Vacina contra a Covid-19 terá nova composição; especialista explica por que a mudança é necessária
10 julho 2026 às 16h25

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A atualização da composição das vacinas contra a Covid-19, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), deve ampliar a proteção contra as variantes do coronavírus atualmente em circulação e contribuir para a redução dos casos sintomáticos da doença.
“A Anvisa está alinhada às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), que atualmente indicam, de forma preferencial, a linhagem LP.8.1 em vacinas monovalentes, já que essa variante predomina em vários países, inclusive no Brasil. O objetivo é reduzir os casos sintomáticos da Covid-19”, explica Heloina Claret de Castro, médica infectologista e coordenadora do Centro de Vacinas da Unimed Goiânia, em entrevista ao Jornal Opção.
A decisão foi tomada durante a 12ª Reunião Ordinária Pública da Diretoria Colegiada da Anvisa, realizada na quarta-feira, 9. Na ocasião, a agência aprovou a atualização da composição das vacinas contra a Covid-19 utilizadas no país.

A nova instrução normativa mantém a recomendação para o uso de vacinas monovalentes que tenham a variante LP.8.1 como antígeno preferencial. Também poderão ser utilizadas vacinas derivadas da cepa JN.1, como XFG ou NB.1.8.1, desde que apresentem ampla e robusta resposta de anticorpos neutralizantes ou eficácia comprovada contra as variantes do SARS-CoV-2 atualmente em circulação.
Segundo a diretora da Anvisa e relatora da proposta, Daniela Marreco, o registro recente de dezenas de casos de síndrome gripal associados à Covid-19 reforça a necessidade de manter a estratégia de vacinação atualizada no país.
De acordo com Heloina Claret de Castro, médica infectologista e coordenadora do Centro de Vacinas da Unimed Goiânia, apesar da evolução constante do vírus, não há indícios de aumento da gravidade da doença.
“O SARS-CoV-2 continua evoluindo antigenicamente, mas todas as variantes permanecem descendentes da cepa Ômicron, embora apresentem novas mutações na proteína spike, o que pode favorecer o escape imunológico. Ainda assim, a cepa JN.1 continua oferecendo proteção razoável contra hospitalizações e óbitos”, explicou ao Jornal Opção.

A infectologista ressalta que as novas variantes apresentam maior capacidade de transmissão, mas não maior agressividade.
“Elas oferecem um pouco mais de risco de transmissibilidade, porém não são mais virulentas, ou seja, não aumentam o risco de desenvolvimento de doença grave”, afirmou.
A especialista também destaca a importância da vigilância epidemiológica para acompanhar a evolução do vírus.
“O monitoramento das síndromes gripais permite identificar a circulação de novas variantes. São avaliadas as mutações na proteína spike, a afinidade dessas variantes pelos receptores ACE2 e também dados epidemiológicos, como o aumento de casos e a gravidade da doença, que podem indicar o surgimento de uma nova cepa”, explicou.
Com a atualização da composição dos imunizantes, a expectativa é ampliar a proteção da população.
“Espera-se uma redução dos casos sintomáticos, e não apenas dos casos graves de Covid-19”, destacou Heloina.
Os grupos prioritários para vacinação permanecem os mesmos, conforme as recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e do Programa Nacional de Imunizações (PNI): crianças menores de 5 anos (a partir dos 6 meses de idade), pessoas imunocomprometidas acima de 6 meses, gestantes e idosos com 60 anos ou mais.
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