Bastidores
Sociólogo experimentado e professor aposentado da Universidade Federal de Goiás, Servito Menezes avalia que, se a oposição não bancar um terceiro candidato relativamente sólido, o governador Marconi Perillo (PSDB) pode ser eleito no primeiro turno.
“Em política, é preciso verificar a campanha e o desempenho dos candidatos e, claro, como é a aceitação das propostas pela população, mas, a se avaliar pelo quadro atual, Marconi tem com a faca, o queijo e o terno da posse nas mãos”, frisa Servito.
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Wilder Morais, senador democrata: “O governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, é um fenômeno como político e gestor” | Foto: Moreira Mariz[/caption]
O senador Wilder Morais, do DEM, diz que o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, é um fenômeno político e administrativo. “Tenho experiência com gestão privada, que exige muito do dirigente, e por isso sei como Marconi trabalha e é envolvido com o que faz. É impressionante: ele é extremamente focado. Ao mesmo tempo que faz política, conversando com todo mundo, gere a máquina com eficiência, sabendo detalhes do governo. Trata-se de um político vocacionado e acredito que, se os líderes nacionais não tentarem brecá-lo, tende a ser candidato a presidente da República em 2018.”
Wilder Morais afirma que alguns governadores entendem de política, mas quase nada de economia e gestão. “Marconi é diferenciado e atento. Ele tem patrocinado a expansão do setor produtivo com medidas apropriadas e planejadas. Como o Jornal Opção mostrou recentemente, numa reportagem, é possível dizer que o governador tem feito a diferença e, com sua atuação firme e presente, deve ser visto como um agente do crescimento e do desenvolvimento.”
Marconi, na análise do senador democrata, “mudou o Estado”. Wilder Morais diz que visita outros Estados e, em geral, só se fala em crise. “Goiás, pelo contrário, se tornou um canteiro de obras. No Estado, a política responde de maneira adequada à demanda da economia. Observe-se que 6 mil quilômetros de rodovias foram recuperados. E o asfalto é de qualidade. As rodovias que saem de Goiânia estão sendo duplicadas. O governo está construindo o novo Hospital de Urgências de Goiânia, o Hugo 2, e o Centro de Excelência, e está concluindo a reforma do Autódromo Internacional de Goiás. As escolas foram reformadas. Está fazendo os centro de recuperação para dependentes químicos (credeqs). Não é à toa que o político está bem e lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo. Os eleitores podem verificar, por si, o que tem sido feito. O que concluir? Que Marconi será reeleito.”
Um fato surpreende na política de Goiás: o PMDB hoje prefere lançar Júnior Friboi para governador do que Iris Rezende. Os peemedebistas argumentam abertamente, e sem receio de ofender Iris:
1 — Friboi conquistou as bases do partido, ao procurá-la e apoiá-las já na eleição para prefeito, em 2012. Iris, pelo contrário, ficou em Goiânia e manteve poucos contatos com candidatos.
2 — Os peemedebistas percebem Friboi como renovação e Iris como símbolo do “velho” (e nem devido à idade). Na campanha, se for com Iris como candidato, o PMDB não poderá defender o discurso da renovação, da alternância de poder.
3 — Friboi, ao contrário de Iris, é capaz de organizar uma estrutura, do ponto de vista das finanças, para não deixar os candidatos a deputados desesperados.
O prefeito de Porangatu, o empresário Eronildo Valadares (PMDB), radicalizou: “Não apoio a candidatura de Iris Rezende ao governo de Goiás. Mais: não acredito que ele será candidato. Ninguém vai patrociná-lo”.
Eronildo avalia que Júnior Friboi, mesmo relutante, deve ser o candidato do PMDB a governador de Goiás. “Júnior tem o apoio das bases. Praticamente todos os candidatos a deputado querem apoiá-lo. Porque ele fez o que Iris não faz há muito tempo: conquistou as bases. Iris só procura os companheiros em época de eleição e não ajuda ninguém. Nas eleições para prefeito, por exemplo, ele desaparece.”
Se Friboi não for o candidato do PMDB, Eronildo afirma que está aberto a conversações com o governador Marconi Perillo, do PSDB, com Vanderlan Cardoso, do PSB, e com Antônio Gomide, do PT.
Aliados de Vanderlan Cardoso defendem a tese de que a crise do PMDB beneficia o pré-candidato a governador pelo PSB. Eles apostam que descontentes do PMDB vão hipotecar apoio ao socialista-capitalista. O problema é que muitos descontentes irão para o lado do governador Marconi Perillo.
Sebastião Caroço Monteiro, conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), embora seja aliado do vice-governador José Eliton — fazem parte do chamado Clube do Pôquer do condomínio Aldeia do Vale —, começa a sugerir que o democrata Ronaldo Caiado talvez seja uma boa pedida para senador na chapa do governador Marconi Perillo.
Caroço está prestes aposentar-se e José Eliton é cotadíssimo para ocupar sua vaga no TCM.
Embora bancado pela cúpula do PP em Rio Verde, o vice-governador também permanece cotado para o Tribunal de Justiça, na vaga do desembargador Geraldo Gonçalves, que está prestes a se aposentar, e para o Tribunal de Contas do Estado.
A imprensa de Goiás cometeu dois equívocos recentemente. Henrique Meirelles nunca foi cotado para vice da presidente Dilma Rousseff. O motivo é prosaico: o presidente do PSD, Gilberto Kassab, declarou apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Dilma Rousseff, com sua influência, contribuiu para o registro do PSD. Meirelles, filiado ao partido, desistiu até mesmo de disputar mandato de senador. Supostamente, a pedido do ex-presidente Lula da Silva. Mas não só.
Gilberto Kassab ensaia uma aliança com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Pode ser o vice do tucano. É óbvio que o PSD não tem cacife para bancar o vice e o candidato a senador.
Segundo, Aécio Neves quer o voto do ruralismo, não há dúvida, mas nunca cogitou de lançar Ronaldo Caiado (DEM) como seu vice. O presidenciável mineiro quer um vice de São Paulo.
Razão comezinha: São Paulo tem quase 32 milhões de eleitores (22,2% do eleitorado brasileiro) e controla 33,1% do Produto Interno Bruto. Minas Gerais tem mais de 15 milhões de eleitores (10,7% do eleitorado nacional) e 9,3% do PIB.
Juntos, São Paulo e Minas têm 32,9% do eleitorado brasileiro e representam 42,4% do PIB.
Goiás é um Estado próspero, não há dúvida, mas, em termos de eleitores e economia, não tem como ser comparado a Minas Gerais e São Paulo. Goiás tem 4,2 milhões de eleitores (3% do eleitorado brasileiro) e representa 2,6% do PIB.
A presidente Dilma Rousseff tem ligado para o governador Marconi Perillo. Tudo a ver com o segundo turno.
Marconi deve apoiar a petista, no segundo turno, se a disputa ficar entre a presidente e Eduardo Campos, do PSB. O tucano goiano não tem simpatia pelo ex-governador de Pernambuco.
Ao perceber que a disputa em Rio Verde vai ser ferrenha, dado o possível lançamento da candidatura do médico Paulo do Valle (PMDB), o deputado federal Heuler Cruvinel (PSD) decidiu trabalhar. Heuler Cruvinel inicialmente pretendia concentrar esforços apenas em Rio Verde, sua base, e em outros municípios do Sudoeste goiano. Mudou de ideia e vai instalar comitê eleitoral até em Goiânia. A coisa está feia para o pessedista.
Fala-se muito da disputa para deputado federal, especialmente porque Heuler Cruvinel (PSD) e Paulo do Valle (PMDB) devem ser candidatos a prefeito de Rio Verde, em 2016. Mas a disputa para deputado estadual pode ser mais acirrada.
Desta vez, Rio Verde tem chance de eleger de dois a três deputados estaduais. Karlos Cabral (PT) e Lissauer Vieira (PSD) são apontados como hors concours. São favoritos. Porém, se permitirem que dispute o pleito, o vereador Paulo Henrique Guimarães (PMDB) também entra para a lista dos mais cotados.
Leonardo Veloso (PRTB), se for mantido o apoio de Júnior Friboi, também tem chance de ser eleito. Os demais tendem a fazer figuração.

Na mesma Rua 9, nas proximidades do Centro de Línguas da Universidade Católica de Goiás, há outro buraco, que não é pequeno.
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Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
A presidente Dilma Rousseff, do PT, e o governador Marconi Perillo, do PSDB, estão se tornando “amigos de infância” e tricotam sobre política com frequência. Dilma está de olho na experiência bem-sucedida de Marconi como gestor e, ao mesmo tempo, gostou de saber que, no caso de segundo turno entre ela e Eduardo Campos, o tucano goiano a apoiará.
Na tricotagem tucano-petista, a presidente fez saber ao governador que tem um apreço especial pela candidatura de Olavo Noleto a deputado federal. Coincidência: Marconi também tem apreço por Olavo. Na eleição de 1998, a mãe do petista, Laurenice Noleto, foi uma das primeiras jornalistas a acompanhá-lo.
A competente Laurenice, conhecida como Nonô, chegou a escrever um livro, “O Moço da Camisa Azul”, sobre a vitória do tucano na disputa de 1998, quando derrotou Iris Rezende pela primeira vez.
Nos bastidores, Olavo é chamado por aliados e adversários como “o bem-amado”. Vários prefeitos estão entusiasmados com aquele que há chamam de “o nosso deputado”.
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Iris Rezende, se apoiar Eduardo Campos, ganha apoio de Vanderlan | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende está numa encruzilhada. Ele quer ser candidato a governador de Goiás na eleição de 5 de outubro, daqui a quatro meses. No entanto, como afirma seu aliado Lívio Luciano, não quer embarcar numa canoa furada, ou seja, numa campanha sem apoio das bases do PMDB.
Sabe-se que Iris planejou enquadrar Júnior Friboi, mas não tinha o mínimo interesse de expurgá-lo, porque o queria como vice. No entanto, o empresário, orientado pelo pai, pediu o boné e deu o fora, renunciando à pré-candidatura e recusando-se a ser vice do ex-governador.
{Agora, ao perceber que Friboi está arredio e orientando as bases para manterem-se afastadas, Iris começou a procurar líderes de outros partidos para conversar. O decano peemedebista, de 80 anos, conversou com Vanderlan Cardoso, pré-candidato a governador pelo PSB, e ficou mais ou menos acertado o seguinte: se Iris apoiar Eduardo Campos para presidente da República, Vanderlan aceita ser o seu vice.
Embora o DEM prefira compor com o governador Marconi Perillo (PSDB), Ronaldo Caiado conversou com Iris.
Iris prefere compor com o PT de Antônio Gomide, mas, se este resistir, há uma tendência de o peemedebista convidar Caiado para ser candidato a senador na sua chapa.
Na semana passada, dois políticos goianos examinavam uma pesquisa qualitativa com lupa. Eles dizem que, além de indefinido, o eleitor goiano está muito desconfiado e intolerante com os políticos.
Costuma-se dizer que o eleitorado é conservador. Pesquisa qualitativa sugere que os eleitores goianos observam com atenção os candidatos e não mudam apenas por mudar.
A mesma pesquisa indica que o eleitor quer votar no político considerado ético. Porém, como avalia que os políticos em geral não são éticos, tendem a votar naquele político que consideram administrador eficiente.
O marketing dos candidatos precisa ser honesto e ricamente informativo. Publicidade bonita mas enganadora não vai colar.
Em todas as eleições, o governador Marconi Perillo chama seu staff de campanha mais fiel e estratégico e pede duas coisas. Primeiro, clama para que não cometam irregularidades que possam comprometer sua campanha. Segundo, exige que seus aliados não “usem” salto alto. Para ganhar eleição, ele sempre frisa, o salto tem de ser “baixinho”, quase inexistente. A tese de Marconi é meio gramsciana. O tucano até aceita que, na reflexão, algum aliado seja cético. Mas, na execução da campanha, cobra otimismo em tempo integral. Agora, salto alto, o governador não aceita de jeito nenhum. Marconi sempre diz que, em política, não existe “já ganhou” e que não se deve cantar vitória antes da hora. Durante a campanha, quer seus aliados totalmente focados. E, para não comprometer a campanha do ponto de vista judicial, vai exigir, com rigor, que a máquina pública não seja usada por nenhum de seus aliados. Pelo menos é o que dizem alguns de seus secretários.


