“Vou adiar uma ponte; a saúde não pode esperar”, diz Mabel ao lançar programa de R$ 20 milhões para unidades de saúde
10 julho 2026 às 15h17

COMPARTILHAR
A Prefeitura de Goiânia lançou nesta quinta-feira, 10, o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (PAFUS), iniciativa que descentraliza recursos para manutenção da rede municipal e prevê a liberação de R$ 20 milhões ainda neste segundo semestre. O valor será dividido em duas parcelas de R$ 10 milhões — a primeira neste mês de julho e a segunda em setembro. A administração municipal também anunciou a compra de 1.200 aparelhos de ar-condicionado para equipar as unidades de saúde.
O programa permitirá que gestores das unidades tenham autonomia para executar pequenos reparos e adquirir materiais necessários ao funcionamento cotidiano, reduzindo a dependência de processos centralizados e licitações para demandas de baixa complexidade. Segundo a prefeitura, os recursos poderão ser utilizados em serviços de manutenção predial, conservação, limpeza, higiene, compra de suprimentos de saúde e materiais de escritório.
Durante o lançamento, o prefeito Sandro Mabel afirmou que o objetivo é resolver problemas estruturais que afetam diariamente o atendimento à população.
Nós temos 117 unidades de saúde e todas elas têm problemas. Tem telhado que vaza, bebedouro que não funciona, ar-condicionado quebrado. O PAFUS é exatamente para isso: dar autonomia para que a própria unidade resolva essas situações
Inicialmente, a previsão da administração era destinar R$ 8 milhões ao programa neste segundo semestre. O valor foi ampliado para R$ 10 milhões e, posteriormente, dobrado para R$ 20 milhões.
Eu falei para o doutor Luiz: vou cortar uma ponte que eu ia fazer, que custaria R$ 10 milhões. A ponte pode esperar mais um pouquinho, mas a saúde de Goiânia não pode
O vice-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, vereador Anselmo Pereira, afirmou que o PAFUS deve reduzir a demora na execução de reparos e na substituição de equipamentos nas unidades de saúde. Segundo ele, demandas relativamente simples hoje podem depender de processos licitatórios que se estendem por até 90 dias.
“Imagine que quebre um equipamento de pressão ou uma peça de radiografia que custe R$ 5 mil ou R$ 10 mil. É preciso fazer uma licitação, que pode levar 90 dias. Com o dinheiro do PAFUS, o gestor terá condições de resolver imediatamente e disponibilizar o serviço para o munícipe que precisa ser atendido, porque a doença não espera”, afirmou.

Anselmo também destacou que a descentralização dos recursos deverá ser acompanhada por mecanismos de fiscalização e prestação de contas. De acordo com o vereador, os gestores serão responsáveis pela aplicação dos valores e estarão sujeitos a monitoramento e auditoria.
Prefeitura destinava R$ 7,5 milhões por ano para manutenção
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a rede destinava R$ 7,8 milhões por ano para a manutenção das mais de 100 unidades. Nesse contexto, os R$ 20 milhões anunciados correspondem a cerca de dois meses e meio do custo mensal informado pela administração e reforçam a estratégia de ampliar os investimentos diretamente nas unidades.
De acordo com Mabel, os primeiros R$ 10 milhões começam a ser transferidos neste mês, enquanto a segunda parcela será liberada no fim de setembro para custear as ações dos últimos meses do ano.
Gestor da unidade de saúde do Bairro Goiá, Alaor Mendanha afirma que pequenos reparos frequentemente permanecem parados devido à burocracia da administração pública.
O PAFUS vem para somar muito com a gestão. Pequenos reparos que poderiam ser resolvidos no dia a dia muitas vezes ficavam travados pela burocracia própria do setor público

Ele cita como exemplo uma ocorrência registrada nesta semana, quando dois consultórios de emergência ficaram sem iluminação após a queima simultânea de lâmpadas.
Se nós já tivéssemos o PAFUS funcionando, isso poderia ter sido resolvido no mesmo dia. Parece pouco, mas, para uma unidade de urgência e emergência, dois dias fazem muita diferença
Segundo o gestor, obras mais complexas também enfrentam demora. No início deste ano, a troca da fiação elétrica da unidade levou cerca de 40 a 50 dias devido a problemas em contratos de manutenção, situação que, segundo ele, tende a ser reduzida com o novo modelo.
No Cais Cândida de Morais, o gestor José Ismariano Cardoso destaca que a principal vantagem será evitar a interrupção de serviços por problemas simples.
“Uma torneira que estraga, uma tomada do computador da recepção que deixa de funcionar. O gestor passa a ter autonomia para tomar uma decisão imediata e não parar o atendimento da população”, afirmou.
Como funcionará o PAFUS
O programa atenderá 117 unidades de saúde distribuídas por todas as regiões de Goiânia. Cada unidade terá conta bancária própria para movimentação dos recursos, além de uma pessoa jurídica sem fins lucrativos e CNPJ específico para gerir os valores. Também será necessária a elaboração de um Plano de Aplicação de Recursos (PAR).
A execução será acompanhada por uma Comissão Executora Local, formada pelo gestor da unidade, trabalhadores e representantes dos usuários. A prestação de contas ocorrerá trimestralmente ao Conselho Municipal de Saúde, à Controladoria-Geral do Município e ao Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás.
Leia também:
Adriana Accorsi comunica a Edinho Silva que não será candidata ao governo de Goiás



