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Deputado e ex-senador do Tocantins passaram por constrangimento ao se posicionarem de forma polêmica no WhatsApp e no Twitter
A atual gestora da capital tocantinense não tem sequer o controle do partido ao qual é filiada, o que coloca em dúvidas a viabilidade de sua candidatura
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Prefeita Cinthia Ribeiro: a tucana quer mesmo se reeleger? Foto: Prefeitura de Palmas[/caption]
Começam surgir especulações e dúvidas acerca do verdadeiro interesse da prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB) em disputar a reeleição em Palmas, nas eleições 2020. A princípio pode parecer uma hipótese absurda, mas as circunstâncias e ocorrências têm caminhado nesse sentido.
Não sabe a viúva do ex-senador João Ribeiro, após tantos anos de convivência, que é praticamente impossível ganhar uma eleição para prefeito sem um grupo político? Deve não saber porque faltando menos de um ano para as eleições, Cinthia Ribeiro não faz parte de nenhum grupo e nem tampouco sinaliza ou se esforça para tê-lo.
A atual gestora da capital tocantinense não tem sequer o controle do partido ao qual é filiada. Em razão de desentendimentos com Ataídes Oliveira, atual presidente da sigla tucana no Tocantins e suplente de João Ribeiro, a prefeita Cinthia sequer conseguiria registrar sua candidatura, se as eleições fossem hoje. Ao contrário dela, Oliveira tem o diretório metropolitano nas mãos e a ampla maioria de votos. Poder-se-ia afirmar: “Ah, mas a executiva nacional tem o poder de destituir o diretório metropolitano”.
Não é bem assim. Assessorado por uma especializada banca de advogados, Ataídes já cercou tal hipótese, se aproveitando das brechas jurídicas. Não vai ser fácil, portanto, mesmo que o governador de São Paulo, João Dória, e a ex-governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, entre outros correligionários queiram “forçar a barra” na convenção partidária.
Entretanto, muito mais do que um partido ou um grupo político, Cinthia precisa de aliados para disputar e vencer a eleição. E ela os tem? Categoricamente, não.
A bancada federal é composta por oito deputados e três senadores. Apenas a deputada Professora Dorinha (DEM) e o senador Eduardo Gomes (MDB) tentaram aproximação. E a iniciativa não partiu da prefeita e sim dos parlamentares. Tudo inútil. Outros congressistas comentam à boca pequena: “Quem ela pensa que é? Nunca veio aqui atrás de liberação de uma emenda. Se ela não faz questão, muito menos eu!”.
O coro na Assembleia Legislativa se replica, porque não há um deputado estadual sequer que seja aliado, de todas as horas, da prefeita. E assim, dia após dia, Cinthia vai perdendo aliados importantes. A propósito, talvez o vocábulo “perder” não se encaixe neste contexto. Não se pode perder o que nunca se possuiu.
Na câmara de vereadores da capital não é diferente. Muitos vereadores da própria base de sustentação da prefeita reclamam que não são ouvidos e, muitas vezes, sequer são recebidos por ela ou pelos secretários. Alguns prometem ficar na base apenas enquanto for conveniente. Quando o “caldo engrossar” sairão à francesa. Não há o cultivo de laços com as personalidades políticas que poderiam lhe dar sustentação. Não há diálogo com o parlamento e isso é péssimo, além de inviabilizar qualquer gestão.
Pensa que acabou? Não, ainda tem mais. De forma unânime, todas os agentes políticos consultados afirmam que Cinthia Ribeiro, além de não possuir capilaridade política e não ter experiência nas urnas, também não goza do apoio popular. A população, o eleitor, “a ponta da corda” ainda não se encantou pela gestão da prefeita. Não há o clamor popular, porque ela não faz questão de se misturar com a “gentalha”. É fácil ouvir murmúrios nos pontos de ônibus ou botequins: “Essa Cinthia não tem cheiro de povo, quer administrar fechada no ar-condicionado”. Dessa forma, dizem os mais entendidos, fica difícil sustentar uma candidatura com chances.
Refletindo detidamente e, sendo construtivamente crítico, o questionamento é indubitável: Cinthia quer mesmo se reeleger? Ela será mesmo candidata à reeleição? Pelas suas condutas comportamentais, é algo para se duvidar. l
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Enganam-se aqueles que acreditam que as peças do jogo político de 2020 ainda estão longe de serem movimentadas. A preliminar já começou nos bastidores e, assim como a vegetação em torno da capital, está pegando fogo. Literalmente.
A prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB) alega que o incêndio no Parque Cesamar – no coração da cidade – foi criminoso, obra de seus adversários que, segundo ela, sorrateiramente já abriram a “caixa de ferramentas” para tentar prejudicá-la. Sua líder de governo na câmara, Laudecy Coimbra (SD), discursa que os adversários fizeram das queimadas, tão naturais nessa época ano, o “start” para a antecipação do processo eleitoral.
A constatação é que, no parlamento municipal, a prefeita tem maioria simples, ao invés de qualificada. Uma ausência, uma abstenção, uma falta justificada por enfermidade ou outros compromissos e lá se vem o desespero do Paço, ante à possibilidade de algumas de suas proposituras não serem aprovadas na Casa de Leis. A linha é tênue. Em recente votação ocorrida na Câmara – que analisava um correto e substanciado veto da prefeita, baseado num vício de iniciativa – três vereadores não compareceram. Após o projeto ter sido colocado em votação, o resultado foi surpreendente: 8x8. O veto foi mantido face ao empate, mas o recado foi claro: se a prefeita vacilar, se não articular melhor, pode até perder “quedas de braço” que, certamente, trarão prejuízos à gestão.
Cinthia tinha um aliado de primeira linha: Milton Neris (Progressistas). O elo era tão forte que ele poderia, sem quaisquer dúvidas, ter sido nomeado líder de governo. O histórico do vereador é conhecido: foi o melhor aliado do ex-prefeito Raul Filho e o maior adversário do ex-prefeito Amastha (PSB). Este último, no frigir dos ovos, enfrentou, em bom português, “o pão que o diabo amassou”.
Neris é ferrenho em suas críticas, sabe exatamente onde bater e o “pior”: é um estudioso, o que na ampla maioria das vezes lhe rende vivas e aplausos, porque debate com conhecimento de causa. Mesmo que eventualmente esteja equivocado, seu discurso é tão convincente que o eleitor mais incauto tende a acreditar que ele está certo.
Neris sabe fazer oposição, já demonstrou isso anteriormente. Ao se retirar da base de Cinthia – exatamente por conhecer onde estavam as deficiências – começou sua peregrinação/fiscalização pelos órgãos que ele sabia que apresentavam falhas em seu funcionamento. Denúncias públicas, cobranças, “lives” nas redes sociais e declarações polêmicas nada recomendáveis, aos veículos de imprensa viraram rotina. Metaforicamente, já que o assunto da atualidade são as queimadas, Neris provoca “incêndios” todos os dias, os quais os “bombeiros” da prefeita não conseguem apagar. Foi uma irreparável perca para Cinthia Ribeiro, porque Neris, do alto da tribuna da Câmara, defendia com muito conhecimento, poder de persuasão, garras, unhas e dentes a gestão municipal. Hoje, se tornou adversário e o preço de tê-lo nessa condição é muito alto.
A prefeita, naturalmente, não precisa de conselhos, mas o fato é que tornou-se necessário e urgente melhorar sua relação com o parlamento. E mais: essa “costura” tem que ser feita pessoalmente e não por secretários interpostos, sem quaisquer poderes de negociação. A bem da verdade, quem conversa e convence as lideranças comunitárias são os vereadores. Está equivocada a ideia da chefe do executivo de apostar suas fichas em lideranças do Coman – Conselho Municipal das Associações de Moradores e Entidades Comunitárias de Palmas ou mesmo outros presidentes de Entidades semelhantes. Eles podem até convencer uma pequena minoria de votantes, contudo, os maiores “puxadores de votos” em qualquer eleição, são os detentores de mandato na Câmara.
Ao mesmo tempo e por trás da guerra de bastidores, como não poderia deixar de ser, a prefeita anuncia cotidianamente, pelas redes sociais – o palanque mais moderno do pós-internet – os ápices da sua gestão. A entrega de obras novas, os reparos nas vias e prédios antigos, o início de outras obras e, por fim, o glamour do evento que fomenta o turismo da cidade nesta época do ano: o Festival Gastronômico de Taquaruçu, um sucesso consolidado, cujas atrações são inquestionáveis.
Mas, se o distrito onde é realizado o Festival foi revitalizado pela Prefeitura, o vice-governador Wanderlei Barbosa (PHS), pré-candidato a prefeito da capital, anunciou o contra-ataque: conseguiu com que o governo também revitalizasse e sinalizasse – horizontal e verticalmente – a rodovia de 17 quilômetros que liga Taquaruçu a Taquaralto. Trata-se de um recado claro à Cinthia e aos demais adversários, uma vez que ele tem sido acusado – pelos aliados de Cinthia – de não angariar benefícios para o distrito, mesmo sendo originário da região e mantendo residência fixa por lá.
O jogo e as entrelinhas do poder apresenta demonstrações diárias, mesmo que a conta-gotas. Ganha a batalha quem tem a melhor estratégia, os melhores aliados, erra menos e se desgasta pouco.
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