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Se não for planejada, a capital goiana corre o risco de virar a São Paulo no futuro, com os mesmos problemas estruturais e sociais. Especialistas apontam o que precisa ser feito
Sem o decano peemedebista na disputa, campanhas de Waldir Soares e Vanderlan Cardoso ganham visibilidade, mas espólio eleitoral não está garantido
Prefeito do município que abriga o maior centro de peregrinação do Centro-Oeste, tucano avalia desempenho de sua gestão diante dos desafios impostos por uma herança administrativa com escândalos e suspeitas de corrupção
Deputado não descarta ele ou o vereador Junior Geo disputar a Prefeitura de Palmas pelo Pros, mas lembra que as discussões sobre alianças estão em curso
Iris Rezende anunciou desistência da política, mas ficou a dúvida se é pra valer mesmo ou se ele vai retornar. Em um caso ou no outro, foi uma grande jogada política
Brexit foi a vitória do populismo e seus artífices se esconderam depois do resultado que chocou até a população da Grã-Bretanha
O pontífice é o Vigário de Cristo, não de um ou outro grupo de interesse político. Francisco é exatamente como aquele bom padre que conhecemos um dia em alguma paróquia
“A terceira margem do rio”, conto de Guimarães Rosa, é a metáfora perfeita para o que é tradução atualmente: buscar criar outra língua, uma que esteja entre a original e aquela para qual se traduz
A australiana Alison Entrekin se incumbiu, ela mesma, de conseguir um financiador para um trabalho estimado para durar cinco anos – 12 vezes mais do que um romance “comum”
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Que o radialista e apresentador Jorge Kajuru sempre preferiu o estardalhaço a usar sua grande competência de comunicador de forma mais assertiva, isso ninguém que o acompanhe tem dúvidas. Que é grande sua capacidade de ser polêmico e gerar fatos que, muitas vezes, não são mais do que factoides, da mesma forma. Também não são gratuitos ou “pura perseguição” os muitos processos de que foi alvo.
Mas a notícia de seu “desaparecimento”, na semana passada, foi, até para um “exagerado” como ele, um ponto fora da curva. No sábado, 2, um alerta desesperado no Twitter, por parte de sua produção, denunciava seu sumiço desde a tarde daquele dia e pedia socorro . Na manhã da segunda-feira, 4, Kajuru reassumia seu perfil na rede social fazendo agradecimentos a apresentadores de TV e dizendo que iria prestar esclarecimentos à polícia e ao Ministério Público, colocando-se, mais uma vez, na condição de perseguido político.
Algumas pessoas costumam deduzir que alguém com o histórico de Jorge Kajuru, se desaparece, significa automaticamente que foi alvo de uma execução, sequestro ou algo similar. Ocorre que, apesar de casos esporádicos de crimes contra a opinião, como o terrível assassinato do radialista Valério Luiz — fato que completou quatro anos na terça-feira, 5, ainda sem julgamento dos réus em primeira instância —, o Brasil é hoje um Estado mais civilizado, em que se busca resolver as diferenças cada vez menos à bala e mais nos barras dos tribunais.
Kajuru armou essa situação? É uma possibilidade. Pode ter ocorrido, realmente, alguma ameaça ou intimidação física? Também existe essa chance, mas pelo desenrolar dos fatos e tratando do perfil do protagonista, é algo bem remoto. O fato é que, ao término da semana passada, nem a polícia nem o Ministério Público sinalizaram ter recebido a visita do comunicador. Ou, se receberam, não houve, desta vez, estardalhaço de nenhuma parte.
Nem da própria “vítima”: na sexta-feira, 8, o apresentador publicou que tinha viajado “sem rumo”, dizendo-se “alertado” por amigos “dos riscos de ficar em Goiânia”. Mas, ao longo dos dias depois de seu “reaparecimento”, não deixou explicações nas redes sociais sobre o que teria falado (ou mesmo se teria falado) às autoridades.
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A pauta da matéria era sobre veículos furtados ou roubados em Goiânia. Mas no “Jornal Anhanguera – 2ª Edição” da segunda-feira, 5, o que “roubou” a atenção da audiência — ou pelo menos daquela audiência atenta às normas gramaticais — foi a presença de um acento grave antes de uma palavra craseada. De gênero masculino.
Na arte (foto) que foi ao ar para mostrar a evolução da criminalidade lia-se “de janeiro à junho de 2015”. Uma desatenção tão “grave” quanto o acento, e que é mais comum do que se pensa no jornalismo — e infelizmente “cada vez” mais comum.
Na verdade, a crase de fato não é o sinal (acento grave), mas o fato — a fusão ou contração de duas vogais. O acento grave apenas indica a presença da crase. Uma das formas de perceber a existência de uma crase é trocar o substantivo feminino por um equivalente masculino e ver se cabe um “ao” no lugar de “à”. Quando a palavra não tem gênero ou é do gênero masculino — caso de “junho” ou de qualquer outro mês —, nem se deveria entrar em discussão. Muito menos aparecer na tela da TV.
Durante anos, um colega jornalista era especialista em crasear a expressão “a partir”. Seu tradicional “à partir” dava bastante trabalho a seu editor de Esporte em um diário de Goiânia, apesar dos constantes puxões de orelha.
Em “Às Cegas”, o incomparável ensaísta recorre à ficção e narra, assim, a utopia desastrada do coveiro de um mundo morto
O especial “Volta Olímpica”, apresentado pelo canal fechado Sport, da Globosat, mostrou o que os Jogos Olímpicos fizeram com a cidade espanhola, que sediou o evento em 1992. O programete começa com o repórter Felipe Diniz apresentando Barceloneta, uma praia de cinco quilômetros de extensão que nasceu com as Olimpíadas. Antes dos anos 90, o local era inacessível, tomado por uma linha de trem, além de fábricas e galpões que compunham a paisagem. Jornalismo esportivo bem feito traz, também, informação além do esporte. No caso, a série especial do Sportv, fazendo o contraponto com as edições antigas dos Jogos, deixa claro aos brasileiros mais críticos a baixa qualidade dos investimentos realizados e as escolhas erradas que fizeram os organizações da Rio 2016. Dois anos depois da Copa do Mundo, o Brasil está passando novamente por um acontecimento mundial da mais alta importância sem que tenha feito disso um motivo para se transformar, de alguma forma. O legado não será nada muito além de algumas conquistas pontuais, como o acréscimo na mobilidade urbana. Nada que impeça ou justifique episódios vergonhosos, como a queda de um trecho da Ciclovia Tim Maia, por uma onda do mar — o que causou a morte de duas pessoas — e a admissão do fracasso total na limpeza da Baía de Guanabara, cuja revitalização plena era um dos principais compromissos assinados para receber as Olimpíadas.
Algumas rádios da capital, como a Difusora Goiânia (640 AM) e a Interativa (94,9 FM) conservam a tradição de dar a voz a seus ouvintes. Mas o clima de tensão entre correntes políticas, principalmente com questões envolvendo a Operação Lava Jato e o impeachment da presidente (agora afastada) Dilma Rousseff (PT), tem tornado o que era para ser uma via democrática de liberdade de expressão em palanques de ódio. Quem possui o mínimo de bom senso tem feito algumas reflexões sobre o crescimento desse tipo de discurso, que contém opiniões como “bandido bom é bandido morto” e “alguém poderia fazer um favor ao Brasil e explodir o Congresso”. No caso, o “problema” não está nos veículos de comunicação, mas nos próprios ouvintes, que se sentem animados a, cada vez mais, reproduzir opiniões que trocam completamente a razão por um sentimento de crença absoluta na própria verdade. A dialética se perdeu em algum lugar e, sem ela, não se pode construir qualquer debate que mereça ser chamado assim.
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Vanderlan Cardoso tem potencial, mas, ao conversar com todos, acaba ficando sem o apoio de ninguém[/caption]
O cenário eleitoral de Goiânia está propício para que Vanderlan Cardoso (PSB) se destaque dos demais candidatos. É conhecido da população, tem baixa rejeição e fama de bom gestor, devido à sua atuação em Senador Canedo. Porém, politicamente, Vanderlan deixa a desejar. Com a saída de Iris Rezende (PMDB) e o baixo rendimento dos candidatos da base do governo estadual, Vanderlan tinha tudo para ser o nome do governo Marconi na disputa e contar com o auxílio de todos os partidos que fazem parte da base. E ele tem conversado com o governador. Mas há outra solução: ele poderia se unir ao PMDB e ao DEM para contar com o apoio de Iris e Ronaldo Caiado.
Tem conversado com eles também. A questão: por conversar com todos, ninguém confia em Vanderlan. A base não o quer por não achá-lo leal; e Iris não o quer pelo mesmo motivo. Um presidente de partido chegou a apelidá-lo de “Vanderlan ‘converso com todos’ Cardoso, aquele que não tem posição”. Uma verdade. Veja, de um peemedebista: “Vanderlan precisa ter tom de oposição. Ele é neutro”; e de um tucano: “Tem que dizer que é governo e não tentar acordos com Iris”. Em outras palavras, ao querer estar com todos, Vanderlan se priva de ser um grande político, pois um grande político precisa ter posições claras.

