O aumento dos casos de doenças inflamatórias intestinais (DII) tem acendido um alerta entre especialistas em saúde no Brasil e no mundo. Dados apresentados durante a campanha Maio Roxo apontam que cerca de 10 milhões de pessoas convivem com essas condições globalmente.

No Brasil, um estudo epidemiológico baseado em registros de mais de 212 mil pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) identificou crescimento médio anual de 15% na prevalência das doenças, chegando a 100 casos a cada 100 mil habitantes.

As principais doenças inflamatórias intestinais são a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Apesar de apresentarem sintomas semelhantes, elas possuem características diferentes. Enquanto a Doença de Crohn pode atingir qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, a retocolite ulcerativa afeta apenas o cólon e o reto.

Captura de Tela 2026-05-29 às 15.09.06
Dr. Sandro Andrade. (Foto: Divulgação)

Ao Jornal Opção o gastroenterologista e cirurgião do aparelho digestivo Sandro Andrade, um dos maiores desafios é o diagnóstico tardio, já que os sintomas costumam ser confundidos com problemas digestivos comuns.

“A dor de barriga esporádica após uma alimentação pesada ou uma diarreia provocada por uma virose são quadros autolimitados, em que o corpo se recupera sozinho em poucos dias. Já a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa são crônicas e recidivantes”, afirmou.

Entre os chamados “sinais vermelhos” que indicam necessidade de investigação médica estão diarreia persistente, presença de sangue ou muco nas fezes, dores abdominais frequentes, perda de peso sem explicação, fadiga intensa e manifestações fora do sistema digestivo, como dores articulares e inflamações na pele e nos olhos.

O especialista também alerta para possíveis complicações quando não há tratamento adequado. No caso da Doença de Crohn, a inflamação contínua pode provocar obstruções intestinais, fístulas e abscessos, exigindo internações e até cirurgias de urgência.

Além disso, entidades médicas nacionais e internacionais apontam que pacientes com inflamação ativa por mais de oito a dez anos apresentam maior risco de desenvolver câncer colorretal. De acordo com Sandro Andrade, o tratamento das doenças evoluiu nos últimos anos.

“Hoje, a estratégia global é o Treat-to-Target, onde o objetivo é a cicatrização completa da mucosa intestinal, mantendo o paciente em remissão sustentada e livre de corticoides”, explicou. Especialistas também relacionam o avanço das doenças inflamatórias intestinais a hábitos associados ao estilo de vida moderno.

O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras, aliado ao estresse crônico e à privação de sono, é apontado como um dos fatores que contribuem para o aumento dos diagnósticos, especialmente entre jovens de 15 a 40 anos. Durante a campanha Maio Roxo, profissionais de saúde reforçam a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Leia também: