
O Jornal Opção entrevistou 20 políticos, recentemente, e pediu que indicassem os 20 piores prefeitos de Goiás. O critério era a qualidade (ou a falta de qualidade) de suas gestões. O prefeito de Posse, o dentista José Gouveia (Pros), apareceu na lista. Na semana passada, um de seus auxiliares, Márcio Passos, entrou em contato com o jornal com o objetivo de expor a posição da prefeitura. O auxiliar afirma que “os 20 eleitores possivelmente não têm amplo conhecimento do que está acontecendo em Posse. Há buracos em algumas ruas? Sim há, mas pouquíssimos, e devido às chuvas. Mas muito menos do que em gestões anteriores. E há uma operação tapa-buraco em ação. Na área de saúde, nós vamos inaugurar, em 2015, três PSF [Programa de Saúde da Família”, afirma Márcio Passos. “Nós já havíamos inaugurado um. Este ano vamos inaugurar uma creche para 300 crianças. E vale dizer que as obras são de qualidade.” O Ambulatório Médico de Especialidades “já foi licitado. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) está licitada, com 1,760 milhão de reais já na conta”. José Gouveia, segundo Márcio Passos, “vai entregar 700 casas populares de qualidade para as pessoas mais pobres de Posse. As casas têm infraestrutura completa. São 40 milhões de reais de investimento, gerando mais de 200 empregos. A prefeitura deve entregá-las até 2016”. Márcio Passos afirma que “José Gouveia é um político do bem, que não briga com os adversários e está mais preocupado em servir à sociedade. Ele é leal. Na campanha passada, trabalhou forte para o governador Marconi Perillo”.
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Senadora Marta Suplicy entorna o caldo no PT e busca jogar Lula contra Dilma em nome de seu projeto | Foto: Gervásio Baptista/Agência Brasil[/caption]
Se Lula conseguir reeleger, em São Paulo, o impopular prefeito Fernando Haddad, a quem elegeu em 2012 numa das preterições a candidaturas da senadora Marta Suplicy, poderá aliviar o prejuízo que sofreu com o vexame da derrota de seu candidato a governador pelo PT, Alexandre Padilha, em outra preterição à ex-ministra da Cultura.
O desempenho precário do PT, em São Paulo, no universo das eleições do ano passado, desde a presidencial, ajuda a minar o poder do ex-presidente perante o Planalto. O tucano Aécio Neves recebeu 64% dos votos dos paulistas, contra 36% para Dilma. Veja-se que a reeleição poderia cair ali: a diferença, no país, a favor da presidente sobre Aécio foi de 3,28%.
Por isso, a prefeitura paulistana tem tudo para ser a prioridade municipal de Lula no próximo ano. Ele, que precisa de duas coisas: mostrar força ao Planalto rumo a 2018; e atender à gana pessoal contra sucessos eleitorais tucanos. Ainda mais neste momento em que o PSDB tem a garantia de visto de permanência por 24 anos contínuos no Palácio dos Bandeirantes.
Aí entra o fator Marta Suplicy. Se ela sair mesmo candidata a prefeita por outro partido ou apoiar algum concorrente para participar da derrota da reeleição de Haddad, terá uma revanche e tanta. Contra Lula e Dilma, os donos do PT, que não gostam dela, embora o ex mantenha relações pessoais com a companheira.
Mais na frente, na eleição presidencial, se o candidato da presidente for o paulista Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, Marta terá mais uma razão para estar do outro lado. “Mercadante é o inimigo”, comunicou na entrevista que concedeu há uma semana:
“Mercadante mente quando diz que Lula será o candidato em 2018. Ele (Mercadante) é candidatíssimo e está operando nessa direção desde a campanha (2014), quando houve um complô dele com o Rui (Falcão, presidente do PT) e o João Santana (marqueteiro do Planalto) para barrar Lula.”
Ainda sobre o ex, referência direta da senadora na entrevista para paparicar o companheiro e hostilizar Dilma, Marta definiu a posição dele no poder central desde a reeleição da sucessora:
— O Lula está fora. Totalmente fora.
E o que Lula tem a ver com a fala da ainda companheira Marta Suplicy que tenta aprofundar o desencontro político entre ele e Dilma? Nada a ver. Nem interessa a Lula procurar mais conflito com a sucessora, pois o seu plano para retomar o Planalto em 2018 precisa do apoio de Dilma, que não parece animada com o projeto do companheiro.
A entrevista de Marta apoia-se em Lula para fustigar a presidente. Até com incoerência relativa, pois foi o ex-presidente quem torpedeou a ideia da companheira em ser candidata do PT a prefeita em 2012, quando preferiu Haddad. O mesmo filme que se repetiu no ano passado: Lula cortou a vontade de Marta em ser candidata ao governo, ficou com Padilha.
Mas o que é incoerência relativa, no jogo político? No caso atual de Marta, é oportunismo com dose de cinismo. Ela valoriza Lula para se desforrar de Dilma. Atrevida, Marta, ministra da Cultura no ano passado, desafiou a presidente que a nomeou e procurou Lula com insistência para estimular o ex a ser candidato contra a reeleição da outra companheira.
As discussões políticas em Posse começam a ficar acaloradas. O prefeito José Gouveia é candidato à reeleição e já está conversando com os aliados e planeja conquistar novos aliados, para ampliar sua base político-eleitoral. O advogado José Eliton Figuerêdo, pai do vice-governador José Eliton Jr., é uma das principais apostas do PP. Mas Humberto Silva também está colocando seu nome para a disputa. O PT pode bancar o empresário Ivon Valente.
Na última quarta-feira, completaram-se dois anos desde que a presidente Dilma assegurou a promessa de uma redução média de 20,2% na conta de luz. “No início de 2013, a conta de luz ficará até 16,2% mais barata para as residências e até 28% para as indústrias, dependendo do nível de tensão”, prometia dois meses antes, quando comemorou: — Será a maior redução nas tarifas de energia elétrica já registrada no Brasil. Naquele novembro de 2012, em seu programa de rádio, a presidente passou a afirmar que, todos os meses, a conta de luz se tornaria uma prova impressa de “menos gastos para as famílias e mais competitividade para nossas indústrias, que poderão oferecer produtos mais baratos para toda a população”. A promessa se tornou possível em 14 de janeiro de 2013, com a publicação da sanção de Dilma à lei que renovou as concessões de distribuição e geração de eletricidade que venceriam a partir deste 2015. Turbinada pela concessão de subsídios fiscais do governo a empresas da área, a nova lei, prometeu, derrubaria o preço da conta de luz e estimularia o consumo de outros produtos. Nove dias depois, a presidente comemorou em cadeia nacional com televisão e rádio. “Com essa redução de tarifa, o Brasil, que já é uma potência energética, passa a viver uma situação ainda mais especial no setor elétrico”, contava com a queda do custo da energia e o aumento da produção elétrica: “Esse movimento simultâneo nos deixa em situação privilegiada no mundo. Isso significa que o Brasil vai ter energia cada vez melhor e mais barata, significa que o Brasil tem e terá energia mais do que suficiente para o presente e para o futuro, sem nenhum risco de racionamento ou de qualquer tipo de estrangulamento no curto, no médio ou no longo prazo.” A queda do governo na real estava impressa em uma entrevista do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, nos jornais da última quarta-feira — outro 14 de janeiro, mas diferente do anterior porque, agora, aconteceu apenas duas semanas depois da posse de Dilma em novo mandato presidencial. O ministro anunciou que chegou o momento do “realismo tarifário” na conta de luz. A realidade passou a surgir com força na cobrança da eletricidade desde a reeleição da presidente em outubro, mas deve se tornar mais dramática ao longo deste ano. Na avaliação da equipe do Ministério da Fazenda, deve subir em torno de 30% desde janeiro a dezembro. Com isso, haveria o impacto de 0,9% na inflação medida pelo IPCA. Se o governo espera que a inflação anual não passe do teto da meta de 6,5%, o choque elétrico na da conta pode queimar 7,2% desse limite. É o preço que a equipe econômica paga pelo corte do subsídio de R$ 9 bilhões que iria para o setor elétrico neste ano. O ministro Levy parece estar preparado para colocar o dedo na tomada. O realismo tarifário conta com alguma concessão à inflação neste primeiro ano de novo governo. O lucro seria político. A incolumidade das contas públicas poderia significar pontos ganhos na conquista de confiança pela nova política econômica, como no corte de subsídio. Dilma? Não diz nada. Porém, o novo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, recomendou moderação aos consumidores. “Não é racionamento”, tentou acalmar os clientes da eletricidade. “Ela existe, mas é cara”, argumentou a respeito da nova bandeira tarifária, sistema que cobra mais caro de quem consome mais. Ele quer que cada um planeje o seu consumo para pagar menos na conta. l
Devido à renúncia do então presidente, o ex-jogador de futebol assume o cargo até o mês de novembro, quando haverá nova eleição
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O humor do “Charlie” e o humor do brasileiro Chico Caruso: ninguém, nem mesmo políticas totalitárias, pode conter os artífices do riso[/caption]
Não existe humor reverente. Quando a favor aproxima-se da publicidade e, portanto, deixa de ser humor. Portanto, quem não aprecia a vida apresentada de modo escrachado e transgressor — arrancando-nos do lugar comum para exibir o inusitado, aquilo que provoca o riso e, às vezes, irrita — deve passar ao largo. O humor de verdade é quase sempre ofensivo e contundente — daí incomodar tanto e não há como enfrentá-lo, exceto com graça ou, como no caso dos inimigos dos criadores do “Charlie Hebdo”, com violência, sobretudo física.
O humor não funciona quando é ideológico, e incomoda tanto a direita quanto a esquerda e o centro político. O humor agrada porque é criado para desagradar. Sua função, se há uma, não é mudar o mundo ou fazer as pessoas mudarem de posição, mas sim fazer rir — riso solto ou contido — todos, desde que não fanáticos. Acredito que até fanáticos, num momento relax, riem do humor corrosivo. Porém, na presença de outros fanáticos, atacam as charges e seus criadores com, digamos, volúpia. Excesso de violência — de ódio por alguma coisa ou alguém — é paixão recalcada.
Para o humorista, chargista ou não, deus não é o dos árabes, Maomé, ou o dos cristãos, Deus. É o humor. Por isso não se deve, para não perder tempo, cobrar limites dos humoristas, categoria à qual pertencem os chargistas. Imaginem os escritores Oscar Wilde, Bernard Shaw, H. L. Mencken e Nelson Rodrigues “contidos”, sem poder escrever seus fabulosos textos e frases politicamente incorretos. Bem, se fosse possível “segurá-los”, no seu tempo, os leitores atuais certamente não estariam citando o quarteto. O terreno da arte e do humor é o da liberdade total, ainda que isto, em tese, seja uma quimera. O humor, de tão radical e libertário — infenso a qualquer controle —, está a um passo da “ilegalidade”.
Na última edição do “Charlie”, Maomé aparece na capa com um cartaz com os dizeres “Je Suis Charlie” (“Eu Sou Charlie”), com uma lágrima nada furtiva saltando, como se, digamos, fosse a culpada do assassinato de dez chargistas e jornalistas e dois policiais, em Paris. Chico Caruso deu uma sugestão para “os colegas do ‘Charlie’”: uma charge na qual, acima da caricatura de Maomé, está escrito: “Este não é Maomé”. Abaixo, “isto não é um desenho de humor!”
(Não deixa de ser comovente a fila quilométrica para comprar o “Charlie Hebdo” pós-tragédia. As pessoas querem, antes de tudo, um souvenir. Fico a pensar: a revista “Realidade” que saiu com Fidel Castro na capa, em 1959, deve ter vendido acima da média, quem sabe com filas nas bancas. Quantos, 56 anos depois, guardam seu exemplar? Poucos, certamente. Meu exemplar, herança do meu pai, Raul Belém, resiste bravamente numa gaveta, ao lado da “Veja” número 1.)
Goiás tem atualmente empresas que dominam o mercado em seus respectivos segmentos. As causas desse desenvolvimento são muitas, entre elas a mudança na visão de mercado por parte dos empreendedores
Um dos mais importantes poetas e tradutores brasileiros, Manuel Bandeira manteve casos com alemã, holandesa e várias brasileiras, sempre com discrição. Cineasta disse que sua agenda amorosa era rica
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Roberto Carlos, na versão de Erasmo Carlos, não teria humilhado o cantor e músico Tim Maia[/caption]
A realidade, objeto desconhecido, é feita de pedaços de ficção — assim como a ficção é feita de retalhos da realidade. As duas acabam sendo criadas pela imaginação dos indivíduos. Biógrafos experimentados, ao compor a história de uma pessoa de vida complexa, têm de publicar, no mais das vezes, versões aproximadas do que lhe parece mais, digamos, real. O músico, compositor e cantor Tim Maia está muito bem perfilado no livro “Vale Tudo — O Som e a Fúria de Tim Maia”, de Nelson Motta. Ainda assim, há lacunas e elogios excessivos, sobretudo à música do artista, que não merece uma análise estética mais detida. O filme “Tim Maia”, de Mauro Lima, é tão bom quanto a biografia de Nelson Motta.
Porém, se os compositores austríaco Mozart e alemão Beethoven ainda são amplamente discutidos, o que sugere que suas obras e vidas ainda são controversas, mesmo tendo morrido há 227 anos e 188 anos, respectivamente, imagine a vida e a obra de Tim Maia, que morreu há 17 anos. Não dá, portanto, para falar em biografia definitiva de ninguém, muito menos de quem ainda desperta paixões fortes, como é o caso do brasileiro. Não há verdades que não podem se tornar mentiras, ou ao menos histórias contadas pela metade, de maneira excessiva ou contida.
No filme “Tim Maia”, Mauro Lima sublinha que, famoso, Roberto Carlos, mais do que esnobou, humilhou o colega. Na pior, o futuro rei do soul tropical pede ajuda e um assistente de Roberto Carlos amassa notas de dinheiro e as joga no chão. O próprio cantor lhe dá botas usadas, o que não significa, necessariamente, velhas, ou muito velhas. A história é verdadeira? Não se sabe. Na versão adaptada para televisão, a Globo cortou o trecho e colocou um depoimento de Roberto Carlos. Este elogia o “amigo”.
Na quarta-feira, 14, Leonardo Rodrigues, do UOL, entrevistou Erasmo Carlos, que pôs mais lenha na fogueira. O Tremendão avalia que a cena do filme pode não ter ocorrido e sugere que, como Tim Maia morreu, o único que pode esclarecê-la é Roberto Carlos. Se verdadeira, logicamente, há testemunhas — até agora, não apresentadas por Mauro Lima. “Eu nunca vi na minha vida nenhuma equipe de nenhum artista fazer uma coisa parecida com o que o cara faz no filme”, afirma Erasmo Carlos.
Procede a impressão de que Mauro Lima, com um único filme, quer se tornar dono da imagem, a “verdadeira”, de Tim Maia? Talvez não. Mas o diretor de cinema talvez tenha de admitir que há alguma possibilidade daquilo que apresenta como fato ser, na verdade, mezzo ficção.
Roberto Carlos deve descer do pedestal e posicionar-se, de maneira decidida, sobre o fato. Por não ser imortal, precisa deixar versões registradas para o confronto com outras versões. Se continuar ausente, ou patrocinando versões apenas edulcoradas, sua história se tornará lacunar ou então será contada tão-somente por quem tem suas próprias interpretações de suas músicas e de sua vida.
Gertrud querida, Tenho recebido muito chocolate, mas carta nenhuma. Gosto muito de chocolate, os que você mandou são deliciosos, mas gosto ainda mais de suas cartas. Tenho andado muito ocupado traduzindo — imagine? Mireille, de Mistral. Tradução em verso. Nunca fui grande apreciador de Mistral, mas a proposta era tentadora e eu traduzo com prazer, acho uma boa ginástica. Mas a princípio quase desisti, porque o primeiro verso do poema é: “Cante uno chato de Prouvènço”. Quer dizer: “Canto uma moça da Provença”. Em provençal “moça” é “chato”. Que língua! Já traduzi o primeiro canto. São onze! [relacionadas artigos="26242"] Moussy* ficou encantada com a sua carta. Já lhe respondeu? Ela anda muito sem animação para os trabalhos. Ainda não começou o seu “blotter”. Começa as coisas e não acaba. A falta de memória tem se agravado e traz sempre complicações. Felizmente arranjou-se uma empregada (por Manolita) que tem boas maneiras, cozinha mais ou menos, mas está se dando bem com ela. E Jo em Bruxelas? Moussy está entusiasmada, sentindo Jo mais perto, porque Bruxelas lhe é muito familiar., era o petit Paris da família quando Moussy era menina e mocinha. O calor aqui já começou: quando chegará o tempo de fazermos troca de frio e calor entre latitudes? Escreva, minha bela. Tenho saudades de você, dos beijos intermináveis, dos olhos muito sérios e de repente o sorrisinho inefável... Com muito carinho M. Nota da revista “Época” Moussy é “holandesa com quem Bandeira manteve um relacionamento de 57 anos”. Notas do Jornal Opção 1 — Moussy era Frederique (Frédy) Henriette Simon Blank, casada com o brasileiro Carlos Blank. Quando ela morreu, Manuel Bandeira escreveu para sua filha, Joanita: “Depois da perda de Moussy eu vivo numa tristeza de morte. Não tenho mais o gosto que tinha: perdi o gosto da leitura e até da música. Acho tudo pau”. O trecho da carta está no livro “A Trinca do Curvelo — Manuel Bandeira, Ribeito Couto e Nise da Silveira”, de Elvia Bezerra. Editora Topbooks. Elvia Bezerra acrescenta: “Madame Blank e Manuel Bandeira desenvolveram uma amizade especial, preservada com extremo carinho pelo poeta. Uma amizade que durou até a morte dela, em 1964, e que foi continuada pelos filhos e netos” (página 60). Elvia Bezerra é recatada. 2 — Como Manuel Bandeira traduziu a chilena a poeta chilena Gabriela Mistral, vale não confundir com o poeta francês Frédéric Mistral (1830-1914), que é citado na carta.
O ex-prefeito de Porangatu Luiz Antônio de Carvalho (foto acima), mais conhecido como Luiz do Gote (Gote era seu pai), morreu na madrugada de sábado, 17, em São Paulo. O corpo será velado no Sindicato Rural de Porangatu — ele foi produtor rural na região Norte, criador de gado — e será enterrado às 16 horas.
Luiz do Gote foi prefeito de Porangatu por duas vezes e era considerado um administrador eficiente e rigoroso, às vezes até autoritário. Na primeira gestão, na década de 1970, considerada bem-sucedida, conseguiu fazer o sucessor, o médico Trajano Gontijo. Na gestão de Trajano, funcionou como uma espécie eminência parda.
No seu segundo governo, Luiz do Gote sucedeu o engenheiro Jarbas Macedo. Ligado à Arena, depois ao PDS, Luiz do Gote, mais tarde, aproximou-se do PMDB e de Iris Rezende.
O aforismo “pobre México: tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos” pode ser refeito, em parte, com a grande notícia da semana em termos de imprensa. O bilionário mexicano Carlos Slim — fortuna avaliada em 73 bilhões de dólares — se tornou, na semana passada, o acionista majoritário de um símbolo máximo dos Estados Unidos, seu principal jornal, o “New York Times”. Talvez seja possível dizer: “Pobre ‘New York Times: tão longe de Deus e tão perto do México”. Depois de fazer um empréstimo para o “Times”, Carlos Slim comprou mais ações e agora tem 16,8% da Time Co., grupo que dirige o jornal. Os Estados Unidos ampliou seu território abusando de atos violentos contra o México. Agora, via finanças, o México compra uma “parte” significativa dos Estados Unidos, um de seus símbolos culturais e de poder. O “Times” é o World Trade Center da imprensa americana.
Um quarto dos pacientes que são submetidos à operação de redução do estômago tem reganho de gordura. Obesidade já atinge metade da população brasileira e o mal se tornou questão de saúde pública na Europa e nos Estados Unidos
O ex-jogador Alex, que estava no Coritiba e brilhou em vários times, como o Palmeiras, é o mais novo comentarista esportivo da ESPN. Em campo, Alex era craque, às vezes lembrando Eneias, o da Portuguesa, com suas “ausências” do jogo. Na televisão, com sua ampla visão do que é futebol, certamente vai brilhar.
De futebol, Alex entende, e muito. Precisa tão-somente aprender a falar para os telespectadores. Os debates esportivos são centrados mais no ego dos comentaristas e os telespectadores são quase sempre esquecidos. PVC brilha porque jamais esquece de que não está falando para convertidos. Ele dialoga com aqueles que estão assistindo, entendem de futebol, mas não são especialistas. É didático, com seus muitos dados, mas não é chato nem pretensioso.

