O Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) realiza uma fiscalização inédita para avaliar a atuação do governo estadual na prevenção e no enfrentamento dos impactos ambientais provocados pelo aumento do turismo no Rio Araguaia. O trabalho envolve ações de planejamento, educação ambiental, fiscalização e gestão de resíduos sólidos durante a alta temporada.

Em entrevista ao Jornal Opção, o auditor Lucas Monteiro explicou que a iniciativa busca verificar se a presença do Estado é reforçada no período em que aumenta a circulação de turistas, embarcações e acampamentos na região.

“A ideia do Tribunal de Contas é analisar as ações de planejamento, educação ambiental e fiscalização ambiental que o Estado de Goiás vem realizando nessa época em que o fluxo turístico da região aumenta e, consequentemente, os impactos ambientais também aumentam”, afirmou.

Segundo Monteiro, o trabalho parte do entendimento de que a ampliação da atividade turística exige uma resposta proporcional dos órgãos públicos. “A presença do Estado nessa época tem que ser bem mais fortalecida para a preservação ambiental do Rio Araguaia e de seus afluentes”, acrescentou.

A equipe do TCE-GO visitou o distrito de São José dos Bandeirantes, em Nova Crixás, além dos municípios de Aruanã e Aragarças. As três localidades formam a amostra definida inicialmente pelo Tribunal para o levantamento em campo.

Durante as visitas, os auditores conversaram com turistas, ribeirinhos, comerciantes e gestores municipais. Também foram visitados postos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros para verificar como ocorre a cooperação entre os órgãos e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

Fiscalização ainda coleta evidências

Apesar da conclusão das visitas aos três municípios, o processo permanece na fase de coleta e análise de informações. Por esse motivo, o auditor afirmou que ainda não é possível divulgar eventuais irregularidades ou deficiências encontradas.

“A fiscalização ainda está em andamento. Estamos na fase de coleta de dados e evidências, então não podemos antecipar nenhum achado, porque se trata de um processo que será apreciado pelo plenário do Tribunal”, explicou Monteiro.

Somente depois da análise e do julgamento pelo TCE-GO os resultados poderão ser divulgados. O relatório poderá apontar falhas, formular recomendações e estabelecer medidas para o aprimoramento da atuação estadual na região.

Entre os pontos examinados estão as atividades de conscientização direcionadas aos turistas, a presença de fiscais, a fiscalização da destinação de resíduos sólidos e a integração da Semad com prefeituras, Polícia Militar e demais órgãos envolvidos na temporada.

“A nossa ideia é fazer uma verificação completa dessa temática, tanto na parte educacional quanto na fiscalização ambiental”, disse o auditor.

A avaliação, entretanto, não inclui a realização direta de testes sobre a qualidade da água. De acordo com Monteiro, o TCE-GO não fará coletas ou medições ambientais no rio, uma vez que o foco está na execução das políticas públicas de educação e fiscalização.

“Não se trata de um tema relacionado à qualidade da água nesta fiscalização específica. O trabalho é voltado às ações de educação ambiental e fiscalização”, esclareceu.

Lixo e esgoto estão entre as preocupações

Embora a qualidade da água não seja objeto direto do trabalho, problemas envolvendo lixo, esgoto e resíduos produzidos nos acampamentos estão relacionados às políticas avaliadas pelo Tribunal.

Uma pesquisa realizada pela Goiás Turismo durante a temporada de 2025 ouviu 400 responsáveis por grupos de visitantes, que representavam 8.802 pessoas, em Aruanã, Bandeirantes e Luiz Alves. O levantamento apontou pedidos por mais lixeiras, implantação de coleta seletiva, campanhas de conscientização ambiental e reforço no combate à pesca e à caça predatórias.

O relatório também registrou relatos de acúmulo de resíduos nas praias, descarte inadequado de dejetos provenientes dos acampamentos e possível lançamento de esgoto sanitário no rio em Bandeirantes. As manifestações foram apresentadas pelos entrevistados e não constituem, isoladamente, confirmação técnica das irregularidades.

O Plano Anual de Fiscalização Ambiental da Semad prevê 650 ações no Noroeste goiano em 2026, maior número programado entre as regiões do estado. Estão previstas 455 ações relacionadas à vegetação, 50 sobre poluição ou degradação ambiental, 18 envolvendo segurança de barragens, dez sobre gestão de resíduos, sete voltadas à fauna e 65 ligadas ao licenciamento ambiental.

O relatório do TCE-GO poderá ser concluído entre meados de agosto e setembro. O prazo, contudo, pode ser alterado conforme o andamento da fiscalização e a necessidade de novas diligências. Depois de finalizado, o processo será encaminhado para apreciação do plenário. A relatoria está sob responsabilidade do conselheiro Celmar Rech.

Semad prevê 650 ações no Noroeste

O Plano Anual de Fiscalização Ambiental de 2026 prevê 650 ações da Semad no Noroeste goiano, maior número programado entre as regiões do estado. O planejamento inclui 455 fiscalizações relacionadas à vegetação, 50 sobre poluição ou degradação ambiental, 18 de segurança de barragens, dez de gestão de resíduos, sete voltadas à fauna e 65 referentes ao licenciamento ambiental, além de ações envolvendo o solo e o combate ao fogo.

No Vale do Araguaia, a fiscalização precisa conciliar a movimentação econômica provocada pelo turismo com a proteção de praias, matas ciliares, animais silvestres e comunidades que dependem diretamente do rio. A região também abriga unidades de conservação e territórios tradicionais, incluindo as Terras Indígenas Karajá I e III, em Aruanã.

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