Imprensa
Os políticos criaram a crise e agora têm a obrigação de resolvê-la. Mas, para superá-la, é preciso despolarizar. Lula da Silva está polarizando e impede qualquer entendimento
Ao final, Lula vai se arrepender de ter caído nas mãos de Teori Zavascki, que é um magistrado correto, duro e infenso a controle político
Por que as revistas “Veja”, “Época” e “IstoÉ” dão um banho nos jornais “Folha de S. Paulo”, “Estadão” e “O Globo”, que estão mais repercutindo do que publicando fatos novos sobre a Operação Lava Jato? Porque investem em repórteres investigativos de qualidade. Porque publicam reportagens mais bem elaboradas. Porque, com a internet, os jornais estão se perdendo no mundo do factual.
Na luta para conquistar as mentes dos leitores, cada vez mais dispersivos — dado o volume de informações na internet —, os jornais estão priorizando a cobertura factual e, ao mesmo tempo, publicando matérias de comportamento (que dão acesso, é fato), mas esquecendo as “notícias quentes”.
Pode-se acrescentar um quarto fator: porque têm mais coragem. Parte da imprensa nacional, por causa do volume de processos que são movidos por políticos e empresários, está cada vez mais cautelosa e amedrontada.
Cobertura das revistas dos grupos Abril e Globo amacia quando o assunto são denúncias contra o senador Aécio Neves, de Minas Gerais
O jornalista e escritor Fernando Molica, prosador de alta voltagem, lança o romance “Uma Selfie Com Lênin” (Record, 112 páginas). Release da editora afirma que “ele cria personagem que reflete sobre os dilemas éticos, políticos e amorosos no Brasil contemporâneo”.
Johan Cruyff não deu o título aos holandeses, mas foi o principal jogador da Copa do Mundo de 1974
A atriz da TV Globo é dessas mulheres que fazem o que pregam, e não, como certas feministas, das que pregam o que não fazem
O TJ do Rio de Janeiro manteve a condenação do editor do blog Conversa Afiada, que chamou o profissional da Globo de “jornalista bandido”
O “Pop” vai publicar artigos de medalhões que saem em vários jornais do país. Pode ficar com a cara de “depósito” do material das agências de notícias e de outras publicações e perder sua identidade
Mas Época é um pouco mais incisiva e reveladora sobre a conta de Aécio Neves e de sua mãe no paraíso fiscal de Liechtenstein
Os indivíduos que foram e estão indo às ruas não estão defendendo partidos e políticos, e sim a necessidade de se salvaguardar as instituições
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Em português, este é o livro que mais explica Mein Kampf[/caption]
Enquanto o país perde tempo discutindo se deve publicar ou não a obra “Mein Kampf” (“Minha Luta”), de Adolf Hitler, a Nova Fronteira relança a segunda edição do excelente “Mein Kampf: A História do Livro” (227 páginas, tradução de Clóvis Marques), do jornalista francês Antoine Vitkine. A maioria dos historiadores trata a “Bíblia Názi” de maneira episódica, apesar de realçar que se trata de um documento histórico fundamental. Vitkine, pelo contrário, examina-a detalhadamente
Vitkine mostra que a maioria dos políticos do período em que foi lançado “Mein Kampf”, em 1925, e mesmo depois da ascensão de Hitler ao poder, em 1933, não soube avaliar o livro com exatidão, não teve a percepção necessária para entender que se tratava de um guia para a ação política e governamental. Winston Churchill, pelo contrário, entendeu muito bem o projeto de poder que o trabalho do nazista delineava, mas não era um homem ainda tão poderoso.
É provável que, se os estadistas do período tivessem lido o livro com a devida atenção, sem subestimá-lo, Hitler poderia ter sido contido. Várias pessoas alertaram, mas os homens de Estado avaliaram mal ou de maneira equivocada o projeto que havia sido delineado em “Mein Kampf”. Vitkine revela que Hitler chegou a proibir a publicação de “Minha Luta” na França, porque a obra contava o que, uma vez no poder, pretendia fazer com o país.
Proibir “Mein Kampf”, alegando que é um livro que prega o mal, é subestimar os leitores e, sobretudo, esconder ideias de um documento histórico fundamental para se entender aquilo que se rejeita. Vitkine conta que o próprio Hitler, admitindo que “Mein Kampf” era um livro revelador do que pensava pôr em prática, chegou a censurar edições populares. Os magistrados brasileiros deveriam ler a obra do jornalista.
A primeira tradução de “Minha Luta” saiu no Brasil em 1934, nove anos depois de ter sido publicado na Alemanha. “Imediatamente”, escreve Vitkine, “obtém grande sucesso, alcançando nada menos que três edições” na “década de 1930”. Oitenta e dois anos depois, um juiz do Rio de Janeiro decidiu proibir a publicação do livro no Brasil. Parece brincadeira de criança, ou melhor, o magistrado quer tratar o leitor como se fosse criança, como se as ideias de “Mein Kampf fossem, tantos livros publicados depois do fim da Segunda Guerra Mundial — de Ian Kershaw, Antony Beevor, Richard Evans, Richard Overy, Max Hastings —, uma coisa secreta e proibida. É preciso publicar e discutir aquilo que se quer e se precisa combater. Ideias “escondidas” servem apenas a seitas perigosas. Ideias “públicas”, por mais perigosas que sejam, são mais “inofensivas”.
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Simone de Beauvoir, escritora francesa, foi a grande feminista do século 20[/caption]
Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre não se interessavam muito por caráter. Eram “heróis” complexos, que mudavam de posição de acordo seus próprios interesses e novas ideias. Os dois, notadamente Sartre, foram apaixonados pelo stalinismo, mas, em 1968, conseguiram se apresentar como libertários. Mas o casal, pelas ideias, livros e comportamento, mais este, é sempre interessável. Simone de Beauvoir, comparada a Sartre, é subestimada, embora seja uma prosadora de mais qualidade do que o filósofo (Paulo Francis gostava de contar que Sartre tentou visitar Heidegger, mas foi dissuadido pelo secretário do alemão: “Ele não recebe jornalistas”).
No momento em que Lula da Silva ataca as mulheres e feministas, notadamente as do PT, vale a pena ver “Simone de Beauvoir e o Feminismo”, lançado pela Versátil. São três documentários com entrevistas da escritora: “Uma Mulher Atual”, de Dominique Gross; “Por que Sou Feminista”, de Jean-Louis Servan-Schreiber; e “Simone de Beauvoir Fala”, de Wilfrid Lemoine.
Tony Judt era um historiador-filósofo, por assim dizer. Seus livros são de história, mas contém uma reflexão de filósofo. Nos ensaios, a combinação do historiador com formação filosófica aparece com mais força. A Editora Objetiva manda para as livrarias “Quando os Fatos Mudam — Ensaios: 1995-2010”. O scholar britânico morreu em decorrência de esclerose lateral amiotrófica.
O ex-presidente ligou para Jaques Wagner e disse que havia dito a Mino Carta para escrever artigo atacando Sergio Moro. Pouco depois, a revista publicou dois artigos criticando o juiz e a Polícia Federal

