EUA classificam como “absurdo” temor do Itamaraty após PCC e CV entrarem na lista de organizações terroristas
07 julho 2026 às 19h03

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O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como “absurda” a avaliação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, de que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas possa abrir espaço para eventual uso de força militar norte-americana em território brasileiro.
Em resposta ao portal Metrópoles, a diplomacia norte-americana afirmou que a medida tem como objetivo combater organizações criminosas que passaram a atuar nos Estados Unidos e negou qualquer intenção de intervenção no Brasil. “Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender nosso povo contra elas”, informou o Departamento de Estado.
Os EUA também afirmaram que a classificação das facções não tem como finalidade justificar ações militares contra o Brasil e acrescentaram que “alegações vagas de intervenção” podem servir para fortalecer organizações criminosas.
Documento do Itamaraty
A manifestação norte-americana responde a um documento enviado pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados, no qual Mauro Vieira afirma que a decisão unilateral dos Estados Unidos pode abrir margem para medidas extraterritoriais contra instituições brasileiras.
No texto, o chanceler argumenta que a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas poderia fundamentar ações administrativas, financeiras, migratórias e penais contra pessoas e empresas brasileiras, além de mencionar a possibilidade de uso da força militar.
Segundo o ministro, a legislação antiterrorismo dos Estados Unidos concede ampla margem para adoção dessas medidas, o que poderia gerar impactos sobre a soberania nacional.
O Itamaraty também informou que o governo brasileiro não recebeu comunicação oficial de Washington sobre a decisão e classificou a medida como um ato unilateral.
Classificação das facções
O governo norte-americano anunciou no fim de maio a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A decisão foi oficializada em 5 de junho pelo governo do presidente Donald Trump como parte da estratégia de combate ao crime organizado transnacional.
Segundo o Departamento de Estado, as duas facções representam ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos devido à atuação internacional ligada ao narcotráfico.
Sanções
Após a classificação, o governo norte-americano anunciou sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma empresa em Portugal, apontados como integrantes de uma rede de lavagem de dinheiro vinculada ao PCC.
De acordo com as autoridades dos Estados Unidos, o grupo teria movimentado mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.
Entre os sancionados estão Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como ligação entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais, e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, acusada de atuar na movimentação de recursos da organização criminosa.
Também foram alvo das sanções as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.
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