Lavrado, a última fronteira selvagem do Brasil
07 julho 2026 às 18h30

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Quando pensamos no bioma amazônico, a imagem que vem à mente é de uma densa e exuberante floresta. Mas a Amazônia não é homogênea e possui uma região pouco conhecida no país, um ecossistema único e fascinante: Lavrado, a vasta savana brasileira.

Localizada em Roraima, no extremo norte do Brasil, na fronteira da Guiana e Venezuela, o Lavrado é marcado por amplos horizontes, campos abertos, rasos lençóis freáticos e uma incrível rede de lagos que, no período de estiagem, se desconectam e na época das chuvas transformam a região num grande alagado, ditando o ritmo da vida.

São mais de 40 mil km² de área contínua, maior que o território da Suíça, e boa parte disso está preservada porque fica dentro de terras indígenas como as reservas de São Marcos e Raposa-Serra do Sol.

No Lavrado, até o fogo, que sempre surge quando a seca se torna realidade, faz parte do ciclo natural de renovação. Algo que intriga a ciência, porque, mesmo depois do que parece ser uma triste devastação, o ambiente volta a florescer num incrível ciclo de resiliência e renovação.

Na savana brasileira, onde se imprime adaptação e sobrevivência, surgiu uma fauna e flora únicas, encontradas somente ali em meio à imensidão amazônica.
A vida selvagem

É nesse cenário desafiado que habitam os cavalos lavradeiros, uma das poucas raças de equinos no mundo que ainda vive livre na natureza, sem manejo humano.
Os animais descendem de cavalos andaluzes e garranos que chegaram à região no século XVIII, trazidos por colonizadores portugueses. Com o passar do tempo, sem marca e sem donos, os animais passaram a viver livremente na extensa planície.

A natureza e sua implacável seleção natural fez o resto: só os mais fortes sobreviveram ao clima extremo da região — onde a água é escassa em boa parte do ano e a vegetação é rasteira, mais conhecida como “fura-bucho”.
Assim surgiu a raça de cavalos selvagens lavradeiros. Um animal de pequeno porte, rústico porém elegante, resistente e muito veloz, capaz de manter velocidade média de até 60 km/h em percurso de longas distâncias.

Há alguns anos, com a expansão do agronegócio, que já invadiu as savanas, os lavradeiros selvagens começaram as desaparecer da região. Onde antes podia se avistar milhares de cavalos, agora é possível ver algumas centenas desses animais, que correm risco de desaparecer. Caso isso venha acontecer, a única savana brasileira voltará a ser um imenso vazio.


