Primeira-dama de Trindade prestigia campanha nacional Mulheres na Política

Mapa de participação feminina nos parlamentos do mundo põe o Brasil em uma vergonhosa 158ª posição entre 188 países. Mas movimento puxado por deputadas e senadoras quer mudar isso

Primeira-dama, Dairdes Darrot: “Vamos aprovar uma PEC que garanta 10% de participação feminina não só nas eleições, mas também nos mandatos” | Iris Roberto

Primeira-dama, Dairdes Darrot: “Vamos aprovar uma PEC que garanta 10% de participação feminina não só nas eleições, mas também nos mandatos” | Iris Roberto

FÁBIO PH
Especial para o Jornal Opção

Um grande evento, prestigiado por importantes nomes da política brasileira, associações classistas, Judiciário e poder público, aconteceu em Goiânia na manhã da quinta-feira, 10, abrindo a campanha nacional “Mulheres na Política – A reforma que o Brasil precisa”, uma ação da senadora Lúcia Vânia (PSB), em parceria com outras autoridades do Senado, da Câmara, prefeituras e legislativos municipais. Participaram do evento o governador Marconi Perillo (PSDB), as primeiras-damas do Estado, Valéria Perillo, e de Trindade, Dairdes Darrot, esta uma entusiasta da causa. “Estamos na luta para aprovar uma PEC que garanta 10% de participação feminina não só nas eleições, mas também nos mandatos”, frisou Dairdes.

Foi apresentado um mapa de participação da mulher nos parlamentos do mundo e o Brasil ocupa a vergonhosa 158ª posição entre 188 países. “A mulher na política fortalece as mulheres e também importante, fortalece a democracia”, disse a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). “Somos maioria no voto e elegemos os homens”, completou. A senadora Marta Suplicy (sem partido – SP) pon­tuou que um dos grandes enfrentamentos é o da mulher, em muitos casos, ter a mesma qualificação que o homem e um salário menor no mercado.

Um dos exemplos aplaudidos de conquista e luta da mulher foi o da ex-doméstica e hoje advogada e ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Delaíde Alves Miranda Arantes, que estava presente. “Combater a desigualdade de gênero é algo muito bom para o desenvolvimento e para a economia”, ressaltou Lúcia Vânia, que endossou pedido de apoio ao governador Marconi Perillo (PSDB) para que deputados goianos ajudem a aprovar na Câmara a PEC das Mulheres (ver ao lado).

Marconi Perillo firmou compromisso de falar com os deputados goianos. “Deixar de votar na PEC das Mulheres é ser muito machista”, brincou o governador que ainda lembrou uma frase da presidente do Chile, Michelle Bachelet: “Quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando muitas mulheres entram na política, muda a política.”

PEC das Mulheres

A PEC nº 98/2015 foi aprovada no Senado e entrará em votação na Câmara Federal. Lá precisará de 308 votos para ser aprovada, como parte da reforma política em discussão no Congresso.

“Vamos mudar o mapa da sub-representação política da mulher no Brasil”, afirmou a procuradora-especial da Mulher do Senado, Vanessa Graz­ziotin (PCdoB-AM). Ela disse ainda que a luta pela igualdade na representação política entre os gêneros ganhou força nesse primeiro turno de votação graças ao empenho da bancada feminina do Congresso, que atuou unida desde março na campanha Mais Mulheres na Política – A reforma que o Brasil precisa, e ganhou apoios de lideranças em todo o Brasil.

Senadores e senadoras de diversas legendas favoráveis à proposta ocuparam a tribuna para defender a PEC que reserva vagas para gênero de forma progressiva nas câmaras municipais e assembleias legislativas, na Câmara Legislativa do DF e na Câmara dos Deputados.

O aumento de cadeiras para mulheres passará a valer no pleito seguinte à promulgação, quando as Casas legislativas dos três níveis do Parlamento brasileiro deverão reservar 10%, 12% e 16% de cadeiras pa­ra gêneros diferentes nas eleições seguintes.

A votação acontece quando a participação da mulher cresce e passa a ser valorizada como nunca no Brasil. O mapa da representação legislativa hoje é de 14 senadoras; 51 deputadas federais; 120 deputadas estaduais e 7.651 vereadoras, o que corresponde nacionalmente a uma média de 10% de mulheres.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.