Prisão de Marcelo Miranda mexe com as eleições de 2020

Pai e irmão do ex-governador também foram detidos, acusados de integrar esquema de corrupção, o que vai refletir nos planos da deputada Dulce Miranda

Brito Miranda Jr., Brito Miranda e Marcelo Miranda: trio preso | Foto: Ademir dos Anjos

Uma semana marcante para a história do Tocantins. O ex-governador Marcelo Miranda (MDB), que tantas vezes ocupou o noticiário nacional em razão de duas cassações, voltou às manchetes. Desta feita, o ex-gestor foi preso em Brasília (DF), no apartamento funcional de sua esposa, a deputada federal Dulce Miranda (MDB). A acusação é que Miranda liderou uma organização criminosa suspeita de manter um sofisticado esquema para a prática constante e reiterada de atos de corrupção, peculato, fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, recebimento de vantagens indevidas, falsificação de documentos e lavagem de capitais, sempre com o objetivo de acumular riquezas em detrimento aos cofres públicos.

Como se não bastasse, seu pai, Brito Miranda, e seu irmão, Brito Miranda Junior, também foram enclausurados, acusado de estarem agindo no curso do processo, por meio da manipulação de provas, pela falsificação de documentos ou comprando depoimentos, com o claro objetivo de tumultuar e dificultar as investigações em andamento, sob a responsabilidade do Ministério Público Federal.

Marcelo Miranda é carismático, sociável, humano, solidário e típico “gente boa”, daqueles que não gostam de contrariar os companheiros. Mas parece levar isso ao pé da letra porque, das vezes que comandou o Tocantins, sempre permitiu que seu genitor agisse como primeiro-ministro e seu irmão como o intocável do Palácio Araguaia. Ao contrário de sua esposa, Dulce Miranda – que tem total controle do seu próprio mandato –, Marcelo é permissivo por demais e durante seus três mandatos o que se viu, claramente, foi ele aceitando imposições de seu pai, assinando e corroborando com as mais funestas e deletérias ações.

O resultado foram duas cassações, um impedimento para assumir o mandato no Senado face à inelegibilidade, algumas conduções coercitivas e, por fim, uma prisão, que manchou – irreparavelmente – sua imagem. Verdadeiramente lamentável.

O advogado da família Miranda, Jair Alves Pereira, questiona a argumentação do Ministério Público Federal (MPF). “Estamos trabalhando para resolver. Os fatos são antigos, requentados, que não justificam uma ordem de prisão”, enfatizou, dizendo que vai pedir a liberação dos acusados na audiência de custódia e, caso não obtenha êxito, um habeas corpus será ajuizado no Tribunal Federal Regional da 1ª Região.

Já a esposa de Marcelo, a deputada federal Dulce Miranda, lançou nota pública onde disse acreditar na inocência do trio: “A respeito das acusações que pairam sobre meu marido e pai dos meus filhos, Marcelo Miranda, eu não tenho acesso ao processo investigativo. Como esposa, tenho plena convicção da inocência e da integridade dele. Estendo esta mesma confiança ao meu sogro, Brito Miranda, e ao meu cunhado, Júnior”.

Inocentes ou não, o fato é que a prisão do presidente estadual do MDB reflete, diretamente, nas peças do xadrez político do Estado. O fato obriga os dirigentes da sigla e, a própria deputada Dulce, sair da zona de conforto ou mesmo recuar do seu projeto político para 2020. O desgaste foi, inegavelmente, irreparável.

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