Por Alexandre Parrode

Sindicâncias da pasta de Planejamento Urbano e Habitação indicaram pelo arquivamento das denúncias por "falta de provas"

Deputada estadual venceu ação proposta pelo MPGO, que a acusava de utilizar de um jornal para autopromoção com dinheiro público

Após longo processo de seleção, a Associação Grupo Tático de Resgate foi a que melhor atendeu aos requisitos do edital de chamamento

Durante primeiro debate na TV, candidato do PSB afirmou que adversário usa criminosos para criticar sua gestão em Senador Canedo

Foram premiadas empresas de energia, indústrias diversas, serviços diversos e serviços de saúde; duas goianas são as campeãs em suas categorias

Crime aconteceu por volta das 2 horas da manhã. Houve troca de tiros e um detento ficou ferido

Durante debate da Interativa, candidato do PMDB disse que entregou 1,2 mil novos ônibus e alguns com ar-condicionado

Ex-pré-candidato questiona promessa de Iris de ficar os quatro anos, caso eleito

Avaliação destaca que, em encontros realizados nos EUA, Marconi transmitiu informações positivas sobre o panorama econômico e fiscal do Estado

Na Índia, presidente participa de encontro dos Brics, onde defendeu limitação dos gastos públicos

90% das obras da requalificação do espaço já foram concluídas; reinauguração deve acontecer em breve

[caption id="attachment_77840" align="aligncenter" width="620"] Salomão Rodrigues Filho, médico, se tornou cabo eleitoral de uma campanha que só vai começar em 2018. Ao pedir votos para Iris Rezende na verdade quer conquistar apoio para Ronaldo Caiado[/caption]
As instituições são seminais para garantir a funcionalidade da democracia. Por isso, não podem servir de instrumentos políticos ou pessoais. A OAB, por exemplo, não pode ser usada para reforçar esquemas políticos. Seu presidente (e não apenas Lúcio Flávio), até por decoro, não deve pedir votos para candidatos de quaisquer partidos. Nem se trata do fato de que se precisa ser isento, e sim, e isto é fundamental, de que o presidente, transitório, não é a instituição — e a instituição, como se sabe quando se respeita as regras na prática, não tem coloração política, partidária ou ideológica.
Na semana passada, ante o crescimento do candidato do PSB a prefeito de Goiânia, Vanderlan Cardoso, nas pesquisas de intenção de voto — o instituto Veritá o aponta em primeiro lugar —, assistiu-se a um certo desespero entre os articuladores da campanha do candidato do PMDB, Iris Rezende. A intelligentsia da campanha peemedebista reabriu diálogo com líderes de segmentos organizados da sociedade, sobretudo com os supostamente “aparelhados” por iristas e/ou caiadistas, e teria clamado, de maneira enfática, que pedissem votos aos seus pares.
Como períodos eleitorais são tempos de achincalhes e de escassez de ponderação, antes de continuar o comentário, deve-se fazer uma ressalva: o médico-psiquiatra Salomão Rodrigues Filho é um homem e profissional íntegro. O que se dirá a seguir não tem o objetivo de desaboná-lo, até porque, como cidadão, tem o direito de se posicionar como quiser. Numa mensagem divulgada por celular, segundo o site O Antagonista, editado por ex-jornalistas da “Veja”, como Mario Sabino e Diogo Mainardi, o dr. Salomão Rodrigues escreve:
“Prezados colegas médicos, Eleger IRIS prefeito de Goiânia é fator facilitador da eleição de CAIADO para o governo do Estado em 2018. Se queremos CAIADO no governo do Estado em 2018, temos de trabalhar intensamente pela eleição de IRIS como [sic] prefeito de Goiânia, agora! Vamos à luta! Peçam votos! Participem! Salomão Rodrigues Filho, médico”.
Ressalve-se: o cabo eleitoral Salomão Rodrigues apresenta-se como médico, possivelmente para se preservar, mas teria usado o mailing do Conselho Regional de Medicina (Cremego), do qual é conselheiro e já foi presidente, para enviar a mensagem aos médicos? Não se sabe. Mas o texto sugere que o profissional não percebe a eleição de Iris Rezende como um benefício para os cidadãos de Goiânia, e sim como instrumento para beneficiar Ronaldo Caiado. O peemedebista seria um trampolim para o projeto do líder do partido Democratas. Noutras palavras, o interesse de um grupo, o de Caiado, sobrepõe-se aos interesses coletivos.
Por fim, uma pergunta que tantos médicos fizeram ao Jornal Opção na semana passada: quem deixou o Hospital Geral de Goiânia (HGG) fechado por vários anos? Exatamente os governos do PMDB de Iris Rezende. Quem construiu o Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) e o Hospital de Urgências 2 (Hugol), em Goiânia? Os médicos sabem que são obras do governo de Marconi Perillo. Um governante do PMDB tentou repassar a área onde funciona o Crer para um grupo privado. Seria utilizado como estacionamento.
Resposta
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Cremego encaminhou uma nota resposta. Segue, na íntegra:
O Cremego (Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás) reitera que, por se tratar de uma autarquia federal de fiscalização do exercício da medicina, não participa do processo eleitoral político-partidário, mantendo-se imparcial face à eleição. Por vivermos em uma nação democrática, o Cremego respeita o direito de expressão individual dos médicos, inclusive das lideranças médicas, cujo posicionamento político não reflete a opinião do Conselho que, repetimos, preserva sua imparcialidade institucional. Contudo, o Conselho espera que os candidatos se comprometam com a melhoria e o avanço na área da saúde, garantindo à população serviços de qualidade e aos médicos, condições dignas e adequadas de trabalho. Fernando Pacéli Neves de Siqueira, presidente em Exercício do Cremego

[caption id="attachment_77838" align="aligncenter" width="620"] Tarso Genro e Luis Cesar Bueno: como não tem como se reinventar,
o PT pode incentivar a criação de uma frente política de esquerda[/caption]
Assim como PFL significa Partido da Frente Liberal, o PT pode ser extinto e, em seguida, surgir como uma frente política de esquerda, que incluiria o PT, o PC do B e o PDT.
O assunto não é tabu internamente, mas é tabu para consumo público. Há quem diga que a extinção confirmaria que o PT cometeu todos os desatinos apurados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público e, alguns, julgados e, até, condenados pela Justiça. Os petistas mais racionais avaliam que não há saída. Se a extinção não ocorrer pelas próprias mãos do PT será pelas mãos dos eleitores, como ocorreu nas eleições de 2016, quando o partido quase foi exterminado nas disputas pelas prefeituras. Em 2018, com novas prisões sedimentadas, possivelmente a do próprio ex-presidente Lula da Silva, a debacle poderá ser ainda maior, um verdadeiro massacre.
A questão-chave é: o PC do B e o PDT querem participar da frente sugerida por alguns petistas? Seus integrantes aceitariam misturar-se aos petistas, correndo o risco de contaminação política e, depois, derrotas eleitorais praticamente certas? O fato é que, apesar de sua fragilidade atual, o PT é, dos três partidos, o único que tem estrutura e alguma substância em todo o país. Se ele desaparecer, a tendência é que o PC do B e até o PDT — embora este tenda a acoplar-se a outras forças, até ao PMDB ou ao PSDB — se apequenem ainda mais.
Alguns petistas sublinham que, se o PT não propuser a frente política, muitos de seus integrantes de valor vão trocá-lo por outros partidos para a disputa de 2018. Não querem ser massacrados como os petistas de 2016. Um dos apóstolos do frentão político é o ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro Tarso Genro, tido como um político que, embora de matiz autoritário, ético. Em Goiânia, a tendência é que Luis Cesar Bueno se torne um dos defensores do frentão. Mas há quem, no país e em Goiás, avalie que o PT deve resistir, mesmo correndo o risco de “morte”.

[caption id="attachment_77338" align="aligncenter" width="620"] João Gomes e Roberto do Orion: o primeiro carrega o peso excessivo do PT e o segundo carrega a leveza de não ser político profissional[/caption]
O PT se tornou um monstro. O tipo de monstro que todos odeiam e ninguém quer ver por perto. Em Anápolis, o prefeito João Gomes não fez uma administração desastrosa, mas é filiado ao PT. Para piorar, apareceu no município um político que não tem a imagem de político, e sim, como o prefeito eleito de São Paulo, João Dória, do PSDB, a imagem de empresário bem-sucedido que está começando a participar da política com o objetivo de levá-la a outro patamar.
Roberto do Orion está com a faca, o queijo e a urna nas mãos. No segundo turno, numa eleição com apenas dois nomes, a situação de João Gomes é a mais complicada, enquanto a do postulante do PTB é a mais confortável. O PT, numa tática equivocada, tenta sugerir que Roberto do Orion não é o novo e que, sim, também é político. Ora, quanto mais frisa que é político, e os eleitores sabem que nunca disputou mandato eletivo, mais se torna consenso de que se trata não de um político, e sim de um empresário que venceu no mercado.

José Eliton pode ter Thiago Peixoto como vice; o vice de Daniel Vilela tende a ser Antônio Gomide e Ronaldo Caiado pode bancar Iris Rezende para vice
[caption id="attachment_59194" align="aligncenter" width="620"]
Três chapas devem terçar forças pelo governo de Goiás em 2018. Pelo governo, o candidato deve ser José Eliton (aos amigos, tem sugerido que, depois de ter sido baleado em Itumbiara, pode repensar seu futuro na política), do PSDB. É um nome cada vez mais de consenso. Seu vice será, possivelmente, Célio Silveira, representando o Entorno de Brasília, ou Thiago Peixoto, representando as forças da renovação.
Porém, se permanecer no PSDB, o deputado federal Célio Silveira não terá chance alguma de ser candidato a vice. O PSDB vai bancar José Eliton para o governo, possivelmente Marconi Perillo para senador e, por isso, não terá como também bancar o vice. Portanto, se quiser disputar a vice, Célio Silveira tem de procurar, a partir de 2017, um novo partido para se filiar. Thiago Peixoto, filiado ao PSD, tem a simpatia do governador Marconi Perillo. Mas há uma ressalva: o presidente do PSD, Vilmar Rocha, não abre mão de disputar o Senado (setores do PMDB acreditam, inclusive, que podem cooptá-lo para uma aliança, o que, considerando a lealdade política do pessedista à base aliada, sobretudo ao tucano-chefe, pode ser uma missão impossível).
O PMDB fechou questão: o candidato será o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, ou seu filho, o deputado federal Daniel Vilela. Se quiser arriscar a passar a imagem de que não está renovando, e mais uma vez bancando um candidato que já disputou três eleições, tendo perdido duas, lançará Maguito Vilela. Porém, se quiser indicar que está renovando de fato, bancará Daniel Vilela, que é, de fato, o novo. O vice tende a ser Antônio Gomide, ex-prefeito de Anápolis. O único problema é o fato de pertencer ao PT. Ressalte-se que ele não tem qualquer envolvimento na bandalheira do PT nacional. Ronaldo Caiado poderia indicar um vice? Sim, poderia. Mas quem? O DEM é, cada vez mais, uma ausência na política de Goiás. O partido está caracterizando-se por ter uma única voz — exatamente a do senador.
A terceira via tende a ser Ronaldo Caiado, cuja obsessão, apesar de falar em projeto nacional, é disputar o governo de Goiás, sobretudo se contar com o apoio de Iris Rezende. Caiado sabe que uma disputa presidencial será uma aventura a mais. Em 2018, terá 69 anos, uma idade relativamente avançada. Porém, se não disputar em 2018, que talvez seja sua última chance de ser candidato a governador do Estado, dificilmente terá condições de ser candidato em 2022, quando terá 73 anos e poderá enfrentar, numa campanha, o discurso de que é “velho”, que “não representa o novo”.
O mais interessante é que, se for candidato a governador, e se Iris Rezende não for eleito prefeito de Goiânia, este ano, provavelmente será o vice de Ronaldo Caiado. Apesar de ser uma chapa com candidatos com idade avançada — Iris Rezende terá 85 anos —, não se pode dizer que se trata de uma aliança frágil. Não é.
Porém, como o PMDB terá candidato a governador, e Iris Rezende não tem mais a hegemonia no partido, sobretudo se for derrotado em Goiânia, a tendência é que, para ser vice de Ronaldo Caiado, saia da legenda e se filie noutra, talvez no PRP de Jorcelino Braga, que o receberia de braços abertos.