Raul Filho entra no jogo, mas ainda não emplaca como favorito

Nova peça no tabuleiro de xadrez – que será a eleição municipal de Palmas em 2020 – tem nome e sobrenome

Raul de Jesus Lustosa Filho acaba de entrar de vez no páreo | Foto: Agência Câmara

A nova peça no tabuleiro de xadrez – que será a eleição municipal de Palmas em 2020 – tem nome e sobrenome: Raul de Jesus Lustosa Filho, atualmente sem partido. Ele acaba de entrar de vez no páreo. A absolvição por unanimidade da acusação de improbidade administrativa oriunda da Operação João-de-Barro, promovida pela Polícia Federal em plena campanha eleitoral de reeleição, em 2008, foi proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

À época, a Polícia Federal investigava desvios de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O ex-gestor foi acusado de direcionar a licitação de uma obra de drenagem e pavimentação asfáltica em troca de favores. Foi quando chegou a ter a residência como alvo de mandado de busca e apreensão. Apesar de a operação ter ocorrido em plena campanha eleitoral, Raul Filho conseguiu se reeleger para um segundo mandato à frente da Prefeitura de Palmas.

Elegível novamente em 2019 – pelo menos até segunda ordem -, Raul Filho já declarou que tem pretensões de disputar a Prefeitura de Palmas em 2020. A polarização entre a prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB) e o vice-governador Wanderlei Barbosa (DEM) está, portanto, praticamente descartada.

Em entrevistas, Raul Filho tem se autopenitenciado por não ter exaltado as conquistas e avanços da sua administração. Ao mesmo tempo, também tem aproveitado para cutucar seus sucessores Carlos Amastha (PSB) e Cinthia. Raul tem afirmado que o primeiro apenas colocou o vestido na noiva – Palmas – que ele houvera preparado e que a segunda sequer consegue dialogar com o parlamento. Exatamente por isso, deixou de avançar em vários campos. Um adágio popular diz que é bem mais fácil ser pedra do que vidraça. Com certeza é, de fato, infinitamente mais cômodo e tranquilo. Naturalmente, Raul está aproveitando para surfar nesta onda.

Mas e os equívocos cometidos não apenas durante suas duas gestões como também na campanha eleitoral de 2016, quando disputou o cargo? Raul consegue enxergar o próprio umbigo? Ou está “sentado no próprio rabo” enquanto critica o “rabo” dos outros?

Alguns questionamentos podem ser elencados, de inopino, faltando ainda 12 meses para a eleição. Por qual partido Raul pretende se candidatar? Um político que, em pouco mais de uma década, foi filiado ao PSDB, passando pelo PPS, PT, PR e PDT, parece-nos, a princípio, bem “eclético” quando o assunto é ideologia partidária.

Outro ponto crucial
Qual grupo político o apoiaria? O grupo de Carlesse, no qual se inclui o histórico clã Siqueira Campos, já tem candidato: Wanderlei Barbosa. O grupo de Amastha também já tem sua lista de candidatos e preferências ideológicas. Além de tudo, Raul é “persona non grata” no ninho pessebista.

No grupo emedebista, também é pouco improvável. Os “modebas” lançarão candidato próprio ou apoiarão o aliado e ex-deputado Marcelo Lelis (PV). Naturalmente, face ao choque de conflitos e interesses, o ex-prefeito também não se aliaria a Cinthia Ribeiro, uma vez que ambos querem ser protagonistas ao invés de coadjuvantes.

Ah! Mas tem o grupo da senadora Kátia Abreu (PDT). Também não se encaixaria, pois os dois se desentenderam nas últimas eleições, quando Raul queria ser candidato ao Senado e foi preterido em função do mesmo desejo por parte de Irajá, filho da ex-ministra.

Sobrou o quê? A esquerda? O PT e seus nanicos correlatos? Talvez a única opção de Raul seja voltar para o “velho ninho”. Afinal, sua esposa, a ex-deputada Solange Duailibe, ainda está filiada à sigla petista. Mas o que fazer com o desgaste que o partido sofreu e tem sofrido após a prisão de Lula e o impeachment de Dilma?

O ex-deputado Paulo Mourão experimentou na pele esse desgaste ao se candidatar ao Senado, em 2018, pelo partido. A rejeição à sigla beirou as raias do inimaginável. Foi o 6º colocado. Os eleitores até achavam que Mourão era extremamente preparado para o exercício do cargo. Contudo, em razão do seu número eleitoral começar com 13, muitos acharam por bem “deixar quieto” e não lhe outorgar o mandato.

O certo é que o ex-prefeito Raul Filho deixar de ser inelegível é sim um fato político e mexe no jogo de xadrez da eleição. Mas ele ainda é apenas um “peão”, talvez uma “torre” ou no máximo um “cavalo”. O posto de “bispo” ou “rainha” ainda depende de acertar a filiação partidária, articular o grupo político e angariar os recursos financeiros. Sem esses elementos, Raul Filho não ameaça e tampouco é favorito.

Contudo, há algo a ser reconhecido: o ex-gestor é habilidoso e sabe “jogar o jogo” como ninguém. Não se assustem caso ele consiga reverter esse desfavorável quadro.

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