O mercado de locação residencial segue em ritmo acelerado e, mais uma vez, os preços do aluguel avançaram acima da inflação no início de 2026. Dados recentes da do índice FipeZAP mostram que em fevereiro registrou alta de 0,94%, superando tanto o IPCA, de 0,70%, quanto o IGP-M, de 0,73%.

O índice também mostra que no acumulado do primeiro bimestre, a valorização chegou a 1,60%, ampliando o descompasso entre o setor imobiliário e os principais indicadores de preços da economia.

A pressão não se limita a casos isolados, 34 das 36 cidades monitoradas apresentaram aumento nos valores de locação. Capitais como Manaus, Natal e Vitória lideraram os reajustes, enquanto apenas Teresina registrou queda.

No recorte de 12 meses, o avanço médio de 8,96% reforça a distância em relação à inflação oficial, com destaque para Vitória, Cuiabá e Belém, que tiveram altas bem acima da média nacional.

O impacto é ainda mais evidente nos imóveis compactos. O preço médio nacional atingiu R$ 51,89 por metro quadrado, mas unidades de um dormitório chegaram a R$ 69,17/m². Essa diferença reflete a forte demanda por imóveis menores, especialmente em áreas urbanas, onde localização e praticidade pesam mais na decisão dos inquilinos.

Apesar da escalada nos preços, o retorno financeiro para investidores não acompanha o mesmo ritmo. A rentabilidade média do aluguel ficou em 6,03% ao ano, abaixo de alternativas financeiras disponíveis no mercado.

Em algumas capitais, como Recife e Belém, o desempenho é mais favorável, mas ainda insuficiente para compensar a valorização dos imóveis.

Além disso, imóveis menores tendem a oferecer retorno proporcionalmente maior que unidades maiores, revelando uma distorção entre preço de locação e ganho efetivo.

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