Irã lança ofensiva contra países do Golfo após ataques dos Estados Unidos
12 julho 2026 às 09h22

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A Região do Oriente Médio viveu, neste domingo, 12, uma nova escalada de violência, quando o Irã disparou mísseis contra alvos ligados aos Estados Unidos em quatro países do Golfo Pérsico, em resposta a bombardeios norte-americanos realizados no dia anterior contra seu território.
Segundo comunicado da Guarda Revolucionária iraniana, foram atingidos um centro de comando e hangares de drones na Jordânia, um radar americano no Kuwait, plataformas de apoio a porta-aviões em Omã e instalações de manutenção de jatos e comando no Catar. Além disso, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou ter disparado tiros de advertência contra embarcações que navegavam na região sem autorização.
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos informaram que seus sistemas de defesa chegaram a interceptar mísseis e drones, mas confirmaram posteriormente que as ameaças estavam fora de suas fronteiras. No Bahrein, sirenes de alerta foram acionadas. O Catar relatou a interceptação de mísseis e três feridos, incluindo uma criança, devido a estilhaços. O governo classificou os ataques como uma “grave escalada” que dificulta os esforços de contenção da crise. Já a Jordânia confirmou danos materiais leves provocados por três mísseis, sem vítimas.
Em Omã, um navio identificado como GFS Galaxy foi atingido, provocando incêndio e obrigando a tripulação a abandonar a embarcação. Vinte e três tripulantes foram resgatados, mas um segue desaparecido. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que o ataque ocorreu a cerca de 17 km da Península de Musandam.
Os ataques iranianos ocorreram após ofensiva dos Estados Unidos neste sábado, 11. O Comando Central das Forças Armadas norte-americanas declarou ter atingido 140 alvos militares iranianos, dentro de uma série de mais de 300 bombardeios realizados em três noites, com o objetivo de reduzir a capacidade de Teerã de atacar embarcações civis e comerciais no Estreito de Ormuz. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou em rede social que “o Irã fez uma má escolha” e agora “paga o preço”.
A mídia estatal iraniana relatou explosões em cidades como Bandar Abbas, Sirik e Jask, além da ilha de Qeshm e da província do Khuzistão. Uma autoridade local informou que o tenente Hamidreza Dehghani, da Marinha iraniana, morreu durante os ataques norte-americanos ao porto de Jask.
Apesar de negociações realizadas entre Irã, Omã e Catar no sábado, com foco na segurança da navegação em Ormuz, os esforços diplomáticos não têm surtido efeito. Em junho, Washington e Teerã haviam assinado um memorando de entendimento com cessar-fogo de 60 dias, mas o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou recentemente que o acordo “acabou”.
A tensão aumentou ainda mais após o funeral de Ali Khamenei, morto em operação conjunta dos EUA e Israel no início da guerra. Durante a cerimônia, iranianos exibiram cartazes pedindo a morte de Trump. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, afirmou que a “vingança” era “inevitável”. Na sexta-feira (10), Trump acusou o Irã de planejar assassiná-lo e prometeu “dizimar e destruir completamente todas as regiões” do país caso haja tentativa contra sua vida.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, que atua como mediador, pediu moderação às partes envolvidas. Ainda assim, o fechamento do Estreito de Ormuz e os ataques contra países vizinhos reforçam o risco de ampliação do conflito na região.
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