De volta à política, Simeyzon confirma pré-candidatura, declara apoio a Daniel Vilela e diz que, se eleito, dedicará mandato ao filho
01 junho 2026 às 18h55

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Depois de oito anos afastado da vida pública, o ex-vereador e ex-deputado estadual Simeyzon Silveira (Mobiliza) pretende disputar, neste ano, uma cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás. O pré-candidato, inclusive, se desincompatibilizou na última semana do cargo de diretor do Sistema Fecomércio Sesc/Senac em Goiás justamente com vistas à disputa eleitoral.
Simeyzon sofreu dois duros golpes no último um ano e meio. Em 2024, perdeu seu pai, o Apóstolo Sinomar, fundador do Ministério Luz para os Povos, e há dois meses perdeu seu filho, Alexandre, de apenas 26 anos.
No entanto, as tragédias, segundo ele, o ajudaram a ter força para continuar e foram o combustível de seu retorno para a vida pública. “O que me motiva é buscar uma vitória que eu possa dedicar a ele. Quero construir um mandato de alto nível, um mandato que honre a memória do meu filho e também a do meu pai”.
Com forte atuação ligada ao setor produtivo, Simeyzon garante que pretende levar a experiência adquirida nesse meio para a Alego, caso eleito. Na disputa ao governo, o ex-deputado aponta o nome de Daniel Vilela (MDB) como o mais preparado e diz que ele “representa uma modernização da administração pública.”
Ton Paulo – O senhor está há oito anos longe da política. Seu último mandato foi de deputado estadual e, agora, é pré-candidato à Alego novamente. O que despertou seu desejo de voltar para a política?
Bem, primeiro, eu nunca fiz da política uma profissão. Para mim, política é uma função que precisa ter representatividade e qualidade nessa representação. Eu venho do setor privado; minha origem é o setor privado.
Por muito tempo fui lojista, atacadista, tive escola, enfim. Sempre trabalhei desde os 14 anos, e minha vida sempre esteve ligada à iniciativa privada. É dela que eu tiro o meu sustento.
A política surgiu como uma consequência de acontecimentos na minha vida. Tudo começou a convite do Iris Rezende, quando ele retornou à Prefeitura de Goiânia
A partir do momento em que entrei para a equipe do Iris Rezende, uma sequência de oportunidades aconteceu. Fui secretário, depois vereador e, posteriormente, deputado. Acabei passando 20 anos muito focado na vida pública.
Em determinado momento, tomei uma decisão pessoal de retornar ao setor privado, às minhas origens. Foi um movimento que eu desejava fazer. Tanto que, na última eleição, nem disputei. Eu já estava muito envolvido com a Federação do Comércio e optei por continuar atuando no setor privado.
No entanto, as bases com as quais construímos um trabalho político ao longo de mais de 20 anos começaram a cobrar esse retorno. Além disso, temos enfrentado uma sequência de pautas muito difíceis para o setor produtivo. Tanto o governo Bolsonaro quanto o governo Lula tentaram retirar recursos do Sistema S. Foi uma luta enorme para manter aquilo que é nosso, porque esses recursos são privados.
O setor produtivo passou a entender que, se não começarmos a formar agentes políticos ligados ao próprio setor, teremos muitas dificuldades. Foi nesse contexto que fui convocado para ser esse braço político da Federação do Comércio, do Sesc e do Senac.
Ao mesmo tempo, há outra base muito importante para nós: o segmento evangélico, fortemente ligado à história e ao legado do meu pai. Ele faleceu há um ano e meio, mas hoje meu irmão está à frente do Ministério Luz para os Povos. Essas bases passaram a cobrar de forma muito intensa o meu retorno e a retomada dessa representatividade.
No final do ano passado, após muitas conversas e reflexões junto a essas lideranças e bases de apoio, decidi aceitar esse desafio e retornar.
Portanto, é nesse contexto, atendendo a essa convocação, que voltamos neste ano com uma pré-candidatura a deputado estadual.
Ton Paulo – Queria falar um pouco sobre a sua trajetória partidária. Você já passou pelo PSC, PSD, DC e hoje está no Mobiliza. Houve também a questão da implosão da chapa do DC, e a gente sabe o que aconteceu. O PSD é um partido pelo qual você já passou. Você chegou a avaliar voltar para ele?
Na verdade, nós estávamos no PSD. O que aconteceu foi que fechamos uma chapa antes mesmo de tomar a decisão partidária.
Quem é candidato precisa avaliar muito bem esses espaços, porque essa é uma decisão extremamente estratégica. Dependendo da escolha partidária, posso precisar de 20 mil ou de 40 mil votos para me eleger. Ou seja, metade da campanha passa por essa definição.
Quando começamos a formar a chapa, eu, Gil Tavares e Daniel Messac ainda não havíamos definido um partido. Primeiro organizamos o grupo e estruturamos a chapa. Naquele momento, a ideia era ingressar no PSD. Todo esse grupo estava se organizando com essa perspectiva.
No entanto, a partir do momento em que o governador Caiado assumiu o comando do partido, tornou-se natural que o PSD passasse a ter uma chapa mais robusta, com a presença de mandatários. Isso criaria um ambiente muito mais difícil para quem, como nós, está fora de mandato e precisa disputar espaço eleitoral.

Foi então que entendemos que precisávamos buscar outro caminho. Na época, avançamos nas conversas para ingressar no DC.
Posteriormente, porém, surgiram divergências relacionadas a informações e a pontos que haviam sido acordados para a nossa entrada no partido. Diante disso, concluímos que aquele não seria o espaço mais estratégico para o nosso projeto.
Hoje, entendemos que a chapa do Mobiliza é a melhor opção entre aquelas que não contam com candidatos detentores de mandato.
Ton Paulo – Como está o seu posicionamento em relação à chapa majoritária? Já temos alguns pré-candidatos colocados. O próprio Daniel Vilela deve disputar a reeleição, além de Marconi Perillo, Wilder Morais e do candidato do PT, que ainda será definido. Quem o senhor apoiará?
Daniel Vilela. Para mim, Daniel representa uma modernização da administração pública.
Meu apoio a ele não se dá apenas pelo que acredito que ele pode fazer por Goiás, mas também pelo conhecimento que tenho da sua trajetória. Nós começamos juntos na vida pública. Fui vereador com o Daniel e também deputado estadual ao lado dele. Sempre enxerguei nele um potencial muito grande.
Ele tem conhecimento, preparo e condições de realizar uma grande gestão. Além disso, assumirá um governo já organizado, o que lhe dá condições favoráveis para desenvolver um trabalho consistente.
É uma liderança ainda jovem e que tem tudo para se consolidar como um novo expoente da política goiana.
Ton Paulo – Você vem de uma escola política muito respeitada em Goiás, ligada a Iris Rezende e Maguito Vilela. Inclusive, chegou a ser cotado para ser vice de Maguito em 2020. Como avalia a decisão de Ana Paula Rezende, filha de Iris Rezende, de ser vice de Wilder Morais? Houve quem criticasse a escolha, afirmando que ela teria traído o legado do pai.
Eu respeito muito as decisões políticas. Cada pessoa tem o seu próprio caminho. Não adianta dizer que a Ana Paula traiu o Iris. A Ana Paula tomou uma decisão. Se o Iris aprovaria ou não essa escolha, é algo que nunca vamos saber.
Eu acredito que todo movimento na política gera consequências, que podem ser positivas ou negativas. O que precisa ser avaliado são justamente essas consequências.
A Ana Paula fez um movimento que poucas pessoas esperavam. E quem vai avaliar essa decisão, no fim das contas, é a população. Foi uma movimentação que muitas pessoas tiveram dificuldade de compreender, porque, geralmente, mudanças políticas costumam seguir alguma lógica.
Muitas vezes, uma mudança de posicionamento ocorre porque o partido ou o grupo político passa por transformações ideológicas ou estratégicas. Nesses casos, existe uma justificativa que ajuda a explicar essa transição.
No caso da Ana Paula, particularmente, eu não consigo identificar um fator que justifique de forma clara essa migração política.
Ton Paulo – Há pouco tempo, você vivenciou o pior pesadelo para um pai, que foi a perda de um filho. Gostaria de saber como foi para você decidir voltar à política após um momento tão doloroso e se, caso seja eleito, essa experiência poderá influenciar sua atuação parlamentar ou resultar em algum projeto de lei.
Eu costumo dizer que passei por duas perdas extremamente difíceis em um intervalo muito curto de tempo. Há um ano e meio perdi meu pai, que era a minha maior referência de vida. E, há cerca de dois meses, perdi meu filho. Foram duas perdas avassaladoras em um período muito pequeno.
É um processo de superação diária. A gente vai atravessando um dia de cada vez. Como você mencionou, acredito que a pior experiência que um ser humano pode viver é enterrar um filho. É algo muito duro.
Tenho buscado forças diariamente em meio ao caos. Minha ligação com o meu filho era muito forte. Ele tinha 26 anos, morava comigo e nasceu com um problema de saúde que o acompanhou por toda a vida. Sempre sofreu muito com dores, e isso acabou nos aproximando ainda mais. Vivíamos essa realidade juntos. Por isso, a perda dele foi extremamente dolorosa para mim.

Eu me lembro que meu filho faleceu em uma quinta-feira. No sábado, meu irmão mais velho, que também viveu uma experiência semelhante ao perder uma filha há dez anos, foi à minha casa e me fez uma pergunta. Ele quis saber se eu ainda conseguiria disputar a eleição ou se pensava em desistir.
Eu respondi que, naquele momento, tinha ainda mais motivos para seguir em frente. Disse a ele que agora eu queria ganhar essa eleição porque teria a oportunidade de dedicar esse mandato ao meu filho.
Por isso, eu costumo dizer que esse mandato terá um nome: o nome do meu filho.
Hoje, a força que procuro encontrar em meio a toda essa dor vem justamente desse propósito. O que me motiva é buscar uma vitória que eu possa dedicar a ele. Quero construir um mandato de alto nível, um mandato que honre a memória do meu filho e também a do meu pai, duas pessoas que marcaram profundamente a minha vida e às quais desejo prestar uma homenagem duradoura por meio do meu trabalho.
Ton Paulo – Gostaria de saber sobre sua passagem pelo setor produtivo e o que o senhor traz dessa experiência para sua pré-campanha.
Eu venho do setor privado. Comecei a trabalhar aos 14 anos. Passei pelo setor bancário, depois empreendi, tive comércio, lojas e também escolas. Toda a minha formação profissional foi construída na iniciativa privada.
Quando fui deputado, sempre atuei fortemente na defesa do setor produtivo. Eu era um dos parlamentares mais envolvidos com essas pautas. Ao término do meu mandato, recebi um convite para atuar na Federação do Comércio e também um convite do então presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira.
Naquele momento, o Lissauer havia sido eleito presidente da Assembleia e integrava o nosso grupo político. Ele tinha o desejo de implantar um programa itinerante na Casa e sabia que eu já possuía experiência nesse tipo de trabalho. Durante meus mandatos, sempre tive uma atuação muito voltada para ações itinerantes e para a área social.
Ele queria transformar essa ideia em um projeto institucional da Assembleia Legislativa. Foi então que assumimos esse compromisso. Trabalhamos na regulamentação do programa, buscamos parceiros, firmamos termos de cooperação e estruturamos toda a rede necessária para colocá-lo em funcionamento.
Assim nasceu o Alego Ativa. A partir daí, começamos a percorrer o Estado com um programa itinerante que reunia diversos parceiros institucionais. Foi uma experiência muito enriquecedora e que trouxe resultados importantes para a população.
Minha passagem pela Fecomércio também foi extremamente significativa. Eu me senti em casa, porque já defendia essas pautas e conhecia profundamente as demandas do setor produtivo
Costumo dizer que o setor privado, muitas vezes, tem dificuldade para compreender algumas dinâmicas do setor público. Da mesma forma, o setor público nem sempre entende adequadamente as necessidades e os desafios da iniciativa privada.
Por isso, considero muito importante a presença de agentes públicos que conheçam bem os dois ambientes. Estar em uma Casa Legislativa e compreender tanto as demandas do setor público quanto as do setor privado é um diferencial importante. Isso permite construir pontes e estabelecer um diálogo produtivo entre os dois setores.
Essa é a política em que eu acredito: uma política de construção, de diálogo e de convergência.
Hoje, inclusive, faço críticas ao momento político que estamos vivendo, justamente porque muitas vezes falta essa capacidade de construir consensos e promover entendimentos.
Ton Paulo – Teremos eleições presidenciais neste ano. Quem o senhor avalia como o melhor nome?
Ronaldo Caiado. Eu entendo que ele representa uma alternativa fora da polarização que, na minha avaliação, tem sido prejudicial para o país. Também considero que a Presidência da República exige preparo, experiência e uma trajetória consistente na vida pública. Não é uma função que possa ser exercida por qualquer pessoa.
No caso do Caiado, vejo atributos que considero importantes para o exercício desse cargo. Ele possui uma longa trajetória política, experiência administrativa e vivência tanto no Poder Legislativo quanto no Poder Executivo.
Para mim, é muito relevante que um presidente conheça profundamente o funcionamento do Parlamento e também da máquina pública. Ter experiência nessas duas áreas contribui para uma compreensão mais ampla dos desafios da administração pública e da construção política necessária para governar.
Esses são fatores que sempre levo em consideração ao avaliar uma liderança política.



