Por Euler de França Belém
O prefeito de Goianira afirma que conhece como poucos a realidade dos municípios e as dificuldades dos prefeitos
O ex-deputado estadual não quis aceitar o cargo e optou por indicar sua mulher
Quatro prefeitos estão dispostos a se filiar ao PSDB caso o ex-presidente da Assembleia Legislativa seja eleito
Considerado o mais importante fotojornalista de guerra, Robert Capa morreu, na Indochina, aos 40 anos de idade
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A célebre foto "O soldado caído", feita durante a Guerra Civil Espanhola[/caption]
“Sangue e Champanhe — A Vida de Robert Capa” (Record, 349 páginas, tradução de Clóvis Marques), do escritor e jornalista inglês Alex Kershaw, não é uma biografia exaustiva do fotojornalista húngaro. Mesmo assim, reavaliando a bibliografia e acrescentando novos depoimentos, exibe um quadro relativamente preciso das múltiplas histórias de um repórter-fotográfico excepcional. Trata-se, segundo seus principais pares, do maior fotógrafo de guerra de todos os tempos. Este comentário centra-se na fotografia “O soldado caído”, mas conta rapidamente como André Friedmann se tornou Robert Capa.
Na década de 1930, em Paris, tão pobre quanto George Orwell, Capa conhece a alemã Gerda Pohorylles e se tornam amantes e aliados comerciais. O jornalista John Hersey relata: “André e Gerda decidiram criar uma associação de três pessoas. Gerda, que trabalhava numa agência de imagens, atuaria como secretária e representante de vendas; André prestaria serviço na câmara escura; e os dois seriam empregados por um rico, famoso e talentoso (além de imaginário) fotógrafo americano chamado Robert Capa, que na época supostamente visitava a França”. Seguindo a reinvenção de Friedmann, Gerda Pohorylles se tornou Gerda Faro.
A explicação do próprio Capa: “Meu nome verdadeiro não era muito bom. Não conseguia trabalho. (...) Robert parecia bem americano, e era como devia soar um nome. Capa também soava americano, e é fácil de pronunciar. De modo que Bob Capa parece um ótimo nome. E então inventei que Bob Capa era um famoso fotógrafo americano que veio para a Europa e não queria incomodar os editores franceses por não pagarem o suficiente (...). Simplesmente fui chegando com a minha pequena Leica, tirei algumas fotos e escrevi em cima Bob Capa, conseguindo vender pelo dobro do preço”.
Kershaw diz que há quem acredite que a inspiração foi Frank Capra, que, na época, fazia sucesso com os filmes “Loira e Sedutora” (1931) e “Loucura Americana” (1932). A fotógrafa húngara Éva Keleti apresenta outra explicação: “Ele era chamado de Bandi quando garoto, em Budapeste. Não é muito difícil passar de Bandi a Bob e a Robert”.
Em 1936, André Friedmann havia se tornado, em definitivo, Robert Capa. “Por recomendação de Gerda, ele adotou um novo corte de cabelo (curtinho atrás e dos lados) e passou até a usar um elegante sobretudo com chapéu”, diz Kershaw. “Friedmann tirava as fotos. Gerda as vendia e quem recebia o crédito era o inexistente Capa”, relata Hersey. Aos poucos, desconfiados, os editores descobriram que Friedmann e Capa eram a mesma pessoa, mas não havia mais nada a fazer. O húngaro beberrão, jogador de primeira e mulherengo inveterado se tornara outro indivíduo, logo depois, o famoso Robert Capa. O homem que no início nem se interessava muito por fotografia, exceto para garantir a sobrevivência, reinventara-se inteiramente.
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Robert Capa e George Rodger, em Nápoles, em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial[/caption]
Espanha violenta e romântica
Capa dizia que o verdadeiro fotojornalista tem de se aproximar o máximo possível dos fatos, para documentá-los com mais precisão e, mesmo, “senti-los”. Correu sérios riscos em várias batalhas e acabou morrendo aos 40 anos, em 1954, ao pisar numa mina.
A fama de Capa começa a ser construída durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), na qual o austríaco Adolf Hitler, líder nazista da Alemanha, e o italiano Benito Mussolini, líder fascista, treinaram homens e verificaram a eficácia de suas armas e aviões, enquanto França e Inglaterra assistiam, de camarote, aquilo que não queriam entender — o nazi-fascismo estava se preparando para uma guerra ainda mais mortal e ampla com o objetivo de subjugar a Europa e, possivelmente, o mundo. Lucien Vogel, da revista “Vu”, decidiu enviar Capa e Gerda para a Espanha. Lá, entusiasmado com a causa anarquista, fez fotos sensacionais da tragédia civil-militar.
Numa trincheira, Capa fez a fotografia “O soldado caído” — “a mais famosa da Guerra Civil Espanhola” e a “mais polêmica da história do fotojornalismo”, segundo Kershaw —, que o consagrou internacionalmente.
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Gerda Taro, a raposinha vermelha, foi a grande paixão de Robert Capa[/caption]
A foto de Capa mostra “um miliciano de Alcoy uma fração de segundo antes de aparentemente ter sido mortalmente alvejado”. Trata-se de uma bela fotografia que retrata a brutalidade da guerra. Porém, 77 anos depois, persiste a discussão: Capa teria montado a fotografia com o apoio de militares ou milicianos?
Kershaw expõe as várias interpretações, mas não apresenta uma conclusão. Começa citando Richard Whelan, autor da biografia autorizada de Capa (Whelan foi escolhido por Cornell Capa, irmão do fotógrafo): “O soldado caído” é, na sua opinião, “talvez a maior fotografia de guerra jamais tirada”. Esperanza Aguirre Gil de Biedma, ex-ministra da Educação e Cultura da Espanha, compara-a com “Guernica”, o quadro de Picasso.
A fotografia retrata um soldado morrendo ou apenas um soldado caindo? Anota Kershaw: “A mais famosa foto de Capa pode ser apenas aquilo que diz seu título: uma fotografia de um soldado caindo”. O documentarista francês Patrick Jeudy “considera que pode ser exatamente esse o caso”. Ainda que admirador do mito húngaro, Jeudy afirma que não há como saber, “a partir da foto tirada por Capa, se o homem escorregou acidentalmente, se está sendo morto ou se foi convidado a simular o momento da morte” (o texto entre aspas é de Kershaw).
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Ernest Hemingway com Robert Capa, em Sun Valley, Idaho, em novembro de 1940[/caption]
O fotógrafo Jimmy Fox, ex-arquivista da Magnum, diz que a consistente obra de Capa não deve ser avaliada a partir de “O soldado caído”. Ele afirma, com razão, que o “trabalho de Capa continua sendo o registro fotográfico mais evocativo dos anos mais turbulentos do século 20”. Fox apresenta uma ressalva: “O que me parecia estranho era [que] Capa voltasse a [Nova York] de navio cerca de seis meses depois da publicação da foto na ‘Life’ e desse a um jornalista uma entrevista na qual explicava que tinha passado vários dias com aquele homem [o espanhol morto], além do fato de o sujeito ter sido alvejado perto dele e de ele ter ficado junto ao corpo até escurecer, esquivando-se ao fogo inimigo”.
O jornalista, do “New York World-Telegram”, colheu o depoimento de Capa, em 1º de setembro de 1937, no qual “explica” como havia feito a fotografia: “[Capa e o fotografado, o soldado] estavam na frente de batalha de Córdoba, sem ter como sair dali, Capa com sua preciosa câmera e o soldado com seu fuzil. O soldado estava impaciente. Queria voltar para as linhas legalistas. Volta e meia, escalava a trincheira para espiar por cima dos sacos de areia. A cada vez, recuava ante a advertência do fogo de metralhadora. Finalmente, o soldado murmurou algo no sentido de que ia se arriscar. Escalou, então, a trincheira, tendo Capa por trás. As metralhadoras falaram e Capa automaticamente disparou a câmera, caindo de costas junto ao corpo do companheiro. Duas horas depois, tendo escurecido e já calada a artilharia, o fotógrafo se arrastou pelo terreno até estar em segurança. Mais tarde, descobriria ter tirado uma das melhores fotos da guerra espanhola”.
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Robert Capa joga pôquer com o diretor de cinema americano John Huston, em Londres, em 1953. Burl Ives toca violão[/caption]
Um dos hábitos de Capa era “não incluir nas legendas informações decisivas, como nomes próprios”. Fox acha estranho o fato de Capa “ter passado vários dias com o soldado e sua unidade e não saber seu nome”.
Hansel Mieth disse que, no final da década de 1940, encontrou o marido, Otto Mieth, e Capa discutindo, com veemência, sobre a fotografia. Depois, ela perguntou: “Acha que ele falsificou a foto?” Otto contou-lhe o motivo da briga.
Otto perguntou a Capa: “Você disse a eles [soldados] que encenassem um ataque?” O fotógrafo respondeu: “Claro que não! Estávamos felizes. Talvez meio pirados. (...) De repente, a coisa começou para valer. Eu não ouvia os tiros... levei algum tempo”.
Kershaw afirma que, “a se dar crédito a esse relato, Capa se sentia culpado por ter pedido aos companheiros que descessem correndo uma encosta exposta, pedido que custara a vida a um homem. Segundo o professor Hans Puttnies, biógrafo de Gisèle Freund, Capa contou a ela uma história semelhante, reconhecendo que tinha ‘matado’ o homem da foto”.
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Robert Capa com David "Chim" Seymour, amigo e um dos fundadores da agência Magnum, em Paris, no início da década de 1950[/caption]
A dificuldade de se ter “uma” história sobre o assunto é que Capa apresentava versões diferentes. Em 1947, numa entrevista a uma rádio, com o objetivo de divulgar seu livro de memórias, “Slightly Out o Focus” [“Ligeiramente Fora de Foco”, editado no Brasil pela Cosac Naify], Capa disse que “a foto nasce da imaginação dos editores e do público que a vê”.
Kershaw resume a fala do fotógrafo: “Capa disse que estava numa trincheira com cerca de 20 homens armados de fuzis velhos — em flagrante contradição com sua declaração ao ‘New York World-Telegram’. Numa colina em frente, acrescentou, os insurgentes tinham uma metralhadora. Os homens atiraram na direção da metralhadora durante cinco minutos. Em seguida, levantaram-se, dizendo ‘Vamos!’, e se arrastaram para fora da trincheira, avançando em direção à metralhadora. ‘Como se poderia esperar’, prosseguiu Capa, ‘voltaram os tiros de metralhadora, e dim dom! E assim os que restaram retornaram e começaram a atirar de novo na direção da metralhadora [que] naturalmente foi inteligente o bastante para não responder. E passados mais cinco minutos eles disseram ‘Vamos’ e voltaram a ser triturados. Essa mesma cena se repetiu umas três ou quatro vezes, e, na quarta vez, sem mesmo olhar, eu tirei uma foto quando eles passavam por cima da trincheira’”.
O filme foi enviado por Capa para Paris. Ao retornar à França, percebeu que “era um fotógrafo muito famoso, pois a câmera que eu tinha segurado acima da cabeça simplesmente capturou um homem no momento em que era alvejado”.
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Fundadores da agência Magnum brindando a libertação de Paris numa festa na casa do editor da "Vogue", Michel de Brunhoff. Robert Capa aparece à esquerda, Chim Seymour está no centro, sem gravata, e Cartier-Bresson está no canto direito, de óculos[/caption]
A fotografia “O soldado caído” saiu primeiro na revista “Vu”, em 23 de setembro de 1936. Depois, em 1937, foi publicada em “Paris-Soir” e “Regards”. A “Life”, ao publicá-la, em julho de 1937, acrescentou uma legenda: “Um soldado espanhol no instante em que é abatido por uma bala na cabeça”. A foto causou sensação na Europa e nos Estados Unidos, consagrando Capa como “o” fotojornalista da Guerra Civil Espanhola. Muitos leitores não gostaram, alegando sensacionalismo.
Em 1974, o livro “The First Casualty” (“A Primeira Baixa”), de Philip Knightley, pôs em dúvida a autenticidade da foto. O. D. Gallagher, repórter do “Daily Express” na Guerra Civil Espanhola, disse a Knightley que “‘O soldado caído’ parte de uma série de fotos de ação encenadas num intervalo dos combates. Segundo ele, Capa e outros fotógrafos queixaram-se a um oficial republicano que não tinham o que fotografar. O oficial respondeu que arregimentaria então alguns homens para manobras. Ao ser publicada a foto, Gallagher comentou que parecia autêntica, por causa da imagem ligeiramente turva. Disse então a Knightley que Capa ‘deu uma boa risada e disse: ‘Para se obter boas imagens de ação, elas não podem ser muito focadas. Se a mão tremer um pouco é que se vai obter uma bela foto de ação’”. Em 1978, Gallagher comprometeu o depoimento anterior ao dizer que a fotografia havia sido feita “em território espanhol controlado por insurgentes”. Kershaw garante que “não existem provas de que Capa tenha algum dia visitado a Espanha nacionalista”.
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Robert Capa era um homem charmoso e, como profissional, indômito[/caption]
Ted Allen, veterano canadense da Guerra Civil Espanhola, contou a Knightley que, ao conversar com David “Chim” Seymour, grande amigo de Capa, sobre “O soldado caído”, ouviu uma história curiosa. “Chim me disse que a foto não tinha sido batida por Capa. Mas não me lembro se ele me disse na ocasião se ele próprio, Chim, a tinha tirado, ou se ela fora batida por Gerda.” A biógrafa de Gerda Taro, Irme Schaber, “considera altamente improvável que a foto tenha sido tirada por Gerda. Mas é possível. (...) Até 1937, quase todas as fotografias de Gerda eram publicadas sem crédito ou creditadas a Capa”.
Como não se dispõe do negativo ou do contato original da fotografia, é muito difícil comprovar uma possível falsificação — daí a importância dos depoimentos, que são, porém, lacunares. “Se a foto realmente foi encenada, Capa provavelmente teria tirado várias fotos de milicianos tombando, fingindo terem sido alvejados, e provavelmente teria usado um tripé, para evitar imagens turvas”, escreve Kershaw. Ruth Cerf, amiga de Capa e Gerda, garante que a foto era autêntica. “Eu vi as [fotografias] que se seguiam, com o soldado morto no solo”, diz Cerf.
O historiador espanhol Mario Brotons disse que o soldado morto era Federico Borrell, de 24 anos. “Ao mostrar a parentes de Borrell, em 1996, a foto de Capa, eles aparentemente reconheceram Federico sem serem induzidos.” Kershaw checou a história de Brotons mas não pôde comprová-la.
A acadêmica inglesa Caroline Brothers, depois de estudar exaustivamente a fotografia “O soldado caído” e sua história, escreveu: “A fama dessa fotografia reflete uma imaginação coletiva que queria e ainda quer acreditar em determinadas coisas no que diz respeito à natureza da morte numa guerra. O que essa imagem afirmava era que a morte na guerra é algo heroico, trágico, e que o indivíduo é importante e sua morte não pode ser ignorada”.
Kershaw acrescenta ao excelente comentário de Brothers: “Capa não era um repórter imparcial. Ignorou atrocidades cometidas pelos republicanos e pouco depois encenaria pelo menos um ataque documentado, além de servir de propagandística ideológico da causa comunista na Espanha. Autêntico ou falso, ‘O soldado caído’ é em última análise um registro da parcialidade e do idealismo político de Capa”.
A foto pode até não retratar uma situação verdadeira, mas chamou a atenção do mundo para a crueza da guerra. A história fabricada, se isto ocorreu, exibiu o horror verdadeiro.
Na Espanha, Capa perdeu a namorada Gerda Faro, de 25 anos. Ele teve várias namoradas, como as belas atrizes Ingrid Bergman e Hedy Lamarr e uma nora de Winston Churchill, Pamela Churchill, mas Gerda talvez tenha sido sua grande paixão.
Fotojornalista que dispensou a atriz Ingrid Bergman teve morte trágica aos 40 anos
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Ingrid Bergman: a bela atriz sueca com a qual Bob Capa não quis se casar[/caption]
Pode em sã consciência um homem abandonar uma bela mulher? Se este homem for o fotojornalista Robert Capa, húngaro de nascimento mas cidadão do mundo, não se pode duvidar. Ingrid Bergman, no auge da beleza e da fama, tornou-se amante de Capa. Apaixonada, pressionou-o — planejava abandonar o marido para se casar com ele, que disse que não era “do tipo que se casa”. A atriz sueca escreveu que, se o charmoso fotógrafo de guerra “tivesse dito ‘venha comigo, vamos ver no que dá, conhecer o mundo, beber até o fim o maravilhoso vinho da vida’, ela provavelmente teria deixado” o marido. Honesto, e sobretudo não querendo se casar, Capa disse: “Não posso me prender a alguém. Se alguém disser ‘amanhã, a Coreia’ e estivermos casados e com um filho, eu não poderei ir para a Coreia. E isto seria impossível”. Alex Kershaw conta, no livro “Sangue e Champanhe — A Vida de Robert Capa” (Record, 349 páginas, tradução de Clóvis Marques), que o repórter-fotográfico, por fim, sugeriu que o mito europeu de Hollywood procurasse outro homem.
Mas, quando voltou para Europa, Capa escrevia cartas apaixonadas para Ingrid Bergman, que decidida seguir seu próprio caminho, aceitando as recomendações do ex-amante. Mas ela sempre disse que o amara e o admirava. Ao conhecer Capa, era alienada e ele a ajudou a se tornar mais reflexiva. A biografia revela uma atriz que nada tinha de pudica.
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Ingrid Bergman e Robert Capa: a atriz sueca quis largar o marido, mas o fotógrafo rejeitou a proposta[/caption]
Na Europa, Capa, com outros fotógrafos, criou a agência Magnum. “Se um auditor tivesse vasculhado os livros contábeis da Magnum no início da década de 1950, teria constatado irregularidades financeiras que hoje em dia seriam consideradas fraude. Capa metia a mão nos rendimentos de parceiros e recrutas para pagar mulheres, roupas caras, restaurantes e, sobretudo, suas despesas no jogo”, relata Kershaw. Ele era mais desorganizado do que corrupto, sugere o biógrafo, a partir de depoimentos de colegas.
Um ano antes de sua morte, Capa não estava bem, com uma hérnia de disco que o fazia chorar de dor e relativamente desanimado com a profissão. Peter Viertel conta que “ele dizia que estava cansado de guerras, cansado de contemplar horrores pelo visor de sua Leica”. Gostava das namoradas Jemmy Hammmond e Judy Thorne. “Quando estava com Jemmy pensava em Judy, e quando estava com Judy pensava em Jemmy”, relata Kershaw.
A situação financeira de Capa em 1953 era a pior de sua carreira. Por isso aceitou o convite da Mainichi Press para fazer uma turnê pelo Japão. No país do escritor Yukio Mishima — onde era um deus, ao menos para os fotógrafos, que o seguiam em todos os lugares —, decidiu fotografar crianças.
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Robert Capa, na Indochina francesa, ao lado de um militar. Sua última fotografia, de 1954, fotografia foi feita por Michel Descamps/Scoop/Paris Match[/caption]
Então, de repente, Howard Sochurek deixou a cobertura da guerra francesa na Indochina e a “Life” precisava de alguém para substitui-lo com urgência. Como Capa era um gastador inveterado e estava sempre sem dinheiro, Ed Thompson assediou-o com uma proposta irrecusável: 2 mil dólares por mês, com direito a uma apólice de seguro de 25 mil dólares do Lloyd’s de Londres.
Capa aceitou o convite e disse que faria “uma reportagem intitulada ‘Arroz Amargo’, justapondo, ‘em forma de ensaio, fotos de camponeses no Delta e atividades militares’”. Numa carta para John Morris, da Magnum, Capa disse que aceitara a missão devido “a perspectiva de entrar em ação novamente”. Mas em Tóquio, ao conversar com Howard Sochurek, “ele ficava dizendo: ‘É o tipo de guerra que nunca cobri nem nunca quis cobrir’. (...) Mas sei que ele precisava do dinheiro. (...) Para a época, o dinheiro oferecido era muito bom”.
Em 30 de abril de 1954, Capa aceitou a proposta da “Life” e foi para Bangcoc. Na Indochina, franceses e guerrilheiros do Vietminh, liderados por Ho Chi Minh, travavam uma guerra mortal. “Em 7 de maio, Dien Bien Phu caiu nas mãos dos comunistas. Pelo menos 2.200 homens das forças francesas tinham morrido durante o cerco. Milhares foram feitos prisioneiros.” A Guerra do Vietnã contra os Estados Unidos, mais tarde, obscureceu a sangrenta batalha dos franceses na Indochina.
Em 7 de maio de 1954, Capa estava em Hanói, na Indochina francesa. O fotojornalista, que àquela altura entendia de táticas de guerra, ouviu atentamente o general francês René Cogny. Simpatizava com Cogny, mas, homem de esquerda, não era simpático ao colonialismo francês. Já o editor da “Life” era contra a expansão comunista no Extremo Oriente. Henry Luce e Capa não rezavam pela mesma cartilha, mas o fotógrafo estava a seu serviço e, portanto, ao lado dos franceses.
Experimentado, Capa criticava os correspondentes que, “medrosos”, não queriam chegar perto o suficiente para “mostrar o que estava acontecendo na Indochina Francesa”. “Esta pode ser a última guerra boa. O problema com vocês [repórteres e fotógrafos] que se queixam tanto das relações-públicas francesas é que não entendem que se trata de uma guerra para repórteres. Ninguém sabe nada e ninguém nos diz nada, o que significa que um bom repórter tem toda a liberdade de sair por aí e conseguir um furo por dia.”
Em 25 de maio de 1954, Capa saiu com John Mecklin, da “Time-Life”, Jim Lucas, da Scripps-Howard, e um militar. Ao ouvirem tiros, os correspondentes se atiraram no chão. “Capa pulou do jipe e começou a fotografar camponeses aparentemente desatentos, que continuavam colhendo arroz em campos próximos. (...) Os mosteiros do Vietminh começaram a explodir. Quanto mais caótica e perigosa se tornava a situação, mais Capa parecia empolgado. Lucas o viu enfrentar o fogo de morteiros para carregar um soldado vietnamita ferido para um jipe, que conduziu em seguida a um posto avançado, para receber cuidados médicos”, escreve Kershaw.
Capa, veterano de cinco guerras, era cuidadoso. “Ele tomava cuidado quando tinha de atravessar áreas expostas. Mas, quando via a possibilidade de uma bela foto que só pudesse ser tirada correndo riscos, ia em frente”, disse Mecklin. Havia uma contradição entre o que Capa queria mostrar, a injustiça da guerra, e a ideologia do proprietário da “Life”, que queria exibir o heroísmo francês e a crueldade dos comunistas.
Durante a batalha, espécie de esconde-esconde, nos quais os comunistas eram especialistas, “Capa parecia entediado”. Ele disse a Lucas e Mecklin: “Vou avançar um pouco pela estrada.” Não foi acompanhado, pois os repórteres avaliaram que “seria perigoso demais”.
Minutos depois, militares e jornalistas ouviram uma forte explosão. Um soldado vietnamita disse a um militar francês: “O fotógrafo morreu”. Lucas e Mecklin encontraram Capa “deitado de costas, banhado em sangue. Sua perna esquerda fora destroçada. O coto estava a centímetros de um buraco cavado no solo por uma mina. No peito, ele tinha um ferimento profundo. Com a mão esquerda, agarrava sua câmera Contax”.
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O escritor norte-americano John Steinbeck, sua mulher, Gwyn, e Robert Capa, num hotel de Paris, em 1947. Eles eram amigos[/caption]
Mecklin gritou: “Capa! Capa! Capa!”. “Os lábios de Capa tremeram e não mais se moveram. Eram 3h10.” Capa, o mais celebrado fotojornalista de guerra, estava morto. Aos 40 anos, que, de tão bem vividos, pareciam 80 anos.
Kershaw conta que o escritor norte-americano John Steinbeck, grande amigo de Capa, “teria caminhado atordoado pelas ruas de Paris por 14 horas, tão arrasado ficou com a notícia”. Hemingway escreveu, dois dias depois da morte do fotógrafo: “Ele era tão vivo que fica muito duro pensar que está morto”. John Morris disse: “Bob, o maior fotógrafo de guerra do século mais sanguinolento, detestava a guerra e desprezava seus monumentos e memoriais”.
Aos repórteres e fotógrafos, embora não se considerasse um mestre, deixou uma lição: é preciso verificar os fatos de perto, a poucos centímetros, talvez metros. A narrativa é quase sempre mais precisa — e mesmo imaginativa — quando é vista com os próprios olhos.
[Texto publicado no Jornal Opção na edição de 28 de julho a 3 de agosto de 2013.]
A conexão de 2020 pode se estender à disputa eleitoral de 2022
O ex-deputado federal Daniel Vilela diz que o MDB, que preside em Goiás, vai marchar firme com o candidato do senador Vanderlan Cardoso a prefeito de Senador Canedo.
“O emedebismo e Vanderlan Cardoso são aliados e vamos caminhar juntos”, firma Daniel Vilela. A união pode se estender a 2022.
“Caiado fez besteiras em mês que valem por quatro anos. Perdeu a eleição para presidente da Assembleia Legislativa dada sua incapacidade de articular e dialogar"

O ex-presidente da Assembleia Legislativa Jardel Sebba sugere que, em nome do pragmatismo, o PSDB precisa se aproximar do presidente do MDB, Daniel Vilela. “Respeito-o e o percebo como um grande político. O próximo governador certamente não será Ronaldo Caiado, que fez besteiras em mês que valem por quatro anos. Caiado perdeu a eleição para presidente da Assembleia Legislativa, depois de acreditar que seu candidato, Álvaro Guimarães, estava praticamente eleito. Qual o motivo da derrota? A incapacidade de articular e dialogar e a arrogância. Caiado foi vaiado por funcionários públicos. Politicamente, está criando arestas e humilhou os políticos do MDB que o apoiaram, não permitindo que indicassem ninguém para os principais cargos do governo. Ao importar técnicos de outros Estados, Caiado praticamente humilhou os técnicos goianos, sugerindo que não têm capacidade para contribuir para a gestão da máquina pública.”
O professor apoiou o presidente do MDB em 2018, mas, após ser nomeado secretário, deixou de ser vilelista e se tornou adibista

O MDB tinha esperança de que o professor Thiago Simões seria seu candidato a prefeito de Catalão em 2020. O mestre apoiou a candidatura de Daniel Vilela, mas não resistiu ao esquema típico da política brasileira: ganhou um cargo de secretário do prefeito Adib Elias, e agora é Adib desde criancinha.
O apoio a Daniel Vilela foi uma maneira de pressionar Adib Elias para dar-lhe o cargo de secretário? Na verdade, não, pois o auxiliar do prefeito é uma pessoa íntegra e séria.
O parlamentar afirma que a cúpula tucana precisa ouvir as bases para renovar suas ideias e métodos políticos
O deputado estadual Talles Barreto, líder do PSDB na Assembleia Legislativa de Goiás, afirma que vai disputar a presidência do partido.
“O PSDB precisa de novos valores, deve se renovar e ouvir as bases com o máximo de atenção. O partido tem de corrigir seus erros e reavaliar seu desempenho eleitoral em 2018 com isenção e firmeza. É preciso inovar. Terminou um ciclo e começa outro, portanto não adianta ficar ‘chorando’. O legado tucano não pode ser destruído, mas é preciso pensar numa nova fase, dar um passo adiante. Jardel Sebba e os demais pré-candidatos têm legitimidade. Estou ouvindo vários prefeitos, em todo o Estado. Eles clamam por maior participação nas decisões do partido. Cobram renovação e estão preocupados com as eleições de 2020, porque os demais partidos estão se movimento, e o PSDB ainda não”, disserta Talles Barreto.
Talles Barreto afirma que, em termos políticos, é preciso aproveitar as “oportunidades”. “Iris Rezende faz uma das piores gestões de todos os tempos em Goiânia, a população clama todos os dias para que seu mandato acabe logo. Então, se o PSDB se reorganizar, a partir de uma renovação forte e sincera, nós temos chance de eleger o prefeito da capital. Eu mesmo posso ser o candidato do partido, se a base decidir e se comprometer a me apoiar de maneira integral e consensual. Eu moro em Goiânia, meu domicílio fica na capital. Aviso também que, se eleito presidente do PSDB, nós vamos ter candidatos em todos os municípios. Podemos ganhar em Goiânia, Trindade, Senador Canedo, Anápolis, Aparecida e outras cidades.”
Se eleito presidente do PSDB, Talles Barreto diz que vai preservar os quadros atuais, mas vai buscar novos quadros na sociedade civil.
Quanto ao governo de Ronaldo Caiado, do DEM, Talles diz que cinco deputados do PSDB se reuniram e decidiram fazer oposição. “Menos o deputado Diego Sorgatto”, ressalva.
Talles Barreto afirma que “a Polícia Militar cogita entrar em greve, os professores estão profundamente insatisfeitos com o governo de Caiado. A secretária da Fazenda, Cristiane Schmidt, que já recebeu o 13º salário com um mês de governo, é muito dura com os funcionários públicos. Como nunca ocupou cargo público, ela não sabe a importância do pessoal do Fisco. Cristiane não conhece Goiás e não sabe nem quem é Pedro Ludovico. A turma de Caiado não tem qualificação, é um mito que os ‘estrangeiros’ são melhores do que os técnicos goianos. Ninguém esperava um governo tão ruim, tão sem planejamento. Caiado não tem noção da força da economia goiana. Sua luta contra os empresários, na questão dos incentivos fiscais, pode quebrar o parque industrial do Estado. Ao final de seu governo, Caiado ficará conhecido como o governador dos cortes. Como líder do PSDB, não vou hesitar em criticá-lo.”
O parlamentar estaria se nominando, segundo um deputado, de “Bruno ‘Caiado’ Peixoto

O deputado estadual Bruno Peixoto, que defende o governo de Ronaldo Caiado na Assembleia Legislativa, está na mira do comando do MDB estadual.
O MDB sinaliza que vai fazer oposição — e aguerrida —, mas, segundo um deputado, o parlamentar tem se anunciado como “Bruno ‘Caiado’ Peixoto”. Expulsão à vista? As ações do deputado serão observadas.
Leandro Cipoloni, Virgilio Abranches e Fabiano Falsi vão dirigir o jornalismo da rede
Com o desgaste de Ronaldo Caiado e de Iris Rezende, e sem condenação em segunda instância, o tucano poderá ser candidato na capital

Advogados experimentados sugerem que dificilmente o ex-governador Marconi Perillo será condenado no processo que o levou à prisão por pouco tempo. Sendo assim, sem condenação em segunda instância, estará livre para disputar pleitos eleitorais. Deputados acreditam que, se o governo de Ronaldo Caiado continuar com “imagem negativa”, o retorno do tucano à política de Goiás pode ocorrer antes do que se esperava.
Em Goiânia, o prefeito Iris Rezende, do MDB, não vai bem. O desgaste é tão forte que emedebistas apostam que só há uma chance de o partido continuar no poder na capital: bancando o ex-governador Maguito Vilela para prefeito. Ele é popular e não tem desgaste.
Com o desgaste de Iris Rezende e a crise do governo de Ronaldo Caiado, que não consegue pagar o salário de dezembro de 2018 — quase dois meses depois de ter assumido —, a possibilidade de Marconi Perillo disputar a Prefeitura de Goiânia não é remota.
Costuma-se dizer, entre os experts em política, que, no fundo do poço dos políticos, há molas. Será o caso? E será tão cedo?
“O governo, graças a ação nefasta da gestão anterior, deve seis meses de transporte escolar, um ano de repasse dos recursos da saúde para as prefeituras, deve a Bolsa Universitária”

O Jornal Opção conversou com três caiadistas na semana passada. A seguir se lerá uma síntese do que disseram. “Ronaldo Caiado está preocupado com a situação do Estado, mas não com as críticas. Ora, qualquer pessoa de bom senso sabe que os problemas não foram criados e agravados pelo governador, que assumiu a um mês e 15 dias [as entrevistas foram concedidas na quinta-feira, 15]. Então, até por não ser arrogante, e sim firme e objetivo, Ronaldo vai deixar o pessoal da oposição ‘bater’, pois sabe que essa fase vai passar.”
“Muitas coisas positivas vão acontecer daqui para frente. Em pouco tempo, o salário — que o ex-governador José Eliton deixou atrasar — será colocado em dia. Será um problema a menos, e o governo vai continuar pagando o salário dentro do mês trabalhado. No âmbito federal, há coisas positivas para Goiás, que serão divulgadas no momento apropriado. Há boas notícias sobre o Banco Mundial também. O governo tem projetos e vai executá-los, mas no momento está pondo a casa em ordem. A bagunça era generalizada, mas ninguém dizia nada. O governo vai acelerar, brevemente, a construção de obras. Acreditamos que, em pouco tempo, Caiado será reconhecido como o gestor que ajustou as contas do governo, moralizou os gastos públicos e, ao mesmo tempo, contribuiu para o desenvolvimento de Goiás.”
“O governo de Marconi Perillo-José Eliton deixou débitos gigantescos na área de saúde e as organizações sociais estão aí para confirmar o que se está dizendo. O governo, graças a ação nefasta da gestão anterior, deve seis meses de transporte escolar, um ano de repasse dos recursos da saúde para as prefeituras. O governo deve a Bolsa Universitária e o vale transporte estudantil. O passivo é imenso. José Eliton pilotava um barco à deriva e, como pertence ao PSDB, não pôde fazer nenhuma denúncia.”
“Nós estamos ajustando a máquina — pagamos mais da metade da folha de dezembro — e estamos saindo do lugar. Há problemas? Há. A relação com os deputados estaduais precisa ser mais bem administrada. Não temos dúvida de que Marconi Perillo, lá de São Paulo, orquestrou a candidatura de Lissauer Vieira para a presidência da Assembleia Legislativa, hoje um bunker dos tucanos e de seus aliados. A culpa é de quem? Em parte de Ronaldo, que não teve a paciência necessária para agregar. Mas a parte política do governo — leia-se Ernesto Roller, secretário de Governo — também errou e não soube avaliar a correlação de forças no Legislativo. Mas uma coisa é certa: apesar do comando ser ‘marconista’, a maioria dos deputados apoia o governo de Ronaldo Caiado. Quem decide, afinal, é o plenário.”
“Fala-se em greve ou operação-padrão na Polícia Militar, mas não vai acontecer. A PM, em termos rigorosos, não está insatisfeita com o governo de Ronaldo. O problema é o salário de dezembro, que José Eliton não pagou. José Eliton deu pedaladas (com antecipação de impostos) para pagar a folha quando era governador, mas Ronaldo não vai fazer o mesmo. Sabemos que o secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda, precisa sair do pedestal e dialogar mais com a Polícia Civil e a Polícia Militar. Precisa ser político e polido. Irapuan Costa Junior, agindo com habilidade, conseguiu pôr as duas polícias para funcionar muito bem. Um contencioso com a PM, sobretudo, será muito prejudicial para a Segurança Pública. Ressalte-se que Rodney é sério e competente.”
“Outro ponto positivo do governo de Ronaldo Caiado: peitou a Enel, que, sendo multinacional, parece acreditar que está acima do bem e do mal. A Enel presta um serviço de má qualidade e não fez, até agora, os investimentos prometidos. O governo anterior não ouvia a sociedade a respeito. Ronaldo ouve e defende os consumidores empresariais e residenciais de Goiás.”
O governo fiscaliza locações de veículos e o governo quer saber porque o asfalto é tão ruim
Um auxiliar ganhou uma missão espinhosa do governador Ronaldo Caiado (DEM): investigar todos os contratos do governo de Goiás. A equipe estaria encontrando várias irregularidades — dinheiro escapando pelo ralo e comprometendo a máquina pública.
Segundo uma fonte do governo, os contratos com locações de veículos, de tendas e até de monitores de LED são “extremamente lesivos” para o governo. “As locações são uma fábula. Com a revisão, o governo vai economizar uma fortuna por ano, o que vai contribuir para o ajuste da máquina pública. Os valores pagos são altos, chegando a ser absurdos.” Ele diz que as locações de carros são equivocadas. “Os automóveis não são bons, o aluguel é muito alto. Hoje, a Polícia Militar não tem carros.”
Outra investigação tem a ver com o que seu aliado chama de “baixíssima qualidade” do asfalto das rodovias goianas. “O governo planeja procurar as empreiteiras para ter uma resposta concreta sobre os motivos de a pavimentação asfáltica em Goiás ser tão ruim. As rodovias são inauguradas e restauradas num mês e, logo depois, estão esburacadas, por isso têm de ser refeitas, com gasto incessante de recursos, o que tem contribuído para endividar o Estado”, denuncia.
O governador Ronaldo Caiado, depois de apurar os problemas, “não vai fazer nenhuma denúncia pública. Ele vai entregar os documentos, as apurações ao Ministério Público de Goiás e, se for o caso, ao Ministério Público Federal”.
O líder do PSDB na Assembleia Legislativa diz que nunca foi tão fácil fazer oposição em Goiás

O deputado federal Talles Barreto, líder do PSDB na Assembleia Legislativa, disse que o governador Ronaldo Caiado, como gestor, “está mais perdido do que cego em tiroteio de cegos. Como não sabe o que fazer, por falta de preparo em termos de gestão, Caiado passa o tempo inteiro discutindo o passado e sem perceber que o tempo está passando e sua impopularidade está crescendo. Precisa se organizar e olhar para frente, porque quatro anos passam muito rápido. Já se passaram quase dois meses, e o governador não conseguiu nem mesmo montar sua equipe. Desprezando as universidades locais, Caiado prova que não acredita nos valores técnicos do Estado, pois importou técnicos de vários Estados, e humilhou os emedebistas que o apoiaram, negando cargos para seus aliados. O que falta a Caiado é visão do que é o Executivo, pois, como passou a vida inteira sendo estilingue, não estudou a fundo os assuntos de Goiás. Agora, que virou vidraça, não sabe o que fazer. Vai aprender na marra, sacrificando os goianos.”
Talles Barreto sublinha que o governo de Caiado “facilita” a oposição. “Nunca foi tão fácil fazer oposição, porque o governo de Caiado comete um erro atrás do outro. Fica-se com a impressão de que o setor de comunicação do governador não é ouvido, porque, se fosse, ele não cometeria tantos erros.” O deputado diz que tem a impressão de que “Caiado ainda não acordou e, por isso, não percebe que é governo, e não oposição”.
Os deputados da base de Ronaldo Caiado, frisa Talles Barreto, “têm uma imensa dificuldade de defendê-lo. Na verdade, não tem o que defender, daí a dificuldade”.
O deputado estadual frisa que o comandante-geral da Polícia Militar está fazendo um “bom trabalho”

O deputado Major Araújo, do PRP, diz que os policiais estão “chateados” com o atraso do salário de dezembro. “Os policiais comparam que o governo anterior pagou o salário dentro do mês durante algum tempo e, depois, passou a quitar a folha até o dia 10 do mês seguinte. Há também o 13º salário e horas extras para receber. Para piorar as coisas, com a deliberação do governo em pagar o salário de dezembro de maneira escalonada, em cinco etapas, a Polícia Militar receberá nas duas últimas parcelas. Mas há pontos positivos, como o fato de que o governo de Ronaldo Caiado paga o salário no mês trabalhado. Ele anunciou que vai priorizar os policiais, a segurança. Ele disse que vai aperfeiçoar o projeto da terceira classe.”
Sobre uma possível greve da PM, Major Araújo diz que parte quer paralisar, mas não há nada definido. “Não houve deliberação. É preciso admitir que o secretário da Segurança Pública, Rodney Miranda, tem se mostrado parceiro na questão de resolver o pagamento do salário de dezembro de PMs, bombeiros e agentes prisionais.”
Major Araújo diz que o comandante-geral da PM, coronel Brum, “faz parte de um grupo de coronéis bem preparados, com vários cursos de aperfeiçoamento. Ele é um oficial que tem postura, se posiciona bem, é exemplar e seu comando é competente. O coronel Brum promove a harmonia interna, que é vital para o bom funcionamento da polícia. Trocou o comandante da Academia de Polícia no tempo certo, para evitar problemas. Agora, é preciso anotar, falta efetivos na PM. O comandante-geral, portanto, administra problemas, dificuldades. Apesar disso, ele está se saindo bem, fazendo até mais do que se esperava”.

