“Eles preferiram um embate até meio desleal”: ex-presidente do Jóquei reage à ação judicial da atual diretoria
16 junho 2026 às 10h48

COMPARTILHAR
“Eles preferiram um embate até meio desleal, sem diálogo. Faltou lealdade deles também, porque não precisava disso.” A declaração é do ex-presidente do Jóquei Clube de Goiás, Fausto Gomes, ao comentar a ação movida pela atual diretoria da entidade, que pede na Justiça a entrega de documentos contábeis, financeiros, fiscais, previdenciários e administrativos das gestões anteriores.
Em entrevista ao Jornal Opção, Fausto afirmou que a atual administração nunca procurou os ex-dirigentes antes de ingressar com a ação judicial. Segundo ele, não houve qualquer tentativa de contato por telefone, mensagem, ofício ou reunião para solicitar documentos ou esclarecimentos sobre a gestão anterior.
“Essa diretoria nunca entrou em contato conosco, para nada. Nunca ligaram, nunca mandaram WhatsApp, nunca mandaram documento. Eles nunca pediram nenhum documento”, afirmou.
O ex-presidente também contestou a informação de que a atual diretoria teria feito cobranças prévias aos antigos gestores. “Aquilo lá é tudo mentira. Nós afirmamos que eles nunca pediram nenhum documento”, declarou.
Fausto argumenta que a ausência de documentação não seria um problema exclusivo de sua gestão, mas uma realidade enfrentada pelo Jóquei Clube há vários anos. Segundo ele, o processo de deterioração financeira da entidade fez com que diversas administrações operassem sem estrutura mínima de funcionamento.
“O Jóquei ficou totalmente sucateado. Não tinha funcionário, não tinha contador, não tinha sede, não tinha nada. O Jóquei morreu, ficou só o ‘mocó’ do Jóquei”, disse.
De acordo com o ex-presidente, quando sua diretoria assumiu a entidade também não recebeu documentos da administração anterior, comandada por Ivana Menezes. Ele afirma que, na época, chegou a solicitar contratos e registros administrativos, mas não obteve retorno.
“A diretoria antes da nossa não nos passou nenhum documento. Nós cobramos esses documentos, mas não obtivemos resposta. Então nós também não recebemos nada”, afirmou.
Fausto relata que a gestão encontrou um cenário de grave crise financeira, com elevado passivo judicial e poucas condições de reorganização administrativa.
“O que sobrou do Jóquei foram os imóveis, as dívidas e mais de cem processos na Justiça”, disse. Segundo ele, havia ações trabalhistas, tributárias e ambientais que se acumulavam há anos e que colocavam em risco até mesmo a manutenção do Hipódromo da Lagoinha.
Apesar das críticas à iniciativa da atual diretoria, o ex-presidente afirma que não pretende criar obstáculos ao processo judicial e que está disposto a apresentar todo o material que possuir caso seja intimado pela Justiça.
“Quando o juiz nos chamar, nós vamos chegar lá e entregar o que a gente tiver. Não temos nenhuma objeção. Entregamos tudo sem nenhum problema”, declarou.
Para Fausto, a judicialização do caso poderia ter sido evitada com uma conversa prévia entre as partes. Segundo ele, a antiga diretoria estaria disposta a compartilhar todas as informações e documentos acumulados ao longo dos anos.
“Se ela tivesse sentado comigo, eu poderia ter passado muita coisa que nós fomos descobrindo e ajuntando nesse tempo. A gente passaria tudo para eles. Não precisava ter entrado na Justiça”, concluiu.

Entenda o caso
A atual diretoria do Jóquei Clube de Goiás entrou com uma Ação de Exigir Contas contra seus antecessores na gestão da entidade. Os gestores da instituição requerem na Justiça a devolução de todo o acervo documental de natureza contábil, financeira, fiscal, previdenciária, regulatória e administrativa pertencente à entidade.
De acordo com a atual presidente da instituição, Nívea de Paula, ao assumir a entidade, a atual diretoria constatou a inexistência de procedimento regular de transmissão administrativa de um mandato para outro. Esse fator, aliado à também inexistência de qualquer processo de prestação de contas e de entrega de acervo documental, teria privado os atuais gestores do Jóquei Clube de conhecer a real situação econômica e patrimonial da entidade.
No pedido judicial, formulado na última quarta-feira, 3, é solicitada Tutela Provisória de Urgência, no sentido da entrega imediata do acervo, formado por demonstrações contábeis, relatórios financeiros, contratos, documentos comprobatórios de obrigações fiscais, trabalhistas e previdenciárias, bem como de contratos destinados a formalizar modalidades de uso do espaço físico do Hipódromo da Lagoinha.
“Precisamos obter o acesso a notificações recebidas, respostas enviadas, providências tomadas, documentos enviados, medidas corretivas adotadas e obrigações pendentes, inclusive, quanto à exploração econômica, ocorrências de ocupação irregular de espaços do Hipódromo e às condições e conhecimento dos animais alojados nele. São fatos e circunstâncias administrativas que a atual diretoria precisa conhecer para realizar seu trabalho e garantir a continuidade da existência do Jóquei”, relata a presidente.
Leia também: Jóquei Clube pede anulação de desapropriação e questiona fundamentos do decreto municipal



