O presidente Donald Trump já está nos Estados Unidos depois da visita de dois dias à China. E, ao que parece, o encontro com o presidente Xi Jinping foi positivo para as duas maiores economias do mundo. Mas, antes de embarcar rumo a Washington, uma cena chamou atenção durante a saída da comitiva americana: todos os integrantes da delegação, incluindo o presidente Trump, jogaram, no lixo, todos os itens que foram recebidos durante a visita oficial.

Crachás, credenciais, celulares descartáveis, cartões de acesso, presentes e outros objetos fornecidos pelas autoridades chinesas foram deixados numa caçamba de lixo, no aeroporto de Pequim. Pode até parecer ingratidão ou, no mínimo, falta de educação. Na verdade, a medida faz parte do protocolo de segurança e contraespionagem adotado pelo governo dos Estados Unidos em viagens diplomáticas para países considerados de alto risco em cibersegurança.

Durante a visita, toda comitiva utilizou celulares descartáveis que foram preparados pela CIA especificamente para esta missão, evitando contato com dispositivos pessoais.

Trump e Xi Jinping Foto na China em 2026 Reprodução
Donald Trump e Xi Jinping: inimigos cordiais | Foto: Reprodução

Os telefones particulares ficaram guardados dentro do Air Force One, armazenados em bolsas de Faraday, que são feitas com capas especiais que bloqueiam todos os sinais eletromagnéticos como Wi-Fi, Bluetooth, GPS, 5G, NFC, criando um “escudo” ao redor dos dispositivos, evitando invasões, espionagem digital ou rastreamento.

Há anos que o serviço secreto dos EUA demonstra preocupação com o avanço da inteligência chinesa e suas possíveis ações, como monitoramento eletrônico, clonagem de dados e interceptação de conversas diplomáticas.

Por isso, apesar da imagem da caçamba de lixo cheia, até a tampa, de “presentes”, protocolos como a destruição de equipamentos e o descarte imediato de materiais utilizados em viagens internacionais se tornaram rotina para as delegações dos EUA. Nesta missão na China, a cautela foi redobrada. A ordem do governo foi direta — “nada vindo da China entra no avião”.

Apesar dos sorrisos, banquetes e cerimônias públicas, Washington enxerga Pequim como uma ameaça global em inteligência, tecnologia e espionagem. Não confiam sequer num crachá “made in China”.

Assim que o Air Force One partiu, o olhar das autoridades chinesas disse tudo. O país coloca um enorme peso cultural e diplomático por trás dos presentes que dão aos líderes estrangeiros. Cada item é selecionado deliberadamente e devolvê-los ou descartá-los é visto como uma ofensa grave. A China deu a Trump tudo que pôde e a América deixou tudo em Pequim — sem olhar pra trás.