Trump recua e desiste de cobrar pedágio de 20% sobre navios no Estreito de Ormuz
14 julho 2026 às 14h44

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira, 14, que desistiu da proposta de cobrar uma tarifa de 20% sobre mercadorias transportadas por navios que cruzam o Estreito de Ormuz. A medida havia sido divulgada pelo próprio presidente um dia antes, em meio ao agravamento das tensões com o Irã.
Segundo Trump, a cobrança será substituída por acordos comerciais e de investimentos firmados com países do Golfo Pérsico. Apesar da mudança, ele afirmou que os Estados Unidos manterão o plano de reforçar o bloqueio naval na região.
Na segunda-feira, 13, o presidente norte-americano declarou que Washington assumiria o controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás natural. Na ocasião, também anunciou a intenção de criar uma taxa equivalente a 20% sobre os produtos transportados por embarcações que utilizassem o corredor marítimo. A declaração provocou reação imediata no mercado internacional, elevando o preço do petróleo ao maior patamar em um mês.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a decisão foi revista após conversas com líderes do Oriente Médio.
“Com base em conversas altamente produtivas com líderes do Oriente Médio, decidi substituir a taxa de reembolso de 20% devida aos Estados Unidos por acordos comerciais e de investimento que vários Estados do Golfo realizarão nos EUA”, escreveu.
O presidente, no entanto, não informou quais países participariam dos acordos. Segundo ele, os investimentos prometidos seriam suficientes para compensar a arrecadação prevista com a tarifa inicialmente anunciada.
Pouco depois, durante entrevista coletiva, Trump declarou que considera inadequada a cobrança de pedágios sobre embarcações que utilizam o estreito.
“Não acho que alguém deva poder cobrar uma taxa. (…) Não gosto dessa ideia, mas, ao mesmo tempo, não é justo que estejamos protegendo este estreito para o mundo inteiro”, afirmou.
Até a última atualização, nenhum governo do Golfo Pérsico havia confirmado oficialmente a existência dos acordos mencionados pelo presidente norte-americano.
Conflito com o Irã
Os países do Golfo, muitos deles aliados dos Estados Unidos, passaram a ser alvos de ataques retaliatórios do Irã após a retomada das hostilidades na região.
Em junho, Washington e Teerã haviam firmado um acordo de cessar-fogo que previa 60 dias de negociações para uma solução definitiva do conflito. No entanto, a trégua foi rompida na semana passada, encerrando o entendimento entre os dois países.
Também nesta terça-feira, a agência Reuters informou ter obtido acesso a uma comunicação enviada por Trump ao Congresso dos Estados Unidos, na qual o presidente notifica os parlamentares sobre a retomada do conflito com o Irã.
Bloqueio naval será mantido
Embora tenha abandonado a proposta de criar a tarifa, Trump confirmou que o bloqueio naval no Estreito de Ormuz seguirá adiante.
Segundo o presidente, a operação será direcionada exclusivamente às embarcações iranianas e abrangerá toda a costa do Irã. As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que o reforço da presença militar na região começaria ainda nesta terça-feira.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do planeta. Com cerca de 50 quilômetros de largura, liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da escalada do conflito, aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo passavam pelo local.
O acordo de paz firmado em junho previa a reabertura da via sem qualquer tipo de cobrança durante 60 dias, período em que Irã, Omã e os países do Golfo negociariam um modelo definitivo de administração do estreito. Com o fim da trégua, esse entendimento deixou de vigorar.
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