EUA X Irã: quando a desilusão e a sede de vingança se encontram
11 julho 2026 às 18h38

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Novamente, o presidente americano Donald Trump muda o rumo da política sobre o Irã, mas, desta vez, algo inusitado veio à tona: Trump ligou para Benyamin Netanyahu — com quem não falava há algum tempo — e, sem delongas, repassou ao primeiro-ministro de Israel os próximos passos dessa que virou uma “novela” eterna e cansativa negociação entre o Irã e os Estados Unidos.
A conversa pelo telefone durou meia hora, e esteve focada em apenas dois temas: Irã e, sim, Irã. Trump disse ao aliado que mediadores vinham trabalhando nos bastidores para que o Irã interrompesse imediatamente qualquer tipo de ameaça ou ataque aos navios-tanque e outras embarcações que navegassem no Estreito de Hormuz. Ele afirmou que, se o Irã cumprir essa única condição, voltaria à mesa de negociações, mas sem cessar-fogo. No entanto, o líder americano sabe que as chances para que as conversas voltem a acontecer são mínimas.
O premiê de Israel ouviu, mais uma vez, de Donald (como Netanyahu se dirige ao presidente dos Estados Unidos) que está disposto a retomar os encontros que vinham acontecendo antes de ele mesmo encerrar o “acordo do acordo” com o regime islâmico, e que estaria até mesmo disposto a dar mais uma chance às negociações. Mas ressaltou que desta vez será mais incisivo e menos flexível — como vinha fazendo o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance.
Ameaças de morte contra Trump

Os dois líderes ainda falaram sobre as ameaças de morte que o Irã impôs a Trump nas últimas semanas. O regime dos aiatolás prometeu um prêmio de US$ 300 milhões para quem assassinar o presidente dos Estados Unidos.
Foram os serviços de inteligência de Israel que interceptaram as mensagens que colocam a cabeça de Trump a prêmio. A origem é o alto escalão do regime iraniano.
O premiê israelense deixou claro que seu país, assim como antes, permanece alinhado aos Estados Unidos na questão Irã e reiterou que o principal objetivo, seja através de um acordo ou outros meios, deve ser deter a ambição nuclear iraniana.
Netanyahu ressaltou que Israel está preparado para uma ataque ao Irã, a qualquer momento, mas Trump reiterou que um ataque israelense contra o território iraniano só acontecerá com a prévia autorização dos EUA.
A vingança como destino
No sábado, 11, os jornais iranianos estamparam as fotos de Trump e Netanyahu vestidos como se fossem prisioneiros e dois alvos sobrepostos sobre a cabeça de cada um deles.

Na lista também estavam a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni; o presidente da França, Emannuel Macron; o ministro da defesa de Israel, Israel Katz; o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio; o secretário de Defesa dos EUA, Pete Heghset, e o diretor do FBI, Kash Patel, entre outros.
Todos eles foram jurados de morte pelo aiatolá Mojtaba Khamenei que, apesar de não ter aparecido na cerimônia de encerramento dos funerais do pai, aiatolá Ali Khamenei, disse que “a vingança é o destino da nação iraniana” e que ela virá em breve.
O líder máximo do Irã prometeu vingar todos os envolvidos, direta ou indiretamente, na morte do pai e toda sua família logo no início dos ataques ao Irã em fevereiro. “Eles pagarão pelo que fizeram.”
Chumbo trocado
Desde que começaram a circular rumores sobre intenção iraniana de assassinar Donald Trump, o presidente americano rebateu a ameaça com outra ameaça: “Se algo acontecer comigo. Se o Irã for bem-sucedido em me assassinar, já deixei instruções para que eles sejam bombardeados num nível que não podem nem imaginar”. A declaração foi feita durante o encontro dos países que compõem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)), na Turquia.
Na manhã de sábado, 11, antes de embarcar no Air Force One para Washington, Trump escreveu em sua rede social, Truth Social: “1000 mísseis estão calibrados e apontados para a República Islâmica do Irã e outros milhares também serão lançados caso consigam atingir seu objetivo que é assassinar ou tentar assassinar o presidente dos Estados Unidos, neste caso, eu”.
Apesar das ameaças trocadas, o serviço de inteligência israelense, o Mossad, alertou que havia risco durante a saída do aeroporto de Ankara, na Turquia, e que os iranianos planejavam um atentado.
Após checagem da CIA, o serviço secreto americano preferiu embarcar o presidente dos Estados Unidos no “velho “ Air Force One. Trump optou, ao que tudo indica, por “não pagar pra ver” e, aparentemente, voltou em segurança a Washington.
O blefe dos aiatolás
Imagens de satélite revelaram que o Irã retomou o programa nuclear e está reconstruindo os locais, conhecidos pela comunidade internacional, onde milhares de centrífugas enriquecem urânio suficiente para a produção de armamentos de destruição em massa como bombas atômicas.
O regime iraniano havia se comprometido em interromper o funcionamento das usinas de Parchim, Teleghan 2 e Natanz como um gesto de boa vontade, logo no início das negociações, mas ao que parece estava blefando.
Inspeções realizadas diariamente por especialistas do Instituto de Ciência e Segurança Nacional em Washington detectaram, por meio de imagens de satélite, o que chamam de “trabalho significativo” na reparação e segurança reforçada das usinas atingidas durante os ataques de Israel e Estados Unidos (os dois países afirmaram, na época, que os bombardeios foram tão intensos que demoraria anos para que fossem reconstruídos, mas pelo visto erraram feio na previsão) no início desse ano e em 2025.



