Bastidores
Como o ex-deputado Leandro Vilela (PMDB) curte sua aposentadoria política — dedicando-se a atividades privadas, como executivo do grupo empresarial criado por Júnior Friboi, dono do frigorífico Mataboi e da JFG Incorporações —, o prefeito de Jataí, Humberto Machado, pode “desaposentar” o ex-deputado estadual Romilton Moraes e torná-lo candidato a prefeito do município pelo PMDB. Trata-se de um político e gestor experimentado.
Ele foi secretário da Fazenda do governo do Estado e domina bem questões técnicas. Resta saber se, com a vida tranquila — é criador de gado de corte em duas fazendas da região de Jataí —, o ex-parlamentar aceitará a incumbência. Com o apoio de Humberto Machado, de Maguito Vilela e de Daniel Vilela, será um candidato forte.
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Ex-tucanos: Delegado Waldir, Alexandre Baldy e João Campos[/caption]
Nas eleições de 2014, o PSDB elegeu seis deputados federais: Alexandre Baldy, Célio Silveira, Fábio Sousa, Giuseppe Vecci, João Campos e Delegado Waldir Soares.
Pouco mais de um ano depois, a bancada reduziu-se à metade: Célio Silveira, Fábio Sousa e Giuseppe Vecci. Fábio Sousa, por sinal, está com muita vontade de sair — o que deve acontecer entre 2017 e 2018. Waldir Soares foi para o PR, Alexandre Baldy para o PTN e João Campos para o PRB. “Éramos seis; se brincar, o partido fica só com um, Giuseppe Vecci”, diz um dos deputados. Um líder nacional ligou para um dos deputados que saíram e perguntou: “Qual é o motivo da debandada?” “Falta de espaço político” — eis a resposta padrão.
Waldir Soares queria ser candidato a prefeito de Goiânia, mas, como não conseguiu, optou por sair e disputar por outro partido. Tornou-se, de imediato, adversário renhido do tucanato. Alexandre Baldy sentiu-se menosprezado na disputa política em Anápolis. João Campos disse a um aliado que no PSDB não tem condições de disputar uma eleição majoritária. Seria um cidadão tipicamente de segunda classe no tucanato — assim como Fábio Sousa.
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Carlos Antonio: articulando muito | Foto: Assembleia[/caption]
O principal patrono da filiação do deputado estadual Carlos Antônio ao PSDB, com a finalidade de disputar a Prefeitura de Anápolis, é o governador Marconi Perillo. Por que o tucano retirou o parlamentar do Solidariedade e se empenha tanto em remontar o PSDB do município?
Primeiro, porque Carlos Antônio, o favorito da pré-campanha, é um nome eleitoralmente consistente e, com uma estrutura política e financeira adequada, tem condições de se eleger prefeito. Segundo, como Marconi pensa de modo estratégico, ao conquistar o deputado, popular no município, se está retirando dos braços da oposição um aliado para a disputa de 2018.
Anápolis é um dos municípios, e não só por ter o terceiro maior eleitorado do Estado, o que desequilibra uma eleição, mas também por sua história. Terceiro, a busca por um candidato competitivo em Anápolis tem a ver com o fato de que o PSDB terá dificuldade para eleger tanto o prefeito de Goiânia quanto o de Aparecida de Goiânia. Marconi está em busca de um equilíbrio de forças.
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Lissauer Vieira despolarizou a política de Rio Verde | Na foto Lissauer Vieira[/caption]
Doze partidos prontificaram-se a apoiar a candidatura do deputado estadual Lissauer Vieira, do PSB, a prefeito de Rio Verde. Eis a lista: PSB, PP, PPS, PSC, Pros, PV, PHS, PSL, SD, PTC, PSDC e PMD. Mas líderes de outros partidos permanecem conversando com o jovem parlamentar.
“Estou muito animado. A pré-candidatura saiu apenas em janeiro e, mesmo assim, cresci 11 pontos de lá pra cá. Estamos montando uma chapa de candidatos a vereador a mais consistente possível. Aliás, podemos falar em chapas, dado o apoio de tantos partidos.”
A entrada de Lissauer Vieira em cena “quebrou” o coro dos contentes. Ao anunciar sua pré-candidatura, o líder do PSB despolarizou a política de Rio Verde. Falava-se apenas em Paulo do Vale, do PMDB, e em Heuler Cruvinel, do PSD. Agora fala-se também em Lissauer Vieira. Ele está no jogo. Perguntado sobre a crise nacional, Lissauer disse: “Precisamos de pessoas de bem na política, para mudá-la e, daí, mudar o Brasil”.
Com o troca-troca partidário, o PSDB foi o partido que mais cresceu na Assembleia Legislativa de Goiás: ganhou mais quatro deputados — Helio de Sousa, o presidente da Alego, Carlos Antônio, Talles Barreto e Francisco Oliveira. Helio de Sousa deixou o DEM. Carlos Antônio saiu do Solidariedade. Talles Barreto saiu do PTB. Francisco Oliveira migrou do PHS para o tucanato. Diego Sorgatto, sem partido, é cogitado para ser o quinto mosqueteiro.
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Jânio Darrot quer dar continuidade ao trabalho de reestruturação de Trindade | Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O prefeito de Trindade, Jânio Darrot, é um político moderno. E é exatamente por ser moderno que não aprecia aparecer tanto. Durante três anos, o tucano impôs uma tarefa à sua equipe: organizar as contas da prefeitura e dotá-la de uma estrutura mais eficiente, com o objetivo de melhorar os serviços públicos. Agora, depois um trabalho ingente, a casa está em ordem e, por isso, tantos querem assumi-la. O eleitor de Trindade terá de fazer uma escolha, na eleição de 2 de outubro, entre o prefeito que colocou a casa em ordem — e poderá fazer uma administração revolucionária a partir de 2017 — e um aventureiro que, se eleito, vai bagunçar, mais uma vez, a prefeitura.
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Foto: Renan Accioly/Jornal Opção[/caption]
O deputado federal Alexandre Baldy tem projetos políticos ambiciosos. Há quem aposte que de fato queria disputar a Prefeitura de Anápolis. O fato é que, se quisesse disputar, ninguém teria condições de segurá-lo — dada sua capacidade de movimentar uma estrutura financeira poderosa, o que permitira a articulação de uma frente política ampla. Pessoas que são mais próximas do parlamentar apresentam uma versão possivelmente mais realista. Ao trocar o PSDB pelo PTN, um partido com estrutura por um partido que terá de construir uma estrutura, o jovem parlamentar estaria sinalizado que tem outro projeto para 2018: a disputa do governo de Goiás.
Aliados de Alexandre Baldy sugerem que, ao deixar o governo em 2018, o governador Marconi abrirá espaço para novas lideranças políticas. O PSDB deve bancar o vice-governador, José Eliton, para o governo. O postulante governista deverá enfrentar o senador Ronaldo Caiado, do DEM, e Daniel Vilela, do PMDB. Mas os baldistas avaliam que há espaço para uma terceira via e sublinham que, como o deputado não teria chance de disputar pelo PSDB, poderá ser candidato pelo PTN. Neste partido, ninguém o vetará. Aposta-se, ainda, que a legenda poderá agasalhar os possíveis tucanos descontentes em 2018.
O deputado estadual Diego SorgatTo afirma que, para se filiar, está cultivando quatro amores: o PSDB, o PR, o PSD (seria reatar um caso antigo) e o PP. “Sou o noivo que todos querem”, brinca. “Gostaria de me filiar ao PSDB, pois há um convite do governador Marconi Perillo. Mas não posso definir minha filiação sem verificar os interesses de minha base política e não quero ficar engessado agora. Como quero ter autonomia para definir minhas posições, prefiro esperar um pouco mais.” Diego Sorgatto deixou a Rede na semana passada. “Eu não queria sair do partido. Tentei estabelecer diálogo com seus integrantes, mas não consegui. Não vou negar, quero e vou continuar fazendo parte da base do governador Marconi Perillo.”
O empresário Victor Priori é cotado para disputar a Prefeitura de Jataí, possivelmente pelo PSB, com o ex-vereador Gênio Eurípedes na vice. Num momento de crise econômica, Priori é um dos poucos políticos que têm condições de bancar uma campanha com estrutura adequada. Gênio Eurípedes, popular e respeitado, tanto pode ser vice quanto candidato a prefeito — talvez pelo PTC.
Um irista relata que o deputado estadual Adib Elias diz, com todas as letras, que, se não puder disputar a Prefeitura de Catalão — se for parar na lista suja do Tribunal de Contas dos Municípios —, o prefeito Jardel Sebba, do PSDB, poderá encomendar o terno de posse, em janeiro de 2017.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, é um dos políticos mais bem informados do país. Em contatos frequentes com a cúpula do PSDB e com o alto clero da Câmara dos Deputados e do Senado, busca informações privilegiadas a respeito do quadro político nacional. Nada passo ao largo do conhecimento do tucano goiano nestes tempos explosivos. A cúpula nacional do PSDB também está sempre buscando a opinião e a orientação do tucano-chefe goiano, visto como um político ponderado e de ideias. Quase sempre, aos radicalizados, Marconi Perillo sublinha que é preciso pensar, em primeiro lugar, nos interesses do país.
O deputado Alexandre Baldy trocou o PSDB pelo PTN, mas vai apoiar o deputado estadual Carlos Antônio para prefeito de Anápolis. Inicialmente, acreditou-se que Alexandre Baldy estava rompendo com o governador de Goiás, Marconi Perillo, e que não apoiaria Carlos Antônio. Mas ele conversou com o tucano-chefe e esclareceu que não irá para a oposição. Em Anápolis, deu declarações de apoio à candidatura de Carlos Antônio para prefeito. Carlos Antônio passa a ter, agora, o apoio de dois políticos fortes no município: Alexandre Baldy e Marconi Perillo.
Comenta-se que a mulher do deputado federal Alexandre Baldy, Luana Baldy, pode ser a vice de Carlos Antônio, candidato do PSDB a prefeito de Anápolis.
O próprio deputado e Luana, que adora política e é articuladíssima, nunca comentaram nada a respeito. Mas o que todos sabem é que se trata de uma vice de peso.
Um dos mais importantes secretários do governo de Marcelo Miranda no Tocantins, o ex-deputado Lívio Luciano (PMDB) disse ao Jornal Opção que está envolvido com a administração pública e a política do Estado-irmão. Mesmo assim, acompanha a política de Goiás, notadamente de Goiânia.
Lívio Luciano aposta que Iris Rezende será candidato a governador. Com chapa pura?, inquire o repórter. “Não sei. O mais provável é que, devido ao tempo de televisão e à necessidade de agregar forças, o vice seja indicado por outro partido, como o DEM do senador Ronaldo Caiado ou o Solidariedade do ex-deputado Armando Vergílio e do deputado Lucas Vergílio.”
No caso de chapa pura, Lívio Luciano acredita que o candidatura a vice será Agenor Mariano, atual vice-prefeito de Goiânia, mas rompido com o prefeito Paulo Garcia. “Iris e Agenor têm uma ligação política muito estreita. Trata-se de uma relação de respeito e confiança.”
A indicação de Gracinha Caiado — que, politicamente, é extremamente política (chegou a dirigir a UDR da Bahia) — para compor com Iris Rezende, seria a vice na disputa pela Prefeitura de Goiânia, não foi adiante. Caiadistas e iristas concluíram que, ante a possibilidade de os adversários usarem o mote da panelinha (como a história de Iris Araújo e Otoniel Machado), é mais saudável, em termos políticos, bancar outro candidato para vice. Um médico ligado ao senador tem sido cotado para vice. Mas o Solidariedade não descarta pleitear a vice do decano peemedebista.

