Bastidores
O ex-deputado estadual Santana Gomes não é policial militar, mas conta com o apoio de centenas, talvez milhares, de policiais, sobretudo do setor administrativo. “Santana é um tenente honorário”, brinca um capitão da Polícia Militar de Goiás. Um coronel diverge: “Santana é um autêntico coronel sem farda”. Sem receio da turma do politicamente correto, Santana Gomes defende os policiais militares. “Eles trabalham duro, servem à sociedade e merecem o respeito de todos”, afirma o suplente de deputado. Santana Gomes é candidato a deputado estadual pelo PDT. A deputada Flávia Morais e o presidente do partido, George Morais, percebem-no como uma das esperanças do PDT para a Assembleia Legislativa.
O português da candidata do PT a governadora, Kátia Maria, é irretocável. Suas frases têm concordância verbal adequada, os pronomes, substantivos e verbos são colocados nos locais apropriados. As frases e as palavras não são ditas pela metade; são sempre concluídas. E, mesmo quando está apresentando uma crítica contundente, demonstra tranquilidade. É craque. Uma política de ideias. O importante para o PT é que, com a candidatura de Kátia Maria, ganha mais uma política de estatura. Fica evidente que, ao menos em Goiás, o partido continua revelando bons quadros.
O secretário de Segurança Pública de Goiás, Irapuan Costa Junior, aposta que o governador José Eliton será reeleito. “Zé Eliton é um jovem competente, dotado de imensa responsabilidade. Os goianos, se querem um governador sério, moderno e eficiente, devem optar por ele.” Irapuan frisa que as campanhas começam emocionais, com os discursos, e depois ficam racionais, com as propostas e os históricos dos candidatos. “Os eleitores seguem o esquema. A partir de certo momento, a racionalidade prevalece e, por isso, acredito que José Eliton vai ganhar a eleição”, aposta o ex-governador.
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Ronaldo Caiado (DEM), Daniel Vilela (MDB)e José Eliton (PSDB): a campanha eleitoral até agora não mexeu na configuração política, mas, se o emedebista subir, o democrata tende a cair[/caption]
O candidato do DEM a governador de Goiás, senador Ronaldo Caiado, surfa na onda ética — como se fosse o cavaleiro solitário Clint Eastwood. O mar está revolto, mas o líder do Democratas até agora não caiu da prancha. Pode cair? Sim. Porque a campanha eleitoral está começando agora e os candidatos e suas propostas estão sendo expostos. Conforme a aceitação dos projetos e dos postulantes, o quadro pode mudar. O contraditório, nos debates, também começou a ser exposto. Por exemplo: Daniel Vilela, o candidato do MDB, tem dito, com frequência, que é, de fato, o candidato de oposição. Porque Ronaldo Caiado pertenceu ao grupo do Tempo Novo por um longo tempo e chegou a indicar o governador José Eliton (PSDB) para vice de Marconi Perillo (PSDB).
Ronaldo Caiado tem chance de ganhar no primeiro turno? Há uma expectativa de poder neste sentido. Mas cientistas políticos, pesquisadores e marqueteiros sublinham que os eleitores, embora não pareça, estão atentos aos candidatos e às suas propostas. A frente do postulante do DEM é, por enquanto, inercial — quer dizer, os demais candidatos só agora estão se tornando conhecidos. Da comparação entre os postulantes, como Ronaldo Caiado, José Eliton, Daniel Vilela (MDB) e Kátia Maria (PT), de repente, pode pintar surpresa.
Dado o peso da estrutura política, é natural que José Eliton passe a ter índices melhores a partir de 15 de setembro, aproximando-se de 15% a 20%, o que poderá levá-lo para o segundo turno. A tendência é que o candidato tucano absorva votos dos indecisos, sobretudo daqueles eleitores que avaliam que o governador é capaz como administrador — o que impede que Goiás se torne um Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul ou Minas Gerais — e aumente sua musculatura eleitoral.
Há uma interpretação não explicitada pelos comentaristas políticos. É provável que Ronaldo Caiado só diminua seus índices se Daniel Vilela crescer. Porque os dois disputam os eleitores que votam na oposição. Portanto, se o candidato emedebista crescer, chegando a 20%, a tendência é que o postulante do DEM se desidrate aos poucos. Seus aliados afiançam que está crescendo, porque é visto como a oposição de fato e um combatente da corrupção. Mas, se cair para 30% ou 32%, cria-se uma nova expectativa de poder, sobretudo fica sugerido que uma virada não é ficção. No momento, frise-se, não há clima de virada. Porém, se Daniel Vilela crescer, absorvendo mais votos da oposição, o presidente do Democratas tende a cair. O emedebista é, portanto, a peça decisiva para enfraquecê-lo. Se Ronaldo Caiado cair, Daniel Vilela sobe. Se Daniel subir, Ronaldo Caiado cai. É a lógica. O segundo turno depende muito de como o presidente do MDB vai “arrancar” votos de seu adversário.
Jardel Sebba, Demóstenes Torres, Marcus Vinicius, Frederico Jayme e Diego Sorgatto sugerem que, para o eleitor, a campanha está começando agora
Sem uma coligação forte, o petista pode ficar fora da Câmara dos Deputados
Se o prefeito de Catalão, o candidato do DEM não teria nenhuma estrutura política no interior
Os nomes mais cotados do emedebismo são Andrey Azeredo e Agenor Mariano. Daniel Vilela, se perder o governo, entra no jogo
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Divulgação[/caption]
O ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) é candidato a senador. Lidera as pesquisas de intenção de voto. Aliados frisam que seu problema é não ter o 2º voto dos demais candidatos. Como o 2º voto é dividido entre vários candidatos, não se trata de problema incontornável.
A respeito de Marconi é preciso fazer duas considerações. Dos candidatos, incluindo Lúcia Vânia — decente e competente —, o tucano é o único com influência política nacional, o que, no Senado, tende a fazer a diferença. Se eleito, chegará pelo alto clero — até porque já foi senador.
Dada sua experiência como governador, deputado federal e senador, Marconi conhece os movimentos políticos de um político que atua no Congresso. Poderá ser mais produtivo, para Goiás e para o Brasil, do que os demais candidatos.
Não se trata de desmerecer os demais candidatos, mas de realçar a face qualitativa de Marconi Perillo. Tanto que costuma-se dizer, notadamente em Brasília, que Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles e mesmo Ciro Gomes (PDT), o que for eleito presidente, o querem como ministro.
Discurso duro sobre o combate à criminalidade fortalece popularidade do parlamentar
O deputado federal Sandes Júnior (PP) diz que, como a eleição deste ano está sendo bem mais barata, em termos financeiros, deve superar a marca dos 100 mil votos. “O trabalho na televisão me deu mais visibilidade e diversificou meu eleitorado”, afirma o parlamentar. Na eleição de 2014, Sandes Júnior não foi muito bem. Mas noutras disputas superou a marca de 100 mil votos. Os que menosprezam a ação do parlamentar em Brasília não acompanham com precisão seus projetos. Além de aprovar projetos, o líder do PP contribui para atrair recursos para Goiás — dada sua influência no PP nacional, o que o fortaleceu junto aos ministérios. Os governadores e os prefeitos podem atestar como o pepista tem influência na capital da República. Ele abre portas e, diplomático, jamais as fecha.
Não há dinheiro nem para fazer santinhos. A crise é generalizada Os dinossauros desapareceram. Outro bicho está em extinção na política: dinheiro, também conhecido como pila, bufunfa, grana. Cabos eleitores, marqueteiros e políticos cobram money dos candidatos a governador, senador e deputado. Para descobrir que, em todas as campanhas, o metal, tido como vil — mas ninguém vive sem —, está mais difícil que diamante. Na semana passada, dois donos de gráficas disseram ao Jornal Opção que os candidatos estão pechinchando, tentando pagar a prestação. “A choradeira é generalizada”, afirma empresário. As doações de pessoas físicas são raras e, como empresários não podem doar, as campanhas se tornaram a parte Índia da Belíndia patropi.
Com quatro candidatos fortes na disputa, o segundo voto será atomizado, quer dizer, bastante dividido. Portanto, não terá grande efeito
Meus queridos, o câncer chegou no meu cérebro. Por isso quero prepará-los. Continuem a nossa luta por nossos direitos, se unam, não oprimam os nossos irmãos oprimidos
Ludhmilla Hajjar é de Anápolis e, junto com mais quatro médicos, examina a possibilidade de transferência do presidenciável

