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No eixo Brasília-Rio-São Paulo, o ninho tucano enxergou o resultado das eleições em Goiás como carta na manga para o governador goiano
Partido que usou o poder para promover a maior escalada de corrupção da história recebeu um rotundo não do eleitor brasileiro
Além dos já consagrados Monteiro Lobato e Sylvia Orthof, dentre outras santidades, muitos autores se dedicam a essa literatura. A temática ecológica e indígena sobressai em suas obras
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Galeria para escoamento de águas pluviais[/caption]
Seguem em ritmo acelerado as obras ligando as Avenidas NS-15 e L0-12, em Palmas. Essa primeira etapa das obras já totaliza 65% de conclusão e deverá receber a capa asfáltica ainda neste mês. As melhorias interligarão quadras da região norte e sul de Palmas, e as rodovias TO-010, TO-050 e TO-080. Segundo o secretário de Estado da Infraestrutura, Habitação e Serviços Públicos (Seinf), Sérgio Leão, a previsão é que as obras sejam entregues no dia 20 de dezembro. “Uma das solicitações do governador foi que as obras fossem concluídas o quanto antes para que a população pudesse usufruir das melhorias.”
Outro ponto abordado pelo secretário foi a respeito do trecho a ser entregue. “A princípio, a primeira etapa das obras ia da Avenida JK até a LO-10, por determinação do governador Marcelo Miranda esse trecho foi ampliado, sem que houvesse alteração no tempo de entrega do serviço. Sendo possível entregar, ainda nessa primeira etapa, a estruturação da Avenida NS-15 da JK até a LO-12, chegando a 4.800 metros em novas vias”, concluiu.
Segundo um dos fiscais da Seinf responsável pela obra, Cláudio Manoel Barreto, todos os serviços caminham conforme o previsto na assinatura da ordem de serviço. “A drenagem de águas pluviais e a terraplanagem seguem a todo vapor. As pontes de concreto armado e a galeria tripla já estão quase concluídas, faltando apenas, no caso da galeria, cobrir e fazer o aterro.”
A população da cidade de Palmas e seus visitantes serão diretamente beneficiados com a estruturação das vias, uma vez que terão um melhor acesso às universidades públicas que estão situadas no trecho, além de criar uma nova rota – o anel viário de Palmas – que vai desviar o tráfego de veículos de carga do centro da cidade.
O valor do contrato para execução das obras é de R$ 129 milhões. Metade deste valor (R$ 64,5 milhões) será financiado pela Caixa Econômica Federal e a outra metade é contrapartida do Tesouro Estadual.
O prefeito de Porto Nacional, Otoniel Andrade (PSDB), começou a realizar demissões de comissionados e rescindir contratos temporários. A medida foi tomada após a derrota dele para o oponente Joaquim Maia (PV). De acordo com a assessoria do gestor, os atos visam adequar a administração à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e se encaixar no limite prudencial antes de repassar o comando para o pevista, em conformidade com a Legislação.
Na cooperativa de serviços criada por Otoniel e aprovada pela Câmara são cerca de 700 contratos especiais que serão exonerados. O município ainda levanta o quadro da educação, saúde e infraestrutura para definir o total de exonerações que serão anunciadas. Concorrentemente, a equipe do gestor tucano negou que as providências tomadas teriam como intenção perseguição política em função da derrota de domingo, 2.
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Irajá Abreu: presidente do PSD[/caption]
Em entrevista coletiva concedida na segunda-feira, 4, o presidente do PSD Tocantins, deputado federal Irajá Abreu, apresentou balanço do desempenho do partido neste pleito. Apesar do resultado satisfatório, na avaliação do parlamentar, essa campanha foi uma “grande lição” em relação à derrota do candidato a prefeito de Palmas, Raul Filho (PR), que foi apoiado pela sigla. “Candidatura majoritária em dúvida jurídica é inviável”, declarou. “A grande lição, que pelo menos eu tomei, é que candidatura majoritária, a pessoa estando em dúvida jurídica, é inviável. Proporcional é um pouco diferente, porque é uma candidatura individual. Agora, um cabeça de chapa coloca todo mundo numa situação difícil”, ponderou o deputado.
Apesar de acreditar que Raul Filho pudesse disputar a vaga do Paço — “os advogados nos convenceram disso”, ressalta Irajá — e confiar na vitória do candidato, o parlamentar aponta a situação jurídica do republicano como decisiva para a derrota. “Nós todos esperávamos que fôssemos sair vitoriosos, mas a insegurança jurídica que se instalou na campanha do Raul foi uma coisa que chegou na reta final e ficou impraticável. Na minha opinião acho que isso foi decisivo”, ressaltou o presidente do PSD.
O Jornal Opção foi um dos veículos de comunicação presentes na entrevista coletiva e quando questionado, o presidente da sigla destacou que a seu partido foi o que elegeu o maior número de prefeitos – 28 no total – sendo que o desempenho foi melhor no interior, uma vez que esse era o verdadeiro foco. O PSD também elegeu 135 vereadores em todo o Estado. Ainda conforme reiterou o deputado federal, o PSD foi eleito majoritário em 56 cidades. “Porque se a gente somar 28 prefeitos do PSD, com mais 8 vices e apoiamos outros 20 prefeitos que foram eleitos, mas que são de outros partidos, se chega nesse número.”
O PMDB elegeu 27 prefeitos, o PR 16, o PV 12, o PP 10, o PSB 9 – entre os quais Palmas e Gurupi —, o PRB 7. Já o PSDB, o PTB e o SD elegeram cinco prefeitos cada um. O PPS foi vencedor em três municípios, o PT em dois, assim como o PTN, enquanto que o DEM, o PDT, o PMN, o Pros, o PRTB, o PSC, o PSDC e o PSL elegeram apenas um prefeito cada.
O parlamentar disse também que terminada a eleição 2016, já se iniciam as especulações quanto as novas composições para o pleito de 2018. Em relação a campanha eleitoral para o Executivo estadual, Irajá confirmou que a sua mãe, senadora Kátia Abreu (PMDB), está muito disposta a se candidatar à vaga do Palácio Araguaia. Caso isso ocorra, o apoio do PSD tem destino certo. “Nessa conjuntura, é natural que a gente faça uma composição de forças. A força da base dela, sendo possível uma composição com o senador Vicentinho, que também tem uma base forte, que ele e o filho conseguiram manter, e outras lideranças de outras regiões”, ressaltou o deputado.
Vereador mais votado para a Câmara Municipal de Palmas afirma que não se submeterá a desmandos do chefe do Executivo
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Reitora Isabel Auler e o governador Marcelo Miranda: próximo passo será buscar recursos para as obras físicas[/caption]
O governador Marcelo Miranda (PMDB) recebeu, no Palácio Araguaia, na terça-feira, 4, a reitora da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Isabel Cristina Auler Pereira. Na ocasião, foi assinado um convênio entre o governo do Estado e a UFT, com vistas à elaboração de projetos para a implantação do Parque Tecnológico do Tocantins. O governador disse que é motivo de satisfação celebrar este convênio pela importância da junção de forças com a instituição. “A Universidade Federal do Tocantins é uma importante parceira nesse processo de implantação do Parque Tecnológico, que certamente será um marco no processo de desenvolvimento do Estado”, ressaltou.
O titular da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Turismo e Cultura (Seden), Alexandro de Castro e Silva, ressaltou que o convênio constitui mais uma etapa do projeto que objetiva a construção e a implantação do Parque Tecnológico do Tocantins, em Palmas, que vai atender todas as universidades, além da comunidade acadêmica e empresarial. “Será umlocal onde a tecnologia e os projetos que envolvem inovações poderão ser desenvolvidos e terão um lugar específico, com equipamentos e recursos humanos aptos à promoção do desenvolvimento.”
Isabel Auler ressaltou que a assinatura do convênio foi um grande passo para a elaboração dos projetos técnicos e executivos do parque. “Concluída essa fase, o próximo passo será buscar os recursos para construção das obras físicas”, pontuou a reitora. O convênio firmado prevê o repasse do governo do Estado, por meio da Seden, de recursos no valor de R$ 260 mil à instituição.
O Parque Tecnológico do Tocantins é uma composição de espaço físico, aliado a uma concepção técnica, científica e inovadora para que as empresas, a partir do potencial do Estado, possam desenvolver pesquisas, inovar produtos e agregar valores. O parque será implantado em uma área próxima à UFT e ao novo prédio da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins). A área é integrada também ao setor empresarial, visto que está localizada no anel viário que liga a ponte Palmas/Paraíso à TO-080, rodovia que dá acesso aos dois dos distritos industriais de Palmas.
O diretor da companhia Teatro de Açúcar ressalta a importância do projeto que integra e permite a troca de experiências entre artistas e públicos brasileiros
O presidente da Câmara Municipal de Palmas, vereador Rogério Freitas (PMDB), usou a tribuna na primeira sessão após as eleições, terça-feira, 4, para comentar o resultado das eleições 2016 em Palmas. Freitas destacou o porcentual de votos do prefeito reeleito em relação aos quatro candidatos adversários. “Amastha ainda teve 52% dos votos válidos”, disse. O presidente enfatizou que o resultado do pleito será observado pela base oposicionista na Câmara, de modo que não haverá revanchismo por parte da oposição na apreciação e votação dos projetos de interesse da população. “As urnas são soberanas.” Folha Filho (PSD) também fez uma reflexão quanto ao pleito. “O resultado das eleições foi justamente o resultado do trabalho feito pelo prefeito Carlos Amastha e sua equipe”, ressaltou o parlamentar. “Uma nova história será consolidada nesta capital”. Já o vereador João Campos (PSC), que concorreu à vice-prefeitura na chapa de Raul Filho, apesar da derrota, destacou o sentimento de dever cumprido e desejou ao prefeito reeleito uma boa condução do município nos próximos quatro anos. Em contrapartida, o parlamentar Joaquim Maia (PV) foi o mais festejado entre seus pares, devido a sua vitória na eleição para prefeito do município de Porto Nacional. “Parabéns à população de Porto Nacional pela sua eleição”, frisou Júnior Geo (Pros), enquanto Major Negreiros (PSB) destacou a seriedade de Joaquim Maia. O vereador Jucelino (PTC) também agradeceu à população da capital por sua sexta eleição ao cargo de vereador. “Quero continuar aqui na Câmara defendendo o povo palmense”, destacou. Por sua vez, Gerson da Mil Coisas (PSL), Etinho Nordeste (PPS), Milton Neris (PP) e Júnior Geo comemoram as suas reeleições. Júnior Geo agradeceu à família e aos seus alunos pelo “voto consciente”. Neris deixou claro que continuará na oposição ao atual gestor e parabenizou a Justiça Eleitoral pela organização das eleições 2016 na capital. Ao lado de Adão Indio (PSC), um dos candidatos derrotados, Waldson da Agesp (PCdoB), lamentou não ter sido eleito apesar de mais de 1.800 votos obtidos. Entretanto, enfatizou que continuará na luta pelo povo de Palmas.
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Paulo Morão[/caption]
Na primeira sessão da Assembleia Legislativa do Tocantins, após o período eleitoral, ocorrida na terça-feira, 4, o deputado Paulo Mourão (PT) parabenizou os prefeitos e vereadores eleitos no dia 2 de outubro. Ato contínuo, aproveitou para defender que os prefeitos que não se reelegeram abram as portas das prefeituras para que os prefeitos eleitos façam a transição de governo. Paulo Mourão começou seu discurso saudando vencedores e vencidos.
“A democracia foi a grande vitoriosa, quero saudar a todos os candidatos vitoriosos ao pleito de prefeitos e vereadores, mas quero saudar também àqueles que não lograram êxito, porque todos contribuíram no processo do debate, do engrandecimento da democracia”, discursou.
O deputado também fez elogios ao trabalho da Justiça Eleitoral que, segundo ele, contribuiu, de forma exponencial, para impedir que o poder econômico pudesse continuar influenciando nas decisões democráticas do Brasil. Ele reiterou que o país “vive um momento novo”.
Ao considerar a transição de governo, Paulo Mourão destacou que os prefeitos que estavam disputando reeleição e foram rejeitados pela sociedade precisam ter a grandeza de abrir as portas das prefeituras para que os prefeitos eleitos possam fazer a sua transição, conhecer a máquina administrativa. “É isso que espero em Porto Nacional, uma forma de cidadania plena, uma forma de política civilizada que o Quim Maia, a partir de segunda-feira, quando fizer a solicitação ao prefeito Otoniel Andrade, já possa ser recebido de forma republicana e acolhedora”, frisou.
Obra considerada como marco fundamental na literatura do Uruguai permaneceu desconhecida a outros idiomas por anos, mas agora ganha tradução em língua portuguesa
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Francisco “Paco” Espínola: autor do romance que marcou a literatura uruguaia pode agora ser lido em língua portuguesa e, talvez, conhecido por mais leitores que não os de língua espanhola | Foto: Divulgação[/caption]
ADELTO GONÇALVES
Especial para o Jornal Opção
Embora seja dono de obra considerada um marco fundamental na literatura uruguaia do século XX, Francisco (Paco) Espínola (1901-1973) continuava inédito em outros idiomas. Esse estranho e inexplicável silêncio, porém, acaba de ser rompido com a publicação de seu romance “Sombras sobre a terra” (1933) pela editora Letra Selvagem, de Taubaté-SP, em tradução de Erorci Santana, com texto de “orelhas” do crítico e poeta Ronaldo Cagiano. Além de nota do editor, o livro traz prefácio do crítico uruguaio Leonardo Garet, professor do Instituto de Estudos Superiores e do Instituto de Filosofia, Ciências e Letras, de Montevidéu, e a reprodução do prefácio da terceira edição, de 1966, publicada pelo Centro dos Estudantes de Direito de Montevidéu, escrito pelo crítico, historiador e ensaísta uruguaio (nascido na Argentina) Alberto Zum Felde (1889-1976).
Garet deixa claro, em seu prefácio, que foi com dor que constatou que em “América Latina en su literatura” (México, Siglo Veintiuno, 1972), obra de quase 500 páginas coordenada por César Fernández Moreno que conta com a participação de 27 colaboradores, adotada também no curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), não há uma citação do nome de Espínola. Só César Aira o reconhece em seu Diccionario de autores latino-americanos (Buenos Aires, Emecé, 2001).
E, no entanto, “Sombras sobre a terra” não fica a dever a outros romances paradigmáticos da literatura hispano-americana, como “Junta-cadáveres”, do também uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994), “Os passos perdidos”, do cubano Alejo Carpentier (1904-1980), “Pantaleão e as visitadoras”, do peruano Mario Vargas Llosa, “O obscuro pássaro da noite”, de José Donoso (1925-1996), e “Trópico enamorado”, do boliviano Augusto Céspedes (1906-1997), outra obra nunca publicada no Brasil, embora tenha o porto de Santos como um de seus cenários.
O romance teve sua edição de estreia em 1933, em Montevidéu, e ganhou segunda edição em 1939, em Buenos Aires. Seguiram-se mais uma edição em 1966 e outra em 2001 (Clásicos Uruguayos), que inclui vários estudos preliminares, a propósito dos cem anos de nascimento do escritor. A edição brasileira surge agora depois que o editor Nicodemos Sena “descobriu” na livraria de alfarrábios El Galeón, na zona central de Montevidéu, um exemplar de 1966, indicado por seu proprietário, Roberto Cataldo, para quem naquele romance “está a alma uruguaia”.
O livro
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Episódico, o romance de Espínola aborda um mundo às avessas | Foto: Divulgação[/caption]
“Sombras sobre a noite”, como se percebe pelo título, é um daqueles romances ligados ao (sub)mundo noturno e seus notívagos, na linhagem de “Agonia da noite”, de Jorge Amado (1912-2001) e outros poucos na literatura brasileira. A exemplo de seus congêneres hispano-americanos, aborda as relações humanas nas casas noturnas e nos prostíbulos. O protagonista, de nome Juan Carlos, é um órfão de pai assassinado e mãe vítima de tuberculose, que vive num imenso e solitário casarão aos cuidados da negra Basília e cresce no Baixo, el Bajo, como é conhecida a zona do baixo meretrício nas cidades latino-americanas, em meio a prostitutas, cafetões e outros seres marginalizados. Foi num prostíbulo que o jovem Juan Carlos encontrou refúgio e compreensão, além de iniciar-se nas artes do amor.
Autobiográfico, o romance não tem, praticamente, um enredo que se possa seguir de fio a pavio, mas é formado por episódios que antes constituem flagrantes do modo de vida daqueles que transitam por aquele mundo às avessas. As prostitutas, porém, são extremamente humanas e mesmo aqueles que vivem do suor de suas mulheres no ofício que é considerado o mais antigo do mundo não são apresentados como seres cruéis ou vis, mas como “namorados” ou apenas “rapazes” enamorados de suas amantes.
Não se pense também que o leitor aqui irá encontrar cenas tórridas ou eróticas. Pelo contrário. Haverá de perceber certo desencanto em cenas no bar de um prostíbulo em que há sempre um cantante de tangos, milongas e estilos (típica composição uruguaia para ser acompanhada ao violão) a lamentar a fatalidade daquela vida à margem, um purgatório para a entrada no paraíso que só virá com a morte. Por trás desse romance poético, ainda que realista, perpassa, porém, um sentimento de solidariedade com os menos favorecidos, os deserdados da terra.
O autor
Francisco Espínola nasceu, em San José de Mayo, a 4 de outubro de 1901. Era, portanto, maragato, como todo aquele que nasce no pequeno departamento de San José, que fica às margens do Rio da Prata e na área metropolitana de Montevidéu. O termo maragato aqui também tem a ver com os nossos maragatos, os sulistas que deram início à Revolução Federalista no Rio Grande do Sul, em 1893, contra os chimangos, os legalistas. Eram chamados de maragatos não só por causa do lenço vermelho que traziam ao pescoço, mas porque vinham do exílio no Uruguai, exatamente na região de San José, que fora colonizada por espanhóis procedentes da comarca espanhola de Maragatería, na província de León.
Espínola nasceu no seio de uma família de tradição blanca, ou seja, ligada ao Partido Blanco, de inspiração conservadora, cujo ideário, aparentemente, seguiu pelo menos até 1962, quando se filiou ao Partido Comunista Uruguaio. Foi professor e crítico literário e teatral. Combateu a ditadura de Gabriel Terra (1873-1942), advogado que ocupou a presidência da república uruguaia de 1931 e 1938. Alto dirigente do Partido Colorado, igualmente de ideário conservador, Terra liderou um golpe de estado em 1933, com o apoio do exército. Durante seu governo, colocou na prisão muitos adversários políticos, inclusive vários professores, como Espínola. Preso em 1935, Espínola seria felicitado na prisão por alguns de seus algozes, que haviam tido a oportunidade de ler Sombras sobre a terra.
Sua estréia literária deu-se em 1926 com o livro de contos “Raza ciega”, no qual o crítico uruguaio Alberto Zum Felde viu similitudes com “Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Escreveu ainda “Saltoncito” (1930), relato para crianças; “El rapto y otros cuentos” (1950); “Milón o el ser del circo” (1954), ensaio sobre estética; e “Don Juan el Zorro” (1968), três fragmentos de romance. Escreveu também peças de teatro. Em 1961, foi distinguido com o Grande Prêmio Nacional de Literatura do Ministério de Instrução Pública do Uruguai.
No artigo “El Bajo maragato cruza fronteras”, publicado no semanário Busqueda, de Montevidéu, de 19 de fevereiro de 2015, a jornalista Silvana Tanzi, a propósito da então presumível publicação do romance no Brasil pela editora Letra Selvagem, traça um perfil de Espínola com a ajuda de um artigo de Alfredo Mario Ferreiro (1899-1959), em que este poeta dizia que o escritor fazia parte de uma geração que “vivia em ritmo lento e podia passar horas conversando no boliche”. Segundo Ferreiro, Espínola vestia-se sempre de preto com uma gravata e colarinho quebrado e engomado, usado em camisas destinadas a trajes formais como o smoking. “Dias houve em que Espínola falou pelo espaço de oito ou dez horas. E parecia um minuto”, recordou Ferreira, que era seu amigo.
Espínola morreu durante a madrugada de 27 de julho de 1973, por coincidência dia em que ocorreu o golpe de Estado liderado pelo presidente Juan María Bordaberry (1928-2011), que instaurou um regime de exceção que duraria até 28 de fevereiro de 1985. Naquela manhã, os uruguaios acordaram ao som de marchas militares que eram tocadas nas emissoras de rádio, prenunciando um período de muitas perseguições, torturas e assassinatos de opositores à ditadura. l
Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela USP e autor de “Os vira-latas da madrugada” (2015), entre outros.
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Prefeito reeleito Carlos Amastha[/caption]
Causou furor na capital tocantinense o levantamento elaborado pela Revista Veja, que mostra que o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), é o candidato eleito com o voto mais caro nas eleições 2016: R$ 44,94, com boa vantagem para a segunda colocada, Teresa Surita (PMDB), com R$ 9,41 por voto, em Boa Vista (RR). Esse valor médio leva em consideração a última declaração de gastos dos postulantes ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que consta do Sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas (Divulgacand).
A publicação levanta apenas os candidatos eleitos em primeiro turno, e traz ainda o nome de ACM Neto (DEM), que gastou apenas R$ 4,92 por voto recebido em Salvador (BA). Em seguida aparecem Luciano Cartaxo (PSD), reeleito em João Pessoa (PB), com um custo médio de R$ 4,68; Marcus Alexandre (PT), em Rio Branco (AC), com 39 centavos por voto; Firmino Filho (PSDB), reeleito em Teresina (PI), com R$ 2,79 de média; e Carlos Eduardo (PDT), de Natal (RN), com R$ 3,12 por voto recebido.
Segundo colocado no pleito na capital, o ex-prefeito Raul Filho (PR) investiu R$ 18,88 por voto. Já a vice-governadora do Tocantins, Cláudia Lelis (PV), desembolsou R$ 34,09 para chegar na terceira colocação, com 13.121 votos. Declarando ter gasto R$ 3.084.877,31 - 296% a mais que Raul, e 589% superior a Cláudia -, Carlos Amastha teve com principal investimento os eventos de promoção de candidatura, responsável por 15,22% de suas despesas (R$ 469.508,00). O pessebista ainda consumiu R$ 443.307,25 em publicidade por materiais impressos (14,37%). Destaque ainda para os custos dos programas de rádio, televisão ou vídeo, que receberam a aplicação de R$ 419 mil (13,58%).
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Deputada Professora Dorinha em reunião com o ministro da Educação, Mendonça Filho, e reitores[/caption]
A deputada Professora Dorinha (DEM) intermediou na quarta-feira, 5, uma reunião de reitores das Universidades Federais da Região Norte com o ministro da Educação, Mendonça Filho, para tratar da formação de uma rede de qualificação dos professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes). A Região Norte possui 10 universidades federais contando com 61 campi tendo apresentado em menos de 10 anos um crescimento de 37 campi.
Atualmente, 52% dos docentes são doutores ou pós-doutores, 37,5% mestres, 7,5% são especialistas e os demais graduados.
As universidades federais buscam programas e ações integradas que visam aumentar o número de docentes com qualificação e, para isso, demandam ações integradas do MEC e outras entidades como Capes, CNPq. Os reitores querem implantar um plano de ciência, tecnologia e inovação da região norte para fomentar cursos de pós-graduação, realização de pesquisa e produção do conhecimento em larga escala. A parlamentar explicou que as ações solicitadas pelas instituições não trazem impacto orçamentário negativo para o MEC, mas trariam um saldo bastante positivo e muito importante para a região.
O ministro Mendonça Filho manifestou simpatia às demandas apresentadas e disse que é necessário levar em consideração os aspectos regionais e vê que há possibilidade de cooperação no pedido das universidades, já que há a necessidade de recursos humanos. Participaram da reunião os reitores das Universidades Federais do Tocantins (UFT), do Acre (Ufac), Amazonas (Ufam), Roraima (UFRR), Amapá (Unifap), Pará (UFPA), Rondônia (Unir) Rural da Amazônia (Ufra), Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e Oeste do Pará (Ufopa).
Vários documentos e computadores, além de anotações manuscritas sobre supostas fraudes no processo de seleção de famílias beneficiadas por programas habitacionais desenvolvidos em Colinas do Tocantins foram apreendidos na prefeitura da cidade na última semana de setembro, e estão em posse do Ministério Público Estadual. O material foi apreendido pela 2ª Promotoria de Justiça de Colinas, após liminar da Justiça que autorizou a operação nas sedes da prefeitura e da Secretaria de Habitação do Município, visando a obtenção de provas documentais que corroborem com a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo MPE, no dia 8 de setembro, contra o prefeito José Santana Neto (PT) e os servidores municipais Leandro Coutinho Noleto e Antônio Pereira por supostas fraudes e favorecimentos na distribuição de casas populares na cidade. Além da apreensão, a condenação de José Santana, Leandro Coutinho Noleto e Antônio Pereira à perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e ao pagamento de multa civil. Segundo a 2ª Promotoria de Justiça de Colinas, a operação contou com a colaboração de policiais militares. Na liminar que autorizou a busca e apreensão, expedida no dia 27 de setembro, a juíza titular da 1ª Vara Cível de Colinas ainda determinou que a gerência da Caixa Econômica Federal, em Palmas, seja notificada para que apresente os nomes e a quantidade exata dos contemplados nos programas de moradia popular em Colinas do Tocantins durante o mandato do atual prefeito. As investigações que culminaram na ação foram iniciadas ainda em 2015, por meio de procedimento administrativo instaurado para acompanhar a política pública de habitação na cidade. Na época, o MPE então passou a receber diversas denúncias que apontavam fraudes na forma como os agentes públicos citados vinham conduzindo o processo de seleção das famílias a serem beneficiadas. As investigações apontaram que a escolha era realizada sem critérios que garantissem a igualdade de condições a todas as famílias que se enquadravam nas exigências do programa. No total, estima-se que tenham sido entregues, pela atual gestão, 1.260 moradias na cidade, distribuídas em diversos setores: Jardim Boa Esperança, Estrela do Norte I, Estrela do Norte II e Setor Aeroporto.

