A Marcha dos Prefeitos, realizada em Brasília, reuniu mais de três mil gestores municipais e cerca de 5,5 mil participantes no auditório principal. O evento contou com a presença de nomes de peso da política nacional, mas a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi notada e criticada. Em seu lugar, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) representou o governo, sendo recebido com vaias e aplausos. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), que participou no dia anterior, foi ovacionado por parte do público, mas também enfrentou críticas.

O grande destaque, no entanto, foi o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Em entrevista ao Jornal Opção, Zé Délio (UB), prefeito de Hidrolândia e presidente da Associação Goiana dos Municípios (AGM), afirmou que Caiado foi calorosamente recebido pelos prefeitos e apresentou um discurso firme, pautado no municipalismo.

Zé Délio (UB), prefeito de Hidrolândia | Foto: Divulgação

“Eu não vim aqui fazer discurso. Eu vim aqui mostrar que sou municipalista de carteirinha e que consigo provar o que fiz pelos prefeitos e prefeitas de Goiás”, afirmou o governador. Ele citou programas sociais, recapeamentos, entrega de patrulhas mecanizadas e parcerias firmadas com os municípios.

Entre os pontos mais valorizados pelos prefeitos, Caiado prometeu respeito ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM), revisão do Pacto Federativo e presença constante nas futuras Marchas dos Prefeitos, caso seja eleito presidente.

“Ele sabe que não dá conta de resolver tudo, mas mostrou que é municipalista e que pretende buscar alternativas para amenizar os problemas enfrentados pelos municípios”, relatou Zé Délio.

O clima de insatisfação com o governo federal também foi perceptível durante o evento. Prefeitos criticaram a criação de pisos salariais sem contrapartida financeira da União, o que, segundo eles, aumenta a pressão sobre as contas municipais.

“Votam a lei, fazem festa, anunciam isenção de imposto e não mandam nenhuma contrapartida para que a gente consiga, pelo menos, equilibrar as contas”, disse o presidente da AGM. Segundo ele, há descontentamento entre os gestores municipais com a postura do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Caiado também aproveitou o evento para comentar os recentes vazamentos de conversas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como possível candidato à Presidência da República.

“Quem está contaminado com corrupção ou qualquer outro tipo de irregularidade não tem legitimidade para sentar na cadeira de presidente”, declarou Caiado.

Zé Délio também destacou a trajetória política do governador Ronaldo Caiado.

“Ele tem 40 anos de vida pública e não possui envolvimento com nenhuma mancha. Nunca apareceu em nada”, afirmou.

Sobre a escolha de um vice para uma eventual candidatura presidencial, Caiado ainda não sinalizou nomes, mas há expectativa de que a composição tenha uma mulher. Segundo Zé Délio, o tema deverá ser discutido com o partido e com lideranças nacionais, entre elas Gilberto Kassab, especialmente em busca de alianças no Nordeste.

O governador também participou de um almoço com prefeitos de Minas Gerais, onde, segundo relatos, foi bem recebido, demonstrando capacidade de articulação política além das fronteiras goianas.

Para Zé Délio, o cenário atual favorece o crescimento político de Caiado.

“Hoje os municípios têm gestores que estão sofrendo. E esses gestores tendem a apoiar uma pessoa equilibrada, de centro-direita, que tenha condições reais de cumprir aquilo que propõe”, afirmou.

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