Com investimento superior a R$ 100 milhões, a Prefeitura de Goiânia retomou, nesta terça-feira, 14, as obras do último trecho do BRT Norte-Sul.

O trecho liga o Terminal Isidória, no Centro de Goiânia, ao Terminal Cruzeiro, em Aparecida de Goiânia, por meio de um corredor exclusivo de 4,2 quilômetros para o transporte coletivo da Região Metropolitana. O contrato também prevê a implantação de oito estações de ônibus ao longo do percurso.

Iniciado em 2014, durante as gestões de Paulo Garcia (PT), em Goiânia, e Maguito Vilela (MDB), em Aparecida, o projeto passou por sucessivas paralisações e retomadas, mas nunca foi concluído. Com a assinatura do novo contrato com uma construtora portuguesa, a expectativa é de que a obra seja executada em 14 a 15 meses, embora o prazo contratual seja de 18 meses.

As empresas responsáveis pela execução pertencem ao Grupo ACA: a ACA Alberto Couto Alves Ltda. e a Alberto C. Alves S.A. do Brasil, com atuação em Portugal e no Rio de Janeiro. Além da conclusão do corredor exclusivo, o contrato contempla a finalização da Estação 5, localizada na Avenida 4ª Radial, na área externa do Terminal Isidória.

Metronização

Durante o lançamento da retomada das obras, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), afirmou que a construção será executada com rapidez, organização e fiscalização rigorosa.

Um dos principais benefícios apontados pelo prefeito é a implantação do sistema de metronização no corredor. A tecnologia permite que os ônibus operem com maior velocidade e regularidade, em um modelo semelhante ao que está sendo implantado no corredor Leste-Oeste. “A pessoa vai sair daqui do Terminal Isidória e vai chegar lá ao Terminal Cruzeiro em tempo hábil — e isso passando por oito estações”, afirmou.

Segundo Mabel, a primeira etapa da obra será a construção de uma trincheira no cruzamento da Avenida Rio Verde com a Avenida Tapajós, considerada fundamental para a sequência do empreendimento. “Todo o sequenciamento já está combinado e planejado. Tenho absoluta certeza de que vai ser uma obra rápida, com fiscalização e sem confusão”, disse.

O prefeito também informou que será necessário transplantar 72 árvores para viabilizar a obra, sendo 62 palmeiras. Segundo ele, os exemplares serão removidos com torrão e replantados em outras avenidas por meio de uma técnica que busca preservar a vegetação.

“Somos a segunda cidade mais arborizada do país. Se temos que trocar alguns exemplares, estamos com 18 mil árvores plantadas somente neste mandato”, defendeu.

Trecho em Aparecida será reestudado

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela (MDB), afirmou que a obra deve trazer mais agilidade ao deslocamento dos trabalhadores do município.

Segundo ele, o projeto original para a região da Vila Brasília previa a construção de um terminal e cruzamentos em nível, solução que poderia provocar graves impactos no trânsito. Por esse motivo, esse trecho foi retirado da licitação atual para passar por um novo estudo, que poderá resultar na construção de uma trincheira ou de um viaduto. “Esse estudo vai ser concluído e vai ser relicitado para aquele trecho onde se encontram essas quatro avenidas: São Paulo, Radial, Transbrasiliano e Rio Verde”, afirmou.

“São quatro artérias importantes na divisa entre Goiânia e Aparecida, e essa solução precisa ser planejada e amplamente discutida.”

Embora Goiânia seja a responsável pela execução da obra, Vilela explicou que a Prefeitura de Aparecida acompanhará e fiscalizará as intervenções realizadas no município. Segundo ele, a administração aparecidense não terá custos com a execução, já que os recursos fazem parte do projeto financiado por Goiânia em parceria com o Ministério das Cidades.

Subsídios ao transporte

Leandro Vilela também comentou as discussões sobre os subsídios pagos pelas prefeituras da Região Metropolitana ao transporte coletivo.

Segundo ele, os aportes municipais foram fundamentais para investimentos recentes, como a renovação da frota com ônibus equipados com ar-condicionado. A expectativa é que, com a conclusão das obras e demais melhorias, ocorra uma redução da tarifa técnica e, consequentemente, dos subsídios necessários, sem aumento no valor pago pelos passageiros.

O prefeito acrescentou que Aparecida ainda possui um passivo financeiro relacionado ao transporte coletivo herdado de administrações anteriores e que esse débito será quitado conforme a capacidade financeira do município.

“Essa sempre foi a discussão do projeto. Ao terminar os investimentos, há uma tendência de redução dos custos.”

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