Para gerir uma prefeitura, o eleitor não aposta em “candidato de protesto”

Adriana Accorsi, Francisco Júnior, Giuseppe Vecci, Luiz Bittencourt e Vanderlan Cardoso: políticos que também são gestores qualificados.

Adriana Accorsi, Francisco Júnior, Giuseppe Vecci, Luiz Bittencourt e Vanderlan Cardoso: políticos que também são gestores qualificados.

Por que é muito difícil que um político com fama de inconstante e folclórico seja eleito prefeito de Goiânia? Não se trata de desabonar indivíduos, e sim de entender que os eleitores, por mais que avaliem que a política está avacalhada, têm bom senso. Para o Parlamento, elegem qualquer um, às vezes pelo simples desejo de protestar, de sugerir que as coisas não estão funcionando.

No entanto, quando se trata de administrar uma prefeitura, os eleitores raramente elegem o chamado “candidato de protesto”, por vezes sem conteúdo e que termina tendo voo de pato (o cemitério está lotado de políticos de uma só eleição). Para administrar uma cidade, para não deixá-la piorar, os eleitores preferem candidatos que demonstram ter capacidade administrativa. Pensa-se mais ou menos assim: “Não posso votar num doido, pois pode acabar com minha cidade”. Pesquisadores sugerem que há um padrão: os eleitores eventualmente “brincam” com um candidato, sugerindo que pode levar a eleição, mas, quando começa a campanha de fato, começam a examinar as propostas e, também, se o candidato tem credibilidade, técnica e moral, para colocá-las em prática. O resultado é que o candidato “adoidado”, fora do padrão, acaba sendo trucidado nas urnas, no 1º ou no 2º turno. Celso Russomanno talvez seja o caso exemplar. Em São Paulo, começou com amplo destaque, na disputa de 2012, mas acabou derrotado e nem foi para o 2º turno. O 2º turno foi disputado entre petista Fernando Haddad, o eleito, e o tucano José Serra.

Pesquisas sugerem que em Goiânia, este ano, o eleitor está tateando, mas sabe mais ou menos o quer: um Nion Albernaz ou um Iris Rezende modernizado. Noutras palavras, um político-gestor que entenda a cidade, seu caráter cosmopolita e metropolitano. Precisa pensar em transporte, trânsito, educação, saúde, mas deve criar pautas alternativas, atendendo às aspirações de seus moradores.

Goiânia poderá, abertas as urnas, tanto no 1º quanto no 2º turno, apresentar surpresas. Os superfavoritos da pré-campanha, quando se apresenta nomes, mas não ideias, podem se desidratar durante a campanha, por não conseguirem identificação com os eleitores modernos da capital — e eleitores modernos estão em todas as classes sociais —, e saírem do páreo mais cedo do que se imagina. Candidatos monotemáticos e milagrosos tendem a ser atropelados pela modernidade dos eleitores.

Em Goiânia, a tendência é que os eleitores apostem em políticos como Francisco Júnior, Vanderlan Cardoso, Luiz Bittencourt, Adriana Accorsi e Giuseppe Vecci. Por que são jovens? Não tem a ver com idade. Mas com o fato de que demonstram entender a cidade na qual vivem, são contemporâneos de seus moradores, e têm ideias precisas sobre gestão pública. O candidato que forçar a barra, que propor mais violência para acabar com a violência, será esquecido. Goiânia não quer barbárie — cobra, isto, mais modernidade e, no caso da segurança pública, mais inteligência e eficiência do que truculência.

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